{"id":3541,"date":"2013-11-28T12:18:42","date_gmt":"2013-11-28T14:18:42","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nao-pecamos-mais-so-cometemos-erros\/"},"modified":"2017-03-23T16:53:35","modified_gmt":"2017-03-23T19:53:35","slug":"nao-pecamos-mais-so-cometemos-erros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nao-pecamos-mais-so-cometemos-erros\/","title":{"rendered":"N\u00e3o pecamos mais, s\u00f3 cometemos erros?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/pinoquio.jpg\" border=\"0\" \/><br \/>Nossa sociedade atual parece ter medo de chamar as coisas pelo seu nome, na tentativa de evitar que a realidade a interpele<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A B\u00edblia narra como o homem, ao ter a cria\u00e7\u00e3o toda exposta diante dele, foi dando nome a cada animal da terra; tamb\u00e9m deu nome a todas as coisas, situa\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es que ia estabelecendo. O homem \u00e9 um ser nominal (d\u00e1 nome a tudo) e tem essa necessidade de dar nome a cada coisa, pois, por meio dos nomes, d\u00e1 consist\u00eancia e identidade a determinada realidade e busca uma forma particular de se relacionar com ela.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 menos verdade que, a certa altura, o ser humano percebeu que havia alguns termos que eram duros e escandalosos ao ouvido, e teve de enfrentar conceitos e realidades que incomodavam sua consci\u00eancia e acabavam com a sua tranquilidade.<\/p>\n<p>Para conseguir alivi\u00e1-la e sentir-se tranquilo consigo mesmo, ou para mostrar-se um pouco mais culto e decente, ele optou por criar os chamados \u201ceufemismos\u201d, que s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es suaves e decorosas de ideias cuja franca e direta express\u00e3o seria dura ou censur\u00e1vel.<\/p>\n<p>No come\u00e7o, tais eufemismos s\u00f3 buscavam enfeitar um pouco aquelas palavras que podiam parecer \u00e1speras ou grosseiras; assim, as pessoas acabaram preferindo mudar os nomes de certos comportamentos, ao inv\u00e9s de transformar as realidades que estavam vivendo de maneira inadequada, para n\u00e3o terem de enfrentar a dureza da censura.<\/p>\n<p>Assim, podiam se sentir mais tranquilos consigo mesmos, sem ter de modificar seu proceder; j\u00e1 n\u00e3o se tratava de \u201cfazer\u201d o bem, mas simplesmente de \u201csentir-se\u201d bem; j\u00e1 n\u00e3o se interessavam pela bondade, mas sim por tentar fazer que a maldade n\u00e3o parecesse t\u00e3o \u201cm\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Com os eufemismos, deixou-se de falar de \u201caborto\u201d, para falar de \u201cinterrup\u00e7\u00e3o da gravidez\u201d; o \u201cadult\u00e9rio\u201d virou \u201cdeslize amoroso\u201d; as \u201cprostitutas\u201d come\u00e7aram a ser chamadas de \u201cprofissionais do sexo\u201d, e assim por diante.<\/p>\n<p>Os eufemismos s\u00e3o a t\u00edpica express\u00e3o de uma sociedade relativista e manipuladora, que j\u00e1 n\u00e3o acredita em princ\u00edpios universais, eternos e imut\u00e1veis, mas em utilitarismos morais; que est\u00e1 convencida de que mudar os nomes das coisas metamorfoseia a sua ess\u00eancia e que, portanto, a conduta deixa de ser reprov\u00e1vel, at\u00e9 se tornar quase uma virtude; que o que \u00e9 mau se torna bom s\u00f3 porque um nome agrad\u00e1vel tornou poss\u00edvel este \u201cmilagre\u201d.<\/p>\n<p>Nossa sociedade \u00e9 eufem\u00edstica e, assim, pretende acabar com o mal, com o peso de consci\u00eancia e sentir que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, tudo muda com uma palavra. O eufemismo manipula a sociedade, tornando-nos politicamente corretos e evitando, assim, que tenhamos problemas devido ao fato de chamar cada coisa pelo seu nome real.<\/p>\n<p>Com os eufemismos, o que interessa n\u00e3o \u00e9 fazer o bem, mas sentir-se bem, pois o subjetivismo jogou a objetividade no lixo; e o sentimento se tornou mais importante que a raz\u00e3o e a opini\u00e3o de verdade.<\/p>\n<p>O eufemismo moral torna a consci\u00eancia frouxa e tende a entorpec\u00ea-la, pois, de tanto repetir os mesmos conceitos, acabamos perdendo de vista a verdadeira dimens\u00e3o das realidades que enfrentamos. A suavidade com que se expressa, que parece uma esp\u00e9cie de diplomacia, nem sempre \u00e9 in\u00f3cua.<\/p>\n<p>S\u00f3 quando as coisas recebem seu nome verdadeiro \u00e9 que podemos enfrent\u00e1-las com realismo e buscar solu\u00e7\u00f5es. Mas, para isso, \u00e9 preciso estar dispostos ao inc\u00f4modo que tal empreitada gera em n\u00f3s.<\/p>\n<p>A \u00faltima \u201cperola\u201d eufem\u00edstica em voga \u00e9 pedir a Deus que perdoe nossos \u201cerros\u201d, pois j\u00e1 n\u00e3o queremos chamar de \u201cpecado\u201d o que \u00e9 precisamente isso: pecado.<\/p>\n<p>Os erros n\u00e3o merecem perd\u00e3o, mas desculpas. O pecado precisa ser chamado de \u201cpecado\u201d sem medo algum, para que a pessoa possa ser perdoada pelo Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Local: S\u00e3o Paulo (SP)<br \/>Fonte: ALETEIA<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nossa sociedade atual parece ter medo de chamar as coisas pelo seu nome, na tentativa de evitar que a realidade a interpele A B\u00edblia narra como o homem, ao ter a cria\u00e7\u00e3o toda exposta diante dele, foi dando nome a cada animal da terra; tamb\u00e9m deu nome a todas as coisas, situa\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3541","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3541","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3541"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3541\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7792,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3541\/revisions\/7792"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}