{"id":33820,"date":"2017-07-28T16:08:09","date_gmt":"2017-07-28T19:08:09","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=33820"},"modified":"2017-08-01T09:07:41","modified_gmt":"2017-08-01T12:07:41","slug":"a-espiritualidade-dos-leigos-deve-ser-diferente-da-dos-padres-e-religiosos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-espiritualidade-dos-leigos-deve-ser-diferente-da-dos-padres-e-religiosos\/","title":{"rendered":"A espiritualidade dos leigos deve ser diferente da dos padres e religiosos?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O leigo santifica o mundo a partir do mundo, com sua profiss\u00e3o e sua fam\u00edlia<\/p>\n<p>Existe uma espiritualidade leiga hoje em dia? E se existe, qual \u00e9 essa espiritualidade? N\u00e3o h\u00e1 diversas espiritualidades (mon\u00e1stica, sacerdotal, matrimonial)? S\u00e3o perguntas frequentemente feitas quando se fala sobre a pastoral dos leigos e de seu servi\u00e7o \u00e0 Igreja.<\/p>\n<p>Quem responde a essas perguntas \u00e9 o professor de Teologia Espiritual da Pontif\u00edcia Universidade de Santa Cruz, Vicente Bosch. Bosch \u00e9 valenciano e sacerdote da prelatura do Opus Dei. Suas respostas foram publicadas em uma entrevista \u00e0 revista Temes d\u2019avui.<\/p>\n<p>\u201cA espiritualidade crist\u00e3 \u00e9 \u00fanica, no sentido de que h\u00e1 uma s\u00f3 f\u00e9, um s\u00f3 batismo, um s\u00f3 Cristo, um s\u00f3 Esp\u00edrito. E a meta \u00e9 sempre a mesma: a santidade. Mas \u00e9 preciso encarar tudo isso na vida. As pessoas s\u00e3o muito diferentes, de modo que poder\u00edamos dizer que, ao final das contas, h\u00e1 tantas espiritualidades quanto tantos crist\u00e3os\u201d, diz o professor.<\/p>\n<p>\u201cEssa express\u00e3o multiforme da vida crist\u00e3 tamb\u00e9m apresenta caracter\u00edsticas diferentes. Por exemplo: o fato de ser padre, monge ou leigo marca a vida espiritual, pois, nas rela\u00e7\u00f5es com Deus, n\u00e3o se pode deixar, de um lado, o minist\u00e9rio sacerdotal, os votos e as regras dos religiosos e, por outro lado, os deveres familiares e c\u00edvicos dos leigos. Por isso, em cada um se consolida um estilo de vida que d\u00e1 origem a uma espiritualidade pr\u00f3pria\u201d, afirma Bosch.<\/p>\n<p>\u201cOu seja: os leigos precisam de uma espiritualidade pr\u00f3pria, diferente da dos sacerdotes e religiosos. Mas qual \u00e9 essa espiritualidade? O fiel leigo \u00e9 algu\u00e9m que foi batizado e chamado por Deus e, com sua presen\u00e7a no mundo, deve devolver as coisas criadas em sua beleza original, prejudicada pelo pecado\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O professor explica que a miss\u00e3o do leigo \u00e9 \u201cencaminhar o mundo at\u00e9 Deus, impregnar as estruturas temporais de sentido crist\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Vicente Bosch fala da \u201cespiritualidade leiga\u201d, n\u00e3o de \u201cespiritualidade dos leigos\u201d. Onde est\u00e1 a diferen\u00e7a? Muitas vezes, ao longo da hist\u00f3ria, aplicou-se aos leigos uma espiritualidade j\u00e1 existente (S\u00e3o Francisco de Sales, por exemplo).<\/p>\n<p>Mas o professor diz que \u201ca mudan\u00e7a radical veio no Conc\u00edlio Vaticano II, que reavaliou o mundo e as realidades terrenas, considerando-as como um caminho de santidade que Cristo percorreu e deixou aberto a todos os homens.\u201d<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 assim que nasce uma espiritualidade leiga, caracterizada pelo cruzamento entre o humano e o crist\u00e3o, a valoriza\u00e7\u00e3o positiva das coisas cotidianas, a compet\u00eancia profissional, o sentido de responsabilidade, o acentuado sentido de liberdade pessoal e uma forte consci\u00eancia da miss\u00e3o de ordenar as coisas at\u00e9 Deus\u201d, sustenta o professor.<\/p>\n<p>Isso soa muito bem. Mas como fazer? O professor responde: \u201cse o fiel leigo leva Cristo em suas almas, isso necessariamente se far\u00e1 vis\u00edvel no seu exterior, em suas obras. Est\u00e1 claro que n\u00e3o basta trabalhar bem para santificar o mundo: al\u00e9m da coordenada horizontal da a\u00e7\u00e3o social (trabalho), \u00e9 necess\u00e1ria a coordenada vertical de trato com Deus na ora\u00e7\u00e3o e nos sacramentos. Sem isso nada pode ser santificado. Por outro lado, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1ria a forma\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria e religiosa para que o leigo possa aplicar o Evangelho de maneira livre e respons\u00e1vel em cada situa\u00e7\u00e3o concreta\u201d, alerta Bosch.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que a Igreja, sobretudo a partir do Conc\u00edlio Vaticano II tem feito um grande esfor\u00e7o para reconhecer o papel dos leigos e estes est\u00e3o sendo correspons\u00e1veis na gest\u00e3o das par\u00f3quias e dioceses. Por\u00e9m, \u201cessa n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica via de santifica\u00e7\u00e3o nem a mais importante, a qual continua sendo a vida familiar e profissional\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a isso, o doutor Vicente Bosch diz que \u201calguns sacerdotes erram ao pensar que a maturidade de um leigo se mede pelo tempo e a energia dedicados \u00e0s par\u00f3quias. O Papa Francisco, entretanto, lamentou, recentemente, a exist\u00eancia de um clericalismo que \u2018funcionaliza os leigos\u2019 e gera uma elite para trabalhar em coisas da Igreja, mas que n\u00e3o cuida de sua vida p\u00fablica e de sua vida cotidiana\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O leigo santifica o mundo a partir do mundo, com sua profiss\u00e3o e sua fam\u00edlia Existe uma espiritualidade leiga hoje em dia? E se existe, qual \u00e9 essa espiritualidade? 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