{"id":36655,"date":"2017-11-29T08:04:39","date_gmt":"2017-11-29T10:04:39","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=36655"},"modified":"2017-11-29T09:57:36","modified_gmt":"2017-11-29T11:57:36","slug":"hoje-faz-um-ano-de-conto-de-fadas-brasileiro-a-lenda-viva-do-esporte-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/hoje-faz-um-ano-de-conto-de-fadas-brasileiro-a-lenda-viva-do-esporte-mundial\/","title":{"rendered":"Hoje faz um ano: de conto de fadas brasileiro a lenda viva do esporte mundial"},"content":{"rendered":"<p>Mais que a trag\u00e9dia, \u00e9 a trajet\u00f3ria da Chapecoense o que a transforma numa das hist\u00f3rias de que o mundo hoje mais precisa<\/p>\n<p>O time humilde do interior do Brasil que, em seis anos, ascendeu imparavelmente da S\u00e9rie D para a S\u00e9rie A no mais fan\u00e1tico por futebol de todos os pa\u00edses da Terra. O time humilde, simbolizado por um indiozinho, que, em seis anos, chegou a superar gigantes nacionais e internacionais para atingir o seu \u00e1pice -at\u00e9 agora!- numa final de Copa Sul-Americana contra o campe\u00e3o continental. Por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 um roteiro capaz de atrair a aten\u00e7\u00e3o e a admira\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 de um pa\u00eds, mas de um mundo n\u00e3o menos apaixonado pelo esporte das massas e n\u00e3o menos sedento de hist\u00f3rias de coragem, supera\u00e7\u00e3o e conquista. O mundo sempre precisou do Davi que vence o Golias, do pequeno que n\u00e3o apenas se torna grande, mas grandioso, porque cresceu com a pr\u00f3pria luta e determina\u00e7\u00e3o, contrariando com coragem resiliente todos os progn\u00f3sticos da mediocridade.<\/p>\n<p>Por volta de 2002, 2003, ainda era poss\u00edvel passear pela Avenida Get\u00falio Vargas, no centro de Chapec\u00f3, e ver n\u00e3o apenas torcedores da Chapecoense, mas os pr\u00f3prios jogadores do time vendendo cartelas de rifa aos transeuntes para tentar fechar as contas da associa\u00e7\u00e3o. Seus diretores se viram tentados n\u00e3o apenas uma vez a literalmente pendurar as chuteiras, entregar os pontos e extinguir aquele time regional, praticamente desconhecido fora de Santa Catarina, que, h\u00e1 menos de 10 anos, esteve a ponto de ser rebaixado at\u00e9 mesmo no campeonato estadual.<\/p>\n<p>Chapec\u00f3 completou neste ano de 2017, em agosto, 100 anos de hist\u00f3ria. \u00c9 uma cidade cuja trajet\u00f3ria guarda semelhan\u00e7as impactantes com a do seu time do cora\u00e7\u00e3o \u2013 a ponto de, n\u00e3o apenas hoje, cidade e time j\u00e1 se confundirem como se fossem um s\u00f3. Chapec\u00f3 foi levantada por pioneiros que a constru\u00edram no cora\u00e7\u00e3o do Oeste Catarinense, quase incomunicado e mais que long\u00ednquo no in\u00edcio do s\u00e9culo XX; uma terra bravia de cuja conquista eles se reconhecem orgulhosamente como os \u201cdesbravadores\u201d. \u00c9 a cada um desses pioneiros que Chapec\u00f3 dedica o seu monumento-s\u00edmbolo, batizado, precisamente, como \u201cO Desbravador\u201d: uma est\u00e1tua de machado afiado na m\u00e3o esquerda e com o louro da vit\u00f3ria al\u00e7ado firme na direita; um monumento que se ergue, imponente, no centro da cidade e que, em n\u00e3o poucas vezes, vestiu com seu povo a faixa do luto.<\/p>\n<p>Foi o esp\u00edrito desbravador e pioneiro dos seus cidad\u00e3os que fez Chapec\u00f3 n\u00e3o desistir daquele pequeno time regional, de apar\u00eancia fr\u00e1gil, mas de esp\u00edrito ind\u00f4mito, porque ele encarnava o mesmo sonho de ascens\u00e3o e conquistas que tinha transformado a vila insignificante de 1917 na cidade-p\u00f3lo que hoje espalha os frutos do seu empreendedorismo pa\u00edses afora, sob a inspira\u00e7\u00e3o do cooperativismo. Junto com a cidade, tamb\u00e9m a Chape foi aos poucos conquistando no futebol um espa\u00e7o que muitos dos 140 munic\u00edpios brasileiros maiores e mais populosos que Chapec\u00f3 ainda n\u00e3o acariciaram.<\/p>\n<p>Da S\u00e9rie D do Brasileir\u00e3o em 2009 para a S\u00e9rie C em 2012, da S\u00e9rie B em 2013 para a S\u00e9rie A em 2014, da primeira partida internacional em 2015 para a primeira final Sul-Americana em 2016 e para a perman\u00eancia na S\u00e9rie A em 2017 apesar de um golpe que podia t\u00ea-la eliminado dos pr\u00f3prios campos da exist\u00eancia, a saga que os jornais da Europa qualificaram de \u201cconto de fadas\u201d \u00e9 especialmente inspiradora em tempos de longa e desgastante crise n\u00e3o apenas dos bolsos, mas, principalmente, dos esp\u00edritos. \u00c9 a saga daqueles que decidiram subir e subiram. \u00c9 a saga daqueles que, mesmo soterrados pelos escombros do pesadelo, do vazio e do absurdo, quiseram continuar subindo, de p\u00e9s firmes sobre a terra, mas de olhos fixos no sonho.<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o foi apenas a trag\u00e9dia da Chapecoense o que comoveu o planeta. Foi principalmente a sua trajet\u00f3ria. A trajet\u00f3ria de um Davi que olhou nos olhos de muitos Golias e n\u00e3o teve medo \u2013 nem sequer quando o seu cora\u00e7\u00e3o foi ferido de morte, mas teimou em continuar batendo. Como o de Neto. Como o de Ruschel. Como o de Follmann. E como o de todos os outros, que continuar\u00e3o vivos. Para sempre.<\/p>\n<p>\u00c9 dessas hist\u00f3rias que o mundo precisa. \u00c9 por causa dessa hist\u00f3ria que o mundo se emociona e se arrepia. Porque n\u00e3o \u00e9, nem nunca foi, um conto de fadas. \u00c9 e vai continuar sendo uma hist\u00f3ria real. \u00c9 e vai continuar sendo uma hist\u00f3ria poss\u00edvel. \u00c9 e nunca vai deixar de ser uma lenda \u2013 mas uma lenda viva.<\/p>\n<p>#For\u00e7aChape<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais que a trag\u00e9dia, \u00e9 a trajet\u00f3ria da Chapecoense o que a transforma numa das hist\u00f3rias de que o mundo hoje mais precisa O time humilde do interior do Brasil que, em seis anos, ascendeu imparavelmente da S\u00e9rie D para a S\u00e9rie A no mais fan\u00e1tico por futebol de todos os pa\u00edses da Terra. 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