{"id":3380,"date":"2013-11-11T12:58:05","date_gmt":"2013-11-11T14:58:05","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/qual-e-o-papel-politico-social-das-redes-sociais-e-da-internet\/"},"modified":"2017-03-23T10:14:46","modified_gmt":"2017-03-23T13:14:46","slug":"qual-e-o-papel-politico-social-das-redes-sociais-e-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/qual-e-o-papel-politico-social-das-redes-sociais-e-da-internet\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 o papel pol\u00edtico-social das redes sociais e da internet?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/redesocial.jpg\" border=\"0\" \/><br \/>&#8220;Todos esses dias de junho, em S\u00e3o Paulo, e em muitas outras capitais, jogamos games coletivos \u2013 todos fomos conectados a circuitos de informa\u00e7\u00f5es&#8221;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Entrevista com o italiano <strong>Massimo Di Felice<\/strong>, doutor em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e PHD em sociologia pela Universidade Paris Descartes V, Sorbonne. Di Felice \u00e9 professor da Escola de Comu\u00adnica\u00ad\u00e7\u00e3o e Artes da USP, onde fundou o Centro de Pesquisa Atopos e coordena as pesquisas \u201cRedes digitais e sustentabilidade\u201d e \u201cNet-ativismo: a\u00e7\u00f5es colaborativas em redes digitais\u201d.<br \/><\/em><br \/><strong>Os protestos s\u00e3o organizados nas redes, mas nota-se que h\u00e1 l\u00edderes surgindo nas ruas. Como o senhor v\u00ea isso?<\/strong><\/p>\n<p>Os movimentos nascem nas redes, atuam em ruas, mas n\u00e3o em ruas comuns. Eles atuam em \u201cruas conectadas\u201d e reproduzindo em tempo real, nas redes, os acontecimentos das manifesta\u00e7\u00f5es. Atrav\u00e9s da computa\u00e7\u00e3o m\u00f3vel, debatem e buscam solu\u00e7\u00f5es continuamente, expressando uma original forma de rela\u00e7\u00e3o tecno-humana e inaugurando o advento de uma dimens\u00e3o meta-geogr\u00e1fica e at\u00f3pica (do greco a-topos: lugar indescrit\u00edvel, lugar estranho, fora do comum).\u00a0 Embora o soci\u00f3logo espanhol Manuel Castells defenda que os movimentos sociais contempor\u00e2neos nascem nas redes e que somente depois, nas ruas, ganham maior visibilidade, n\u00e3o me parece ser esta a sua descri\u00e7\u00e3o mais apropriada. Ao contr\u00e1rio: o que est\u00e1 acontecendo em todas as ruas, em diversos pa\u00edses do mundo, \u00e9 o advento de uma dimens\u00e3o imersiva e informativa do conflito, que se exprime numa espacialidade plural, conectiva e informativa. Os manifestantes habitam espa\u00e7os estendidos, decidem suas estrat\u00e9gias e seus movimentos nas ruas atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua nas \u201csocial networks\u201d e da troca instant\u00e2nea de informa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o somente se deslocam conectados, mas a manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 tal e acontece de fato somente se \u00e9 postada na rede, tornando-se novamente digital, isto \u00e9, informa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel pensar em espa\u00e7os f\u00edsicos versus espa\u00e7os informativos. Os conflitos s\u00e3o informativos. Jogos de trocas entre corpos e circuitos informativos, experimenta\u00e7\u00f5es do surgimento de uma carne informatizada, que experimenta as suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es: a informativa digital e a sangrenta material, golpeada e machucada. Ambas s\u00e3o reais e nenhuma \u00e9 separada da outra, mas cada uma ganha a sua \u201cveracidade\u201d no seu agenciamento com a outra.<\/p>\n<p>Todos esses dias de junho, em S\u00e3o Paulo, e em muitas outras capitais,\u00a0 jogamos\u00a0 games coletivos \u2013 todos fomos conectados a circuitos de informa\u00e7\u00f5es, espa\u00e7os e curtos-circuitos que alteravam nossos movimentos segundo as imagens e as intera\u00e7\u00f5es dos demais membros do jogo. Todos experimentamos a nossa plural e interativa condi\u00e7\u00e3o habitativa. O sangue dos manifestantes, golpeados pelos policiais, n\u00e3o ca\u00eda apenas no ch\u00e3o das ruas, mas se derramava em espacialidades informativas. A pol\u00edcia, atrav\u00e9s da computa\u00e7\u00e3o m\u00f3vel e das conex\u00f5es instant\u00e2neas, tornou-se m\u00eddia, c\u00famplice de um ato informativo, e os manifestantes experimentaram o prazer de transformar seus corpos em informa\u00e7\u00e3o. Transformar a pol\u00edcia em m\u00eddia foi uma das grandes contribui\u00e7\u00f5es destes movimentos, que n\u00e3o possuem l\u00edderes nem dire\u00e7\u00e3o \u00fanica. Todas as tentativas oportunistas de direcionar e organizar os conjuntos de movimentos ser\u00e3o desmascaradas. Estamos falando da sociedade civil conectada e n\u00e3o deste ou daquele movimento social. Os atores destes movimentos, portanto, n\u00e3o s\u00e3o apenas os humanos, menos ainda alguns l\u00edderes. N\u00e3o estamos falando de movimentos tradicionais que aconteciam nos espa\u00e7os urbanos e industriais. Estamos, de fato, j\u00e1 em outro mundo.<br \/><strong><br \/>Fora das redes, ainda h\u00e1 muita gente sem entender o que as manifesta\u00e7\u00f5es significam, ou como elas surgiram. No ambiente virtual, h\u00e1 maior entendimento sobre o tema?<\/strong><\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es do Brasil s\u00e3o express\u00f5es de uma transforma\u00e7\u00e3o qualitativa que desde o advento da internet altera a forma de participa\u00e7\u00e3o e o significado da a\u00e7\u00e3o social. O Centro de Pesquisa Atopos, da Universidade de S\u00e3o Paulo, est\u00e1 finalizando uma pesquisa internacional sobre o tema, com o apoio da Fapesp (Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>A pesquisa analisou as principais formas de net- ativismo em quatro pa\u00edses (Brasil, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Portugal). Os resultados s\u00e3o interessantes e mostram claramente alguns elementos comuns que, mesmo em contextos diferentes, se reproduzem e aparecem como carater\u00edsticas parecidas. Isso sublinha, mais uma vez, a import\u00e2ncia das redes de conectividade e as carater\u00edsticas tecno-informativas dessas express\u00f5es de conflitualidade que surgem na origem, na organiza\u00e7\u00e3o e nas formas de atua\u00e7\u00e3o destes movimentos. Em s\u00edntese, as principais carater\u00edsticas comuns a todos eles s\u00e3o as seguintes: 1. O net-ativismo se coloca fora da tradi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica moderna, pois expressa um novo tipo de conflitualidade que n\u00e3o tem como objetivo a disputa pelo poder. Todos os movimentos que marcam as diversas formas de conflitualidade contempor\u00e2nea (os Zapatistas, os Indignados, Occupy Wall Street, Anonymous, M15 etc.) n\u00e3o t\u00eam como objetivo tornar-se partidos pol\u00edticos e concorrer nas elei\u00e7\u00f5es. S\u00e3o todos explicitamente apartid\u00e1rios e contra a classe pol\u00edtica. Re\u00fanem-se todos contra a corrup\u00e7\u00e3o, os abusos e a incapacidade dessas mesmas classes pol\u00edticas e de seus representantes; 2. S\u00e3o movimentos e a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o organizados de forma tradicional, isto \u00e9, n\u00e3o s\u00e3o homog\u00eaneos, compostos por pessoas que se reconhecem na mesma ideologia ou em torno do mesmo projeto pol\u00edtico. Ao contr\u00e1rio: s\u00e3o formas de protesto compostas por diversos atores e nos quais, como numa arquitetura reticular, as contraposi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o dial\u00e9ticas e n\u00e3o inviabilizam a a\u00e7\u00e3o; 3. Possuem uma forma organizativa informal e, sobretudo, sem l\u00edderes e sem hierarquias; 4. O anonimato \u00e9 um valor, n\u00e3o somente porque permite a defesa perante a\u00e7\u00f5es repressivas, mas porque \u00e9 a forma atrav\u00e9s da qual \u00e9 defendida a n\u00e3o-identidade, coletiva ou individual, de seus membros e das a\u00e7\u00f5es. Na tradi\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es net-ativistas, a aus\u00eancia de identidade e a n\u00e3o visibilidade \u00e9 o meio atrav\u00e9s do qual a conflitualidade n\u00e3o se institucionaliza, tornando-se, assim, irreconhec\u00edvel, n\u00e3o identific\u00e1vel e capaz de conservar a sua pr\u00f3pria efic\u00e1cia conflitiva; 5. S\u00e3o movimentos ou a\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rios e, portanto, n\u00e3o duradouros, cujas finalidades e ambi\u00e7\u00f5es m\u00e1ximas s\u00e3o o pr\u00f3prio desaparecimento.<\/p>\n<p>Estes e outros elementos que encontramos em todas as a\u00e7\u00f5es net-ativistas s\u00e3o parte, j\u00e1, de uma tradi\u00e7\u00e3o que possui textos e reflex\u00f5es que v\u00e3o desde o cyberpunk at\u00e9 as contribui\u00e7\u00f5es de Hakim Bey, a guerrilha midi\u00e1tica de Luther Blisset, at\u00e9 a conflitualidade informativa zapatista. Os Anonymous e os Indignados e as diversas formas de conflitualidade digital contempor\u00e2neas s\u00e3o, na sua especificidade, a continua\u00e7\u00e3o disso. N\u00e3o h\u00e1 uniformidade, nem perten\u00e7a de nenhum tipo, mas inspira\u00e7\u00e3o.<br \/><strong><br \/>A quest\u00e3o informativa \u00e9 a grande fa\u00e7anha da tecnologia?<\/strong><\/p>\n<p>Na teoria da opini\u00e3o p\u00fablica, estamos assistindo a uma grande passagem do l\u00edder de opini\u00e3o para o empreendedor cognitivo. O l\u00edder de opini\u00e3o ganhava seu poder de persuas\u00e3o atrav\u00e9s do poder midi\u00e1tico que lhe permitia, de forma privilegiada, atrav\u00e9s da TV ou das p\u00e1ginas de um jornal, alcan\u00e7ar grande parte da popula\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds. Esta figura, geralmente um comentarista, um cientista pol\u00edtico, um profissional da comunica\u00e7\u00e3o, um pol\u00edtico ou uma personalidade p\u00fablica, \u00e9 hoje substitu\u00eddo no interior das novas din\u00e2micas dos fluxos informativos por outro tipo de informante e de mediador. Este \u00e9 aquele que, por ter vivenciado ou por ter sido o pr\u00f3prio protagonista de um acontecimento, distribui, atrav\u00e9s das m\u00eddias digitais, diretamente, sem media\u00e7\u00f5es, o acontecimento.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso dos manifestantes que postaram tudo o que aconteceu nas ruas durante as manifesta\u00e7\u00f5es. Nenhum comentarista ou l\u00edder de opini\u00e3o conseguiu competir e disputar com eles outra vers\u00e3o dos acontecimentos. Eles, os manifestantes, fizeram a cobertura do evento com seus celulares, suas c\u00e2meras baratas, a partir do pr\u00f3prio lugar dos acontecimentos, ao vivo. A maioria das informa\u00e7\u00f5es que circulavam foi produzida por eles. Isso foi poss\u00edvel porque existe uma tecnologia que permite que isso seja poss\u00edvel. Isto \u00e9, tamb\u00e9m um fato pol\u00edtico que quebra em peda\u00e7os d\u00e9cadas de estudos sociol\u00f3gicos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00eddia e pol\u00edtica, entre m\u00eddia e poder. A grande transforma\u00e7\u00e3o que as redes digitais produzem \u00e9 a interatividade. As pessoas conectadas buscam suas informa\u00e7\u00f5es, as ordenam, obt\u00eam mais fontes e elementos para avali\u00e1-las. Digamos que, tendencialmente, a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 mais consciente, pois tem acesso direto a uma quantidade infinita de informa\u00e7\u00f5es sobre qualquer tipo de assunto, tornando-se eles mesmos editores e criadores de conte\u00fado. Da mesma maneira, pelos mesmos dinamismos informativos, eles se tornam pol\u00edticos, administradores e transformadores de suas cidades ou de suas localidades.<br \/><strong><br \/>O senhor \u00e9 europeu, mas vive h\u00e1 muitos anos na Am\u00e9rica Latina. Como difere o processo de express\u00e3o massiva entre os dois continentes?<\/strong><\/p>\n<p>Absolutamente n\u00e3o se distingue. Os movimentos possuem todos eles as mesmas caracter\u00edsticas. Em cada pa\u00eds temos situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas e atores diferentes, mas que atuam de maneira an\u00e1loga: atrav\u00e9s das redes digitais. Possuem a mesma espec\u00edfica forma de organiza\u00e7\u00e3o coletiva: n\u00e3o institucionalizada e sem hierarquia. Expressam as mesmas reivindica\u00e7\u00f5es: contra a corrup\u00e7\u00e3o dos partidos pol\u00edticos, por maior transpar\u00eancia e efici\u00eancia, melhor qualidade dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Desconfiam todos de seus representantes e querem decidir diretamente sobre os assuntos que lhes interessam.<\/p>\n<p><strong>Quais as consequ\u00eancias dessa posi\u00e7\u00e3o que as manifesta\u00e7\u00f5es assumem?<\/strong><\/p>\n<p>A rede \u00e9 o \u201cAl\u00e9m do Homem\u201d do fil\u00f3sofo alem\u00e3o Friedrich Nietzsche. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, no seu interior, construir \u00e9ticas coletivas, nem majorit\u00e1rias, pois o seu dinamismo \u00e9 emergente e sua forma, tempor\u00e1ria. A participa\u00e7\u00e3o em rede n\u00e3o ir\u00e1 produzir novas ideologias unit\u00e1rias, menos ainda revolu\u00e7\u00f5es, pois sua raz\u00e3o n\u00e3o \u00e9 abstrata e universal, mas particular e conectiva, mutante e incoerente. Apenas poder\u00e1 destruir o velho jogo vampiresco da governan\u00e7a representativa e partid\u00e1ria, pois esta n\u00e3o \u00e9 mais representativa e gera um sistema baseado na corrup\u00e7\u00e3o, em que a corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, mas regra e norma do jogo.<\/p>\n<p>As ideologias pol\u00edticas que prometiam a igualdade e a salva\u00e7\u00e3o do mundo fracassaram, n\u00e3o apenas em seu intento socioecon\u00f4mico igualit\u00e1rio, mas naquele mais importante: de produzir um novo imagin\u00e1rio social e cultural que nos tornasse parte de uma sociedade mais justa, na qual pud\u00e9ssemos nos tornar melhores do que somos. A n\u00e3o-\u00e9tica coletiva das redes n\u00e3o ser\u00e1 um dec\u00e1logo de normas e uma vis\u00e3o de mundo organizada e proferida pela boca das vanguardas, ou dos l\u00edderes iluminados, sempre prontos a surfar uma nova onda, mas ser\u00e1 muito mais humildemente particular. N\u00e3o mudar\u00e1 o mundo, mas resolver\u00e1 atrav\u00e9s da conectividade problemas concretos e espec\u00edficos, que t\u00eam a ver com a qualidade do ar, o direito \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o do transporte p\u00fablico, a qualidade do atendimento nos hospitais, a qualidade da educa\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9: tudo aquilo que partido nenhum jamais conseguiu fazer.<br \/><strong><br \/>Para certa esquerda, est\u00e1 em marcha o acirramento de um fascismo nas manifesta\u00e7\u00f5es, cujo sintoma \u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o de partidos nas passeatas. Uma ala da direita, com o apoio da imprensa, tamb\u00e9m contesta as manifesta\u00e7\u00f5es como sendo \u201carma\u00e7\u00e3o\u201d da esquerda.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 vis\u00edvel para todos o oportunismo e o desespero de uma cultura pol\u00edtica da modernidade que se descobriu, de repente, obsoleta e fora da hist\u00f3ria. Nenhum partido de esquerda consegue hoje representar os anseios e as utopias sequer de uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o. Eles se encontram na singular e c\u00f4mica situa\u00e7\u00e3o do menino escoteiro que, para cumprir sua boa a\u00e7\u00e3o, tenta convencer a velhinha a atravessar a rua para poder ajud\u00e1-la. S\u00f3 que a velhinha n\u00e3o quer cruzar a rua, mas deseja ir em outra dire\u00e7\u00e3o. A l\u00f3gica dial\u00e9tica, euroc\u00eantrica e crist\u00e3, baseada na contraposi\u00e7\u00e3o entre o bem e o mal, marca toda a cultura pol\u00edtica da esquerda \u2013 que hoje se configura como uma religi\u00e3o laica, n\u00e3o mais racional nem propositiva, mas hist\u00e9rica.<\/p>\n<p>O advento dos movimentos e das manifesta\u00e7\u00f5es expressou com clareza o desaparecimento do papel de vanguarda, e a incapacidade hist\u00f3rica de an\u00e1lise e de abertura \u00e0 diversidade e ao livre debate dos partidos. Como na l\u00f3gica da salva\u00e7\u00e3o religiosa, o bom e o justo existem e justificam a sua fun\u00e7\u00e3o somente enquanto existe o mal. A ca\u00e7a \u00e0s bruxas \u00e9 uma exig\u00eancia, a \u00faltima tentativa de justificar sua fun\u00e7\u00e3o, e uma necessidade ainda de sua presen\u00e7a em defesa dos mais \u201cfracos\u201d e \u201cnecessitados\u201d. N\u00e3o excluo que, em casos n\u00e3o representativos, tenhamos tido a presen\u00e7a de grupos de alguns poucos e isolados indiv\u00edduos de direita. Mas a rea\u00e7\u00e3o e a ca\u00e7a \u00e0s bruxas que foi gerada \u00e9 de natureza hist\u00e9rica e a-racional, a \u00faltima tentativa de voltar no tempo e na hist\u00f3ria \u2013 um passado amea\u00e7ador em que havia necessidade de uma ordem, de uma ideologia e de uma vanguarda que representasse o confortador papel da figura paterna.<\/p>\n<p><strong>Entrevista realizada por Marcos Nunes Carreiro<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Local: S\u00e3o Paulo (SP)<br \/>Fonte: ALETEIA<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Todos esses dias de junho, em S\u00e3o Paulo, e em muitas outras capitais, jogamos games coletivos \u2013 todos fomos conectados a circuitos de informa\u00e7\u00f5es&#8221; Entrevista com o italiano Massimo Di Felice, doutor em Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e PHD em sociologia pela Universidade Paris Descartes V, Sorbonne. 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