{"id":36622,"date":"2017-11-28T13:40:41","date_gmt":"2017-11-28T15:40:41","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=36622"},"modified":"2017-11-29T09:10:50","modified_gmt":"2017-11-29T11:10:50","slug":"meus-2-maiores-erros-quanto-a-minha-depressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/meus-2-maiores-erros-quanto-a-minha-depressao\/","title":{"rendered":"Meus 2 maiores erros quanto \u00e0 minha depress\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&#8230;e o quanto eles me ajudaram a venc\u00ea-la!<\/p>\n<p>Acredito que o meu maior erro no tocante \u00e0 minha depress\u00e3o foi teimar em dizer que eu n\u00e3o tinha depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Meu segundo maior erro veio depois, quando finalmente reconheci que tinha depress\u00e3o, mas teimei em achar que poderia resolv\u00ea-la sozinho, s\u00f3 com a for\u00e7a do meu pensamento e com alguns ajustes de atitude emocional e pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>No entanto, esses dois erros foram fundamentais para que eu pudesse superar a minha depress\u00e3o \u2013 mas s\u00f3 a partir do momento em que os reconheci como erros, \u00e9 claro!<\/p>\n<p>\u00c9 que o primeiro erro me ajudou a entender o que a depress\u00e3o N\u00c3O \u00e9.<\/p>\n<p>Eu achava, assim como meio mundo ainda acha, que a depress\u00e3o \u00e9 uma modalidade mais ou menos somatizada da assim chamada \u201cfrescura\u201d. Para mim, o sujeito deprimido ou depressivo era algu\u00e9m que estaria farto de v\u00e1rias coisas, insatisfeito e frustrado com uma s\u00e9rie de fatos inc\u00f4modos relacionados com o pr\u00f3prio cotidiano, sobrecarregado principalmente de pensamentos bagun\u00e7ados e que, com tudo isso misturado, cairia numa situa\u00e7\u00e3o de cansa\u00e7o e des\u00e2nimo, que se resolveria com uma dose razo\u00e1vel de vergonha na cara, reorganiza\u00e7\u00e3o da agenda, menos resmungamento, menos vitimiza\u00e7\u00e3o e mais trabalho disciplinado com objetivos claros.<\/p>\n<p>Precisei entender que essas medidas s\u00e3o importantes, sim, mas n\u00e3o s\u00e3o suficientes.<\/p>\n<p>Foi assim que comecei a reconhecer o meu segundo erro e, como consequ\u00eancia, a compreender como N\u00c3O resolver a depress\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 que o segundo erro decorre, obviamente, do primeiro: se voc\u00ea nem sabe o que \u00e9 a depress\u00e3o, \u00e9 claro que n\u00e3o vai saber trat\u00e1-la. Voc\u00ea s\u00f3 vai perder meses preciosos da sua vida tentando negar que tem depress\u00e3o, disfar\u00e7ando que n\u00e3o sabe o que ela \u00e9 e fingindo que vai conseguir super\u00e1-la sozinho.<\/p>\n<p>Por outro lado, entender a depress\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m entender como trat\u00e1-la.<\/p>\n<p>Eu entendi que a depress\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a psicossom\u00e1tica: ela afeta o f\u00edsico e o emocional ao mesmo tempo, e n\u00e3o apenas o emocional \u2013 at\u00e9 porque n\u00e3o existe a suposta separa\u00e7\u00e3o entre o f\u00edsico e o emocional. O ser humano \u00e9 uma unidade, n\u00e3o um agregado de dimens\u00f5es independentes e soltas. Se a nossa psique est\u00e1 passando por uma \u201cfase de tristeza\u201d, quer dizer que o nosso corpo tamb\u00e9m est\u00e1 passando por uma fase de desequil\u00edbrio. N\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que nem toda \u201cfase de tristeza\u201d \u00e9 depress\u00e3o. \u00c0s vezes \u00e9 suficiente adotar um estilo de vida mais saud\u00e1vel, caminhar ao sol, sentir o vento no rosto, desabafar, trocar ideias sobre fantasmas do passado e do presente, acordar cedo, correr descal\u00e7o na grama, rever velhas fotos alegres de fam\u00edlia, mergulhar no mar, definir e atingir metas concretas, dar menos bola para o negativo e muito mais para o positivo, lamentar menos e agradecer mais, melhorar a alimenta\u00e7\u00e3o, meditar, trabalhar num projeto bacana em conjunto com outras pessoas entusiasmadas, aprender algo novo, e, com isso, as coisas v\u00e3o ganhando um novo sentido, mais v\u00edvido e vivificante. Essa parceria entre o f\u00edsico e o emocional revigora os dois.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 casos em que a \u201cfase de tristeza\u201d \u00e9 realmente um sintoma de verdadeira doen\u00e7a, ligada ao desequil\u00edbrio qu\u00edmico dos neurotransmissores. \u00c9 neste caso que estamos diante da depress\u00e3o cl\u00ednica, da depress\u00e3o como doen\u00e7a propriamente dita.<\/p>\n<p>Por ter raiz fisiol\u00f3gica, a depress\u00e3o cl\u00ednica exige mais do que algumas mudan\u00e7as no estilo de vida: ela pede tamb\u00e9m o acompanhamento m\u00e9dico adequado, desde o diagn\u00f3stico at\u00e9 o tratamento em si. Do mesmo jeito que um problema card\u00edaco requer o diagn\u00f3stico e o tratamento junto a um bom cardiologista, e do mesmo jeito que um problema de vis\u00e3o requer o diagn\u00f3stico e o tratamento junto a um bom oftalmologista, tamb\u00e9m a depress\u00e3o cl\u00ednica requer o diagn\u00f3stico e o tratamento junto a um bom psiquiatra. N\u00e3o parece muito sensato pretender curar uma art\u00e9ria entupida s\u00f3 com a for\u00e7a do pensamento, nem eliminar a miopia somente com banhos di\u00e1rios de \u00e1gua fria.<\/p>\n<p>A depress\u00e3o \u00e9 caracterizada pela produ\u00e7\u00e3o inadequada dos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e dopamina, o que gera um intenso abatimento e provoca des\u00e2nimo, cansa\u00e7o, fraqueza e falta de iniciativa para qualquer atividade. A depress\u00e3o diminui a produ\u00e7\u00e3o de serotonina e noradrenalina, que s\u00e3o respons\u00e1veis, em grande medida, pelo equil\u00edbrio emocional. Da\u00ed vem, por exemplo, o aumento de sensibilidade \u00e0 dor gastrointestinal, que \u00e9 comum em quadros depressivos.<\/p>\n<p>E, como o ps\u00edquico e o f\u00edsico andam sempre juntos, o desequil\u00edbrio no sistema nervoso intensifica o mal-estar emocional; ao mesmo tempo, as frustra\u00e7\u00f5es e as inseguran\u00e7as s\u00e3o descarregadas no corpo e acabam sendo sentidas por ele fisicamente, causando desde dores de cabe\u00e7a at\u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o desesperante de falta de ar. Isto quer dizer que, junto com os transtornos fisiol\u00f3gicos que se refletem em mal-estar emocional, tamb\u00e9m h\u00e1 transtornos emocionais que se refletem em somatiza\u00e7\u00f5es. De novo: \u00e9 um \u00fanico e mesmo processo psicossom\u00e1tico.<\/p>\n<p>Este quadro cl\u00ednico leva a um estado constante de alerta, de ansiedade e de nervosismo, que gera tens\u00e3o da musculatura, em especial da nuca e dos ombros, mas que tamb\u00e9m aumenta a sensa\u00e7\u00e3o de dor nas costas e no peito, porque o cansa\u00e7o pr\u00f3prio da depress\u00e3o compromete a postura f\u00edsica e isso piora as dores musculares, num c\u00edrculo vicioso. Em decorr\u00eancia de toda essa corrente de efeitos consecutivos e interligados, a libera\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios tamb\u00e9m fica descontrolada, afetando as c\u00e9lulas de defesa e interferindo na imunidade, que pode ficar muito baixa.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o de interfer\u00eancia entre o que chamamos de \u201cdimens\u00e3o ps\u00edquica\u201d e o que entendemos por \u201cdimens\u00e3o f\u00edsica\u201d \u00e9 total e n\u00e3o poderia ser diferente, j\u00e1 que elas formam uma unidade indissoci\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 como a unidade dos sistemas fisiol\u00f3gicos: o sistema respirat\u00f3rio afeta o sistema digestivo, que pode interferir no sistema cardiovascular, que tem alta depend\u00eancia do sistema nervoso, que \u00e9 afetado pelo sistema end\u00f3crino, que tem plena rela\u00e7\u00e3o com o sistema linf\u00e1tico, e assim por diante. A vida de um ser humano \u00e9 sist\u00eamica: n\u00e3o h\u00e1 compartimentos isolados; n\u00e3o h\u00e1 sistemas independentes dos outros. Tudo afeta e \u00e9 afetado por tudo.<\/p>\n<p>Por isso mesmo, \u00e9 perfeitamente contr\u00e1rio \u00e0 realidade pretender que alguma dimens\u00e3o do nosso ser n\u00e3o tenha rela\u00e7\u00e3o com as outras, o que significa que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel tratar o corpo sem tratar a psique, nem tratar a psique sem tratar o corpo.<\/p>\n<p>F\u00edsico e ps\u00edquico s\u00e3o uma unidade. Entender esta unidade \u00e9 crucial para entender a depress\u00e3o e come\u00e7ar a super\u00e1-la, j\u00e1 que a depress\u00e3o \u00e9, como diz a pr\u00f3pria palavra, um \u201crebaixamento\u201d dessa unidade, uma \u201cqueda brusca\u201d dessa unidade, um \u201cburaco\u201d nessa unidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem cometa o erro de tratar apenas a parte som\u00e1tica (f\u00edsica) deste quadro psicossom\u00e1tico: esses doentes esperam que os rem\u00e9dios sozinhos resolvam tudo, sem precisarem fazer qualquer esfor\u00e7o para mudar a sua postura emocional. E h\u00e1 quem cometa o erro contr\u00e1rio, de tratar somente a parte ps\u00edquica deste quadro psicossom\u00e1tico: esses doentes esperam que a sua postura emocional resolva tudo, sem precisarem dos rem\u00e9dios que atuam sobre os neurotransmissores a fim de reequilibr\u00e1-los.<\/p>\n<p>Mas se o quadro \u00e9 psicossom\u00e1tico, ou seja, se ele atinge a dimens\u00e3o f\u00edsica e a dimens\u00e3o emocional ao mesmo tempo, ent\u00e3o o tratamento tamb\u00e9m deve ser voltado tanto \u00e0 dimens\u00e3o f\u00edsica quanto \u00e0 emocional, ao mesmo tempo. Isto quer dizer que \u00e9 preciso combinar um tratamento externo adequado com uma atitude interna positiva, sem prescindir de nenhuma dessas duas partes de um mesmo e unit\u00e1rio processo de reequil\u00edbrio.<\/p>\n<p>Devo dizer que este \u00e9 apenas um coment\u00e1rio amador e pessoal.<\/p>\n<p>Estou compartilhando considera\u00e7\u00f5es sobre o meu pr\u00f3prio caso e sobre como eu fui conseguindo recuperar com bastante sucesso o meu equil\u00edbrio psicossom\u00e1tico a partir da compreens\u00e3o dessa unidade indissoci\u00e1vel entre o que costumamos chamar de \u201cdimens\u00e3o f\u00edsica\u201d e o que chamamos de \u201cdimens\u00e3o ps\u00edquica\u201d. Entender que elas formam uma \u00fanica realidade sist\u00eamica foi fundamental para entender como restaurar essa unidade sistemicamente.<\/p>\n<p>Eu tendo a evitar rem\u00e9dios ao m\u00e1ximo porque os acho artificiais e, portanto, invasivos. No entanto, h\u00e1 muito pouca coisa em nossa vida real que \u00e9 100% natural no sentido de ser livre de qualquer interfer\u00eancia artificial. Eu uso \u00f3culos, que n\u00e3o s\u00e3o naturais. Uso roupas, que s\u00e3o artificiais. Durmo numa cama e n\u00e3o no ch\u00e3o de terra. Escovo meus dentes, ensaboo meu corpo, lavo meu cabelo e me visto com recursos artificiais. Moro numa casa e n\u00e3o numa \u00e1rvore. E nenhuma dessas atitudes \u00e9 antinatural s\u00f3 porque recorra a artif\u00edcios constru\u00eddos inteligentemente pela racionalidade humana para melhorar a nossa qualidade de vida. O que \u00e9 natural \u00e9 reconhecer e trabalhar de modo inteligente e respons\u00e1vel com a mir\u00edade de ingredientes que a natureza nos oferece para construirmos a melhor experi\u00eancia de vida nesta passagem por um mundo transit\u00f3rio. Antinatural (e incoerente) \u00e9 renegarmos a nossa pr\u00f3pria natureza de seres racionais capazes de transformar positivamente os recursos para o bem ainda maior da nossa esp\u00e9cie e de todo o conjunto dos seres vivos. E isto inclui a medicina, que atende a uma das nossas mais naturais necessidades. N\u00e3o se trata de tomar rem\u00e9dios a esmo, irresponsavelmente; trata-se apenas de n\u00e3o os rejeitar quando um diagn\u00f3stico s\u00e9rio os indicou como recurso proveitoso e positivo, dentro de um determinado tratamento, com doses ponderadas e com acompanhamento cuidadoso.<\/p>\n<p>Os medicamentos espec\u00edficos que funcionaram para mim n\u00e3o necessariamente v\u00e3o funcionar para todos os outros (ali\u00e1s, precisei trocar de psiquiatra at\u00e9 acertarmos o melhor tratamento para o meu quadro espec\u00edfico). Igualmente, os ajustes de postura emocional que eu tive de fazer provavelmente n\u00e3o s\u00e3o os mesmos que outros pacientes precisar\u00e3o fazer na sua pr\u00f3pria vida e no seu particular jeito de ser.<\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o tenho (e acho que n\u00e3o existe) uma receita \u00fanica para tratar a depress\u00e3o. N\u00e3o sou psiquiatra, n\u00e3o sou psic\u00f3logo e n\u00e3o tenho nenhuma pretens\u00e3o de bancar a autoridade no assunto \u2013 at\u00e9 porque eu mesmo tenho muito mais perguntas e d\u00favidas do que respostas e certezas sobre essa interessant\u00edssima doen\u00e7a. Interessant\u00edssima porque a depress\u00e3o acabou aumentando a minha curiosidade e fasc\u00ednio diante da minha pr\u00f3pria unidade sist\u00eamica e seus desafios; uma unidade que me deixa maravilhado e que est\u00e1 ampliando os meus horizontes de autoconhecimento e autodesenvolvimento de maneira inimagin\u00e1vel!<\/p>\n<p>Mesmo assim, eu me atrevo a afirmar, com grande seguran\u00e7a, que existe algo v\u00e1lido para todos os que lidam com o desafio da depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Trata-se da import\u00e2ncia radical de entender que somos uma unidade psicossom\u00e1tica; que existe uma integra\u00e7\u00e3o sist\u00eamica insepar\u00e1vel entre o que chamamos de \u201cdimens\u00f5es\u201d biol\u00f3gica, fisiol\u00f3gica, mental, espiritual, an\u00edmica e quaisquer outras categoriza\u00e7\u00f5es que as diversas teorias quiserem propor ou ousarem estabelecer. Tudo isso est\u00e1 interligado. E tudo isso deve ser levado em conta num processo sist\u00eamico e unit\u00e1rio de reequil\u00edbrio e aperfei\u00e7oamento pessoal.<\/p>\n<p>\u00c9 o entendimento desta unidade o que leva a compreender que a depress\u00e3o n\u00e3o se cura s\u00f3 com recursos internos, como o pensamento e a vontade, nem s\u00f3 com recursos externos, como terapias e medicamentos, mas sim com a sist\u00eamica e harmoniosa parceria entre todos esses recursos, respeitando a realidade da nossa unidade psicossom\u00e1tica.<\/p>\n<p>Talvez este seja o grande fruto positivo da experi\u00eancia dura da depress\u00e3o: um n\u00edvel de autoconhecimento e autodesenvolvimento muito mais consciente da nossa pr\u00f3pria unidade, e, portanto, um novo foco em, literalmente, restaurar os nossos peda\u00e7os e reuni-los numa pe\u00e7a \u00fanica, integrada e, mesmo rachada e riscada, ainda assim bela, harm\u00f4nica e cheia de sentido!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;e o quanto eles me ajudaram a venc\u00ea-la! 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