{"id":36427,"date":"2017-10-22T00:00:34","date_gmt":"2017-10-22T02:00:34","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=36427"},"modified":"2017-11-28T09:35:09","modified_gmt":"2017-11-28T11:35:09","slug":"dar-a-cesar-o-que-e-de-cesar-a-deus-o-que-e-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dar-a-cesar-o-que-e-de-cesar-a-deus-o-que-e-de-deus\/","title":{"rendered":"Dar a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar, a Deus o que \u00e9 de Deus"},"content":{"rendered":"<p>A resposta que Jesus deu aos fariseus e herodianos \u00e9 uma das senten\u00e7as mais conhecidas dos crist\u00e3os: \u201cDai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 Deus\u201d (Mt 22,15-21). Este ensinamento impregnou o pensamento dos crist\u00e3os, tornando-se at\u00e9 popular. \u00c9 preciso, contudo, penetrar fundo nesta li\u00e7\u00e3o do Mestre divino. Seu objetivo n\u00e3o foi simplesmente colocar um divisor entre o temporal e o espiritual. N\u00e3o foi tamb\u00e9m seu objetivo justificar os que erroneamente querem colocar as pr\u00e1ticas religiosas apenas na esfera privada, pessoal. O que Jesus disse deve ser interpretado num contexto b\u00edblico mais amplo para se pin\u00e7ar e compreender o seu significado profundo. Levantaram uma quest\u00e3o para tentar colocar Jesus numa situa\u00e7\u00e3o embara\u00e7osa, mas a eles n\u00e3o interessava a verdade e foram, por isto mesmo, chamados por Cristo de hip\u00f3critas. Pagar o imposto romano j\u00e1 era em si reconhecer, de certo modo, a legitimidade de uma ocupa\u00e7\u00e3o invasora e para a f\u00e9 judaica a \u00fanica aplic\u00e1vel em Israel devia ser a lei de Deus. Assim sendo, se Jesus lhes respondesse que era preciso pagar o imposto a C\u00e9sar Ele se fazia colaborador dos romanos. Se Ele respondesse que n\u00e3o era preciso pagar o importo, os fariseus poderiam denunci\u00e1-lo por rebeli\u00e3o contra as autoridades que dominavam o pa\u00eds. Jesus estaria inclusive impulsionando os judeus \u00e0 revolta. Ali\u00e1s, mais tarde diante de Pilatos para complicar Cristo no julgamento haveriam de dizer que Jesus era inimigo do Imperador. Deste modo, ao interrogar Jesus pensaram em coloc\u00e1-lo numa cilada sem sa\u00edda. Com sua sabedoria Cristo lhes manda que mostrem uma pe\u00e7a do dinheiro romano, sinal por excel\u00eancia do poder pol\u00edtico do dominador. Portanto, ao pagar o imposto os judeus aceitavam o jogo econ\u00f4mico de Roma. Isto era uma vis\u00edvel incoer\u00eancia, mas n\u00e3o tinham como escapar do dom\u00ednio ao qual estavam submetidos. Eis porque Jesus lhes disse \u201cDai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar\u201d. Entretanto, o Mestre divino foi mais longe ao acrescentar \u201cDai a Deus o que \u00e9 de Deus\u201d. Ele focalizava uma dimens\u00e3o espiritual e lan\u00e7ava uma li\u00e7\u00e3o.\u00a0 Ele perguntou de quem era a imagem que estava na moeda. Era de C\u00e9sar, assim d\u00ea a ele o que lhe pertence. Ao se referir, por\u00e9m, naquele momento tamb\u00e9m a Deus, Cristo lembrava outra imagem. Esta se achava\u00a0 no livro do G\u00eanesis: \u201cDeus criou o homem \u00e0 sua imagem, criou-o \u00e0 imagem de Deus, e criou-os homem e mulher\u201d (G\u00ean 1,27). Jesus sabiamente levou seus interlocutores a outra realidade, mas importante do que o dinheiro de C\u00e9sar, qual seja a viv\u00eancia da imagem de Deus na vida de cada um, a submiss\u00e3o total ao Criador. Era um ensinamento universal. O homem, \u00e9 certo, tem que se adaptar aos fatos materiais e pol\u00edticos para poder viver em sociedade. Entretanto, n\u00e3o pode o ser racional descurar as exig\u00eancias de sua vida espiritual. Precisa dar a Deus o que \u00e9 de Deus cuja autoridade \u00e9 bem mais doce e suport\u00e1vel do que a dos homens. O pr\u00f3prio Jesus afirmou: \u201cO meu jugo \u00e9 suave, o meu fardo \u00e9 leve\u201d (Mt 11,30). Muitas vezes se esquece facilmente da presen\u00e7a discreta e am\u00e1vel de Deus que habita nos cora\u00e7\u00f5es dos que O amam e respeitam, Dar a Deus o que \u00e9 de Deus \u00e9 estar sempre intimamente unido a Ele a quem se deve total submiss\u00e3o na vida cotidiana. Criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus o homem e a mulher devem ser uma oferenda cont\u00ednua a Ele pelas preces e pelo empenho na evangeliza\u00e7\u00e3o. Os fariseus e herodianos traziam \u00e0 baila a quest\u00e3o material do imposto a ser pago ao Imperador, mas\u00a0 Jesus lhes lembra algo muito mais importante que \u00e9 o aspecto espiritual que engrandece a criatura perante seu Criador. Como cidad\u00e3os temos que cumprir os nossos deveres para com o Estado.\u00a0 Como criaturas devemos estar sempre c\u00f4nscios de nossas obriga\u00e7\u00f5es para com Deus. Ao poder civil a cada instante cada um paga taxas alt\u00edssimas, dinheiro quase sempre mal empregado por muitos pol\u00edticos. Deus, por\u00e9m, n\u00e3o procura nada a n\u00e3o ser uma amizade real e sincera com Ele atrav\u00e9s de ora\u00e7\u00f5es fervorosas. Al\u00e9m dito, quando o crist\u00e3o se coloca ao servi\u00e7o do pr\u00f3ximo na fam\u00edlia ou na sua comunidade \u00e9 a Deus que ele est\u00e1 servindo,\u00a0 a Ele que a cada um, continuamente, cumula com tantas gra\u00e7as e benef\u00edcios. Cumpre assim uma imers\u00e3o total no mist\u00e9rio de Deus. O dinamismo cultural da f\u00e9 crist\u00e3 leva disc\u00edpulo de Jesus a lidar com as coisas materiais, priorizando, por\u00e9m, as realidades espirituais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A resposta que Jesus deu aos fariseus e herodianos \u00e9 uma das senten\u00e7as mais conhecidas dos crist\u00e3os: \u201cDai a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 Deus\u201d (Mt 22,15-21). 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