{"id":37597,"date":"2018-01-22T07:36:57","date_gmt":"2018-01-22T09:36:57","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=37597"},"modified":"2018-01-31T16:20:41","modified_gmt":"2018-01-31T18:20:41","slug":"ao-encontro-do-sofrimento-dos-migrantes-no-chile-como-o-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ao-encontro-do-sofrimento-dos-migrantes-no-chile-como-o-papa\/","title":{"rendered":"Ao encontro do sofrimento dos migrantes no Chile, como o Papa"},"content":{"rendered":"<p>Centro de acolhimento das Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo na fronteira do Chile e Bol\u00edvia<\/p>\n<p>Durante sua visita ao Chile, Papa Francisco visitou Iquique, uma cidade costeira no norte do pa\u00eds, que abriga um grande n\u00famero de migrantes. Eles representam um grande desafio para o povo chileno. Em Pisiga, posto fronteiri\u00e7o entre a Bol\u00edvia e o Chile, a Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia ACN apoia a constru\u00e7\u00e3o de um centro de acolhimento para esses migrantes, como tamb\u00e9m o convento para a Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo, que dirigem o centro.<br \/>\n&#8220;Sozinhos, abandonados, socialmente exclu\u00eddos&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 3 da manh\u00e3 e a temperatura est\u00e1 pairando em torno de 10\u00b0C abaixo de zero. Tendo passado pelo Equador, Peru e Bol\u00edvia, um jovem da Col\u00f4mbia desce do \u00f4nibus, depois de uma viagem de oito horas. O percurso at\u00e9 agora foi apenas parte de uma jornada cujo destino \u00e9 o Chile. Ele se sente com sorte por estar aqui; a cidade da qual vem \u00e9 uma das principais cidades portu\u00e1rias da Col\u00f4mbia, mas est\u00e1 atormentada por bandos criminosos ligados ao narcotr\u00e1fico e \u00e0s gangues de guerrilha. A pobreza e a viol\u00eancia reinam ali. O jovem, ent\u00e3o, colocou suas esperan\u00e7as no Chile. N\u00e3o que haja muita esperan\u00e7a agora. Nos \u00faltimos dias, ele foi roubado e maltratado, especialmente nos pontos de controle da fronteira do Peru e Bol\u00edvia. As poucas economias que tinha com ele lhe foram retidas em um dos postos de fronteira. Permitiram que passasse, mas recusaram dar-lhe o cart\u00e3o andino \u2013 uma forma de passaporte de migrantes para os pa\u00edses da regi\u00e3o. Ele \u00e9, portanto, um imigrante ilegal na fronteira com o Chile.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 apenas uma das muitas hist\u00f3rias que a Irm\u00e3 Fanny Lupa, das Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo, ouve todos os dias no centro de acolhimento que as irm\u00e3s abriram aqui em 2011, intitulado Misi\u00f3n: Estar en Frontera. &#8220;Foram essas pessoas, as pessoas pobres, que levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o deste centro de acolhimento, porque Deus ouve suas s\u00faplicas e gritos por ajuda&#8221;, explica a Irm\u00e3 Fanny. Ent\u00e3o, essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual essas tr\u00eas Filhas da Caridade agora se encontram aqui, de acordo com seu carisma mission\u00e1rio, ouvindo &#8220;os gritos de dor de nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s migrantes que usam esse ponto de fronteira de Pisiga-Colchane (entre Bol\u00edvia e Chile). A maioria desses migrantes se encontram sozinhos, abandonados, socialmente exclu\u00eddos e sem o m\u00ednimo para sobreviv\u00eancia\u201d. \u00c9 por isso que elas constru\u00edram essa casa, a 3.800 metros de altura nos Andes, na rota que liga Brasil, Bol\u00edvia e Chile.<\/p>\n<p>\u00c9 a mesma sensa\u00e7\u00e3o de abandono sentida tamb\u00e9m por Esther, com 44 anos, viajando com seus quatro filhos. &#8220;Eles dependem de mim. Eu sou m\u00e3e e pai para eles, e estou disposta a lutar por eles. Tudo o que fa\u00e7o \u00e9 para os meus filhos&#8221;. Enquanto fala, n\u00e3o p\u00f4de conter as l\u00e1grimas. Assim como 95% dos migrantes que s\u00e3o atendidos na miss\u00e3o das irm\u00e3s, Esther \u00e9 colombiana e negra.<\/p>\n<p>Uma obra fruto de profunda compaix\u00e3o<\/p>\n<p>Irm\u00e3 Fanny sofre com eles. &#8220;Eles estiveram viajando por uma semana sem uma cama para dormir e sem comer&#8230; Eles chegam ao nosso centro quase mortos, com frio&#8230; sofrem muito por causa da altitude. \u00c0s vezes eles pensam que est\u00e3o morrendo, porque a altitude tem um realmente grande efeito sobre eles. Ent\u00e3o, a primeira coisa que fazemos \u00e9 dar-lhes um ch\u00e1 de mate quente, e ent\u00e3o, uma vez que ganharam um pouco mais de cor, oferecemos-lhes comida, mostramos um lugar para dormir e conversamos com eles para aprender sobre a realidade de sua situa\u00e7\u00e3o&#8221;. Este n\u00e3o \u00e9 um trabalho f\u00e1cil para as pr\u00f3prias irm\u00e3s e, de fato, devido ao clima extremamente frio, aos ventos fortes e \u00e0 altitude, elas mesmos \u00e0s vezes fiquam doentes e precisam ser substitu\u00eddas por outras irm\u00e3s de tempo em tempo.<\/p>\n<p>Depois de tudo o que os migrantes tiveram de suportar e sofrer durante sua \u00e1rdua jornada, a miss\u00e3o de fronteira das irm\u00e3s \u00e9 como um pequeno peda\u00e7o de c\u00e9u para eles. Esther coloca bem: &#8220;Elas n\u00e3o sabem quem s\u00e3o aqueles que lhes batem \u00e0 porta&#8230; E ent\u00e3o, de repente, elas abrem e dizem &#8216;Entre!&#8217;. Imediatamente elas lhe d\u00e3o um quarto, comida, abrigo, \u00e9 verdadeiramente uma ben\u00e7\u00e3o essas mulheres!&#8221;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/www.acn.org.br\/images\/stories\/miscelanea\/__centro-missionario-pisiga-bolivia-chile.jpg\" width=\"350\" height=\"140\" border=\"0\" \/>Centro de acolhimento<br \/>\nCentro de acolhimento &#8220;Misi\u00f3n: Estar en frontera&#8221;<\/p>\n<p>Irm\u00e3 Fanny confirma isso &#8220;Eles nos dizem que \u00e9 como um hotel de luxo para eles. Aqui podem tomar banho, lavar suas roupas, coisas que n\u00e3o podiam fazer antes. E novamente temos que dar-lhes muito incentivo&#8221;. Certamente, \u00e9 verdade que, al\u00e9m de dar calor e um teto sobre suas cabe\u00e7as, as irm\u00e3s fornecem aos migrantes informa\u00e7\u00f5es e orienta\u00e7\u00f5es importantes. Isso, acima de tudo, com o fim de evitar que mulheres solteiras, com poucos recursos econ\u00f4micos, caiam em m\u00e3os de contrabandistas de pessoas ou na prostitui\u00e7\u00e3o. As irm\u00e3s tamb\u00e9m d\u00e3o orienta\u00e7\u00e3o sobre os v\u00e1rios canais legais para entrar no Chile e advertem sobre os riscos da entrada ilegal, tendo o cuidado de informar os migrantes sobre seus direitos e deveres.<\/p>\n<p>As irm\u00e3s n\u00e3o se preocupam apenas com as necessidades materiais dessas pessoas. Elas tamb\u00e9m rezam com as pessoas que passam por seu centro de acolhimento. Se identificam com seus sofrimentos e rezam para que de alguma forma algu\u00e9m possa mudar a situa\u00e7\u00e3o de ass\u00e9dio e maus-tratos, nega\u00e7\u00e3o do respeito e direitos b\u00e1sicos dessas pessoas. &#8220;N\u00f3s mesmos nos sentidos impotentes nessa situa\u00e7\u00e3o. D\u00f3i-nos que os colombianos, especialmente os negros, se sintam rejeitados. Eles s\u00e3o tratados como cidad\u00e3os de segunda classe. S\u00f3 posso esperar que um dia essa atitude desapare\u00e7a&#8221;, nos diz a Irm\u00e3 Fanny.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.acn.org.br\/images\/stories\/miscelanea\/__irmas-pisiga-bolivia-chile.jpg\" width=\"350\" height=\"140\" border=\"0\" \/>Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo<br \/>\nAs Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo oram pelos migrantes e por toda a dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o visida por eles<\/p>\n<p>O centro de acolhimento n\u00e3o est\u00e1 desamparado<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o ela deixa de lado a tristeza. &#8220;N\u00f3s sabemos que n\u00e3o estamos sozinhos. Foram voc\u00eas que, com seu apoio \u00e0 nossa comunidade, nos possibilitou estabelecer esta miss\u00e3o entre nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s migrantes. Que Deus os aben\u00e7oe abundantemente por todo o trabalho \u00e1rduo que fazem, nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s nesta importante Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia, a ACN&#8221;.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, a Irm\u00e3 Fanny se sentiu muito consolada quando ouviu falar que durante sua visita ao Chile, o Papa Francisco visitou um dos lugares com o maior n\u00famero de migrantes, Iquique. Aqui, nesta cidade costeira, esperam &#8220;o envolvimento de nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s migrantes&#8221; na Santa Missa no dia 18 de janeiro, na qual o Papa Francisco tamb\u00e9m orou por eles. As Filhas da Caridade em Pisiga estavam em ora\u00e7\u00e3o com ele a partir da\u00ed.<\/p>\n<p>As Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo come\u00e7aram seu trabalho em Pisiga em uma casa alugada. Durante os tr\u00eas primeiros anos, elas sofreram a falta de estruturas b\u00e1sicas \u2013 os banheiros, a cozinha e os dormit\u00f3rios eram todos inadequados. Muitas vezes elas precisaram dormir no ch\u00e3o. Em 2014, a ACN as ajudou a construir o atual centro de acolhimento para migrantes, juntamente com acomoda\u00e7\u00e3o para as irm\u00e3s. Em 2017, com o apoio da ACN, tamb\u00e9m instalaram um sistema de energia solar com tanques e equipamentos de bombeamento de \u00e1gua, melhorando a estrutura do centro de miss\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Centro de acolhimento das Filhas da Caridade de S\u00e3o Vicente de Paulo na fronteira do Chile e Bol\u00edvia Durante sua visita ao Chile, Papa Francisco visitou Iquique, uma cidade costeira no norte do pa\u00eds, que abriga um grande n\u00famero de migrantes. Eles representam um grande desafio para o povo chileno. 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