{"id":36036,"date":"2017-11-17T08:53:38","date_gmt":"2017-11-17T10:53:38","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=36036"},"modified":"2017-11-27T11:06:57","modified_gmt":"2017-11-27T13:06:57","slug":"coisa-de-negro-suor-de-cada-dia-peso-do-trabalho-maos-tomadas-de-calos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/coisa-de-negro-suor-de-cada-dia-peso-do-trabalho-maos-tomadas-de-calos\/","title":{"rendered":"Coisa de negro: suor de cada dia, peso do trabalho, m\u00e3os tomadas de calos"},"content":{"rendered":"<p>No contexto do dia dedicado \u00e0 Consci\u00eancia Negra e de fatos preconceituosos expostos nas redes sociais, o arcebispo de Feira de Santana (BA) e referencial da Pastoral Afro-Brasileira, dom Zanoni Demettino Castro, convidou em artigo \u00e0 reflex\u00e3o sobre a vida, a f\u00e9, a cultura e a tradi\u00e7\u00e3o do povo brasileiro afrodescendente.<\/p>\n<p>Dom Zanoni parafraseou a can\u00e7\u00e3o \u201cCanto Gemido\u201d, do padre Valmir Neves, de Itapetinga (BA), para ressaltar o que \u00e9, realmente, \u201ccoisa de negro\u201d:<\/p>\n<p>\u201cO suor de cada dia, o peso de nosso trabalho, as m\u00e3os tomadas de calos, coisa de negro. O que fa\u00e7o n\u00e3o \u00e9 certo. Meu grito nunca fez eco. Senhor sou negro. E n\u00e3o nego. Venho ofertar minha dor. Senhor meu canto gemido. Dele nunca vou esquecer. Entre salmos e benditos. Venho vos oferecer\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/cnbb.net.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2017\/11\/xdom_zanoni_artigos.jpg.pagespeed.ic.YztkcNKHIU.jpg\" width=\"270\" height=\"192\" border=\"0\" \/>Arquidiocese de Feira de Santana\/reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Recordando o Documento de Aparecida, o arcebispo salienta a constata\u00e7\u00e3o da V Confer\u00eancia do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, em Aparecida, no ano de 2007, de que a hist\u00f3ria dos afrodescendentes \u201ctem sido atravessada por uma exclus\u00e3o social, econ\u00f4mica, pol\u00edtica e, sobretudo, racial, onde a identidade \u00e9tnica \u00e9 fator de subordina\u00e7\u00e3o social\u201d. Para ele, embora o contexto atual n\u00e3o admita etnocentrismos, xenofobismos e preconceitos, os afrodescendentes \u201cs\u00e3o discriminados na inser\u00e7\u00e3o do trabalho, na qualidade e conte\u00fado da forma\u00e7\u00e3o escolar, nas rela\u00e7\u00f5es cotidianas\u201d. Para dom Zanoni, as consequ\u00eancias dos 300 anos de escravid\u00e3o ainda n\u00e3o foram suficientemente reparadas.<\/p>\n<p>Ainda citando o documento de Aparecida, dom Zanoni revela que h\u00e1 \u201cum processo de ocultamento sistem\u00e1tico dos valores, da hist\u00f3ria e da cultura dos afrodescendentes\u201d. Neste sentido, a Pastoral Afro-Brasileira tem colocado em pauta essas realidades. No dia 4 deste m\u00eas, aconteceu a 21\u00aa Romaria das Comunidades Negras ao Santu\u00e1rio Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Na ocasi\u00e3o, os agentes refletiram sobre o exterm\u00ednio de jovens negros, a presen\u00e7a do negro, da negra e da Pastoral Afro-brasileira na Igreja, al\u00e9m da garantia do comprometimento na continuidade do trabalho.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/cnbb.net.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2017\/11\/xRomaria-Comunidades-negras-2017-3.jpg.pagespeed.ic.2uCxw_lepN.jpg\" width=\"350\" height=\"233\" border=\"0\" \/>Portal A12.com\/Thiago Leon | Comunidades Negras celebram no Santu\u00e1rio de Aparecida<\/p>\n<p>Os eventos e espa\u00e7os tamb\u00e9m s\u00e3o aproveitados para mostrar a identidade negra e celebrar nas respectivas culturas, assim como fortalecer a caminhada conjunta com outras organiza\u00e7\u00f5es contra a desigualdade, a discrimina\u00e7\u00e3o e o racismo, a intoler\u00e2ncia religiosa, a exclus\u00e3o dos direitos dos negros e negras nas periferias.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o proposta por dom Zanoni, a partir da can\u00e7\u00e3o e do documento de Aparecida, deve favorecer o aprofundamento com vistas ao o IX Congresso Nacional das entidades negras cat\u00f3licas (Conenc), que acontecer\u00e1 de 18 a 21 de janeiro de 2018, em Maring\u00e1 (PR), e o XIV Encontro de Pastoral Afro-americana (EPA), em Cali, na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>O encontro continental ser\u00e1 celebrado de 15 a 19 de julho de 2018 com o tema \u201cEspiritualidade crist\u00e3 afro-americana e os desafios do s\u00e9culo XXI\u201d e o lema \u201cNossa espiritualidade, for\u00e7a transformadora da realidade\u201d. O objetivo \u00e9 chegar a uma s\u00edntese de quase quatro d\u00e9cadas de caminhada em um mundo cada vez mais desafiante. A reflex\u00e3o, de acordo com os organizadores, ser\u00e1 feita a partir da pr\u00f3pria ess\u00eancia da identidade cultural e na f\u00e9 em Jesus Cristo, \u201ccaminho, verdade e vida\u201d (Jo 14,6).<\/p>\n<p>Visibilidade na Igreja no Brasil<br \/>\nO membro da Pastoral Afro-brasileira e da secretaria de Pastoral Afro-americana, padre Jurandyr Azevedo Ara\u00fajo, ressalta que, na Igreja no Brasil, a Pastoral Afro \u00e9 aceita em suas estruturas de servi\u00e7o e recebe um novo alento atrav\u00e9s do texto de estudo da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) n\u00famero 85. \u201cEsse espa\u00e7o conquistado pelos Afro-brasileiros enriquece o catolicismo com sua forma de expressar a sua f\u00e9 nas manifesta\u00e7\u00f5es da religiosidade popular e nas celebra\u00e7\u00f5es inculturadas. Assim, o povo negro ressuscita sua mem\u00f3ria hist\u00f3rica, sua autoestima, sua cultura, enfim, sua identidade\u201d, afirma.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/cnbb.net.br\/wp-content\/uploads\/sites\/32\/2017\/11\/xRomaria-Comunidades-negras-2017-2.jpg.pagespeed.ic.gdf80hQg4W.jpg\" width=\"350\" height=\"233\" border=\"0\" \/>Portal A12.com\/Thiago Leon | Bispos, padres e di\u00e1conos negros fazem parte do Instituto Mariama<\/p>\n<p>Padre Jurandyr ainda sinaliza que os principais documentos da Igreja no Brasil registram o clamor do povo negro e que os negros e negras est\u00e3o mais envolvidos nas diversas dimens\u00f5es da vida e miss\u00e3o da Igreja, procurando conhecer e estimar o dom de Deus presente na negritude. Exemplos deste envolvimento \u00e9 o secretariado de Pastoral Afro-brasileira; o Grupo Atabaque; a caminhada dos Conencs; as Romarias das Comunidades Negras; o Instituto Mariama, que conta com bispos, padres, di\u00e1conos, religiosos e leigos, estudantes, exercitando a intelig\u00eancia e o cora\u00e7\u00e3o, para proclamar as maravilhas de Deus; o Grupo de Educadoras Negras; o Encontro de Pastoral Afro-americano e os diversos subs\u00eddios produzidos pela Pastoral Afro-brasileira. \u201cHoje \u00e9 poss\u00edvel contemplar muitas iniciativas benem\u00e9ritas de conhecimento, estudo, estima e defesa dos valores do povo negro\u201d, enaltece.<\/p>\n<p>Institu\u00eddo pela lei 12.519, de 10 de novembro de 2011, o Dia da Consci\u00eancia Negra \u00e9 data do falecimento do l\u00edder negro Zumbi dos Palmares. Mesmo com a fixa\u00e7\u00e3o no calend\u00e1rio oficial, desde a d\u00e9cada de 1970 s\u00e3o realizadas celebra\u00e7\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es no sentido de reflex\u00e3o sobre o preconceito, homenagens aos afro-brasileiros, reconhecimento do fen\u00f4meno da eclos\u00e3o do movimento de \u201cconsci\u00eancia negra\u201d no Pa\u00eds, al\u00e9m de oferta de oportunidade de reflex\u00e3o sobre suas origens, hist\u00f3ria e her\u00f3is.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: CNBB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No contexto do dia dedicado \u00e0 Consci\u00eancia Negra e de fatos preconceituosos expostos nas redes sociais, o arcebispo de Feira de Santana (BA) e referencial da Pastoral Afro-Brasileira, dom Zanoni Demettino Castro, convidou em artigo \u00e0 reflex\u00e3o sobre a vida, a f\u00e9, a cultura e a tradi\u00e7\u00e3o do povo brasileiro afrodescendente. Dom Zanoni parafraseou a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36037,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-36036","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cnbb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36036"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36036\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":36038,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36036\/revisions\/36038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36037"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}