{"id":34476,"date":"2017-08-09T11:30:58","date_gmt":"2017-08-09T14:30:58","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=34476"},"modified":"2017-08-10T14:57:47","modified_gmt":"2017-08-10T17:57:47","slug":"padre-francisco-sacerdote-e-amigo-descanse-em-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/padre-francisco-sacerdote-e-amigo-descanse-em-paz\/","title":{"rendered":"Padre Francisco, sacerdote e amigo, descanse em paz!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No jornal A Tribuna, de Amparo, em 12\/01\/07, p. A2, publiquei um artigo tentando fazer uma pequena homenagem ao Padre Francisco de Paiva Garcia, o nosso querido Padre Chico, por ocasi\u00e3o do seu Jubileu de Ouro Sacerdotal celebrado, com grande solenidade, em 22 de dezembro de 2006. \u00c9 daquele artigo que me valho, com adapta\u00e7\u00f5es, nesta data do seu passamento para a eternidade.<br \/>\nO Padre Chico foi o sacerdote que me batizou, ouviu a minha primeira confiss\u00e3o, deu-me a primeira comunh\u00e3o e s\u00f3 n\u00e3o me crismou porque, em 1994, j\u00e1 n\u00e3o era mais o Vig\u00e1rio Episcopal da antiga Regi\u00e3o Leste da Arquidiocese de Campinas. Merecia um \u201cdescanso\u201d ap\u00f3s socorrer o Santu\u00e1rio do Bom Jesus, em Monte Alegre do Sul, e ter assumido, em tempos dif\u00edceis, a Matriz de Nossa Senhora do Amparo por ocasi\u00e3o da doen\u00e7a do venerando Monsenhor Jo\u00e3o Batista Lisboa, entre tantas outras atividades exercidas com \u201cprobidade, prud\u00eancia e experi\u00eancia no trato das quest\u00f5es\u201d, conforme prescreve o C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico (c\u00e2non 478 \u00a7 1) aos Vig\u00e1rios Episcopais.<br \/>\nPosso dizer que sinto santo orgulho por ter me formado participando das Missas do Padre Chico, cujas reflex\u00f5es eram fant\u00e1sticas. Constru\u00eddas com a imorredoura l\u00f3gica aristot\u00e9lica, elas se tornavam uma exposi\u00e7\u00e3o organizada e profunda dos textos b\u00edblicos propostos para aquele dia e com os quais o nosso antigo p\u00e1roco demonstrava ter uma intimidade profunda, enriquecida pelo vasto conhecimento que possu\u00eda dos cl\u00e1ssicos ensinamentos da Igreja, sempre atualizados em boas fontes.<br \/>\nConfesso que sendo eu um apaixonado pela boa leitura, vez ou outra, encontro algumas fontes das quais o Padre Chico tirava as suas id\u00e9ias. Por exemplo, um dia ele comentou que \u201cos cientistas nada criam de novo, mas apenas descobrem, pois Deus j\u00e1 criou tudo, s\u00f3 resta, portanto, descobrir\u201d. Ora, isso \u00e9 de Santo Agostinho de Hipona (\u2020 430), o mais famoso entre os fil\u00f3sofos e te\u00f3logos da chamada era Patr\u00edstica no Ocidente. Ensinava o Santo, burilando pensamentos de fil\u00f3sofos anteriores, que \u201cjuntamente com a mat\u00e9ria, Deus criou virtualmente todas as potencialidades de sua concretiza\u00e7\u00e3o, infundindo nela, precisamente, as raz\u00f5es seminais de cada coisa. E a evolu\u00e7\u00e3o do mundo ao longo do tempo outra coisa n\u00e3o \u00e9 do que a concretiza\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o de tais raz\u00f5es seminais [j\u00e1 criadas] (Reale; Antisseri. Hist\u00f3ria da Filosofia. 7. ed. vol. 1, S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002, p. 452).<br \/>\nN\u00e3o foi uma rara d\u00e1diva celeste ter um padre com esse dom intelectual na nossa par\u00f3quia? Todavia, n\u00e3o pense o (a) leitor (a), que, eventualmente, n\u00e3o tenha conhecido o antigo p\u00e1roco da S\u00e3o Sebasti\u00e3o, em um sacerdote voltado apenas para as grandes proposi\u00e7\u00f5es dos fil\u00f3sofos e te\u00f3logos, pois se h\u00e1 outra coisa que o nosso Padre Francisco dominava bem era a orat\u00f3ria, capaz de faz\u00ea-lo estabelecer um proveitoso contato com os seus ouvintes.<br \/>\nDa\u00ed, conjugar pensamentos como o acima exposto com uma senten\u00e7a interessante dessas que n\u00e3o se esquece mais, feita aquela pronunciada em uma Sexta-feira Santa, h\u00e1 alguns anos, ao referir-se \u00e0 convers\u00e3o de Dimas, o bom ladr\u00e3o: \u201cS\u00e3o Dimas foi t\u00e3o bom ladr\u00e3o, mas t\u00e3o bom ladr\u00e3o que, na \u00faltima hora, roubou um pedacinho do c\u00e9u para ele\u201d.<br \/>\nEntretanto, o padre Chico n\u00e3o era s\u00f3 o homem das bonitas homilias, mas tamb\u00e9m da a\u00e7\u00e3o. Basta olhar as constru\u00e7\u00f5es que ele fez para se ter uma no\u00e7\u00e3o do senso administrativo desse nosso \u201cbom mineiro\u201d, como diria o Sr. Haroldo Cunha. N\u00e3o se pode esquecer, \u00e9 claro, da parte social, pois era lema do p\u00e1roco: \u201cNa par\u00f3quia de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, s\u00f3 morre de fome quem tiver vergonha de abrir a boca\u201d.<br \/>\nSua perseveran\u00e7a era estupenda, assemelhava-se ao que Dom Estev\u00e3o Bettencourt, OSB, chamaria de \u201csanta teimosia\u201d, pois, mesmo quando algu\u00e9m se erguia quase solit\u00e1rio para critic\u00e1-lo ou contra ele mover uma campanha rasteira, ele n\u00e3o se abatia. Respondia com altaneria \u00e0s cr\u00edticas e seguia olhando firme para aquilo que acreditava.<br \/>\nFormado nos moldes pr\u00e9-conciliares, ou seja, antes do renovador Conc\u00edlio Vaticano II (1962-1965), o Padre Francisco, no seu profundo senso de Igreja, soube adaptar-se \u00e0s boas inova\u00e7\u00f5es que vieram, sem perder o que de \u00fatil antes aprendera, mantendo, assim, \u201co equil\u00edbrio indispens\u00e1vel entre o novo e o antigo\u201d, conforme a express\u00e3o do Padre Paschoal Rangel, SDN, no jornal O Lutador (11-20\/12\/06, p. 03), publicado em Belo Horizonte, mas tamb\u00e9m lido pelo Padre Chico. Pudera! \u00c9, na opini\u00e3o de cat\u00f3licos e protestantes, o melhor jornal cat\u00f3lico (hoje revista) do Brasil.<br \/>\nEnfim, teria muito mais a escrever sobre esse homem de Deus que viveu e atuou em nossa cidade e diocese. Ele que, nos tempos de crian\u00e7a, eu via como o \u201cdistante\u201d sacerdote de Cristo. No entanto, passados alguns anos, e tendo contado mais de uma vez com a sua m\u00e3o estendida para auxiliar-me, continuei vendo o mesmo sacerdote, por\u00e9m pr\u00f3ximo e amigo.<br \/>\nDeus lhe d\u00ea, Padre Francisco (ou Padre Chico, como \u00e9 comum trat\u00e1-lo), o merecido descanso eterno, ap\u00f3s ter combatido o bom combate e guardado a f\u00e9 (cf. 2Tm 4,7-8) \u2013 fala do Ap\u00f3stolo Paulo que o senhor muito apreciava e parece ter citado em sua carta de ren\u00fancia entregue a Dom Pedro Carlos Cipollini, pedindo-lhe, ainda, que, em seu lugar, colocasse o Pe. Carlos Panassolo, o que, prontamente, lhe foi concedido. Um fecho com chave de ouro.<br \/>\nTamb\u00e9m pedimos \u2013 os paroquianos em geral e eu \u2013 que o mesmo Pai celestial conceda for\u00e7as a toda a sua fam\u00edlia, em especial \u00e0 sua irm\u00e3 Nelly, a quem, certamente, muito estimamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>Vanderlei de Lima \u00e9 eremita na Diocese de Amparo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No jornal A Tribuna, de Amparo, em 12\/01\/07, p. 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