{"id":35831,"date":"2017-11-07T12:23:00","date_gmt":"2017-11-07T14:23:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=35831"},"modified":"2017-11-24T15:27:32","modified_gmt":"2017-11-24T17:27:32","slug":"fe-e-cidadania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/fe-e-cidadania\/","title":{"rendered":"F\u00e9 e Cidadania"},"content":{"rendered":"<p>O Evangelho e a amplia\u00e7\u00e3o do conceito de cidadania<\/p>\n<p>A cidadania tem in\u00edcio com a experi\u00eancia da democracia na Gr\u00e9cia Antiga. Depois dos gregos, a cidadania passa pela Idade M\u00e9dia com as experi\u00eancias dos construtores e dos conselhos paroquiais, para, ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o francesa, chegar \u00e0 modernidade. Mas, entre os gregos antigos e a Idade M\u00e9dia, a cidadania foi uma experi\u00eancia de minorias, uma ilha dentro da realidade social. Na modernidade, a cidadania ganha dimens\u00e3o universal, chega a todos os grupos sociais e atinge ampla parcela da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela ajudou uma parcela consider\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o a participar da vida p\u00fablica e da pol\u00edtica, a ter acesso aos bens socioculturais produzidos ao longo da hist\u00f3ria. No entanto, a partir do per\u00edodo do p\u00f3s-Segunda Guerra Mundial, a cidadania moderna, produto, em grande medida, do iluminismo e da revolu\u00e7\u00e3o francesa, passa a demonstrar sinais de cansa\u00e7o, de exaust\u00e3o. A cidadania, que antes empolgava os jovens e levava a participar da vida p\u00fablica, passou a ser, em muitos ambientes, um mero conceito vazio, um conceito hist\u00f3rico. Parafraseando o Fil\u00f3sofo Isaiah Berlin, \u00e9 como se a cidadania tivesse entrado na sua pior fase, ou seja, virado apenas um cap\u00edtulo no livro da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Esse percurso levou \u00e0 ideia de que a cidadania est\u00e1 em crise e necessita ser revisitada e revigorada.\u00a0 O problema \u00e9 que as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XXI apenas acentuaram o seu sentido de crise interna. Por toda parte, v\u00ea-se ambientes de crise (crise econ\u00f4mica, crise dos refugiados, crise institucional etc.) e n\u00e3o se fala numa postura positiva e empolgante em torno da cidadania.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que vivemos a morte da cidadania moderna?\u00a0 \u00c9 muito cedo para afirmar que ela est\u00e1 morrendo. No entanto, existe uma crescente consci\u00eancia que \u00e9 necess\u00e1rio reformar, fortalecer e ampliar o conceito e a no\u00e7\u00e3o de cidadania. S\u00f3 assim, ser\u00e1 poss\u00edvel, dentro do plano legal e p\u00fablico, enfrentar os graves desafios enfrentados pelo mundo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Um dos hist\u00f3ricos problemas implantados pela cidadania moderna \u00e9 que, desde o s\u00e9culo XVIII, ela \u00e9 essencialmente pol\u00edtica. Com isso, o discurso e as pr\u00e1ticas religiosas, incluindo o Cristianismo, s\u00e3o percebidos como n\u00e3o integrantes da cidadania. Com isso, n\u00e3o se torna antirreligiosa, mas tamb\u00e9m n\u00e3o possui um forte engajamento e o enraizamento dentro das religi\u00f5es.<\/p>\n<p>Dentro do processo de repensar e ampliar a cidadania, \u00e9 necess\u00e1rio rever o papel das religi\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o e efetiva\u00e7\u00e3o do processo citadino. N\u00e3o se trata de reduzir a cidadania \u00e0 prega\u00e7\u00e3o religiosa ou, ent\u00e3o, de forma artificial, ficar procurando passagens nos Evangelhos que deem sustenta\u00e7\u00e3o a alguma pol\u00edtica de incentivo a cidadania. Pelo contr\u00e1rio, trata-se, de um lado, de reconhecer o valor universal da f\u00e9 e que, para resolver os graves problemas contempor\u00e2neos, \u00e9 necess\u00e1ria uma postura de integra\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o dentro da cidadania. Do outro lado, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que o Evangelho tem muito a contribuir para a amplia\u00e7\u00e3o da cidadania. O Evangelho anuncia o \u201cnovo homem, fazendo a paz,\u201d (Ef 2,15), um homem que, guiado por Deus, poder\u00e1 fazer \u201cnovas todas as coisas\u201d (Ap 21,5). Al\u00e9m disso, anuncia o fim \u00faltimo do processo de cidadania, o qual \u00e9 um lugar onde \u201cn\u00e3o haver\u00e1 mais morte, nem pranto, nem lamento, nem dor\u201d (Ap 21,4). A crise da cidadania passa pela amplia\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os da vida p\u00fablica. Nesse sentido, o Evangelho tem muito a contribuir com a solu\u00e7\u00e3o dessa crise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: N\u00facleo F\u00e9 e Cultura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Evangelho e a amplia\u00e7\u00e3o do conceito de cidadania A cidadania tem in\u00edcio com a experi\u00eancia da democracia na Gr\u00e9cia Antiga. Depois dos gregos, a cidadania passa pela Idade M\u00e9dia com as experi\u00eancias dos construtores e dos conselhos paroquiais, para, ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o francesa, chegar \u00e0 modernidade. 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