{"id":33564,"date":"2017-07-25T13:19:31","date_gmt":"2017-07-25T16:19:31","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=33564"},"modified":"2017-07-27T16:11:10","modified_gmt":"2017-07-27T19:11:10","slug":"mali-em-busca-da-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/mali-em-busca-da-paz\/","title":{"rendered":"Mali: em busca da paz"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Dom Jonas Demb\u00e9l\u00e9 em sua diocese de Kayes. Dom Jonas Demb\u00e9l\u00e9 em sua diocese de Kayes.<\/p>\n<p>De acordo com o &#8220;Relat\u00f3rio sobre Liberdade Religiosa no Mundo&#8221;, publicado pela ACN \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre, o Mali decaiu em caos em mar\u00e7o de 2013, ap\u00f3s um golpe militar. Quando os jihadistas e grupos rebeldes amea\u00e7aram invadir todo o pa\u00eds, a Fran\u00e7a, que exerceu poder colonial sobre o Mali at\u00e9 1960, interveio militarmente. Em 2015, o governo maliano assinou um acordo de paz em Bumako com uma parcela dos grupos rebeldes armados. Enquanto o sul do pa\u00eds \u00e9 considerado relativamente seguro, a situa\u00e7\u00e3o no norte \u00e9 tensa.<\/p>\n<p>No dia 21 de maio, a Igreja no Mali celebrou a indica\u00e7\u00e3o do Arcebispo Jean Zerbo como cardeal. O Cardeal Zerbo, nomeado oficialmente em 28 de junho, \u00e9 o primeiro cardeal do Mali. O bispo da diocese de Kayes, Jonas Demb\u00e9l\u00e9, falou sobre a situa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os no pa\u00eds durante sua visita \u00e0 ACN. Ele expressou seu desejo de paz, ainda t\u00eanue no Mali, apesar de algumas pequenas melhorias. Em 2016, a ACN contribuiu com mais do equivalente a 800 mil reais em projetos no Mali.<br \/>\nComo os crist\u00e3os malianos reagiram \u00e0 nomea\u00e7\u00e3o do novo cardeal?<\/p>\n<p>A nomea\u00e7\u00e3o foi anunciada no Mali no dia 21 de maio e foi recebida pela popula\u00e7\u00e3o com alegria e entusiasmo. E n\u00e3o apenas pelos crist\u00e3os! Os mu\u00e7ulmanos tamb\u00e9m expressaram sua alegria. Um representante do governo telefonou para o cardeal para felicit\u00e1-lo por sua nomea\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, crist\u00e3os no Mali, somos gratos ao Papa por essa honra que ele concedeu \u00e0 nossa Igreja, que consegue fazer ouvir sua voz no Mali, embora seja minoria.<br \/>\nQu\u00e3o est\u00e1vel o senhor acredita estar a situa\u00e7\u00e3o no Mali p\u00f3s os recentes not\u00e1veis ataques em Bamako e Timbuktu?<\/p>\n<p>A paz continua prec\u00e1ria. Entretanto, apesar da situa\u00e7\u00e3o se manter inst\u00e1vel, os acontecimentos que sacudiram o pa\u00eds se deram em 2011 e j\u00e1 n\u00e3o afetam a vida cotidiana da popula\u00e7\u00e3o. Na minha diocese de Kayes, oeste do Mali, seguimos com uma vida normal e os sacerdotes n\u00e3o est\u00e3o sob amea\u00e7a. Mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os ainda estabelecem di\u00e1logo l\u00e1, como tamb\u00e9m no resto do pa\u00eds. As exce\u00e7\u00f5es aqui s\u00e3o Kidal, Gao e Timbuktu, onde os sacerdotes n\u00e3o podem entrar livremente. Fora isso, nosso trabalho mission\u00e1rio pode continuar como de costume em outros lugares do pa\u00eds.<br \/>\nComo \u00e9 o relacionamento entre a Igreja e o governo do Mali?<\/p>\n<p>Como sempre, a Igreja mant\u00e9m boas rela\u00e7\u00f5es com o governo, que se comprometeu energicamente com a quest\u00e3o das escolas, do sistema de sa\u00fade e do desenvolvimento sustent\u00e1vel. A popula\u00e7\u00e3o respondeu positivamente a isso porque nossos esfor\u00e7os s\u00e3o direcionados na popula\u00e7\u00e3o como um todo no Mali, sem exce\u00e7\u00e3o. O governo sempre buscou colabora\u00e7\u00e3o com a Igreja e com a Confer\u00eancia Episcopal.<br \/>\nO Mali \u00e9 uma rep\u00fablica secular, mas certos grupos ainda buscam claramente estabelecer um estado isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 verdade. \u00c9 dito repetidamente que os mu\u00e7ulmanos representam a maioria no Mali. E, como vivemos em uma democracia, algumas pessoas querem explorar esse fato, com base no princ\u00edpio: &#8220;Somos a maioria e por que devemos permanecer em um estado secular quando os mu\u00e7ulmanos comp\u00f5em 95% da popula\u00e7\u00e3o maliana?&#8221; Mas o Mali decidiu sobre a separa\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o e estado h\u00e1 muito tempo. Essa decis\u00e3o n\u00e3o veio dos crist\u00e3os ou dos adeptos das religi\u00f5es tradicionais. Embora sejam mu\u00e7ulmanos, at\u00e9 mesmo os intelectuais malianos sabem que, no mundo moderno, a secularidade \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o essencial para uma coexist\u00eancia mais pac\u00edfica. Mas os pol\u00edticos \u00e0s vezes sucumbem \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de orientar-se demais sobre os interesses de determinados grupos de quem eles dependem. Essa n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o f\u00e1cil.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias2017\/domdembale.jpg\" align=\"right\" border=\"0\" \/><br \/>\nDom Dembal\u00e9 e Im\u00e3<\/p>\n<p>A Igreja tem mantido tradicionalmente um bom relacionamento com os isl\u00e2micos?<\/p>\n<p>O Mali tem sido exemplo de um bom di\u00e1logo entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos para toda a \u00c1frica Ocidental. A forma maliana do islamismo \u00e9 mais tolerante. Isso continua, mas desde 2008 observamos uma arabiza\u00e7\u00e3o gradual do islamismo, o que torna a situa\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil como um todo. Nas aldeias voc\u00ea normalmente encontra fam\u00edlias que incluem crist\u00e3os, mu\u00e7ulmanos e adeptos das religi\u00f5es tradicionais. Infelizmente, podemos ver hoje um crescimento de certos grupos intolerantes.<br \/>\nComo voc\u00ea avalia o futuro do Mali? Como a paz poderia ser estabelecida?<\/p>\n<p>H\u00e1 motivo de esperan\u00e7a. Estamos tentando conscientizar as pessoas sobre o fato de que, se quisermos construir a paz, teremos que come\u00e7ar em nossas pr\u00f3prias fam\u00edlias. S\u00f3 ent\u00e3o poderemos continuar com nossos esfor\u00e7os em nossos distritos, aldeias e regi\u00f5es para permitir que a paz se espalhe por todo o pa\u00eds. Tamb\u00e9m pedimos aos pol\u00edticos que se concentrem em particular no bem-estar dos malianos e que deem prioridade ao bem comum sobre os interesses de grupos individuais que n\u00e3o t\u00eam inten\u00e7\u00f5es pac\u00edficas. Existem indiv\u00edduos de boa vontade que j\u00e1 est\u00e3o trabalhando nessa dire\u00e7\u00e3o com o apoio da comunidade internacional e da CEDEAO (Comunidade Econ\u00f4mica dos Estados da \u00c1frica Ocidental). H\u00e1 sinais de melhoria, embora n\u00e3o possamos esperar que a crise j\u00e1 tenha acabado no final do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Jonas Demb\u00e9l\u00e9 em sua diocese de Kayes. Dom Jonas Demb\u00e9l\u00e9 em sua diocese de Kayes. De acordo com o &#8220;Relat\u00f3rio sobre Liberdade Religiosa no Mundo&#8221;, publicado pela ACN \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre, o Mali decaiu em caos em mar\u00e7o de 2013, ap\u00f3s um golpe militar. 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