{"id":36643,"date":"2017-11-28T15:53:13","date_gmt":"2017-11-28T17:53:13","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=36643"},"modified":"2017-11-29T09:34:19","modified_gmt":"2017-11-29T11:34:19","slug":"irmas-gemeas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/irmas-gemeas\/","title":{"rendered":"Irm\u00e3s g\u00eameas"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 exatos 130 anos, em 1887, o Bem-aventurado Dom J. B. Scalabrini, bispo de Piacenza, norte da It\u00e1lia, fundava a Congrega\u00e7\u00e3o dos Mission\u00e1rios de S\u00e3o Carlos (Scalabrinianos). Quatro anos depois, em 1891, o ent\u00e3o Papa Le\u00e3o XIII publicava a Carta Enc\u00edclica Rerum Novarum, documento inaugural da Doutrina Social da Igreja. E outros quatro anos depois, em 1895, o Bem-aventurado Dom Scalabrini, juntamente com a Bem-aventurada Madre Assunta e seu irm\u00e3o, o servo de Deus Pwe. Jos\u00e9 Marchetti, fundavam a Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s Mission\u00e1rias de S\u00e3o Carlos (Scalabrinianas).<\/p>\n<p>Essas tr\u00eas datas \u2013 1887, 1891 e 1895 \u2013 fazem parte de um grande despertar da Igreja para com a condi\u00e7\u00e3o socioec\u00f4nomica e pol\u00edtica das pessoas. Estamos no final do s\u00e9culo XIX, s\u00e9culo do movimento, segundo alguns historiadores. Movimento de pessoas e de novas m\u00e1quinas, em pleno auge da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Esta, com efeito, traz avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e revoluciona a vis\u00e3o da pr\u00f3pria exist\u00eancia. Mas, tamb\u00e9m, abre feridas, desloca multid\u00f5es e, numa grande onda de urbaniza\u00e7\u00e3o, provoca bols\u00f5es de pobreza nas cidades. Da\u00ed o nascimento de v\u00e1rias Congrega\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter apost\u00f3lico, sobretudo na segunda metade do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Juntando as figuras do Papa Le\u00e3o XIII e do Bem-aventurado J. B. Scalabrini, constata-se algo que \u00e9 muito mais do que uma mera coincid\u00eancia. Ao novo despertar da Igreja para com a \u201cquest\u00e3o social\u201d, tema da Rerum Novarum, corresponde o despertar de Dom Scalabrini para com os emigrantes que, em massa, deixavam a Europa. Sensibilidade em dupla dimens\u00e3o: enquanto o Papa se preocupa com a condi\u00e7\u00e3o dos oper\u00e1rios nas f\u00e1bricas emergentes, o bispo de Piacenza solidariza-se com aqueles que sequer conseguiam emprego em seus pa\u00edses. Por isso, s\u00e3o obrigados a cruzar os mares em busca de novas oportunidades nas Am\u00e9ricas. De 1820 a 1920, mais de 60 milh\u00f5es de pessoas saem da Europa.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a intui\u00e7\u00e3o de Dom Scalabrini pela acolhida e solicitude para com os migrantes e pr\u00f3fugos nasce no interior da nova solicitudade pastoral da Igreja diante da condi\u00e7\u00e3o concreta em que viviam os trabalhadores e trabalhadoras, devido \u00e0s turbul\u00eancias da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Disso resulta que a precupa\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da Igreja sobre a \u201cdoutrina social\u201d, por um lado, e aquilo que se poderia chamar de \u201cPastoral dos migrantes\u201d, por outro, s\u00e3o irm\u00e3s g\u00eameas.<\/p>\n<p>S\u00e3o tempos que se abrem aos novos desafios da sociedade moderna, preanunciando o Conc\u00edlio Vaticano II. Hoje, por\u00e9m, passados 130 anos, as migra\u00e7\u00f5es tornaram-se mais intensas, mais complexas e mais diversificadas. Novos rostos passam a fazer parte dos fluxos migrat\u00f3rios. O fen\u00f4meno envolve atualmente quase todos os pa\u00edses do planeta, como lugares de origem, lugares de destino ou lugares de passagem \u2013 quando n\u00e3o os tr\u00eas ao mesmo tempo. A ONU estima em mais de 230 milh\u00f5es o n\u00famero de pessoas que vivem e trabalham fora do pa\u00eds em que nasceram, e em cerca de 25 milh\u00f5es o n\u00famero de refugiados.<\/p>\n<p>Da\u00ed a insist\u00eancia do Papa Francisco para com a abertura do cora\u00e7\u00e3o, das portas e das fronteiras aos migrantes, pr\u00f3fugos e refugiados. \u201cConstruir pontes e n\u00e3o muros\u201d, repete o pont\u00edfice diante das pessoas, das na\u00e7\u00f5es e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social. Ao por-se a caminho, os migrantes fazem marchar a hist\u00f3ria e a Igreja. Interpelam-nos a sair fora de si mesmos, de casa ou da sacristia. Atrav\u00e9s deles, os profetas itinerantes de Nazar\u00e9, nos chama igualmente ao caminho de tornar-se disc\u00edpulos-mission\u00e1rios no universo dos migrantes, levando-lhes \u201co sorriso da p\u00e1tria e o conforto da f\u00e9\u201d, como lembrava Scalabrini.<\/p>\n<p>As opini\u00f5es da se\u00e7\u00e3o \u201cF\u00e9 e Cidadania\u201d s\u00e3o de responsabilidade do autor e n\u00e3o refletem, necessariamente, os posicionamentos editoriais do O S\u00c3O PAULO.<\/p>\n<p>Fonte: O S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 exatos 130 anos, em 1887, o Bem-aventurado Dom J. B. Scalabrini, bispo de Piacenza, norte da It\u00e1lia, fundava a Congrega\u00e7\u00e3o dos Mission\u00e1rios de S\u00e3o Carlos (Scalabrinianos). Quatro anos depois, em 1891, o ent\u00e3o Papa Le\u00e3o XIII publicava a Carta Enc\u00edclica Rerum Novarum, documento inaugural da Doutrina Social da Igreja. 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