{"id":37735,"date":"2018-01-30T10:30:58","date_gmt":"2018-01-30T12:30:58","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=37735"},"modified":"2018-02-01T13:27:32","modified_gmt":"2018-02-01T15:27:32","slug":"papa-francisco-tocou-em-assunto-quase-proibido-e-a-midia-fingiu-que-nem-ouviu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/papa-francisco-tocou-em-assunto-quase-proibido-e-a-midia-fingiu-que-nem-ouviu\/","title":{"rendered":"Papa Francisco tocou em assunto quase proibido \u2013 e a m\u00eddia fingiu que nem ouviu"},"content":{"rendered":"<p>Por que n\u00e3o se fala disto? S\u00f3 porque foi perpetrado pelos comunistas?<\/p>\n<p>O Papa Francisco recordou neste domingo os cerca de 3,5 milh\u00f5es de v\u00edtimas da fome provocada deliberadamente nos campos da Ucr\u00e2nia pelas pol\u00edticas do ditador comunista Joseph Stalin, da antiga Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, entre 1932 e 1933, para \u201ccoletivizar\u201d fazendas de gado e terras agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>O abomin\u00e1vel epis\u00f3dio, chamado hoje de Holodomor, foi o mais vultoso, mas n\u00e3o o \u00fanico do g\u00eanero: 1,5 milh\u00e3o de pessoas no Cazaquist\u00e3o e quase outro milh\u00e3o de habitantes do norte do C\u00e1ucaso e de regi\u00f5es ao longo dos rios Don e Volga sofreram supl\u00edcios semelhantes, na mesma \u00e9poca, tamb\u00e9m causados propositalmente pelo governo comunista.<\/p>\n<p>Em mensagem ao povo ucraniano, o Papa Francisco mencionou \u201ca trag\u00e9dia do Holodomor, a morte por fome provocada pelo regime estalinista que deixou milh\u00f5es de v\u00edtimas. Rezo pela Ucr\u00e2nia, para que a for\u00e7a da paz possa curar as feridas do passado e promover caminhos de paz\u201d.<\/p>\n<p>O genoc\u00eddio ucraniano come\u00e7ou devido \u00e0 resist\u00eancia de muitos camponeses do pa\u00eds \u00e0 coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, uma das bases do regime comunista por implicar a supress\u00e3o da propriedade privada. Os sovi\u00e9ticos confiscaram maci\u00e7amente o gado, as terras e as fazendas dos ucranianos e lhes impuseram puni\u00e7\u00f5es que iam de trabalhos for\u00e7ados ao assassinato sum\u00e1rio, passando por brutais deslocamentos de comunidades inteiras.<\/p>\n<p>Apesar de ter-se tratado do exterm\u00ednio sistem\u00e1tico de um povo, ainda n\u00e3o h\u00e1, na assim chamada \u201ccomunidade internacional\u201d, um reconhecimento amplo e claro do genoc\u00eddio ucraniano. Algumas correntes ideol\u00f3gicas evitam o termo genoc\u00eddio alegando que o Holodomor teria sido, a seu ver, uma consequ\u00eancia de \u201cproblemas log\u00edsticos\u201d associados \u00e0s radicais altera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Ou seja, uma coisa deixaria de ser essa coisa porque chegou a ser essa coisa como efeito colateral de alegadas boas inten\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n<p>\u00c9 bastante interessante observar que, recorrente e teimosamente, s\u00e3o confeccionadas teorias suavizantes e condescend\u00eancias \u201ct\u00e9cnicas\u201d para driblar a verdade sobre o comunismo: essa aberra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica jamais passou, nem poderia, de uma monstruosidade t\u00e3o odiosa e criminosa quanto o nazismo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, falando em nazismo, praticamente todo o mundo j\u00e1 ouviu falar do Holocausto. Muit\u00edssimo menos gente j\u00e1 ouviu falar do Holodomor. N\u00e3o se trata de comparar os horrores, mas de questionar o relativo sil\u00eancio em torno a este em compara\u00e7\u00e3o com a ampla divulga\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 \u00e0quele, sem que qualquer desses epis\u00f3dios atrozes seja \u201cmenos grave\u201d ou \u201cmais grave\u201d que o outro. S\u00f3 h\u00e1 relativiza\u00e7\u00e3o moral do exterm\u00ednio humano, afinal, na mente de quem o instrumentaliza.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 fato que praticamente todo o mundo que tem acesso \u00e0 m\u00eddia j\u00e1 ouviu dizer que Hitler matou 6 milh\u00f5es de judeus nos campos nazistas de concentra\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio entre 1933 e 1945 (embora se d\u00ea menos aten\u00e7\u00e3o ao fato de que esse exterm\u00ednio sistematizado tamb\u00e9m se estendeu a minorias menos recordadas, como ciganos, poloneses, prisioneiros de guerra sovi\u00e9ticos, deficientes f\u00edsicos e mentais, homossexuais, al\u00e9m de minorias clamorosamente \u201cesquecidas\u201d, como as v\u00edtimas cat\u00f3licas \u2013 S\u00e3o Maximiliano Kolbe e Santa Teresa Benedita da Cruz s\u00e3o dois exemplos ilustres dentre muitos outros quase ignorados, mas bastam para questionar a campanha de desinforma\u00e7\u00e3o orquestrada por quem acusa a Igreja de ter sido \u201cc\u00famplice\u201d daquela carnificina).<\/p>\n<p>Sem que se diminua em nada, portanto, a necessidade imperiosa de reconhecer o horror a que foram submetidos covardemente o povo judeu e as outras minorias perseguidas pelo nazismo, \u00e9 preciso observar em paralelo que, comparativamente, muit\u00edssimo menos gente j\u00e1 ouviu dizer que Stalin matou, pouco antes, 6 milh\u00f5es de ucranianos, cazaques e outras minorias sovi\u00e9ticas mediante a imposi\u00e7\u00e3o da fome massiva. E tamb\u00e9m s\u00e3o ainda muito poucos os que sabem dos outros 14 milh\u00f5es de pessoas que foram assassinadas pelo comunismo s\u00f3 na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, para nem falar do restante de v\u00edtimas em uma lista estarrecedora de seres humanos exterminados pelo mesmo comunismo no mundo todo ao longo do s\u00e9culo XX:<\/p>\n<p>65 milh\u00f5es na Rep\u00fablica Popular da China<br \/>\n1 milh\u00e3o no Vietn\u00e3<br \/>\n2 milh\u00f5es na Coreia do Norte<br \/>\n2 milh\u00f5es no Camboja<br \/>\n1 milh\u00e3o nos pa\u00edses comunistas do Leste Europeu<br \/>\n1,7 milh\u00e3o na \u00c1frica<br \/>\n1,5 milh\u00e3o no Afeganist\u00e3o<br \/>\n150 mil na Am\u00e9rica Latina<br \/>\n10 mil como resultado das a\u00e7\u00f5es do movimento internacional comunista e de partidos comunistas fora do poder.<\/p>\n<p>Esta soma petrificante de 94,4 milh\u00f5es de pessoas exterminadas pelos regimes comunistas \u00e9 estimada pelos autores de \u201cO Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repress\u00e3o\u201c, uma obra coletiva de professores e pesquisadores universit\u00e1rios europeus encabe\u00e7ados pelo franc\u00eas St\u00e9phane Courtois. Como o livro \u00e9 de 1997, ele obviamente n\u00e3o computa as mortes cometidas de l\u00e1 para c\u00e1 nas regi\u00f5es que continuaram sujeitas a esse regime e aos seus m\u00e9todos essencialmente opressivos, como a China e a Coreia do Norte; nem, \u00e9 claro, nas regi\u00f5es que retrocederam na sua trajet\u00f3ria democr\u00e1tica para reeditar essa aberra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u2013 como a Venezuela de Ch\u00e1vez, Maduro e seus comparsas do Foro de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Numa \u00e9poca em que as farsas de vi\u00e9s socialista voltam a se apresentar ao mundo como \u201clibertadoras do povo\u201d (novamente, vide Venezuela, mas vide tamb\u00e9m as modalidades de \u201cfatiamento da riqueza\u201d praticadas por governos de ideologia socialista em pa\u00edses como Cuba, Argentina e mesmo o Brasil), a verdade sobre o comunismo costuma ser \u201cevitada\u201d nas TVs e nos \u201cgrandes\u201d jornais e revistas a servi\u00e7o desse mesmo projeto de poder \u2013 que n\u00e3o \u00e9 exatamente um poder \u201cdo proletariado\u201d, como prega, descaradamente, a sua propaganda (a este prop\u00f3sito, nunca \u00e9 demais recordar o magistral resumo feito por George Orwell sobre a \u201cigualdade\u201d realizada pelo comunismo: \u201cTodos s\u00e3o iguais, mas alguns s\u00e3o mais iguais que outros\u201c).<\/p>\n<p>Dentro desse contexto ideol\u00f3gico e da tergiversa\u00e7\u00e3o dos fatos que \u00e9 uma sua caracter\u00edstica indissoci\u00e1vel, \u00e9 digno de aplausos que o Papa Francisco tenha dado nome aos bois \u2013 assim como j\u00e1 deu a outro genoc\u00eddio amplamente \u201cesquecido\u201d pelo mundo at\u00e9 recentemente: aquele que a Turquia otomana perpetrou contra a Arm\u00eania crist\u00e3 em 1915.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que n\u00e3o se fala disto? 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