{"id":3699,"date":"2013-12-13T12:47:53","date_gmt":"2013-12-13T14:47:53","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/como-o-catolicismo-de-tolkien-influenciou-sua-obra\/"},"modified":"2017-03-24T14:30:19","modified_gmt":"2017-03-24T17:30:19","slug":"como-o-catolicismo-de-tolkien-influenciou-sua-obra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/como-o-catolicismo-de-tolkien-influenciou-sua-obra\/","title":{"rendered":"Como o catolicismo de Tolkien influenciou sua obra?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/tolkien.png\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong style=\"text-align: justify; line-height: 1.3em;\">Mas muitos f\u00e3s de Tolkien ficaram de queixo ca\u00eddo ao saber que ele, um professor de Oxford e amante de cachimbo, era um devoto e fiel cat\u00f3lico. Como isso influenciou a sua obra?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Tolkien \u2013 um homem de piedosa e forte f\u00e9 e educa\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica \u2013 impregnou sua obra liter\u00e1ria com a transcend\u00eancia de sua f\u00e9 crist\u00e3. Desconhecendo os mecanismos aleg\u00f3ricos (ainda que alguns especialistas em seu trabalho declarem o contr\u00e1rio), representou as verdades eternas que sustentam uma boa compreens\u00e3o do catolicismo (beleza, virtudes, ordem moral, a eterna batalha entre o bem e o mal) em sua obra, de forma que a universalidade destas verdades \u00e9 mais do que evidente. No caso de \u201cO Hobbit\u201d e \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, mundos fant\u00e1sticos e criaturas proporcionam um contexto no qual os elementos da ontologia crist\u00e3 podem ser desenvolvidos fora do marco usual, o que reflete sua transcend\u00eancia, bem como chegar a um p\u00fablico que de outra maneira n\u00e3o encontraria tais verdades.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O romance \u201cO Hobbit\u201d \u2013 e sua continua\u00e7\u00e3o \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d \u2013 s\u00e3o obras que j\u00e1 passaram para a hist\u00f3ria da literatura fant\u00e1stica com nome pr\u00f3prio. Mas poucos dos seus fan\u00e1ticos leitores sabem que o autor, John Ronald Reuel Tolkien, era um cat\u00f3lico convicto.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje internacionalmente famoso como um dos autores mais populares de todos os tempos, J. R. R. Tolkien imaginou, em um primeiro momento, os hobbits \u2013 criaturas rurais e pitorescas que habitam buracos subterr\u00e2neos muito confort\u00e1veis \u2013 enquanto corrigia provas dos seus alunos durante o ver\u00e3o em sua escura sala do campus. Ele considerava que o entediante trabalho acad\u00eamico era um horror e pegou esse emprego somente porque precisava de dinheiro para manter sua fam\u00edlia. Sua vis\u00e3o repentina de um hobbit que ele desenhou na margem de uma prova se tornou um conto de aventuras que foi publicado como \u201cO Hobbit\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O romance conta a viagem de Bilbo Bolseiro que, com retic\u00eancia, abandona sua c\u00f4moda vida dom\u00e9stica para unir-se a um mago chamado Gandalf e a um grupo de an\u00f5es em busca da Montanha Solit\u00e1ria \u2013 eles lutam para recuper\u00e1-la das garras do terr\u00edvel drag\u00e3o Smaug. Durante o romance, Bilbo vai crescendo, n\u00e3o de forma f\u00edsica, mas espiritualmente. Muitas vezes desajeitado, mas sempre com bom cora\u00e7\u00e3o, Bilbo briga com trolls, trasgos e aranhas gigantes. Em um momento crucial, nos profundos t\u00faneis abaixo das Montanhas Nubladas, Bilbo se envolve numa luta contra Gollum, uma batalha de enigmas, da qual n\u00e3o somente sobrevive, mas tamb\u00e9m encontra o anel de ouro que depois tem um papel central em sua famosa sequela. Assim, antes de voltar para a sua casa da Comarca, Bilbo se torna um her\u00f3i com um forte prop\u00f3sito moral, com um hist\u00f3rico de conquistas virtuosas, um tesouro e o agradecimento das pessoas que vivem nas terras que ele ajuda a salvar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A publica\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de Bilbo encantou uma gera\u00e7\u00e3o de leitores e inspirou Tolkien a come\u00e7ar sua mais ambiciosa obra, cuja elabora\u00e7\u00e3o durou muitos anos e produziu um mito colossal: \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d. O romance, publicado originalmente em tr\u00eas partes, deu-lhe um nome em seu mundo tranquilo da filologia e, como aconteceu com Bilbo, isso lhe trouxe riqueza e renome no final dos seus dias. O aplauso do p\u00fablico surpreendeu e gratificou Tolkien. A recep\u00e7\u00e3o apaixonada de \u201cO Hobbit\u201d e de \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d elevou seu trabalho, que ele sempre considerou um hobby um tanto extravagante, a um n\u00edvel ao qual poucos romances fant\u00e1sticos puderam chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes fatos relacionados a Tolkien s\u00e3o mundialmente conhecidos. O que n\u00e3o se sabe \u00e9 que esta fic\u00e7\u00e3o, de grande atrativo, est\u00e1 impregnada da f\u00e9 cat\u00f3lica do autor. A surpresa vem de que a palavra \u201ccat\u00f3lico\u201d n\u00e3o aparece nas receitas da Terra M\u00e9dia, onde uma religi\u00e3o institucional n\u00e3o existe. No entanto, como testemunhas da vis\u00e3o de mundo do autor, estes romances expressam a imagina\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica de Tolkien. O esp\u00edrito dos romances, primeiro de forma impl\u00edcita e depois sob a sua dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica sutil, est\u00e1 baseado em sua identidade e em sua maneira de entender as verdades metaf\u00edsicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tolkien n\u00e3o era cat\u00f3lico por conven\u00e7\u00e3o ou simplesmente por cultura: a convers\u00e3o da sua m\u00e3e sup\u00f4s uma ruptura familiar em uma \u00e9poca da Inglaterra em que o catolicismo era frequentemente sin\u00f4nimo de marginaliza\u00e7\u00e3o social.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00e3e de Tolkien, Mabel, se converteu ao catolicismo e, por isso, sua fam\u00edlia cortou rela\u00e7\u00f5es com ela. Seu marido, o pai de Tolkien, havia morrido de febre reum\u00e1tica na \u00c1frica do Sul, onde o escritor nasceu, antes de ter podido se reunir com ela e com seus dois filhos que estavam na Inglaterra visitando a fam\u00edlia. Mabel e seus filhos se viram reduzidos \u00e0 pobreza pelo fato de sua fam\u00edlia protestante ter cortado rela\u00e7\u00f5es com eles, mas ela suportou todos os desafios da sua maternidade com santa dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobrecarregada de trabalho e isolada devido \u00e0 sua f\u00e9 cat\u00f3lica, ela morreu pouco depois da Primeira Comunh\u00e3o de Tolkien, mas n\u00e3o antes de confiar a tutela dos seus filhos a um sacerdote amigo do Orat\u00f3rio de Birmingham, o Pe. Francis Morgan, que deu continuidade \u00e0 instru\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as na f\u00e9 (participavam da Missa com ele diariamente antes de ir ao col\u00e9gio, por exemplo). Tolkien escreveu mais tarde sobre sua m\u00e3e: \u201cMinha pr\u00f3pria m\u00e3e foi, sem d\u00favida, uma m\u00e1rtir. Nem todos recebem de Deus o dom de ter uma m\u00e3e que sacrificou a si mesma trabalhando para que Hilary e eu mantiv\u00e9ssemos a f\u00e9\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 adolescente, enamorou-se de Edith, uma mulher protestante mais velha que ele, mas, a pedido do Pe. Morgan, a quem era muito leal, prometeu n\u00e3o ter nenhum contato com ela at\u00e9 cumprir 21 anos. No dia do seu anivers\u00e1rio, escreveu a Edith, pedindo-a em casamento. Algum tempo antes de receber esta carta, Edith ficou noiva de outro homem, mas seu amor a Tolkien se reavivou e ela rompeu o noivado para estar com o pretendente que a havia conquistado inicialmente. Em pouco tempo, Tolkien se casou com ela (que se converteu o catolicismo para se casar com ele), tiveram 4 filhos e estiveram unidos at\u00e9 o final dos seus dias. Seu romance est\u00e1 refletido na hist\u00f3ria de Beren e L\u00fathien, dois grandes personagens da Terra M\u00e9dia cujos nomes aparecem gravados em suas l\u00e1pides em Wolvercote, Oxford.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do seu casamento, sendo ainda jovem, Tolkien lutou e sofreu as pen\u00farias das trincheiras do Somme, experimentando em primeira pessoa o pesadelo existencial que transformou profundamente a f\u00e9 vitoriana na civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Sobreviveu a \u201ctodos, menos a um\u201d dos seus amigos mais pr\u00f3ximos, que serviram com ele \u2013 incluindo seus colegas do clube \u201cTCBS\u201d, abreviatura do \u201cClube de Ch\u00e1 e Sociedade Barroviana\u201d, que, de alguma maneira, prefigurou o famoso c\u00edrculo liter\u00e1rio conhecido como Inklings, e a guerra o comoveu profundamente. Foi sua f\u00e9 cat\u00f3lica que o sustentou nesse tempo de ang\u00fastia f\u00edsica e emocional. Ferido durante a carnificina sem sentido das trincheiras, voltou \u00e0 Inglaterra, onde Edith o esperava, e retomou sua brilhante carreira universit\u00e1ria, centrada no estudo da l\u00edngua e da mitologia \u2013 seus temas por excel\u00eancia, a partir dos quais surgiu a lenda. Foi durante esta \u00e9poca que Tolkien, que ia \u00e0 Missa diariamente, escreveu grande parte da sua fic\u00e7\u00e3o, incluindo \u201cO Hobbit\u201d e \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda que Tolkien nunca tenha tido a inten\u00e7\u00e3o de fazer de \u201cO Hobbit\u201d e \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d uma alegoria da sua f\u00e9 (como fizeram outros \u2013 por exemplo, seu amigo C. S. Lewis), inevitavelmente sua f\u00e9 e suas cren\u00e7as se refletem no emaranhado moral do seu universo fant\u00e1stico.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Surge a pergunta: de que maneira o catolicismo de Tolkien influenciou sua obra? Alguns c\u00e9ticos poderiam questionar a premissa de que est\u00e1 por tr\u00e1s da pergunta. Depois de tudo, diriam, a f\u00e9 de Tolkien (muito importante em sua vida pessoal) n\u00e3o teve um impacto direto em sua famosa obra. \u201cDesagrada-me cordialmente a alegoria em todas as suas afirma\u00e7\u00f5es \u2013 escreveu ele na introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o de \u2018O Senhor dos An\u00e9is\u2019 \u2013 e sempre foi assim, desde que me tornei velho e precavido como para detectar sua presen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Admitindo uma reconven\u00e7\u00e3o imediata, os c\u00e9ticos deveriam admitir que sua f\u00e9 n\u00e3o requer uma representa\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica no romance. Os incr\u00e9dulos poderiam argumentar que o seu catolicismo \u00e9, quando muito, incidental na Terra M\u00e9dia, um contexto pr\u00e9-crist\u00e3o predominantemente influenciado pelo mito n\u00f3rdico e outras fontes pag\u00e3s. Tolkien responde a estes c\u00e9ticos com suas pr\u00f3prias palavras. Antes que \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d fosse publicado, escreveu uma carta ao seu amigo, o sacerdote Robert Murray, na qual lhe dizia: \u201c&#8217;O Senhor dos An\u00e9is&#8217; \u00e9, certamente, uma obra fundamentalmente religiosa e cat\u00f3lica, no come\u00e7o inconscientemente, mas muito conscientemente em sua revis\u00e3o. Esta \u00e9 a raz\u00e3o pela qual n\u00e3o coloquei ou tirei praticamente todas as refer\u00eancias ao que pudesse parecer \u2018religi\u00e3o\u2019, cultos e pr\u00e1ticas nesse mundo imagin\u00e1rio \u2013 para que o elemento religioso fosse absorvido na hist\u00f3ria e no simbolismo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Destacados cat\u00f3licos que ainda vivem escreveram sobre a religiosidade de Tolkien em sua obra, incluindo Stratford Caldecott, Joseph Pearce, Bradley Birzer, Peter Kreeft, Carol Abromaitis, David Mills e Richard Purtill. Sem d\u00favida, como afirmaram numerosos especialistas, Tolkien participou do renascimento cat\u00f3lico na literatura inglesa, unindo-se a G.K. Chesterton, Hilaire Belloc, Evelyn Waugh, Graham Greene, Gerard Manley Hopkins, W.H. Auden e outras luzes da f\u00e9. \u00c0s vezes separados por d\u00e9cadas e quil\u00f4metros, em uma continuidade espiritual consciente ou inconsciente, eles utilizaram as palavras para fazer uma defesa polivalente do que consideravam ser a beleza, a bondade e a verdade, contra uma crescente cultura desumana e desarraigada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, Tolkien n\u00e3o foi um pregador. Ao contr\u00e1rio do seu grande amigo C. S. Lewis \u2013 que se converteu ao cristianismo em parte porque Tolkien o convenceu de que a B\u00edblia era o \u00fanico e verdadeiro mito \u2013, ele desprezou a alegoria. Dizia que esta n\u00e3o aparecia em nenhum lugar de \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Liderando os antes mencionados Inklings, Tolkien e Lewis compartilhavam o amor pela mitologia. Ao longo da sua amizade, muitas vezes enquanto bebiam em um pub de Oxford chamado \u201cThe Eagle and Child\u201d (ent\u00e3o conhecido como \u201cThe Bird and Baby\u201d), os dois professores conversavam sobre as obras que estavam escrevendo \u2013 livros que depois transformariam o mundo. Mas sua amizade n\u00e3o evitava que Tolkien criticasse o que ele chamava de \u201ccasa das feras mitol\u00f3gicas\u201d das \u201cCr\u00f4nicas de N\u00e1rnia\u201d, a famosa s\u00e9rie de romances crist\u00e3os aleg\u00f3ricos (Lewis dizia que eram meramente an\u00e1logos, mas isso era considerado irrelevante, segundo a opini\u00e3o de Tolkien, baseada nos seus padr\u00f5es liter\u00e1rios).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cr\u00edticos tentaram interpretar a experi\u00eancia de Tolkien nas duas Guerras Mundiais em suas obras, especialmente em \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d. Por exemplo (e para consterna\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Tolkien), muitos leitores consideravam que o Anel \u00danico de Sauron (o artefato mal\u00e9fico que Bilbo toma de Gollum em \u201cO Hobbit\u201d e que entrega ao seu sobrinho Frodo Bolseiro, confiando-lhe a sua destrui\u00e7\u00e3o no Monte do Destino, cravado nas profundezas escuras de Mordor \u2013 o mesmo lugar em que o pr\u00f3prio Anel foi forjado) representava as armas de destrui\u00e7\u00e3o massiva, como a bomba at\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida, Tolkien estava descrente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s no\u00e7\u00f5es modernas de progresso, n\u00e3o gostava das mudan\u00e7as que se dirigiam \u00e0 viol\u00eancia mecanizada, aos terrenos baldios criados pela industrializa\u00e7\u00e3o, que havia destru\u00eddo sua ordem natural. Sua declarada pol\u00edtica filos\u00f3fica de anarco-monarquismo e sua disposi\u00e7\u00e3o ao que ele chamava de \u201cdistribui\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria\u201d s\u00e3o alternativas radicais para a modernidade de hoje em dia. Ainda assim, ele rejeitou qualquer interpreta\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica de seu romance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFolha de Niggle\u201d, uma interpreta\u00e7\u00e3o fascinante do purgat\u00f3rio, \u00e9 a obra mais aleg\u00f3rica de toda a sua fic\u00e7\u00e3o. No entanto, \u00e9 incontest\u00e1vel que as convic\u00e7\u00f5es espirituais de Tolkien est\u00e3o presentes em seus livros. Os leitores, incluindo os cat\u00f3licos estudantes, vinculam aspectos concretos dos seus romances ao catolicismo. Entre os sinais mais evidentes, se n\u00e3o refer\u00eancias aleg\u00f3ricas, mencionados frequentemente como s\u00edmbolos da sua f\u00e9 em \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, destacam-se:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O Anel \u00fanico como a Cruz e Frodo como representa\u00e7\u00e3o de Cristo;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A ressurrei\u00e7\u00e3o em Gandalf o Branco e em Aragorn, que volta como rei;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Tamb\u00e9m a Eucaristia, nas lembas curativas ou p\u00e3o dos elfos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua carta ao Pe. Murray, Tolkien diz do seu romance: \u201cPenso saber exatamente o que quer dizer como a ordem da Gra\u00e7a e, certamente, nas refer\u00eancias a Nossa Senhora, na qual se baseia minha pequena e pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o da beleza unida \u00e0 majestade e \u00e0 simplicidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele tamb\u00e9m afirmou muitas vezes que seu romance era m\u00edtico, e n\u00e3o um credo. Isso n\u00e3o quer dizer que \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d n\u00e3o seja certo ou que a f\u00e9 do seu autor n\u00e3o chegue a n\u00f3s por meio de suas p\u00e1ginas. Muito pelo contr\u00e1rio, como disse Tolkien certa vez: \u201cAo criar um mito, praticando a &#8216;mythopoeia&#8217;, e enchendo o mundo de elfos, drag\u00f5es e trasgos&#8230; um narrador de hist\u00f3rias est\u00e1 cumprindo a vontade de Deus e refletindo um fragmento da luz verdadeira\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte: Aleteia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Local: S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas muitos f\u00e3s de Tolkien ficaram de queixo ca\u00eddo ao saber que ele, um professor de Oxford e amante de cachimbo, era um devoto e fiel cat\u00f3lico. Como isso influenciou a sua obra? 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