{"id":36425,"date":"2017-10-21T00:00:45","date_gmt":"2017-10-21T02:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=36425"},"modified":"2017-11-28T09:31:45","modified_gmt":"2017-11-28T11:31:45","slug":"dai-a-cesar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dai-a-cesar\/","title":{"rendered":"Dai a C\u00e9sar&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>No 29\u00ba. Domingo do Tempo Comum a M\u00e3e Igreja nos convida a uma reflex\u00e3o muito importante: como \u00e9 a nossa rela\u00e7\u00e3o entre as realidades divinas e as realidades do mundo. A liturgia pode ser resumida na seguinte premissa: que Deus \u00e9 a nossa prioridade e que \u00e9 a Ele que devemos subordinar toda a nossa exist\u00eancia. A Igreja, entretanto, nos adverte, tamb\u00e9m, que Deus nos convoca a um compromisso efetivo com a constru\u00e7\u00e3o do mundo.<br \/>\nO Evangelho(cf. Mt 22,15-21) ensina que o homem, sem deixar de cumprir as suas obriga\u00e7\u00f5es com a comunidade em que est\u00e1 inserido, pertence a Deus e deve entregar toda a sua exist\u00eancia nas m\u00e3os de Deus. Tudo o resto deve ser relativizado, inclusive a submiss\u00e3o ao poder pol\u00edtico.<br \/>\nAs sagradas escrituras narram que o povo judeu estava sob o dom\u00ednio romano, e o pagamento do tributo era prova de sujei\u00e7\u00e3o ao imperador. Jesus confrontado pelos fariseus, para ser pego em uma palavra deveria responder a seguinte pergunta: \u201cMestre, sabemos que \u00e9s verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. N\u00e3o te deixas influenciar pela opini\u00e3o dos outros, pois n\u00e3o julgas um homem pelas apar\u00eancias. Dize-nos, pois, o que pensas: \u00c9 l\u00edcito ou n\u00e3o pagar imposto a C\u00e9sar?\u201d(cf. Mt 22,16-17) Se Jesus respondesse que o povo deveria pagar o imposto, seria acusado de trair sua na\u00e7\u00e3o e perderia qualquer pretens\u00e3o messi\u00e2nica. Caso respondesse que n\u00e3o deveria pagar o imposto, seria acusado de rebeli\u00e3o contra o imp\u00e9rio e preso. Qualquer que fosse a resposta, Jesus estaria em perigo. Mas ele ultrapassa a quest\u00e3o do l\u00edcito(vis\u00e3o legalista) ou il\u00edcito(vis\u00e3o n\u00e3o legalista) e conduz seus interlocutores a uma reflex\u00e3o mais profunda: a autoridade pol\u00edtica n\u00e3o pode tomar o lugar de Deus. Para Israel, s\u00f3 Deus podia reinar sobre o povo, mediante um representante tirado de uma das tribos. Por isso, a sujei\u00e7\u00e3o ao imperador romano era sinal de idolatria. Al\u00e9m disso, essa situa\u00e7\u00e3o se agravou quando o imperador se proclamou divino.<br \/>\nJesus inverte a armadilha dos fariseus. Aqui est\u00e1 a grande novidade da liturgia deste domingo: quando Jesus pergunta de quem \u00e9 a figura e a inscri\u00e7\u00e3o na moeda, entra no \u00e2mago da quest\u00e3o. Os judeus usavam a moeda romana e, por isso, n\u00e3o tinham por que se opor ao pagamento do imposto. Mas Jesus acrescenta que se deve dar a Deus o que \u00e9 de Deus, reafirmando a soberania do Senhor sobre Israel e as na\u00e7\u00f5es. No grego, a palavra \u201cdar\u201d tamb\u00e9m significa \u201cdevolver\u201d. E j\u00e1 que a imagem de Deus est\u00e1 gravada em n\u00f3s, devemos \u201cdevolver\u201d nossa vida em adora\u00e7\u00e3o a ele, cumprindo a sua soberana vontade. Assim, a pr\u00e1tica de devolver a Deus o que \u00e9 de Deus destr\u00f3i toda idolatria.<br \/>\nA autoridade pol\u00edtica deve ser respeitada, porque est\u00e1 a servi\u00e7o do bem comum, mas nunca ter\u00e1 o poder de exigir o que \u00e9 devido somente a Deus, cuja imagem est\u00e1 impressa em n\u00f3s.<br \/>\nA primeira leitura(cf. Is 45,1.4-6) sugere que Deus \u00e9 o verdadeiro Senhor da hist\u00f3ria e que \u00e9 Ele quem conduz a caminhada do seu Povo rumo \u00e0 felicidade e \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o plena. Os homens que atuam e interv\u00eam na hist\u00f3ria s\u00e3o apenas os instrumentos de que Deus se serve para concretizar os seus projetos de salva\u00e7\u00e3o. Ciro, rei da P\u00e9rsia, aonde estavam exilados os judeus, foi escolhido por Deus para fazer o povo judeu entrar na terra prometida. Deus \u00e9 sumamente fiel e ama os filhos de Israel; ele os tirou da escravid\u00e3o do Egito, levou-os para a terra prometida e para l\u00e1 os faz retornar. Ciro n\u00e3o passa de um instrumento de Deus para executar uma tarefa. O imperador n\u00e3o \u00e9 uma divindade; ao contr\u00e1rio, \u00e9 como uma crian\u00e7a conduzida por um adulto para fazer algo que ela nem tem consci\u00eancia do que seja. Ciro \u00e9 tomado pela m\u00e3o e levado pelo Senhor para libertar os judeus. Nenhuma autoridade \u00e9 eterna ou absoluta: h\u00e1 um \u00fanico Deus, e tudo est\u00e1 submetido a ele e ao seu plano. Nada nem ningu\u00e9m podem impedir a realiza\u00e7\u00e3o do projeto divino. O livre-arb\u00edtrio humano pode apenas escolher entre colaborar ou n\u00e3o com Deus. A hist\u00f3ria da humanidade est\u00e1 imersa no projeto de Deus.<br \/>\nA segunda leitura(cf. 1Ts 1,1-5b) nos apresenta o exemplo de uma comunidade crist\u00e3 que colocou Deus no centro do seu caminho e que, apesar das dificuldades, se comprometeu de forma corajosa com os valores e os esquemas de Deus. Eleita por Deus para ser sua testemunha no meio do mundo, vive ancorada numa f\u00e9 ativa, numa caridade esfor\u00e7ada e numa esperan\u00e7a inabal\u00e1vel. S\u00e3o Paulo lembra da \u201ca\u00e7\u00e3o da f\u00e9\u201d dos tessalonicenses. Trata-se da f\u00e9 dos tessalonicenses que \u00e9 um modo de viver, \u00e9 a vida em a\u00e7\u00e3o colaborando com Deus. Colaborar significa \u201ctrabalhar com\u201d. Assim, a f\u00e9 \u00e9 mais que um sentimento: \u00e9 uma tarefa, um of\u00edcio, um trabalho, uma miss\u00e3o. O plano de Deus se realiza independentemente da f\u00e9 do ser humano, mas os que vivem a f\u00e9 assumem consciente e livremente esse plano como um objetivo de vida a ser realizado e trabalham com Deus na efetiva\u00e7\u00e3o desse projeto, at\u00e9 chegar \u00e0 plenitude.<br \/>\nDando a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar e a Deus o que \u00e9 de Deus n\u00f3s celebramos, neste domingo, o dia mundial das miss\u00f5es. Todos n\u00f3s, pelo batismo e pela crisma, somos chamados a evangelizar a todas as gentes. Sejamos comprometidos com o an\u00fancio do Evangelho e com o testemunho crist\u00e3o. Testemunho pela coer\u00eancia de vida, mais tamb\u00e9m, efetivamente pela nossa ajuda para as terras de miss\u00e3o, concretamente dando a nossa generosa coleta em favor das miss\u00f5es. Lembremos, como S\u00e3o Paulo deu gra\u00e7as a Deus pela a\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os de Tessal\u00f4nica, que \u201ca atua\u00e7\u00e3o da vossa f\u00e9, o esfor\u00e7o da vossa caridade e a firmeza da vossa esperan\u00e7a em nosso Senhor Jesus Cristo\u201d(1Ts, 3) nos faz correspons\u00e1veis pelo querigma crist\u00e3o e para que todos aqueles e aquelas que ainda n\u00e3o conhecem o Cristo sejam evangelizados. Vamos ajudar a construir a cidade terrestre, que \u00e9 um fermento nos meios temporais para anunciar os meios da salva\u00e7\u00e3o, a Cidade do Alto, a Jerusal\u00e9m Celeste, colocando a nossa confian\u00e7a sempre e acima de tudo em Deus, que ama os homens e as mulheres e querem que sejam testemunhas que fermentam e transformem o mundo na escola do Evangelho. Que todos n\u00f3s, tamb\u00e9m, rezemos com alegria por todos os mission\u00e1rios que deixaram tudo para tr\u00e1s para anunciar, viver e testemunhar o Evangelho, am\u00e9m!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No 29\u00ba. Domingo do Tempo Comum a M\u00e3e Igreja nos convida a uma reflex\u00e3o muito importante: como \u00e9 a nossa rela\u00e7\u00e3o entre as realidades divinas e as realidades do mundo. 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