{"id":34622,"date":"2017-08-13T00:00:57","date_gmt":"2017-08-13T03:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=34622"},"modified":"2017-08-14T14:32:28","modified_gmt":"2017-08-14T17:32:28","slug":"a-vocacao-de-jose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-vocacao-de-jose\/","title":{"rendered":"A voca\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Pai n\u00e3o \u00e9 quem gera, mas quem cria. Perdoem-me a frase feita, mas ela diz tudo o que desejo abordar. H\u00e1 pais que o s\u00e3o apenas por contribuir biologicamente, mas h\u00e1 muitos que assumem a voca\u00e7\u00e3o paterna porque aproveitaram bem a gra\u00e7a de gerar filhos do cora\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a est\u00e1 aqui: gerar qualquer reprodutor ou banco de espermas \u00e9 capaz, mas fazer nascer no cora\u00e7\u00e3o, como rebento da alma paternal e respons\u00e1vel&#8230; ah, isso poucos s\u00e3o capazes. Pais biol\u00f3gicos e filhos \u201cde nome\u201d, sem a gra\u00e7a da vida familiar coesa, coerente, amorosa&#8230; Esse \u00e9 o mal que nos assola! A crise de paternidade e familiar est\u00e1 a\u00ed, dizimando muitas fam\u00edlias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nO pobre carpinteiro de Nazar\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um modelo por acaso. Qualquer pai minimamente coerente com sua natureza humana haveria de rejeitar aquele \u201cfilho\u201d vindo do nada de um relacionamento fora dos padr\u00f5es da concep\u00e7\u00e3o natural, que lhe foi colocado nos bra\u00e7os numa circunst\u00e2ncia jamais imaginada, que quase lhe roubou a imagem de um homem honesto, temente a Deus e justo, que o obrigou a fugir para terras estranhas \u00e0 sua f\u00e9, aos seus costumes, que o fez abandonar o conforto de uma vida razo\u00e1vel, uma profiss\u00e3o bem sucedida. Ah, Jos\u00e9, o bom Jos\u00e9!\u00a0 Que magnetismo foi esse a lhe for\u00e7ar a pr\u00f3pria seguran\u00e7a e estabilidade social, financeira, para defender t\u00e3o corajosamente aquele menino que seu cora\u00e7\u00e3o adotou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nDeus o chamou. Por isso paternidade exige voca\u00e7\u00e3o. Escolheu-o a dedo e lhe confiou a maior e mais bela das paternidades, aquela que iria constituir a fam\u00edlia sagrada de Nazar\u00e9. N\u00e3o lhe concedeu a paternidade biol\u00f3gica, mas dele fez o guardi\u00e3o do maior e mais precioso dos filhos dos homens, o primog\u00eanito de Deus! Mostrou-nos o quanto \u00e9 preciosa a paternidade quando gerada do cora\u00e7\u00e3o de Deus. A natureza humana tornou-se um detalhe secund\u00e1rio, posto que a natureza divina do seu \u201cmenino\u201d est\u00e1 presente em toda e qualquer vida humana, que brota do Pai. \u00c9 Ele a fonte da vida. \u00c9 dele nossa proced\u00eancia carnal, mas \u00e9 no seio divino que encontramos as ra\u00edzes de nosso ser espiritual. Dele viemos, a ele voltaremos. Por isso, a gera\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica \u00e9 apenas um detalhe, posto que a f\u00e9 nos desafie a voltarmos nossas vidas e nossa exist\u00eancia para a fam\u00edlia trinit\u00e1ria onde fomos gerados e donde n\u00e3o podemos fugir. Mas essa escolha \u00e9 nossa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nPor isso o conceito familiar \u00e9 sagrado. N\u00e3o se destr\u00f3i e nem se desvirtua aquilo que Deus estabeleceu como canal de plenitude, fonte de b\u00ean\u00e7\u00e3os, meio de salva\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 esta o sagrado instrumento posto \u00e0 prova na constru\u00e7\u00e3o da dignidade humana. \u00d3rf\u00e3os de pais humanos s\u00e3o muitos, mas a orfandade de pais vivos ou daqueles que a indiferen\u00e7a humana rejeita com seus preconceitos e individualismo \u00e9 maior. Seus rejeitados ter\u00e3o certamente a ado\u00e7\u00e3o carinhosa do Criador. Muitos destes estar\u00e3o \u00e0 frente dos indiv\u00edduos que fizeram de seus redutos familiares uma trincheira patrimonial, um reduto da gan\u00e2ncia e do poder, nunca um ninho de harmonia, solidariedade, amor fraternal, filial, conjugal&#8230;\u00a0 Precisamos, urgentemente, rever tudo isso. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o sangue venoso, pobre em oxig\u00eanio de vida fraterna, que nos h\u00e1 de contaminar o tecido social e familiar, posto que este, quando muito, provocar\u00e1 fur\u00fanculos f\u00e9tidos aqui e acol\u00e1, mas \u00e9 o sangue arterial que flui de um cora\u00e7\u00e3o sadio o \u00fanico a renovar a sociedade que desejamos mais justa e fraterna. O mesmo sangue do sacrif\u00edcio crist\u00e3o. O mesmo sangue dos muitos cordeiros, mansos e humildes, que n\u00e3o hesitam em arriscar suas vidas para defender os que amam. Como Jos\u00e9, em muitos momentos. Como seu Filho no alto da cruz. Como muitos outros \u201cpais adotivos\u201d, que nunca se perguntaram a raz\u00e3o de t\u00e3o estranho amor, apenas se espelham no modelo daquela fam\u00edlia t\u00e3o sagrada, t\u00e3o estranha: Jos\u00e9, Maria e \u201cum Filho de Deus\u201d, o Pr\u00f3prio&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pai n\u00e3o \u00e9 quem gera, mas quem cria. 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