{"id":37044,"date":"2017-12-12T08:16:57","date_gmt":"2017-12-12T10:16:57","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=37044"},"modified":"2018-01-24T13:20:19","modified_gmt":"2018-01-24T15:20:19","slug":"sexualidade-humana-e-o-jogo-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sexualidade-humana-e-o-jogo-do-amor\/","title":{"rendered":"Sexualidade humana e o jogo do amor"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente publiquei um artigo no jornal Folha de S.Paulo (2\/11\/17) a prop\u00f3sito das exposi\u00e7\u00f5es do Santander, MASP e MAM, denominado \u201cSexualidade Humana em Leil\u00e3o\u201d, percebendo, por meio do retorno, como n\u00e3o se pode subestimar a natureza humana em seus anseios de amor, beleza e verdade.<\/p>\n<p>Quando me solicitaram um artigo para este jornal para tratar do tema, pensei que aqui poderia apontar ainda mais alto, \u201cexplicando a par\u00e1bola\u201d para aqueles que t\u00eam ouvidos para ouvir e efetivamente o desejam. Passamos \u00e0 reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma sociedade que come\u00e7a a apresentar uma exalta\u00e7\u00e3o do corpo, que, paradoxalmente, despreza, sinaliza que estamos perdendo de vista o seu verdadeiro papel no jogo do amor. Nesse sentido, podemos comparar esse desafio de forma an\u00e1loga, como uma sucess\u00e3o de etapas que v\u00e3o evoluindo progressivamente e que devem ser respeitadas para que se ganhe a partida decisiva.<\/p>\n<p>De fato, devido \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica do ser humano, o primeiro movimento rumo ao amor toca a sensibilidade, por meio de uma atra\u00e7\u00e3o f\u00edsica, que faz a diferen\u00e7a. N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, quimicamente pura, no sentido de ser puramente sexual &#8211; ainda que a hiperestimula\u00e7\u00e3o pode neutraliz\u00e1-la, tornando-a indiferente -, mas uma rea\u00e7\u00e3o que aponta para algu\u00e9m que se distingue dos demais e pode ser \u00fanico para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, parar nesse est\u00e1gio n\u00e3o seria propriamente humano. \u00c9 preciso intelectualizar o que \u00e9 mais do que instinto, personalizando a atra\u00e7\u00e3o para atingir a pessoa, j\u00e1 que um conhecimento sensorial precipitado obstaculiza o acesso ao cora\u00e7\u00e3o. O di\u00e1logo humano \u00e9 o caminho. Sexualiza\u00e7\u00e3o e mutismo \u00e9 pr\u00f3prio de animais.<\/p>\n<p>A partir do conhecimento, a escolha, para que o romance progrida. Por\u00e9m, como esta n\u00e3o \u00e9 definitiva, as manifesta\u00e7\u00f5es de amor devem ser proporcionais: de carinho, n\u00e3o de posse.\u00a0 Os limites permitem aprender a amar a pessoa como tal, e n\u00e3o seu corpo por autointeresse. Amadurecida a decis\u00e3o, de forma livre e respons\u00e1vel, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel comprometer-se. Por essa raz\u00e3o, apossar-se de um corpo antes disso \u00e9 dissoci\u00e1-lo da pessoa. Se falta maturidade para assumir as consequ\u00eancias de um ato em sua globalidade, n\u00e3o h\u00e1 maturidade para o ato. Nesse sentido, se h\u00e1 incapacidade para conviver com defeitos, dividir contas, educar filhos etc., tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 prepara\u00e7\u00e3o suficiente para as rela\u00e7\u00f5es, e estas se reduzir\u00e3o a uma mentira existencial m\u00fatua, acabando por separar os que supostamente se amavam.<\/p>\n<p>Assumir um corpo \u00e9 poder assumir uma pessoa em toda sua riqueza e ser-lhe fiel. Efetivamente, no ser humano, entregar um corpo \u00e9 entregar uma alma. O amor entre homem e mulher n\u00e3o \u00e9 extensivo, mas exclusivo e cresce verticalmente, n\u00e3o horizontalmente, no sentido de dilatar a capacidade humana de amar incondicionalmente, perpetuando-se nos filhos.<\/p>\n<p>Um mundo hipersexualizado, que antecipa desordenadamente as etapas, desestrutura o jogo e as vit\u00f3rias que se poderiam celebrar individual e socialmente, frustrando profundamente as expectativas de amar e ser amado de forma \u00fanica e o encontro do verdadeiro parceiro, ofuscado nas m\u00faltiplas experi\u00eancias superficiais.<\/p>\n<p>A banaliza\u00e7\u00e3o do corpo \u00e9 somente um sinal do desrespeito \u00e0s regras do jogo, enraizada em uma crise de amor, que, por raz\u00f5es principalmente econ\u00f4micas, vai proclamando como natural o infra-humano, com o perigo de nos acostumarmos a isso. Por\u00e9m, a grande quest\u00e3o \u00e9 o custo moral e afetivo que acarreta. Como afirma o antropol\u00f3go Ricardo Yepes: \u201c\u00c9 uma crise que as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es ter\u00e3o que resolver, e o far\u00e3o melhor que n\u00f3s, porque ter\u00e3o sofrido pessoalmente as consequ\u00eancias. Por\u00e9m, o ideal seria que, desde j\u00e1, lhes poup\u00e1ssemos essa terr\u00edvel experi\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Nesse sentido, sou mais otimista, acreditando que \u00e9 poss\u00edvel desde j\u00e1 fomentar uma nova cultura e virar o jogo!<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0 Jornal O S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente publiquei um artigo no jornal Folha de S.Paulo (2\/11\/17) a prop\u00f3sito das exposi\u00e7\u00f5es do Santander, MASP e MAM, denominado \u201cSexualidade Humana em Leil\u00e3o\u201d, percebendo, por meio do retorno, como n\u00e3o se pode subestimar a natureza humana em seus anseios de amor, beleza e verdade. 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