{"id":32971,"date":"2017-07-13T09:35:50","date_gmt":"2017-07-13T12:35:50","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=32971"},"modified":"2017-07-17T10:31:32","modified_gmt":"2017-07-17T13:31:32","slug":"voce-tem-fome-de-que-de-tempo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/voce-tem-fome-de-que-de-tempo\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea tem fome de que? De tempo!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ana Lydia Sawaya \u00e9 professora titular de Fisiologia da UNIFESP &#8211; campus S\u00e3o Paulo e \u00e9 conselheira do N\u00facleo F\u00e9 e Cultura da PUC-SP.<\/p>\n<p>Outro dia na sa\u00edda de um evento deparei-me com tr\u00eas potinhos onde os participantes tinham que escolher um deles e depositar sementes de feij\u00e3o para responder \u00e0 frase colada ao vidro: voc\u00ea tem fome de que? Num dos potinhos estava escrito: de cozinhar (era um evento sobre nutri\u00e7\u00e3o), mas estava quase vazio (salvo alguns aficionados&#8230;). O que estava cheio at\u00e9 \u00e0 borda dizia: de tempo!<br \/>\nA grande fome de hoje \u00e9 a fome de tempo! Mas o tempo \u00e9 algo de que podemos dispor com a nossa liberdade. Est\u00e1 \u00e0 nossa m\u00e3o e ao nosso dispor. Santo Agostinho dizia que o tempo existe no esp\u00edrito do homem, \u00e9 uma extens\u00e3o do nosso esp\u00edrito. \u00c9 em nosso esp\u00edrito que reside a mem\u00f3ria do passado, a intui\u00e7\u00e3o do presente (o presente do presente) e a espera do futuro. Ent\u00e3o ele depende essencialmente da nossa liberdade!<br \/>\nMas quem roubou o nosso tempo? Por que ele escapou de nossas m\u00e3os?<br \/>\nUm escritor do leste europeu, V\u00e1clav Belohradsk, nos d\u00e1 uma pista. Ele diz: \u201cPoder\u00edamos sintetizar assim a ess\u00eancia daquilo que nos amea\u00e7a: os Estados programam seus cidad\u00e3os, as ind\u00fastrias, seus consumidores, as editoras, seus leitores etc. Toda a sociedade, aos poucos, torna-se algo que o Estado produz\u201d (L\u2019Altra Europa, 1986, apud L. Giussani O eu, o poder, as Obras, S\u00e3o Paulo: Cidade Nova, ,2001). Pod\u00edamos acrescentar: a televis\u00e3o, seus telespectadores, o Facebook ou Istragram, os seus visualizadores.<br \/>\nSomos cada vez mais de-finidos por um poder externo \u00e0 nossa vontade e que vem de fora. Que pretende determinar nossa fome e nossos desejos, oferecendo desejos que n\u00e3o s\u00e3o realmente satisfat\u00f3rios ou conforme \u00e0 medida do nosso cora\u00e7\u00e3o. Estamos sempre fora de n\u00f3s mesmos e assim perdemos o TEMPO que \u00e9 essencialmente nosso. Somos cada vez menos criativos e cada vez mais passivos, v\u00edtimas de um tempo que n\u00e3o foi determinado por n\u00f3s e, por isso, cada vez mais desnorteados e vazios. \u00c9 comum ouvir de quem trabalha com crian\u00e7as que sofrem com obesidade, frases do tipo: \u2018eu preciso sentir a boca cheia\u2019. Esses profissionais relatam que essa sensa\u00e7\u00e3o parece preencher o vazio, a tristeza, o t\u00e9dio e a car\u00eancia afetiva que as crian\u00e7as descrevem sentir.<br \/>\nA coisa mais importante a fazer \u00e9 entender o problema, a armadilha que a sociedade moderna e o poder nos fizeram entrar. E retomar o nosso TEMPO em nossas m\u00e3os.\u00a0 Escolher aquilo que preenche nossas almas e n\u00e3o nossas bocas ou nos iludem com sensa\u00e7\u00f5es prazerosas moment\u00e2neas, mas que incrementam o vazio logo que passam. E o que preenche nossas almas?<br \/>\nA tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, em particular dos monges, nos ensina muitas coisas a esse respeito. Em um livro, extremamente did\u00e1tico O C\u00e9u Come\u00e7a em Voc\u00ea (Petr\u00f3polis: Vozes, 1998) A. Grun explica que o primeiro passo \u00e9 reservar diariamente um tempo (meia hora, por exemplo) para ficar quieto, e aprender a permanecer em si mesmo. Assim quando a turbul\u00eancia interior que \u00e9 como uma \u00e1gua em grande movimento (lembra da correria e falta de tempo que agita tudo?) se aquietar, vou come\u00e7ar a enxergar, a entrar no \u00e2mago dos meus pensamentos e discerni-los (a agua sem movimento reflete meu verdadeiro rosto). E aos poucos aparecer\u00e1 quem sou eu, o que realmente desejo, o que me incomoda e o que devo fazer. Os pensamentos e sentimentos maus e os bons vir\u00e3o \u00e0 tona e poderei trata-los com a ora\u00e7\u00e3o e iniciar um processo de cura em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 paz que \u00e9 o que o nosso cora\u00e7\u00e3o mais anseia.<br \/>\nNessa nova condi\u00e7\u00e3o de vida descobriremos que o tempo se amplia, e aumenta de forma surpreendente; e que temos tempo de fazer tudo o que nos alegra e nos \u00e9 necess\u00e1rio. Veremos que quem fez o mundo o fez em ordem e n\u00e3o uma desordem. E descobriremos como ensina Santo Agostinho que o tempo, na verdade, \u00e9 uma dimens\u00e3o do nosso esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: N\u00facleo F\u00e9 e Cultura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Lydia Sawaya \u00e9 professora titular de Fisiologia da UNIFESP &#8211; campus S\u00e3o Paulo e \u00e9 conselheira do N\u00facleo F\u00e9 e Cultura da PUC-SP. 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