{"id":36466,"date":"2017-11-06T07:37:31","date_gmt":"2017-11-06T09:37:31","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=36466"},"modified":"2017-11-28T11:18:54","modified_gmt":"2017-11-28T13:18:54","slug":"eu-creio-na-comunhao-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/eu-creio-na-comunhao-dos-santos\/","title":{"rendered":"Eu creio na comunh\u00e3o dos santos"},"content":{"rendered":"<p>Desde que come\u00e7amos a ouvir a voz da mam\u00e3e e do papai fomos construindo a nossa compreens\u00e3o das coisas. E, merc\u00ea de Deus, n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica pessoa batizada na Igreja Cat\u00f3lica que n\u00e3o aprendeu de seus pais a devo\u00e7\u00e3o para com um santo que a fam\u00edlia tem particular devo\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da maternal devo\u00e7\u00e3o para com a Virgem Maria, Santa M\u00e3e de Deus, da Igreja e nossa, n\u00f3s aprendemos dentro de casa a ter uma devo\u00e7\u00e3o primeira, a devo\u00e7\u00e3o dos santos de nossos pais. Assim foi comigo e assim tenho certeza de que se sucedeu com todos os meus leitores.<\/p>\n<p>Com o tempo n\u00f3s crescemos, chegamos na adolesc\u00eancia e na idade adulta e vamos cultivando, al\u00e9m das devo\u00e7\u00f5es familiares, as nossas devo\u00e7\u00f5es. E \u00e9 claro sempre vai aparecer na nossa hist\u00f3ria o nosso amor espiritual com algum dos santos da Igreja. \u00c9 esta riqueza verdadeira da Igreja. \u00c9 este o tesouro que a Igreja d\u00e1 a cada um de n\u00f3s; ou seja, a multid\u00e3o incalcul\u00e1vel dos homens e mulheres an\u00f4nimos que passaram por este mundo vivendo e testemunhando a santidade que est\u00e3o agora na comunh\u00e3o dos Santos. \u00c9 precisamente a comunh\u00e3o dos santos, antigamente celebrada em 01 de novembro, que iremos celebrar neste dia 05 de novembro de 2017. Rezamos a solenidade de todos os santos, aqueles que fazem parte do cat\u00e1logo oficial da Igreja, os santos, beatos e m\u00e1rtires, e a multid\u00e3o incalcul\u00e1vel dos que anonimamente viveram a radicalidade do Evangelho.<\/p>\n<p>A primeira voca\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os cat\u00f3licos batizados \u00e9 que somos chamados \u00e0 santidade. Viver a santidade \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o natural de todos os cat\u00f3licos que s\u00e3o convidados a testemunh\u00e1-la em seus ambientes de trabalho, na pol\u00edtica, na a\u00e7\u00e3o social e caritativa, na fam\u00edlia e na vida eclesial. A virtude e a santidade \u00e9 poss\u00edvel sim nos dias de hoje.<\/p>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II ao comentar a primeira leitura desta Solenidade(Ap 7,2-4.9-14) ensina que: \u201cA primeira Leitura b\u00edblica, tirada do livro do Apocalipse de Jo\u00e3o, transporta-nos, em termos fortemente simb\u00f3licos, para o meio da corte celeste, \u00abem p\u00e9 diante do trono e diante do Cordeiro\u00bb, num contexto de transbordante exulta\u00e7\u00e3o e de vastos horizontes. Aqui encontramos \u00abuma grande multid\u00e3o, que ningu\u00e9m podia contar, de todas as na\u00e7\u00f5es, tribos, povos e l\u00ednguas\u00bb (Apoc. 7, 9). E j\u00e1 \u00e9 um dado consolador que d\u00e1 respira\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa alma, porque nos \u00e9 assegurado que somos muitos a festejar. Quando um dia algu\u00e9m perguntou a Jesus: \u00abSenhor, s\u00e3o poucos os que que salvam?\u00bb, ele n\u00e3o respondeu directamente; todavia, embora recordando a necessidade de \u00abentrar pela porta estreita\u00bb, prosseguiu: \u00abH\u00e3o-de vir do Oriente, do Ocidente, do Norte e do Sul e sentar-se-\u00e3o \u00e0 mesa no reino de Deus\u00bb (Lc. 13, 23.24.29). Pois bem, n\u00f3s hoje estamos imersos com o nosso esp\u00edrito entre esta grande multid\u00e3o de santos, de salvos, os quais, a partir do \u00abjusto Abel\u00bb (Mt. 23, 35), at\u00e9 a quem neste momento talvez esteja a morrer em qualquer parte do mundo, nos fazem coroa, nos d\u00e3o coragem, e cantam todos juntos um poderoso coro de gl\u00f3ria Aquele a quem os Salmistas chamam justamente \u00abo Deus meu Salvador\u00bb (Sl. 24, 5) e \u00abo Deus que \u00e9 a minha alegria e o meu j\u00fabilo\u00bb (Sl. 42, 4)\u201d. (http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/homilies\/1980\/documents\/hf_jp-ii_hom_19801101_verano.html, \u00faltimo acesso em 28 de outubro de 2017).<\/p>\n<p>Continua o mesmo Pont\u00edfice que: \u201co Evangelho que h\u00e1 pouco foi lido faz-nos recordar um aspecto essencial da nossa identidade crist\u00e3 e do que constitui a santidade. As Bem-aventuran\u00e7as pronunciadas t\u00e3o solenemente por Jesus colocam-se, por um lado, em ant\u00edtese com alguns valores que pelo contr\u00e1rio s\u00e3o honrados pelo mundo e, por outro lado, na perspectiva de um destino futuro e definitivo, em que as situa\u00e7\u00f5es s\u00e3o invertidas. Elas ou mant\u00eam-se ou caem todas juntas; n\u00e3o se lhes pode extrair s\u00f3 uma e cultiv\u00e1-la em preju\u00edzo das outras. Todos os santos sempre foram e s\u00e3o contemporaneamente, embora em medida diversa, pobres de esp\u00edrito, mansos, aflitos, famintos e sequiosos de justi\u00e7a, misericordiosos, puros de cora\u00e7\u00e3o, art\u00edfices de paz e perseguidos pela causa do Evangelho. E assim devemos ser tamb\u00e9m n\u00f3s. Al\u00e9m disso, na base desta p\u00e1gina evang\u00e9lica \u00e9 evidente que a bem-aventuran\u00e7a crist\u00e3, como sin\u00f3nimo de santidade, n\u00e3o est\u00e1 separada de uma componente de sofrimento ou pelo menos de dificuldade: n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ser ou querer ser pobres, mansos, puros; n\u00e3o se quereria ser perseguido, nem sequer por causa da justi\u00e7a. Mas o reino dos c\u00e9us \u00e9 para os anticonformistas (cf. Rom. 12, 2), e s\u00e3o v\u00e1lidas tamb\u00e9m para n\u00f3s as palavras de S\u00e3o Pedro: \u00abSe sois ultrajados pelo nome de Cristo, bem-aventurados sois v\u00f3s, porque o Esp\u00edrito de gl\u00f3ria, o Esp\u00edrito de Deus, repousa sobre v\u00f3s. Que nenhum de v\u00f3s sofra por ser homicida, ladr\u00e3o, difamador, ou por cobi\u00e7ar os bens alheios. Mas, se sofre por ser crist\u00e3o, n\u00e3o se envergonhe, antes glorifique a Deus por ter este nome\u00bb (1 Ped. 4, 14-16). De facto, a nossa perspectiva n\u00e3o \u00e9 a breve termo, mas sem fim. S\u00e3o escritas para n\u00f3s as palavras iluminadoras do ap\u00f3stolo Paulo: \u00aba nossa leve e moment\u00e2nea tribula\u00e7\u00e3o prepara-nos, para al\u00e9m de toda e qualquer medida, um peso eterno de gl\u00f3ria. Por isso, n\u00e3o olhamos para as coisas vis\u00edveis, mas para as invis\u00edveis, porque as vis\u00edveis s\u00e3o passageiras, ao passo que as invis\u00edveis s\u00e3o eternas\u00bb (2 Cor. 17-18).\u201d (http:\/\/w2.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/homilies\/1980\/documents\/hf_jp-ii_hom_19801101_verano.html, \u00faltimo acesso em 28 de outubro de 2017).<\/p>\n<p>Por isso ao celebrarmos esta Solenidade tenhamos consci\u00eancia de que a santidade \u00e9 a meta de todos os crist\u00e3os, como nos ensina S\u00e3o Jo\u00e3o: \u201cCar\u00edssimos, desde j\u00e1 somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele \u00e9. Todo o que espera nele purifica-se a si mesmo, como tamb\u00e9m ele \u00e9 puro\u201d(Cf. 1Jo 3,2-3). Esta pureza \u00e9 o que celebramos, a pureza da gra\u00e7a de Deus que nos torna aptos para testemunh\u00e1-lo no mundo.<\/p>\n<p>A Igreja, como M\u00e3e e Mestra, \u00e9 communio sanctorum: comunh\u00e3o dos santos, isto \u00e9, comunidade de todos os que receberam a gra\u00e7a regeneradora do Esp\u00edrito, pela qual s\u00e3o filhos de Deus, unidos a Cristo e chamados santos. Alguns ainda caminham nesta terra, outros morreram e est\u00e3o se purificando, inclusive com a ajuda de nossas ora\u00e7\u00f5es. Outros, enfim, gozam j\u00e1 da vis\u00e3o de Deus e intercedem por n\u00f3s. A comunh\u00e3o dos santos tamb\u00e9m quer dizer que todos n\u00f3s, crist\u00e3os, temos em comum os dons santos, em cujo centro est\u00e1 a Eucaristia; tamb\u00e9m todos os outros sacramentos que a ela se ordenam e todos os demais dons e carismas (cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 950).<\/p>\n<p>Pela comunh\u00e3o dos santos, os m\u00e9ritos de Cristo e de todos os santos que nos precederam na terra nos ajudam na miss\u00e3o que o pr\u00f3prio Senhor nos pede para realizar na Igreja. Os santos que est\u00e3o no C\u00e9u n\u00e3o assistem com indiferen\u00e7a \u00e0 vida da Igreja peregrina: eles nos impulsionam com sua intercess\u00e3o ante o Trono de Deus, e aguardam a realiza\u00e7\u00e3o da plenitude da comunh\u00e3o dos santos com a segunda vinda do Senhor, o ju\u00edzo e a ressurrei\u00e7\u00e3o dos corpos. A vida concreta da Igreja peregrina e de cada um de seus membros; a fidelidade de cada batizado tem grande import\u00e2ncia para a realiza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o da Igreja, para a purifica\u00e7\u00e3o de muitas almas e para a convers\u00e3o de outras.<\/p>\n<p>Que Todos os Santos nos auxiliem a sermos aut\u00eanticos disc\u00edpulos-mission\u00e1rios do Senhor em favor da santifica\u00e7\u00e3o de nossa vida e de todos os nossos irm\u00e3os, Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que come\u00e7amos a ouvir a voz da mam\u00e3e e do papai fomos construindo a nossa compreens\u00e3o das coisas. E, merc\u00ea de Deus, n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica pessoa batizada na Igreja Cat\u00f3lica que n\u00e3o aprendeu de seus pais a devo\u00e7\u00e3o para com um santo que a fam\u00edlia tem particular devo\u00e7\u00e3o. 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