{"id":36485,"date":"2017-11-13T07:53:28","date_gmt":"2017-11-13T09:53:28","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=36485"},"modified":"2017-11-28T11:50:58","modified_gmt":"2017-11-28T13:50:58","slug":"a-danca-do-cisne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-danca-do-cisne\/","title":{"rendered":"A dan\u00e7a do Cisne"},"content":{"rendered":"<p>A vida \u00e9 um musical, um bal\u00e9 sem fim. Quem assim define a exist\u00eancia, com certeza, \u00e9 algu\u00e9m sens\u00edvel, voltado para as belezas do grande espet\u00e1culo do qual ainda toma parte. Seu palco (ou picadeiro) ainda \u00e9 capaz de reconhecer virtudes e qualidades daqueles que atuam a seu lado e fazem parte de uma dramaturgia maravilhosa. O roteiro \u00e9 indefinido, mas o final h\u00e1 de merecer aplausos, posto que atue com desenvoltura e segue \u00e0 risca seu papel existencial. O cen\u00e1rio, ah o cen\u00e1rio! Emoldura sua exist\u00eancia qual obra de arte surpreendente e coerente com cada ato da dramaturgia di\u00e1ria. Esse sabe viver a vida e dan\u00e7ar conforme a m\u00fasica.<br \/>\nAo contr\u00e1rio daquele que n\u00e3o enxerga, n\u00e3o compreende nada disso neste enredo em que tamb\u00e9m toma parte. O burburinho em que se meteu, o corre-corre carater\u00edstico do seu dia-a-dia, o individualismo que bem defende, os passos em desarmonia com seus coadjuvantes, a dan\u00e7a solo fora do ritmo dos companheiros de palco, tudo isso faz de sua exist\u00eancia um eterno contrapasso grotesco e desagrad\u00e1vel. A estes se dirigem n\u00e3o aplausos, mas vaias, cr\u00edticas, desaprova\u00e7\u00f5es. Est\u00e3o fora da harmonia do universo!<br \/>\nDonde me vem essa reflex\u00e3o? Da natureza, do mundo animal. Do mundo intelectual e tamb\u00e9m religioso. Ou melhor, das bel\u00edssimas li\u00e7\u00f5es de harmonia com a vida que esse mundo nos d\u00e1 cotidianamente. Por exemplo, entre as aves. A mais portentosa e referendada delas \u00e9 o cisne. Por parentesco e porte altaneiro, temos tamb\u00e9m o avestruz. Ou a ema, ou o pav\u00e3o&#8230; Enfim, todas elas t\u00eam l\u00e1 seu aspecto de encanto, sua maneira de saudar a vida com seus passos de dan\u00e7a, de voos transbordantes de alegria e gratid\u00e3o a Deus. Fiquemos, ent\u00e3o, com o cisne. \u00c9 famoso o ritual da dan\u00e7a desse p\u00e1ssaro, que virou bel\u00edssimo musical dramat\u00fargico. Ave de porte altaneiro, leveza nos movimentos, sagacidade no olhar, pureza na plumagem, fizeram do cisne s\u00edmbolo da mais expressiva dan\u00e7a do universo.<br \/>\nSua corte \u00e0 amada chegou aos palcos humanos atrav\u00e9s do bal\u00e9; ao som da mais bela valsa que a musicalidade cl\u00e1ssica j\u00e1 conseguiu compor, a Dan\u00e7a do Cisne \u00e9 sempre o ponto alto de qualquer apresenta\u00e7\u00e3o que uma boa bailarina queira representar em sua carreira. Curiosamente, outros aspectos emergem desse espet\u00e1culo, denominado tamb\u00e9m como O Canto do Cisne ou A morte do Cisne. Outros s\u00e3o mais gen\u00e9ricos, preferindo apresent\u00e1-lo como O Lago do Cisne. Mas, em comum, todos lembram esta ave como inspiradora de um grande espet\u00e1culo. A raz\u00e3o vem de uma cren\u00e7a antiga de que esta ave era muda e s\u00f3 conseguia cantar quando a morte se lhe batia \u00e0 porta. Pura mitologia, mas que muito inspirou e continua a inspirar muitos dos cl\u00e1ssicos do bal\u00e9 e da literatura humana.<br \/>\nNa B\u00edblia, o cisne estava entre as aves proibidas para a alimenta\u00e7\u00e3o humana (Lev 11,14), pois faziam parte das belezas da cria\u00e7\u00e3o e bem enfeitavam os lagos do Para\u00edso. Mas, celebrando agora os 500 anos da Reforma protestante, n\u00e3o posso ignorar uma curiosa observa\u00e7\u00e3o dos historiadores desse fato hist\u00f3rico. Cem anos antes de Lutero, um antecessor da reforma foi condenado \u00e0 morte por heresia. Prestes a ser lan\u00e7ado numa fogueira, profetizou: \u201cHoje voc\u00eas assam um ganso, por\u00e9m daqui a cem anos cantar\u00e1 um cisne\u201d. Um detalhe: o nome desse reformista era Jo\u00e3o Huss. Seu sobrenome, em l\u00edngua bo\u00eamia, significa ganso. Cem anos depois, Martin Lutero era ordenado sacerdote, sobre o altar em que estava sepultado o bispo que condenara Huss&#8230; \u00c9, de fato, a dan\u00e7a do cisne ainda continua&#8230; Press\u00e1gio do fim ou mist\u00e9rios do grande Lago dos Cisnes de um Para\u00edso que ainda n\u00e3o compreendemos? S\u00f3 o tempo dir\u00e1.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida \u00e9 um musical, um bal\u00e9 sem fim. Quem assim define a exist\u00eancia, com certeza, \u00e9 algu\u00e9m sens\u00edvel, voltado para as belezas do grande espet\u00e1culo do qual ainda toma parte. 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