{"id":33738,"date":"2017-07-25T12:00:11","date_gmt":"2017-07-25T15:00:11","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=33738"},"modified":"2017-07-28T16:19:09","modified_gmt":"2017-07-28T19:19:09","slug":"no-acre-liderancas-indigenas-e-extrativistas-sao-ameacadas-por-se-posicionarem-contra-politicas-de-economia-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/no-acre-liderancas-indigenas-e-extrativistas-sao-ameacadas-por-se-posicionarem-contra-politicas-de-economia-verde\/","title":{"rendered":"No Acre, lideran\u00e7as ind\u00edgenas e extrativistas s\u00e3o amea\u00e7adas por se posicionarem contra pol\u00edticas de \u201ceconomia verde\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em encontro realizado na cidade de Xapuri (AC), de 26 a 28 de maio, povos da floresta criticaram as pol\u00edticas de economia verde e demonstram preocupa\u00e7\u00e3o com novos acordos discutidos entre o governo e a ind\u00fastria de avia\u00e7\u00e3o. Na ocasi\u00e3o, representantes de cinco povos ind\u00edgenas e de comunidades tradicionais que vivem e trabalham na floresta apresentaram den\u00fancias de impactos de projetos de economia verde. O argumento \u00e9 de que as pol\u00edticas de compensa\u00e7\u00e3o de carbono preveem restri\u00e7\u00f5es \u00e0s comunidades, como limita\u00e7\u00f5es para pr\u00e1ticas de agricultura, pesca, ca\u00e7a e uso de bens florestais.<\/p>\n<p>Por assegurarem a posi\u00e7\u00e3o contra as a\u00e7\u00f5es que violentam o direito aos territ\u00f3rios tradicionais e que apresentam uma falsa solu\u00e7\u00e3o \u00e0 crise do clima, ind\u00edgenas, seringueiros e outros participantes do encontro receberam constantes amea\u00e7as. \u201cMuitas dessas lideran\u00e7as passaram a ser pressionadas e amea\u00e7adas pelos &#8220;donos do poder no Acre&#8221;, denuncia a carta de mo\u00e7\u00e3o de rep\u00fadio e solidariedade divulgado por entidades que trabalham com esses povos e comunidades. \u201cN\u00e3o h\u00e1 necessidade de colocar o futuro destes povos e comunidades em risco atrav\u00e9s de projetos question\u00e1veis e nebulosos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEntendemos que, na medida em que a fal\u00eancia do modelo subjacente das pol\u00edticas e dos projetos ambientais e clim\u00e1ticos em quest\u00e3o se torna obvia, sua defesa por parte daqueles que tem seus interesses particulares entrela\u00e7ados com tais pol\u00edticas e projetos tende a se tornar cada vez mais repressiva e violenta\u201d, sustenta a mo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O texto garante que as a\u00e7\u00f5es de afronta s\u00e3o \u201ctentativa de intimidar ou censurar as pessoas e organiza\u00e7\u00f5es que criticam e se op\u00f5em \u00e1s pol\u00edticas ambientais e clim\u00e1ticas que v\u00eam sendo implementadas pelo governo do Acre\u201d. No Brasil, o Acre \u00e9 considerado um laborat\u00f3rio para implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas baseadas na ideia de que \u00e9 poss\u00edvel compensar polui\u00e7\u00e3o gerada em determinadas regi\u00f5es \u2013 prevalentemente Europa e Am\u00e9rica do Norte &#8211; com a manuten\u00e7\u00e3o de florestas em outras regi\u00f5es. A economia \u201cverde\u201d pretende ampliar os lucros das corpora\u00e7\u00f5es, institui\u00e7\u00f5es financeiras e de outras organiza\u00e7\u00f5es protagonistas dessa proposta, como empresas de consultoria e grandes ONGs preservacionistas.<\/p>\n<p>\u201cDenunciamos e repudiamos especificamente as tentativas do governo do Acre e de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais ligadas a ele, de difamar tais cr\u00edticos, ao alegar que os questionamentos por eles articulados inviabilizariam a chegada de recursos que poderiam beneficiar povos das florestas no Acre\u201d, ressalta a nota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O documento exige posicionamento da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio, acusada pelas lideran\u00e7as de intensificar as intimida\u00e7\u00f5es aos funcion\u00e1rios que colaboram com a posi\u00e7\u00e3o assumida. \u201cExigimos ainda, que a FUNAI cumpra sua miss\u00e3o, que consiste em proteger e promover os direitos dos povos ind\u00edgenas. Com tais intimida\u00e7\u00f5es, a FUNAI fere mais uma vez os direitos \u00e0 livre express\u00e3o destes povos\u201d.<\/p>\n<p>As propostas de compensa\u00e7\u00e3o de carbono, que surgem em um contexto de negocia\u00e7\u00f5es internacionais e em uma conjuntura nacional de crise, trazem restri\u00e7\u00f5es a comunidades ribeirinhas, ind\u00edgenas, pequenos agricultores, extrativistas que s\u00e3o proibidos de cultivar seus espa\u00e7os, de uso tradicional da mata. Viola\u00e7\u00f5es culturais e sociais s\u00e3o impostas a esses grupos que se relacionam com a natureza de forma saud\u00e1vel e aut\u00f4noma. Os mecanismos implantados pelos offsets florestais preveem restri\u00e7\u00f5es \u00e0s comunidades tradicionais, como limita\u00e7\u00f5es para pr\u00e1ticas de agricultura, pesca, ca\u00e7a e uso de bens florestais.<\/p>\n<p>Projetos, como o Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento e Degrada\u00e7\u00e3o Evitados (REDD), prop\u00f5em que empresas que poluem em outros continentes possam \u201ccompensar\u201d os danos causados a natureza financiando iniciativas que, de maneira autorit\u00e1ria e sem consulta pr\u00e9via das comunidades, instalam normas de rela\u00e7\u00e3o com a terra. Al\u00e9m dos governos de pa\u00edses desenvolvidos, ind\u00fastrias poluidoras s\u00e3o as principais financiadoras das iniciativas de economia verde. N\u00e3o se pensa outro modelo de desenvolvimento, mais sustent\u00e1vel e auto gestor. As empresas continuam poluindo e desmatando. Com a \u201ccompra de cr\u00e9ditos de carbono\u201d s\u00e3o autorizadas a seguir sua l\u00f3gica de mercado.<\/p>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es que desejarem assinar a Mo\u00e7\u00e3o de Rep\u00fadio e Solidariedade devem enviar e-mail para\u00a0<a href=\"mailto:acre@wrm.org.uy\">acre@wrm.org.uy<\/a>\u00a0at\u00e9 o dia 28 de julho. A mo\u00e7\u00e3o de rep\u00fadio ser\u00e1 encaminhada ao Governo do Acre, Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, FUNAI\/Bras\u00edlia, Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF) do Acre, 6\u00aa C\u00e2mara do MPF-Bras\u00edlia, KFW\/Governo da Alemanha.<\/p>\n<p>Leia o documento na \u00edntegra abaixo:<\/p>\n<p>Mo\u00e7\u00e3o de rep\u00fadio e solidariedade<\/p>\n<p>No per\u00edodo de 26 a 28 de maio do corrente, realizou-se em Xapuri no Acre, o Encontro \u201cOs efeitos das pol\u00edticas ambientais\/clim\u00e1ticas para as popula\u00e7\u00f5es tradicionais\u201d. Al\u00e9m da publica\u00e7\u00e3o da Declara\u00e7\u00e3o de Xapuri, foram divulgados tamb\u00e9m v\u00eddeos com falas de lideran\u00e7as ind\u00edgenas, seringueiros e outros participantes do referido evento. Desde ent\u00e3o, muitas dessas lideran\u00e7as passaram a ser pressionadas e amea\u00e7adas pelos &#8220;donos do poder no Acre&#8221;.<\/p>\n<p>Indignados com mais essa agress\u00e3o aos direitos desses povos e popula\u00e7\u00f5es que vivem nas e das florestas, n\u00f3s que participamos do referido Encontro e demais apoiadores das lutas desses povos e popula\u00e7\u00f5es da Amaz\u00f4nia, manifestamos nosso veemente rep\u00fadio a toda e qualquer tentativa de intimidar ou censurar as pessoas e organiza\u00e7\u00f5es que criticam e se op\u00f5em \u00e1s pol\u00edticas ambientais e clim\u00e1ticas que v\u00eam sendo implementadas pelo governo do Acre.<\/p>\n<p>Denunciamos e repudiamos especificamente as tentativas do governo do Acre e de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais ligadas a ele, de difamar tais cr\u00edticos, ao alegar que os questionamentos por eles articulados inviabilizariam a chegada de recursos que poderiam beneficiar povos das florestas no Acre.\u00a0 Sabemos que o governo possui suficientes recursos para resguardar os direitos e atender os leg\u00edtimos interesses dos povos ind\u00edgenas e comunidades locais. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de colocar o futuro destes povos e comunidades em risco atrav\u00e9s de projetos question\u00e1veis e nebulosos. O governo deveria agir com transpar\u00eancia acerca da aplica\u00e7\u00e3o dos recursos que j\u00e1 recebeu atrav\u00e9s de tais projetos e com isto revelaria\u00a0 quem s\u00e3o seus verdadeiros benefici\u00e1rios.<\/p>\n<p>Exigimos que a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI) pare de intimidar funcion\u00e1rios que participam nestas discuss\u00f5es e articula\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Exigimos ainda, que a FUNAI cumpra sua miss\u00e3o, que consiste em proteger e promover os direitos dos povos ind\u00edgenas. Com tais intimida\u00e7\u00f5es, a FUNAI fere mais uma vez os direitos \u00e0 livre express\u00e3o destes povos.<\/p>\n<p>Entendemos que, na medida em que a fal\u00eancia do modelo subjacente das pol\u00edticas e dos projetos ambientais e clim\u00e1ticos em quest\u00e3o se torna obvia, sua defesa por parte daqueles que tem seus interesses particulares entrela\u00e7ados com tais pol\u00edticas e projetos tende a se tornar cada vez mais repressiva e violenta. Como j\u00e1 disse o fil\u00f3sofo Paul Valery: quem n\u00e3o pode atacar o argumento, ataca o argumentador.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos tolerar a continuidade desses ataques! Por isso, reiteramos o nosso apoio \u00e0 Declara\u00e7\u00e3o de Xapuri. Reafirmamos nossa solidariedade com todos e todas que sofrem amea\u00e7as ou repres\u00e1lias em consequ\u00eancia da firmeza de seu posicionamento pol\u00edtico em defesa dos seus territ\u00f3rios contra a explora\u00e7\u00e3o incessante do capital: voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o sozinhos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: CIMI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em encontro realizado na cidade de Xapuri (AC), de 26 a 28 de maio, povos da floresta criticaram as pol\u00edticas de economia verde e demonstram preocupa\u00e7\u00e3o com novos acordos discutidos entre o governo e a ind\u00fastria de avia\u00e7\u00e3o. Na ocasi\u00e3o, representantes de cinco povos ind\u00edgenas e de comunidades tradicionais que vivem e trabalham na floresta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":33739,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,13],"tags":[],"class_list":["post-33738","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-featured"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33738"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33740,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33738\/revisions\/33740"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33739"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}