{"id":35449,"date":"2017-10-19T14:29:19","date_gmt":"2017-10-19T16:29:19","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=35449"},"modified":"2017-11-23T16:40:23","modified_gmt":"2017-11-23T18:40:23","slug":"como-e-ser-igreja-na-maior-favela-do-brasil-paroco-responde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/como-e-ser-igreja-na-maior-favela-do-brasil-paroco-responde\/","title":{"rendered":"Como \u00e9 ser Igreja na maior favela do Brasil? P\u00e1roco responde"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 19 Out. 17 \/ 02:30 pm (ACI).- Nos \u00faltimos dias, a Rocinha, maior favela do Brasil, esteve no centro do notici\u00e1rio nacional devido \u00e0 disputa pelo comando do tr\u00e1fico na regi\u00e3o, com ocupa\u00e7\u00f5es militares, tiroteio e, no meio disso tudo, uma grande popula\u00e7\u00e3o. Neste cen\u00e1rio, a Igreja desempenha um importante papel na vida das pessoas, como relatou o p\u00e1roco local, Frei Sandro Roberto da Costa.<\/p>\n<p>\u201cSer Igreja na Rocinha \u00e9 ser presen\u00e7a fraterna e solid\u00e1ria junto \u00e0s pessoas, \u00e9 mostrar o rosto de um Deus que as acolhe, que as escuta e ampara em suas dores, em suas trag\u00e9dias\u201d, explicou o franciscano em entrevista \u00e0 ACI Digital.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, indicou, \u00e9 tamb\u00e9m \u201cmostrar novos caminhos, novas perspectivas e possibilidades, ajudando as pessoas a se conscientizarem de seus direitos, e a lutar por eles. Isso \u00e9 ser presen\u00e7a misericordiosa, instrumentos de paz e de bem, como t\u00e3o bem fez S\u00e3o Francisco de Assis e como quer o Papa Francisco\u201d.<\/p>\n<p>A Rocinha \u00e9 considerada a maior favela do Brasil. Segundo dados do Censo IBGE de 2010, conta com mais de 69 mil habitantes. Por\u00e9m, o Censo das Favelas realizado pelo governo do estado do Rio de Janeiro aponta cerca de 100 mil habitantes do local.<\/p>\n<p>Desde 2007, a Par\u00f3quia local, dedicada a Nossa Senhora da Boa Viagem, \u00e9 dirigida por franciscanos da Ordem dos Frades Menores, membros da Prov\u00edncia Franciscana da Imaculada do Brasil, e, al\u00e9m da Matriz, conta com oito capelas.<\/p>\n<p>Segundo o atual p\u00e1roco, Frei Sandro, em \u201ctempos de paz\u201d, o exerc\u00edcio do sacerd\u00f3cio no local \u201cn\u00e3o difere muito do trabalho que \u00e9 realizado em tantas outras comunidades empobrecidas no Rio de Janeiro e no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, grande parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 origin\u00e1ria do Nordeste do Brasil, principalmente Cear\u00e1 e Para\u00edba. \u201cA religiosidade popular, com sua rica piedade e devo\u00e7\u00f5es, \u00e9 caracter\u00edstica da pr\u00e1tica de f\u00e9 de muitas destas pessoas\u201d, observou, acrescentando que \u201ca Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 respeitada e bem quista por todos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPara sacerdotes que seguem o carisma de S\u00e3o Francisco de Assis, de viver em fraternidade, minoridade e pobreza, trabalhar na Rocinha, ou em qualquer outra comunidade empobrecida como as milhares que existem pelo Brasil, \u00e9 a oportunidade de colocar em pr\u00e1tica a voca\u00e7\u00e3o que um dia assumimos de, por causa do Evangelho, partilhar a vida das pessoas simples e pobres, animando-as, confortando-as, sendo sinal da presen\u00e7a amorosa e solid\u00e1ria de Deus nos dif\u00edceis caminhos da vida\u201d, expressou.<\/p>\n<p>A pobreza \u00e9 um dos desafios enfrentados pela comunidade, que esta \u201cencravada entre dois dos mais nobres bairros da zona sul do Rio de Janeiro\u201d e cuja maioria dos moradores est\u00e1 a servi\u00e7o de tais bairros, como empregadas dom\u00e9sticas, porteiros, ambulantes, entre outros.<\/p>\n<p>\u201cAfirmar que a pobreza \u00e9 o maior problema da Rocinha \u00e9 abrir um verdadeiro leque de defici\u00eancias e falta de direitos primordiais, que n\u00e3o s\u00e3o atendidos pelo Estado: falta de saneamento b\u00e1sico, falta de seguran\u00e7a, de moradia, descaso com a sa\u00fade, com a educa\u00e7\u00e3o, aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas que deem dignidade \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, falta de perspectivas de futuro principalmente para os jovens\u201d, citou.<\/p>\n<p>A tudo isso, Frei Sandro indicou que ainda se soma o \u201cpreconceito com que s\u00e3o tratadas as pessoas que moram em \u2018favelas\u2019\u201d, fazendo por exemplo com que tenham que pagar mais caro por diversos servi\u00e7os, \u201cpor se tratar de uma \u2018\u00e1rea de risco\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 viol\u00eancia no local, esta voltou a se tornar latente em setembro, quando a disputa pelo tr\u00e1fico na Rocinha entre os traficantes Ant\u00f4nio Bonfim Lopes (Nem), que est\u00e1 preso, e Rog\u00e9rio Avelino da Silva (Rog\u00e9rio 157), levou a confrontos, seguidos pela ocupa\u00e7\u00e3o da favela pelas for\u00e7as armadas, que deixaram a comunidade em 29 de setembro.<\/p>\n<p>\u201cDesde que iniciou o confronto entre as fac\u00e7\u00f5es \u2013 recordou Frei Sandro \u2013, com a entrada do ex\u00e9rcito e a presen\u00e7a maci\u00e7a das for\u00e7as de seguran\u00e7a, a comunidade, que j\u00e1 vivia sempre em estado de alerta, passou a viver sob tens\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 algo comum algu\u00e9m ir ao trabalho, levar os filhos \u00e0 escola ou \u00e0 praia, e ter que passar no meio de tropas armadas at\u00e9 os dentes\u201d, com tantos aparatos, como o que \u201cs\u00f3 vemos em filmes de guerra\u201d.<\/p>\n<p>O sacerdote, por\u00e9m, lamentou que a sensa\u00e7\u00e3o que ficou para a comunidade foi a de que a presen\u00e7a das for\u00e7as armadas por uma semana na Rocinha n\u00e3o era uma preocupa\u00e7\u00e3o com \u201ca seguran\u00e7a dos moradores\u201d, mas para \u201cgarantir a realiza\u00e7\u00e3o\u201d do Rock in Rio, que acontecia naqueles dias.<\/p>\n<p>\u201cA sensa\u00e7\u00e3o que ficou \u00e9 que, ap\u00f3s uma semana de tiroteio e tens\u00e3o na comunidade, as autoridades s\u00f3 tomaram uma medida quando a guerra chegou ao asfalto\u201d, quando \u201cbandidos fecharam o t\u00fanel Rebou\u00e7as e atearam fogo num \u00f4nibus na orla da praia de S\u00e3o Conrado\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 viol\u00eancia, indica o p\u00e1roco, \u201cna Rocinha todos vivem sob tens\u00e3o\u201d. \u201cMesmo quando n\u00e3o h\u00e1 os confrontos violentos como os destes dias, andar pelos becos e vielas requer sempre muito cuidado, pois a qualquer hora pode estourar um confronto armado\u201d.<\/p>\n<p>Neste m\u00eas, a atividade da Par\u00f3quia Nossa Senhora da Boa Viagem se viu afetada por esta realidade, tendo que cancelar a prociss\u00e3o e a Missa campal programadas para a festa de Nossa Senhora Aparecida, decis\u00e3o que, para Frei Sandro, \u201cfoi um fato mais marcante, pois celebramos este ano os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas \u00e1guas do Rio Para\u00edba\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMas no geral \u2013 pontuou \u2013, nestes dias, a participa\u00e7\u00e3o tem sido muito afetada. A catequese, que conta com quase 600 crian\u00e7as, tem tido muito pouca frequ\u00eancia. Reuni\u00f5es de coordena\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos eventos pastorais t\u00eam sido canceladas. As missas e celebra\u00e7\u00f5es nas comunidades tamb\u00e9m. Mesmo assim n\u00e3o deixamos de celebrar nenhum dia na matriz\u201d.<\/p>\n<p>Conforme lembrou o sacerdote, \u201cno dia em que estourou o conflito, durante o tiroteio, a Missa das 9h30, que \u00e9 muito bem participada principalmente pelas crian\u00e7as da catequese, teve apenas dois fi\u00e9is participando. As outras Missas deste dia tamb\u00e9m foram celebradas para bem poucos fi\u00e9is\u201d.<\/p>\n<p>Mas, a Igreja Cat\u00f3lica na Rocinha enfrenta esta realidade oferecendo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o o servi\u00e7o pastoral, o apoio espiritual e tamb\u00e9m \u201coportunidades \u00e0s pessoas para que exer\u00e7am com consci\u00eancia seu papel de cidad\u00e3os\u201d, com cursos profissionalizantes, escola de m\u00fasica, projetos sociais, distribui\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>De acordo com Frei Sandro, frente \u00e0 viol\u00eancia \u00e9 preciso ter a certeza de que \u201ca situa\u00e7\u00e3o que estamos vivendo vai passar\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 popula\u00e7\u00e3o, especialmente aos jovens, ele deixa como a mensagem mais importante a de que \u201cn\u00e3o podemos ceder ao medo\u201d, \u00e9 preciso \u201cser prudentes, cuidadosos, mas na medida do poss\u00edvel, continuar levando a vida dentro da normalidade\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, incentiva a seguir os bons exemplos. \u201cInfelizmente os jornais escancaram a cada dia os piores exemplos de gest\u00e3o p\u00fablica, de desonestidade\u201d, afirmou, ressaltando, por\u00e9m, que \u201cbons exemplos, embora n\u00e3o fa\u00e7am not\u00edcia, tamb\u00e9m existem\u201d. \u201cProcuremos nos espelhar nas pessoas de bem que conhecemos, que trabalham de modo honesto, que s\u00e3o preocupadas com o pr\u00f3ximo, com o bem comum, que s\u00e3o solid\u00e1rias e fraternas, que promovem a conc\u00f3rdia e a paz\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, assinalou, \u201cdiria tamb\u00e9m para n\u00e3o deixarmos de ter muita confian\u00e7a em Deus. A f\u00e9 \u00e9 importante em todos os momentos da vida, mas \u00e9 imprescind\u00edvel em tempos de medo e tens\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA pr\u00e1tica religiosa, a participa\u00e7\u00e3o ativa a uma comunidade de f\u00e9, nos conforta, nos anima, mant\u00e9m acesa a chama da esperan\u00e7a. E, sobretudo, ajuda a fortalecer nossas motiva\u00e7\u00f5es e convic\u00e7\u00f5es para a pr\u00e1tica do bem. Que o bom Deus continue protegendo e aben\u00e7oando o bom povo da Rocinha\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Acidigital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 19 Out. 17 \/ 02:30 pm (ACI).- Nos \u00faltimos dias, a Rocinha, maior favela do Brasil, esteve no centro do notici\u00e1rio nacional devido \u00e0 disputa pelo comando do tr\u00e1fico na regi\u00e3o, com ocupa\u00e7\u00f5es militares, tiroteio e, no meio disso tudo, uma grande popula\u00e7\u00e3o. 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