{"id":35323,"date":"2017-10-16T07:59:42","date_gmt":"2017-10-16T09:59:42","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=35323"},"modified":"2017-11-23T14:03:53","modified_gmt":"2017-11-23T16:03:53","slug":"papa-na-fao-incluir-na-linguagem-da-cooperacao-a-categoria-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/papa-na-fao-incluir-na-linguagem-da-cooperacao-a-categoria-do-amor\/","title":{"rendered":"Papa na FAO: incluir na linguagem da coopera\u00e7\u00e3o a categoria do amor"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do Vaticano (RV) &#8211; O Papa Francisco visitou, na manh\u00e3 desta segunda-feira (16\/10), Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o, a sede do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidos para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), em Roma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/media02.radiovaticana.va\/audio\/audio2\/mp3\/00599358.mp3\">Clique aqui para ouvir:<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s agradecer ao diretor-geral da FAO, Jos\u00e9 Graziano da Silva, e demais autoridades, o Papa recordou, em seu discurso, que em 16 de outubro de 1945, os governos decidiram eliminar a fome no mundo atrav\u00e9s do desenvolvimento do setor agr\u00edcola, instituindo a FAO.<\/p>\n<p>\u201cEra um per\u00edodo de uma grave inseguran\u00e7a alimentar e grandes deslocamentos da popula\u00e7\u00e3o, com milh\u00f5es de pessoas \u00e0 procura de um lugar para sobreviver \u00e0s mis\u00e9rias e adversidades causadas pela guerra. \u00c0 luz desse contexto, refletir sobre os efeitos da seguran\u00e7a alimentar na mobilidade humana significa retornar ao compromisso pelo qual a FAO nasceu, a fim de renov\u00e1-lo. A realidade atual exige uma maior responsabilidade em todos os n\u00edveis, n\u00e3o s\u00f3 para garantir a produ\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria ou a distribui\u00e7\u00e3o equitativa dos frutos da terra &#8211; isso deve ser dado por certo \u2013 mas sobretudo para garantir o direito de todo ser humano de alimentar-se segundo as pr\u00f3prias necessidades, participando das decis\u00f5es que o afetam e na realiza\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias aspira\u00e7\u00f5es, sem ter que se separar de seus entes queridos.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Francisco, \u201cdiante de tal objetivo, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a credibilidade de todo o sistema internacional. Sabemos que a coopera\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais condicionada por compromissos parciais, limitando inclusive a ajuda nas emerg\u00eancias. Tamb\u00e9m as mortes por causa da fome e o abandono da pr\u00f3pria terra s\u00e3o not\u00edcias comuns, com o perigo da indiferen\u00e7a. Precisamos urgentemente encontrar novas maneiras de transformar as possibilidades que dispomos numa garantia que permita a cada pessoa encarar o futuro com confian\u00e7a, e n\u00e3o apenas com alguma ilus\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio das rela\u00e7\u00f5es internacionais mostra uma capacidade crescente de responder \u00e0s expectativas da fam\u00edlia humana, tamb\u00e9m com o contribui\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da tecnologia que, ao estudarem os problemas, prop\u00f5em solu\u00e7\u00f5es adequadas.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, essas novas conquistas n\u00e3o conseguem eliminar a exclus\u00e3o de grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial: quantos s\u00e3o v\u00edtimas da desnutri\u00e7\u00e3o, de guerras e\u00a0 mudan\u00e7as clim\u00e1ticas! Quantos precisam de trabalho ou dos bens necess\u00e1rios e s\u00e3o obrigados a abandonar suas terras, expondo-se a muitas e terr\u00edveis formas de explora\u00e7\u00e3o. Valorizar a tecnologia para o desenvolvimento \u00e9 certamente um caminho a seguir, desde que sejam tomadas a\u00e7\u00f5es concretas para reduzir o n\u00famero de pessoas que passam fome ou para controlar o fen\u00f4meno da migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o Papa, \u201ca rela\u00e7\u00e3o entre fome e migra\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser enfrentada se formos a raiz do problema. A este respeito, os estudos realizados pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, como tantos outros realizados por organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, concordam que existem dois obst\u00e1culos a serem superados: conflitos e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cComo os conflitos podem ser superados? O direito internacional nos indica os meios para preveni-los ou resolv\u00ea-los rapidamente, evitando que se prolonguem e produzam fome e destrui\u00e7\u00e3o do tecido social. Pensemos nas popula\u00e7\u00f5es martirizadas por guerras que duram d\u00e9cadas e que poderiam ter sido evitadas, propagando efeitos desastrosos e cru\u00e9is como a inseguran\u00e7a alimentar e o deslocamento for\u00e7ado de pessoas.\u201d<\/p>\n<p>Para Francisco, \u201cs\u00e3o necess\u00e1rios boa vontade e di\u00e1logo para frear os conflitos e um compromisso total contra o desarmamento gradual e sistem\u00e1tico, conforme previsto pela Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, e para remediar a chaga do tr\u00e1fico de armas. Do que adianta denunciar que por\u00a0 causa dos conflitos milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o v\u00edtimas da fome e da desnutri\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o agimos de forma eficaz em favor da paz e do desarmamento\u201d?<\/p>\n<p>\u201cQuanto \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, vemos suas consequ\u00eancias todos os dias. Gra\u00e7as aos conhecimentos cient\u00edficos, sabemos como enfrentar os problemas; e a comunidade internacional tamb\u00e9m desenvolveu instrumentos jur\u00eddicos necess\u00e1rios, como o Acordo de Paris, que, infelizmente, alguns est\u00e3o se afastando. No entanto, reaparece a neglig\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos delicados equil\u00edbrios dos ecossistemas, a presun\u00e7\u00e3o de manipular e controlar os recursos limitados do Planeta, e a gan\u00e2ncia do lucro. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio\u00a0 esfor\u00e7ar-se por um consenso concreto e pr\u00e1tico, a fim de evitar os efeitos mais tr\u00e1gicos, que continuar\u00e3o afetando os mais pobres e indefesos. Somos chamados a propor uma mudan\u00e7a nos estilos de vida, no uso dos recursos, nos crit\u00e9rios de produ\u00e7\u00e3o, mesmo no consumo, que em termos de alimentos apresenta um aumento de perdas e de desperd\u00edcio. N\u00e3o podemos nos conformar em dizer \u2018outro o far\u00e1\u2019.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o Papa, \u201cestes s\u00e3o os pressupostos de qualquer discurso s\u00e9rio sobre seguran\u00e7a alimentar relacionada com o fen\u00f4meno da migra\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que as guerras e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas provocam a fome, ent\u00e3o evitemos apresent\u00e1-la como uma doen\u00e7a incur\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAs recentes previs\u00f5es feitas por seus especialistas contemplam um aumento da produ\u00e7\u00e3o global de cereais, a n\u00edveis que permitem dar maior consist\u00eancia \u00e0s reservas mundiais. Este dado nos d\u00e1 esperan\u00e7a e nos ensina que, se trabalharmos, prestando aten\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades e independentemente de especula\u00e7\u00f5es, os resultados chegam. Na verdade, os recursos alimentares s\u00e3o muitas vezes expostos \u00e0 especula\u00e7\u00e3o, que os mede apenas em termos de benef\u00edcio econ\u00f4mico dos grandes produtores ou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s estimativas de consumo, e n\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias reais das pessoas. Desta forma, os conflitos e o desperd\u00edcio s\u00e3o favorecidos, e aumenta o n\u00famero dos \u00faltimos da Terra que buscam um futuro distante de seus territ\u00f3rios de origem.\u201d<\/p>\n<p>Francisco afirmou que diante desta situa\u00e7\u00e3o podemos e devemos mudar o rumo. Frente ao aumento da demanda de alimentos \u00e9 preciso que os frutos da terra estejam a disposi\u00e7\u00e3o de todos. Para alguns, bastaria diminuir o n\u00famero das bocas a serem alimentadas e dessa maneira se resolveria o problema; por\u00e9m esta \u00e9 uma falsa solu\u00e7\u00e3o se se leva em considera\u00e7\u00e3o o n\u00edvel de desperd\u00edcio de comida e os modelos de consumo que desperdi\u00e7am tantos recursos. Reduzir \u00e9 f\u00e1cil, compartilhar, ao contr\u00e1rio, implica una convers\u00e3o, e isso \u00e9 exigente.<\/p>\n<p>O Santo Padre fez em seguida uma pergunta, a si mesmo e tamb\u00e9m aos presentes:<\/p>\n<p>&#8220;Seria exagerado introduzir na linguagem da coopera\u00e7\u00e3o internacional a categoria do amor, conjugada como gratuidade, igualdade de tratamento, solidariedade, cultura do dom, fraternidade e miseric\u00f3rdia? Essas palavras efetivamente expressam o conte\u00fado pr\u00e1tico do termo &#8220;humanit\u00e1rio&#8221;, t\u00e3o usado na atividade internacional. Amar os irm\u00e3os, tomando a iniciativa, sem esperar a ser correspondidos, \u00e9 o princ\u00edpio evang\u00e9lico que encontra tamb\u00e9m\u00a0 express\u00e3o em muitas culturas e religi\u00f5es, convertendo-se em princ\u00edpio de humanidade na linguagem das rela\u00e7\u00f5es internacionais&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que a diplomacia e as institui\u00e7\u00f5es multilaterais alimentem e organizem essa capacidade de amar, porque \u00e9 o caminho principal que garante, n\u00e3o s\u00f3 a seguran\u00e7a alimentar, mas tamb\u00e9m a seguran\u00e7a humana em seu aspecto global. N\u00e3o podemos agir somente se os outros o fazem, nem nos limitarmos a piedade, porque a piedade se limita \u00e0s ajudas de emerg\u00eancia, enquanto o amor inspira a justi\u00e7a e \u00e9 essencial para realizar uma ordem social justa entre realidades diferentes que aspiram o encontro rec\u00edproco. Amar significa contribuir para que cada pa\u00eds aumente a produ\u00e7\u00e3o e alcance a autossufici\u00eancia alimentar. Amar se traduz em pensar em novos modelos de desenvolvimento e consumo, e em adotar pol\u00edticas que n\u00e3o piorem a situa\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es menos avan\u00e7adas ou sua depend\u00eancia externa. Amar significa n\u00e3o continuar a dividir a fam\u00edlia humana entre aqueles que gozam do sup\u00e9rfluo e aqueles que n\u00e3o t\u00eam o necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Falando sobre o compromisso da diplomacia, o Papa salientou que a mesma nos mostrou, tamb\u00e9m em eventos recentes, que \u00e9 poss\u00edvel deter o uso de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa. Todos estamos cientes da destrui\u00e7\u00e3o de tais instrumentos. Mas estamos igualmente conscientes dos efeitos da pobreza e da exclus\u00e3o? Como deter as pessoas dispostas a arriscar tudo, a gera\u00e7\u00f5es inteiras que podem desaparecer porque n\u00e3o t\u00eam o p\u00e3o cotidiano ou s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia ou das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas? Eles se deslocam para onde veem uma luz ou percebem uma esperan\u00e7a de vida. Eles n\u00e3o podem ser detidos por barreiras f\u00edsicas, econ\u00f4micas, legislativas e ideol\u00f3gicas. Somente uma aplica\u00e7\u00e3o coerente do princ\u00edpio de humanidade pode conseguir isso.<\/p>\n<p>Por outro lado, vemos que diminui a ajuda p\u00fablica ao desenvolvimento e se limita a atividade das institui\u00e7\u00f5es multilaterais, enquanto se utilizam acordos bilaterais que subordinam a coopera\u00e7\u00e3o ao cumprimento de agendas e alian\u00e7as particulares ou, simplesmente, a uma moment\u00e2nea tranquilidade.<\/p>\n<p>Francisco fez um pedido:<\/p>\n<p>&#8220;Vamos ouvir o grito de tantos nossos irm\u00e3os marginalizados e exclu\u00eddos: &#8220;Tenho fome, sou estrangeiro, estou nu, doente, confinado em um campo de refugiados\u201d. \u00c9 um pedido de justi\u00e7a, n\u00e3o uma s\u00faplica ou um chamado de emerg\u00eancia. \u00c9 necess\u00e1rio, que em todos os n\u00edveis, se dialogue de forma ampla e sincera, para que se encontrem as melhores solu\u00e7\u00f5es e amadure\u00e7a uma nova rela\u00e7\u00e3o entre os v\u00e1rios atores do cen\u00e1rio internacional, caracterizada pela responsabilidade rec\u00edproca, a solidariedade e a comunh\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O Santo Padre na conclus\u00e3o do seu denso discurso afirmou que a Igreja Cat\u00f3lica, com suas institui\u00e7\u00f5es, com um conhecimento direto e concreto das situa\u00e7\u00f5es a serem enfrentadas ou das necessidades a serem satisfeitas, quer participar diretamente desse esfor\u00e7o em virtude de sua miss\u00e3o, que a leva a amar a todos e a faz lembrar \u00e0queles que t\u00eam responsabilidade nacional ou internacional, o grande dever de enfrentar \u00e0s necessidades dos mais pobres.<br \/>\nGostaria que cada um descubra, no sil\u00eancio da pr\u00f3pria f\u00e9 ou das pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es, as motiva\u00e7\u00f5es, os princ\u00edpios e as contribui\u00e7\u00f5es para infundir na FAO e outras institui\u00e7\u00f5es intergovernamentais, o valor de melhorar e trabalhar incansavelmente para o bem da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Vaticano (RV) &#8211; O Papa Francisco visitou, na manh\u00e3 desta segunda-feira (16\/10), Dia Mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o, a sede do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidos para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o (FAO), em Roma. &nbsp; Clique aqui para ouvir: &nbsp; Ap\u00f3s agradecer ao diretor-geral da FAO, Jos\u00e9 Graziano da Silva, e demais autoridades, o Papa recordou, em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35324,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-35323","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=35323"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35323\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35325,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/35323\/revisions\/35325"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=35323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=35323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=35323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}