{"id":32827,"date":"2017-07-10T14:09:40","date_gmt":"2017-07-10T17:09:40","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=32827"},"modified":"2017-07-12T13:14:38","modified_gmt":"2017-07-12T16:14:38","slug":"seis-meses-de-uma-tensa-paz-em-alepo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/seis-meses-de-uma-tensa-paz-em-alepo\/","title":{"rendered":"Seis meses de uma tensa paz em Alepo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">As tropas aliadas do presidente Bashar Al Assad, finalmente, assumiram o controle da cidade de Alepo, no final de dezembro de 2016. Isso ocorreu apenas seis meses depois de ter cessado o bombardeio da grande cidade no norte da S\u00edria, a maior do pa\u00eds. Era um polo industrial que tinha mais de 2 milh\u00f5es de habitantes. &#8220;J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 bombas caindo e temos seguran\u00e7a nas ruas&#8221;, disse D. Antoine Audo, bispo cat\u00f3lico caldeu de Alepo e presidente da C\u00e1ritas S\u00edria para a delega\u00e7\u00e3o da ACN &#8211; Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre &#8211; que est\u00e1 visitando os projetos na cidade. &#8220;Mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai mudar muito, infelizmente. A guerra vai continuar, a S\u00edria parece estar dividida como aconteceu com o Iraque&#8221;.<\/p>\n<p>Chegando em Alepo, no sul da cidade, o panorama \u00e9 de destrui\u00e7\u00e3o total. Os bairros ao lado da \u00e1rea do Aeroporto Internacional e dos lados sul e leste est\u00e3o quase que completamente destru\u00eddos. N\u00e3o h\u00e1 quase nenhum edif\u00edcio que n\u00e3o tenha sido atingido por bombas, mostrando as cicatrizes de uma batalha que durou quase quatro anos e meio. Aqui o conflito come\u00e7ou mais tarde do que no restante do pa\u00eds, mas as consequ\u00eancias continuam ainda bem vis\u00edveis. A atmosfera de deserto s\u00f3 \u00e9 interrompida pelos soldados posicionados nos postos de controle do ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s todos queremos que a guerra termine. Mas quando e como \u00e9 o problema que ningu\u00e9m sabe como resolver\u201d nos afirmou o D. George Abou Khazen, vig\u00e1rio apost\u00f3lico latino da S\u00edria, pertencente \u00e0 Cust\u00f3dia franciscana da Terra Santa. Os franciscanos chegaram a Alepo em 1238 e desde ent\u00e3o nunca mais deixaram essa terra, tentando ajudar os mais necessitados, trabalhando na educa\u00e7\u00e3o e na promo\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo inter-religioso. D. Abou Khazen diz que as rela\u00e7\u00f5es entre os v\u00e1rios ritos crist\u00e3os e at\u00e9 mesmo com os mu\u00e7ulmanos sempre foram boas. &#8220;Os s\u00edrios s\u00e3o pessoas de mente aberta. O pa\u00eds \u00e9 composto por um amplo mosaico de 18 grupos \u00e9tnicos e religiosos diferentes que sempre viveram bem entre si&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nSem a Igreja seria imposs\u00edvel continuar<\/p>\n<p>Um dos principais problemas \u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica permanece estagnada. A desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda e a falta de trabalho faz com que as fam\u00edlias fiquem inteiramente dependentes da ajuda externa. &#8220;Se n\u00e3o fosse a Igreja, as ONGs e outras institui\u00e7\u00f5es de caridade, seria imposs\u00edvel viver aqui&#8221;, diz o padre Sami Halak, jesu\u00edta respons\u00e1vel pelo Servi\u00e7o Jesu\u00edta de Ajuda aos Refugiados em Alepo. Todos os dias, essa institui\u00e7\u00e3o distribui cerca de 9.000 refei\u00e7\u00f5es quentes e apoia v\u00e1rios programas para a forma\u00e7\u00e3o de jovens. Eles receberam o apoio de organiza\u00e7\u00f5es como a ACN.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas fam\u00edlias, com uma m\u00e9dia de 4 membros cada, precisam de 80.000 a 200.000 libras s\u00edrias por m\u00eas para viver modestamente. No entanto, atualmente o sal\u00e1rio m\u00e9dio mensal \u00e9 de 30.000 libras s\u00edrias. Isso para aqueles que conseguem ter um sal\u00e1rio, porque o desemprego \u00e9 muito elevado\u201d reconhece o padre Halak. O alto pre\u00e7o dos produtos b\u00e1sicos de primeira necessidade e dos alugu\u00e9is, juntamente com a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda torna a vida muito cara e complicada em Alepo. Se o d\u00f3lar antes da guerra era trocado por 50 libras s\u00edrias, agora um d\u00f3lar est\u00e1 cotado a 550 libras s\u00edrias.<\/p>\n<p>De acordo com D. Audo, &#8220;a assist\u00eancia oferecida pela Igreja Cat\u00f3lica est\u00e1 crescendo e agora com a libera\u00e7\u00e3o de Alepo temos um grande trabalho para fazer.&#8221; Esse trabalho est\u00e1 dando muitos frutos, pois em todas as par\u00f3quias est\u00e3o ocorrendo gradualmente casos de novas fam\u00edlias que voltaram para a cidade. No caso da comunidade cat\u00f3lica de rito latino, s\u00e3o 15 as fam\u00edlias que retornaram, uma da It\u00e1lia e uma mesmo da Alemanha. &#8220;N\u00f3s ainda n\u00e3o sabemos o n\u00famero exato de fam\u00edlias caldeias que voltaram. Eu tive contato com v\u00e1rias pessoas que voltaram de Tartus e Latakia. Mas assim como existem fam\u00edlias que retornam, h\u00e1 outras que v\u00e3o embora porque a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 inst\u00e1vel, n\u00e3o se sabe o que vai acontecer no futuro &#8220;, diz D. Audo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias2017\/ruinasalepo.jpg\" align=\"right\" border=\"0\" \/><br \/>\nRuinas de Alepo<br \/>\n\u201cNossa miss\u00e3o \u00e9 aqui\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p>A comunidade crist\u00e3 de Alepo foi uma das que mais sofreu com as consequ\u00eancias da guerra. Dos 150.000 crist\u00e3os que estavam na cidade em 2011, em meados de 2017 unicamente 35.000 permanecem. Mas nem todo mundo foi embora. Um exemplo \u00e9 o Dr. Nabil Antaki, gastroenterologista que permaneceu com a popula\u00e7\u00e3o ajudando os feridos de guerra e coordenando o projeto &#8220;Gota de Leite&#8221;, apoiado pela ACN, para fornecer leite para 3.000 crian\u00e7as a cada m\u00eas . Seu irm\u00e3o foi morto por rebeldes quando ele ia de Alepo para Homs em seu carro. O dr. Antaki tem cidadania canadense e seus filhos vivem nos Estados Unidos, &#8220;mas eu e minha esposa dissemos a eles que ir\u00edamos ficar aqui porque queremos ajudar aqueles que t\u00eam necessidade e nossa miss\u00e3o \u00e9 aqui.&#8221; Ele garante que a guerra vai acabar quando os pa\u00edses estrangeiros pararem de financiar os grupos armados: &#8220;N\u00e3o \u00e9 uma guerra pela democracia, parece uma guerra para destruir a S\u00edria.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\nAs jovens gera\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Outro grande problema \u00e9 a fuga das jovens gera\u00e7\u00f5es. Todos os homens com idades entre 18 e 42 s\u00e3o recrutados a for\u00e7a pelo ex\u00e9rcito do governo. H\u00e1 apenas duas exce\u00e7\u00f5es: sendo universit\u00e1rio, ou se for filho \u00fanico e do sexo masculino. \u00c9 dif\u00edcil ver homens jovens e de meia-idade nas ruas de Alepo. Abundam as mulheres com crian\u00e7as nos bra\u00e7os ou sozinhas, muitas s\u00e3o vi\u00favas, outras ficaram encarregadas de cuidar da fam\u00edlia, enquanto seus maridos est\u00e3o nas for\u00e7as armadas ou fugiram da pa\u00eds.<\/p>\n<p>Bahe Salibi (nome alterado) \u00e9 um estudante de medicina na Universidade de Alepo. Ele vem de Hasakah, no nordeste do pa\u00eds. Ele veio para c\u00e1 porque queria ser m\u00e9dico e ajudar os doentes e feridos. Sua fam\u00edlia inicialmente se op\u00f4s porque Alepo era longe e muito insegura. H\u00e1 um ano, ele deveria ter terminado os seus estudos, mas adiou sua gradua\u00e7\u00e3o para continuar a ter uma dispensa do ex\u00e9rcito. &#8220;Eu tenho medo porque este ano o documento que me isenta do servi\u00e7o militar n\u00e3o chegou at\u00e9 agora. Eu quase n\u00e3o saio na rua para que n\u00e3o pe\u00e7am para eu me identificar\u201d, ele explicou. Outros colegas est\u00e3o na mesma situa\u00e7\u00e3o e preferem n\u00e3o pensar sobre isso, pelo menos durante o per\u00edodo dos exames, que ocorrem agora. Eles precisam se concentrar nos estudos, s\u00f3 no pr\u00f3ximo m\u00eas ver\u00e3o o que fazer.<\/p>\n<p>A ACN aprovou mais de 500 projetos para a S\u00edria desde o in\u00edcio do conflito em 2011. Dom Abou Khazen sabe muito bem desse apoio aos crist\u00e3os e aos necessitados de Alepo: \u201cAgradecemos aos benfeitores da ACN porque eles nos d\u00e3o a oportunidade de ficar aqui. Voc\u00eas nos fazem sentir que n\u00e3o estamos sozinhos, que n\u00e3o somos uma minoria esquecida. N\u00f3s somos parte de uma grande fam\u00edlia que \u00e9 a Igreja&#8221;. O prelado p\u00f4de estar por tr\u00eas vezes com o Papa Francisco nos \u00faltimos anos. Sempre que nos encontramos, ele me disse: &#8216;Eu tenho a S\u00edria em meu cora\u00e7\u00e3o\u00b4. A ajuda de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es da Igreja e do Vaticano diretamente nos faz ter a certeza de que h\u00e1 esperan\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As tropas aliadas do presidente Bashar Al Assad, finalmente, assumiram o controle da cidade de Alepo, no final de dezembro de 2016. Isso ocorreu apenas seis meses depois de ter cessado o bombardeio da grande cidade no norte da S\u00edria, a maior do pa\u00eds. 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