{"id":36434,"date":"2017-10-25T17:14:21","date_gmt":"2017-10-25T19:14:21","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=36434"},"modified":"2017-11-28T09:49:48","modified_gmt":"2017-11-28T11:49:48","slug":"o-maior-mandamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-maior-mandamento\/","title":{"rendered":"O maior mandamento"},"content":{"rendered":"<p>Jesus, ap\u00f3s vencer os saduceus que haviam proposto uma quest\u00e3o sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o (Mt 22, 23-33), foi\u00a0 abordado pelos fariseus e um deles, capciosamente, indagou: \u201cMestre, qual \u00e9 o maior mensamente da lei\u201d (Mt,22 34-40). Entre os judeus esse assunto era de suma relev\u00e2ncia, dada a multiplicidade dos preceitos da lei. Contavam-se no Tor\u00e1 ou Lei de Mois\u00e9s seiscentos e treze numa complexidade que levava a mesclar normas principais com outras suplementares. N\u00e3o havia desse modo no juda\u00edsmo uma vis\u00e3o objetiva sobre o princ\u00edpio fundamental de toda a Lei. Tratava-se de elucidar o cerne mesmo da exig\u00eancia moral e a raz\u00e3o \u00faltima de sua motiva\u00e7\u00e3o. No fundo era preciso estabelecer qual era o essencial de tudo que Deus havia preceituado. Conforme a resposta de Cristo, seus inimigos poderiam depois checar sua conduta, a veracidade de sua doutrina. Para evitar debates in\u00fateis Jesus foi direto \u00e0 elucida\u00e7\u00e3o da pergunta: \u201cAma o Senhor teu Deus com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento\u201d. Era o que constava no Deuteron\u00f4mio, texto recitado duas vezes por dia pelos bons israelitas (Deut 6,4-5). Cristo, por\u00e9m, sabiamente, une a este preceito o mandamento do amor ao pr\u00f3ximo, insepar\u00e1vel do amor de Deus e que estava proclamado no Livro do Lev\u00edtico (Lev 19,18). Com sua sabedoria de Mestre Ele ligava deste modo o amor ao semelhante e o amor de Deus, estabelecendo uma l\u00f3gica hierarquia, pois o amor de Deus estava em primeiro lugar, estando o amor ao pr\u00f3ximo em segundo lugar como norma semelhante \u00e0 primeira. Ficava evidente que o inverso n\u00e3o era ver\u00eddico. Havia, deste modo, uma rela\u00e7\u00e3o profunda entre os dois mandamentos, certa equival\u00eancia, porque o amor devido ao Ser Supremo, infinitamente bom e misericordioso, devia ser estendido atrav\u00e9s da bondade e da clem\u00eancia a todo o semelhante. S\u00e3o Jo\u00e3o dir\u00e1 na sua primeira carta: \u201cEm verdade, quem n\u00e3o ama o seu irm\u00e3o, que v\u00ea, n\u00e3o pode amar a Deus que n\u00e3o v\u00ea e este mandamento recebemo-lo dele: quem ama a Deus ame tamb\u00e9m o seu irm\u00e3o\u201d (1 Jo 4). Os dois mandamentos s\u00e3o semelhantes, a saber, amar a Deus, o Criador e o Redentor, e amar o pr\u00f3ximo, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus, remido pelo mesmo sangue divino. N\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o entre estes dois preceitos que s\u00e3o integrantes. Acontece, por\u00e9m, que na teoria logo s\u00e3o admitidas estas verdades, mas na pr\u00e1tica \u00e9 necess\u00e1rio sempre um autoexame para se verificar se n\u00e3o ocorre o desprezo de um deles. \u00c9 que o verdadeiro seguidor de Cristo se abre a uma pr\u00e1tica que visa as duas realidades, ou seja, um amor do pr\u00f3ximo que seja prolongamento da intimidade pessoal com o Deus Alt\u00edssimo. O amor a este Deus estendido no encontro fraternal com os outros. Jesus condensou de uma maneira perempt\u00f3ria toda f\u00e9 de Israel e de todos os seus disc\u00edpulos conjugando o amor de Deus com o amor do irm\u00e3o. Enunciou um princ\u00edpio espiritual de a\u00e7\u00e3o, uma atitude que devia ajudar cada um a caminhar no sentido da verdadeira vida humana em toda e qualquer situa\u00e7\u00e3o. Jesus mostrou que um amor a Deus que n\u00e3o se expande no amor sincero aos outros n\u00e3o atinge sua verdadeira dimens\u00e3o. Por entre as tarefas importantes da exist\u00eancia de cada um, demandando aten\u00e7\u00e3o, tempo e energia, muitos ficam sem saber o que \u00e9 realmente priorit\u00e1rio. Jesus oferece um crit\u00e9rio supremo: \u00c9 preciso sempre realizar aquilo que conv\u00e9m para provar amor a Deus e ao semelhante., n\u00e3o aquilo que a pessoa julga boa para si mesma de uma maneira ego\u00edstica. Jesus deixou uma f\u00f3rmula simples para discernir o que \u00e9 verdadeiramente importante entre tantos valores que se apresentam ao ser humano, isto \u00e9, o duplo amor que necessita impregnar todas as obras. O \u00edcone deste programa de vida \u00e9 a cruz. Nela Ele deu a prova suprema do amor de Deus para com a criatura humana que O deve amar na mesma propor\u00e7\u00e3o. Ele foi tamb\u00e9m claro ao dizer: \u201cEste \u00e9 o meu mandamento que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ningu\u00e9m tem maior amor do que o daquele que d\u00e1 a vida pelos amigos. V\u00f3s sois meus amigos se fizerdes o que eu vos ordenei\u201d (Jo 15,13-14). A Cruz indica tudo isto, a saber, a travessa vertical apontando. para o Alto, para o amor a Deus e a travessa horizontal, indicando o abra\u00e7o fraternal envolvendo todos os irm\u00e3os num amor sem limites.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jesus, ap\u00f3s vencer os saduceus que haviam proposto uma quest\u00e3o sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o (Mt 22, 23-33), foi\u00a0 abordado pelos fariseus e um deles, capciosamente, indagou: \u201cMestre, qual \u00e9 o maior mensamente da lei\u201d (Mt,22 34-40). 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