{"id":35828,"date":"2017-11-07T12:12:19","date_gmt":"2017-11-07T14:12:19","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=35828"},"modified":"2017-11-24T15:25:40","modified_gmt":"2017-11-24T17:25:40","slug":"familias-e-comunidades-propositivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/familias-e-comunidades-propositivas\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlias e comunidades propositivas"},"content":{"rendered":"<p>Como o ser humano \u00e9 intrinsecamente livre e sujeito \u00e0 contradi\u00e7\u00e3o, \u201cn\u00e3o fazendo o bem que quer, mas sim o mal que n\u00e3o quer\u201d (cf. Rm 7,19), suas institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o permanentemente em maior ou menor dificuldade. Com a fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 diferente. Pelo contr\u00e1rio, sendo a mais constitutiva e mais \u00edntima de nossa humanidade, \u00e9 uma das que mais sofrem com as contradi\u00e7\u00f5es e imperfei\u00e7\u00f5es nascidas da nossa liberdade.<\/p>\n<p>Contudo, alguns contextos sociais s\u00e3o mais favor\u00e1veis ao fortalecimento das fam\u00edlias e outros menos favor\u00e1veis \u2013 ou at\u00e9 mesmo hostis a elas. N\u00e3o \u00e9 preciso observar com muita aten\u00e7\u00e3o para perceber que a fam\u00edlia, em nossa sociedade atual, encontra muitas dificuldades para se manter unida e capaz de cumprir sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias n\u00e3o deixa de ser paradoxal. Na teoria, no ocidente, ao longo do s\u00e9culo XX, floresceu a liberdade para amar, cresceu a possibilidade de os jovens escolherem seus c\u00f4njuges e houve o reconhecimento de uma s\u00e9rie de direitos sociais que deveriam melhorar a vida das fam\u00edlias mais pobres. Na pr\u00e1tica, a liberdade no campo afetivo n\u00e3o veio acompanhada do discernimento necess\u00e1rio para us\u00e1-la bem. Apesar do reconhecimento dos direitos, a jornada de trabalho dos pais continua excessiva e estafante, e a fragmenta\u00e7\u00e3o do tecido social enfraqueceu as fam\u00edlias extensas e as comunidades tradicionais, deixando as crian\u00e7as e os jovens mais solit\u00e1rios e desamparados.<\/p>\n<p>Quem estuda os documentos recentes do magist\u00e9rio sobre esse tema, como a Familiaris Consortio (1981), de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, o relat\u00f3rio do S\u00ednodo dos Bispos, \u201cA voca\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o da fam\u00edlia na Igreja e no mundo contempor\u00e2neo\u201d (2015); ou a \u201c Amoris Laetitia\u201d (2016), do Papa Francisco, encontra tanto reflex\u00f5es sobre a natureza desses problemas quanto indica\u00e7\u00f5es de solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Nesse contexto, algumas rea\u00e7\u00f5es \u00e0 \u201cideologia de g\u00eanero\u201d, ainda que justas e necess\u00e1rias, correm o risco de se tornar um esfor\u00e7o para \u201cenxugar gelo\u201d: combatem as consequ\u00eancias de um processo de desestrutura\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e da personalidade, sem atacar de modo efetivo suas causas.<\/p>\n<p>\u00c9 inadmiss\u00edvel, por exemplo, a difus\u00e3o de cartilhas que, em nome de uma educa\u00e7\u00e3o sexual liberal, destroem a percep\u00e7\u00e3o da natureza \u00edntima da pessoa ou do v\u00ednculo indissoci\u00e1vel entre\u00a0 sexualidade e amor. Contudo, \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que grande parte das fam\u00edlias j\u00e1 n\u00e3o tem crit\u00e9rios de discernimento claros nessas quest\u00f5es ou n\u00e3o sabe como transmitir seus valores para seus filhos.\u00a0 As escolas s\u00e3o espa\u00e7os de sociabiliza\u00e7\u00e3o e amadurecimento inevit\u00e1veis para as crian\u00e7as e jovens \u2013 sua omiss\u00e3o no processo educativo pode levar a coisas ainda piores, como a absor\u00e7\u00e3o indiscriminada de valores e comportamentos divulgados pela m\u00eddia ou adquiridos \u201cna rua\u201d. Uma solu\u00e7\u00e3o consistente passa, portanto, pela produ\u00e7\u00e3o e ampla difus\u00e3o de materiais formativos adequados, baseados nas caracter\u00edsticas fundamentais da natureza humana\u00a0 e no v\u00ednculo entre amor e sexualidade.<\/p>\n<p>Hoje, mais do que nunca, \u00e9 necess\u00e1rio que as fam\u00edlias sejam propositivas, capazes de apresentar os valores que as animam a seus filhos e amigos \u2013 n\u00e3o como normas que inibem a liberdade, mas como vias que levam \u00e0 plena realiza\u00e7\u00e3o e felicidade da pessoa.<\/p>\n<p>Para isso, as comunidades t\u00eam um papel fundamental. A fam\u00edlia sozinha dificilmente consegue enfrentar a avalanche representada pelas ideologias e vis\u00f5es de mundo difundidas nas m\u00eddias, devido ao distanciamento entre pais e filhos imposto pelo ritmo de trabalho em nossa sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: N\u00facleo F\u00e9 e Cultura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o ser humano \u00e9 intrinsecamente livre e sujeito \u00e0 contradi\u00e7\u00e3o, \u201cn\u00e3o fazendo o bem que quer, mas sim o mal que n\u00e3o quer\u201d (cf. Rm 7,19), suas institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o permanentemente em maior ou menor dificuldade. Com a fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 diferente. 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