{"id":35257,"date":"2017-10-11T16:28:41","date_gmt":"2017-10-11T19:28:41","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=35257"},"modified":"2017-11-23T10:19:22","modified_gmt":"2017-11-23T12:19:22","slug":"por-que-tenho-tanto-medo-de-dizer-o-que-eu-penso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/por-que-tenho-tanto-medo-de-dizer-o-que-eu-penso\/","title":{"rendered":"Por que tenho tanto medo de dizer o que eu penso?"},"content":{"rendered":"<p>Quantas vezes deixo de dizer ou de fazer alguma coisa para n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Creio que, \u00e0s vezes, a opini\u00e3o dos outros importa muito para mim. Para o psic\u00f3logo Solomon Asch, \u201ca conformidade \u00e9 o processo por meio do qual os membros de um grupo social mudam seus pensamentos, decis\u00f5es e comportamentos para se ajustar \u00e0 opini\u00e3o da maioria.\u201d<\/p>\n<p>Em 1951, Asch realizou estudos de conformidade com o grupo com estudantes de v\u00e1rias classes. Na pesquisa, demonstrou-se o poder que o grupo tem para condicionar as respostas dos estudantes. Diante de uma verdade evidente, eles optavam por aquilo que a maioria dizia. Mesmo que a resposta n\u00e3o fosse correta.<\/p>\n<p>A press\u00e3o da sociedade parece um obst\u00e1culo insuper\u00e1vel. Eu pade\u00e7o da s\u00edndrome de Solomon; tomo decis\u00f5es e adoto comportamentos para evitar me sobressair ou me destacar dentro de um grupo. \u00c0s vezes, me nego a sair do caminho trilhado pela maioria.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero chamar a aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o quero me destacar. De forma inconsciente, temo me sobressair em excesso por medo de que minhas virtudes e sucessos ofendam os outros. Ou por medo de ser criticado se eu fracassar ou algo der errado.<\/p>\n<p>Essa atitude \u00e9 um manifesto do lado obscuro da minha condi\u00e7\u00e3o humana. Revela minha falta de autoestima e de confian\u00e7a em mim mesmo. Acabo pensando que meu valor como pessoa depende do quanto os outros me valorizam.<\/p>\n<p>Ao ler sobre essa s\u00edndrome, pensei nas vezes em que deixei de fazer alguma coisa por medo de chamar a aten\u00e7\u00e3o. Calo a minha opini\u00e3o, oprimo minha for\u00e7a e consinto com os que imp\u00f5em seus ju\u00edzos. No fim, me adapto e digo que penso o que os outros pensam, embora n\u00e3o seja verdade o que eles dizem.<\/p>\n<p>Eu vejo que a realidade n\u00e3o \u00e9 como os outros mostram, mas acabo assumindo como verdadeiro o que me parece falso. \u00c9 o medo de ficar fora do grupo, de um entorno que protege, dos amigos que cuidam de mim. O medo de expor em p\u00fablico, o medo das cr\u00edticas, das acusa\u00e7\u00f5es e difama\u00e7\u00f5es. A opini\u00e3o dos outros sobre o mim me importa muito. E eu me protejo. Por isso, n\u00e3o quero chamar a aten\u00e7\u00e3o. Escondo-me no mais profundo da massa.<\/p>\n<p>Dizia P. Kentenich: \u201cuma olhada na vida atual mostra como \u00e9 dif\u00edcil encontrar homens verdadeiramente livres nos diversos setores da popula\u00e7\u00e3o. A maioria s\u00e3o vis escravos e covardes, massificados, pessoas para quem a verdade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais a adequa\u00e7\u00e3o do entendimento ao objeto, mas a adapta\u00e7\u00e3o do entendimento com o apetite sensitivo\u201d.<\/p>\n<p>Assumo como verdade o que n\u00e3o \u00e9 verdade. E o proclamo como minha bandeira, para que n\u00e3o me excluam do grupo que me protege. Deixo, ent\u00e3o, de dar o que tenho. Por medo. Deixo de dizer o que penso para n\u00e3o destoar. Deixo de fazer o que quero para fazer o que os outros esperam que eu fa\u00e7a. Deixo de falar. Meu sil\u00eancio me acusa. Deixo de olhar e me escondo. Deixo de caminhar e me detenho.<\/p>\n<p>Tenho medo que os outros me julguem. N\u00e3o quero a reprova\u00e7\u00e3o. N\u00e3o quero que me deixem sozinho. N\u00e3o quero a cr\u00edtica nem o ju\u00edzo. \u00c9 f\u00e1cil criticar e condenar o que n\u00e3o pensa como eu. \u00c9 f\u00e1cil acabar com sua fama e denegri-lo. Isso \u00e9 o que me d\u00e1 medo.<\/p>\n<p>Dizia o Papa Francisco: \u201cA necessidade de falar mal do outro indica uma baixa autoestima, ou seja, eu me sinto t\u00e3o em baixo que, em vez de subir, abaixo o outro. \u00c9 saud\u00e1vel esquecer r\u00e1pido o negativo\u201d.<\/p>\n<p>A cr\u00edtica surge de um cora\u00e7\u00e3o imaturo, insatisfeito, sem paz, que se sente inferior. Nasce de um cora\u00e7\u00e3o ferido. E h\u00e1 muitos cora\u00e7\u00f5es assim. Vejo que isso tamb\u00e9m acontece comigo quando critico, quando julgo e condeno para que eu fique por cima.<\/p>\n<p>Quero que os outros se adaptem ao que eu penso. Ajam como eu. Estejam onde eu estiver e sigam os meus passos. Pretendo exigir que os outros o fa\u00e7am, claro, com liberdade. Que digam que s\u00e3o livres, mesmo isso n\u00e3o seja verdade. N\u00e3o me pergunto o que eles querem fazer de verdade, o que pensam, em que acreditam.<\/p>\n<p>Talvez seja minha baixa autoestima que manda em minhas decis\u00f5es. N\u00e3o quero que saibam e conhe\u00e7am meu cora\u00e7\u00e3o t\u00e3o fr\u00e1gil. N\u00e3o quero que vejam minha fraqueza. Talvez seja esse medo do rid\u00edculo que me paralisa. O medo de seguir caminhos solit\u00e1rios.<\/p>\n<p>E se tenho que dizer o que penso? N\u00e3o sei. Me d\u00e1 medo esse valor exagerado, que pode ter consequ\u00eancias desagrad\u00e1veis para mim. N\u00e3o quero ter medo de dizer o que penso e sinto. Mas tenho. Quero falar sobre o que acredito. Da f\u00e9 que move minha vida. Se o medo de travar, n\u00e3o serei eternamente livre, plenamente homem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantas vezes deixo de dizer ou de fazer alguma coisa para n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o! Creio que, \u00e0s vezes, a opini\u00e3o dos outros importa muito para mim. 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