{"id":37022,"date":"2017-12-11T13:28:00","date_gmt":"2017-12-11T15:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=37022"},"modified":"2017-12-11T15:00:57","modified_gmt":"2017-12-11T17:00:57","slug":"o-dominio-das-sacristias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-dominio-das-sacristias\/","title":{"rendered":"O dom\u00ednio das sacristias"},"content":{"rendered":"<p>Quando o assunto \u00e9 pol\u00eamico, a prud\u00eancia nos ensina a aprofund\u00e1-lo com p\u00e9s de pato. Explico melhor: esse b\u00edpede nadador navega em \u00e1guas profundas com suavidade e eleg\u00e2ncia, apenas flutuando, sem maiores percal\u00e7os, sem riscos \u00e0 sua integridade. V\u00e1 fazer o mesmo um galo de terreiro, que muito cisca, muito canta, mas procura abrigo a qualquer trovoada, ao menor chuvisqueiro! Afunda antes de cantar tr\u00eas vezes. Ent\u00e3o t\u00e1, vamos ao assunto: na sacristia, quem manda mais&#8230; O padre ou o sacrist\u00e3o?<br \/>\nA pergunta \u00e9 pertinaz ao Ano do Laicato, quando a Igreja nos oferece oportunidades para refletir, analisar, debater e questionar a fun\u00e7\u00e3o do leigo no processo de evangeliza\u00e7\u00e3o, na vida da Igreja. Aos que atuam diretamente e com mais fervor nessa obra, comumente, s\u00e3o ironicamente taxados como \u201cratos de sacristia\u201d, \u201cpapa-h\u00f3stias\u201d, \u201ccoroinhas do padre\u201d, ou algo assim. Basta um engajamento maior de um leigo na igreja para ser visto como um \u201cET\u201d social. O pr\u00f3prio laicato \u00e9 excludente, preconceituoso. N\u00e3o aceita com naturalidade fun\u00e7\u00f5es religiosas nos ombros de um leigo.<br \/>\nPor outro lado, aqueles que melhor se conscientizam sobre esse direito\/dever que os ensinamentos de Cristo lhes apontam, pessoalmente, como revela\u00e7\u00e3o evidente de uma miss\u00e3o a cumprir, uma tarefa que se deve levar a termo com suas pr\u00f3prias capacidades ou limita\u00e7\u00f5es, ora, ora&#8230; deixem-nos passar, n\u00e3o tentem barrar seus caminhos. Leigo conscientizado de seus deveres ningu\u00e9m segura, nem padre, nem bispo. A partir da sacristia, dos minist\u00e9rios que recebe, da experi\u00eancia de um apostolado profundo, questionador, t\u00eate-\u00e0-t\u00eate com a pessoa de Cristo, o magist\u00e9rio de sua Igreja, o leigo descobre a import\u00e2ncia de sua miss\u00e3o. Essa descoberta n\u00e3o est\u00e1 acima da miss\u00e3o sacerdotal, mas tamb\u00e9m n\u00e3o fica abaixo desta. Ambas se equiparam em import\u00e2ncia e exercem o mesmo poder, a mesma fun\u00e7\u00e3o. Aqui ecoa a pergunta dos disc\u00edpulos: \u201cQuem \u00e9 o maior?\u201d. E a resposta contundente: \u201cAquele que faz a vontade do meu Pai\u201d. Ou ent\u00e3o: aquele que serve.<br \/>\nEssa guerra surda entre ministros leigos ou eclesi\u00e1sticos \u00e9 uma batalha de incoer\u00eancia evang\u00e9lica. Exceto por sua import\u00e2ncia ministerial e fun\u00e7\u00e3o pastoral de refer\u00eancia sagrada, nenhum sacerdote \u00e9 o centro de uma vida comunit\u00e1ria ou eclesial. Bem como nenhum leigo pode tomar para si as atribui\u00e7\u00f5es \u00fanicas e exclusivas da fun\u00e7\u00e3o sacerdotal. Mas ambos possuem o m\u00fanus sacerdotal herdados do minist\u00e9rio de Cristo. Esse \u00e9 o verdadeiro dom\u00ednio da f\u00e9, o poder que nos foi dado a partir do batismo. Eis porque a autoridade da Igreja n\u00e3o vem dos conchavos de suas sacristias, mas das revela\u00e7\u00f5es de suas pias batismais, estas que nos inserem na vida, na a\u00e7\u00e3o, na fun\u00e7\u00e3o e na miss\u00e3o evangelizadora do \u00fanico e eterno sacerdote, Cristo Jesus.<br \/>\nO sacrist\u00e3o tem a chave da Igreja. O padre, por sucess\u00e3o apost\u00f3lica, a chave do C\u00e9u. Mas nem o padre, nem o sacrist\u00e3o, nem bispos ou leigos, ningu\u00e9m ter\u00e1 dom\u00ednio sobre a Igreja ou acesso \u00e0s gl\u00f3rias celestiais sem as chaves da toler\u00e2ncia, respeito e compreens\u00e3o \u00e0 miss\u00e3o que lhes compete. Cada qual no seu ch\u00e3o, cada um na sua voca\u00e7\u00e3o, recebem do Batismo a \u201cconcess\u00e3o\u201d para exercerem com autoridade um minist\u00e9rio de amor nesta vinha, o mundo onde Deus o colocou. Diria S. Jo\u00e3o Paulo II (Christifideles Laici): \u201cTrabalhadores da vinha s\u00e3o todos os membros do povo de Deus&#8230; todos simultaneamente objeto e sujeito da comunh\u00e3o da Igreja e da participa\u00e7\u00e3o na sua miss\u00e3o de salva\u00e7\u00e3o\u201d. Sejam estes padres, religiosos, sacrist\u00e3os ou leigos. Patos ou galos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o assunto \u00e9 pol\u00eamico, a prud\u00eancia nos ensina a aprofund\u00e1-lo com p\u00e9s de pato. Explico melhor: esse b\u00edpede nadador navega em \u00e1guas profundas com suavidade e eleg\u00e2ncia, apenas flutuando, sem maiores percal\u00e7os, sem riscos \u00e0 sua integridade. 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