{"id":32546,"date":"2017-07-04T13:10:27","date_gmt":"2017-07-04T16:10:27","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=32546"},"modified":"2017-07-05T10:56:23","modified_gmt":"2017-07-05T13:56:23","slug":"bispos-venezuelanos-detalham-a-crise-no-pais-ao-papa-francisco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/bispos-venezuelanos-detalham-a-crise-no-pais-ao-papa-francisco\/","title":{"rendered":"Bispos venezuelanos detalham a crise no pa\u00eds ao Papa Francisco"},"content":{"rendered":"<p>Dom Moronta na fronteira de sua diocese com a Col\u00f4mbia. Dom Moronta na fronteira de sua diocese com a Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Conversar pessoalmente com o Papa, olhando nos olhos do Santo Padre e detalhar como est\u00e1 sendo o dia a dia na Venezuela, esse foi o principal motivo da viagem dos representantes da Confer\u00eancia Episcopal da Venezuela \u00e0 Roma, no dia 8 de junho.<\/p>\n<p>\u201cFoi uma visita decidida com muito pouco tempo de anteced\u00eancia, visto o car\u00e1ter de urg\u00eancia envolvido\u201d, diz Dom Mario Moronta, bispo de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o e um dos representantes da confer\u00eancia episcopal venezuelana. \u201cAntes de comprar as passagens de avi\u00e3o para a It\u00e1lia, perguntamos se o Papa poderia nos receber. A audi\u00eancia teve de ser remarcada por ambas as partes, mesmo assim o Papa mostrou a todo momento disponibilidade e interesse\u201d, detalha o bispo em sua entrevista na sede internacional da ACN \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre, em K\u00f6nigstein na Alemanha. \u201cA princ\u00edpio a audi\u00eancia estava marcada para \u00e0s 10h30 da manh\u00e3, mas em seguida adiantaram esse hor\u00e1rio para que tiv\u00e9ssemos mais tempo e pud\u00e9ssemos falar com calma. Passamos 50 minutos com o Papa, enquanto que habitualmente uma audi\u00eancia dura em torno de 20 minutos. Sua Santidade queria nos escutar e que n\u00f3s o escut\u00e1ssemos\u201d.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, onde h\u00e1 poucos anos era um pa\u00eds dos sonhos, hoje se vive uma situa\u00e7\u00e3o de desespero, em que a fome, a corrup\u00e7\u00e3o, os saques, as pris\u00f5es e o vandalismo fazem da Venezuela uma verdadeira bomba-rel\u00f3gio. As in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es contra o regime de Nicol\u00e1s Maduro reivindicam o p\u00e3o de cada dia. De acordo com a organiza\u00e7\u00e3o de vigil\u00e2ncia social da Venezuela, o Observatorio Venezolano de Conflictividad Social (OVCS), de 1 de abril a 19 de junho de 2017 foram registradas 2.675 manifesta\u00e7\u00f5es, o que equivale a 33 manifesta\u00e7\u00f5es por dia. Dezenas de pessoas foram mortas durante os protestos, mas a censura e a falta de transpar\u00eancia faz com que n\u00e3o se tenha um n\u00famero de mortes confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>A voz de voc\u00eas \u00e9 a voz do Papa<br \/>\nPapa Francisco para os bispos da Venezuela<\/p>\n<p>Os bispos da Venezuela mostraram ao Papa as not\u00edcias sobre desnutri\u00e7\u00e3o infantil elaboradas pela C\u00e1ritas e um detalhado dossier sobre as violentas repress\u00f5es com fotos e com o nome de cada uma das v\u00edtimas. \u201cFrancisco leu tudo com aten\u00e7\u00e3o e se mostrou muito sensibilizado, muito tocado\u201d. Ele reiterou seu apoio aos bispos e lhes pediu que continuassem perto do povo, \u201cfiquem no meio deles, criem um di\u00e1logo transparente e construam pontes. Os bispos, por sua vez, asseguraram que a Igreja venezuelana e a maior parte da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds est\u00e3o \u201cem plena comunh\u00e3o com o Papa e seguem tudo o que ele diz\u201d. \u201cSua voz \u00e9 a nossa voz\u201d, disseram-lhe os bispos, de modo que o Pont\u00edfice respondeu: \u201cN\u00e3o, a voz de voc\u00eas \u00e9 a voz do Papa\u201d.<\/p>\n<p>Dom Moronta confirma que sentiu \u201clogo de in\u00edcio que o Papa acompanha de perto os acontecimentos na Venezuela e est\u00e1 bem informado sobre tudo, mas o pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o do Santo Padre, tamb\u00e9m o preocupam a S\u00edria, o Sud\u00e3o&#8230; e ele n\u00e3o pode se pronunciar sobre cada detalhe da nossa pol\u00edtica\u201d.<br \/>\nComo construir a paz?<\/p>\n<p>Dom Moronta pede que se evite o piedosismo que pode se converter em \u201cquietismo\u201d, um esperar de bra\u00e7os cruzados que as coisas se solucionem. \u201cN\u00e3o adianta rezar o ter\u00e7o e ao mesmo tempo se desentender com o vizinho por ser chavista ou da oposi\u00e7\u00e3o. Temos que ajudar a todos, nos encontrar e nos reconciliar, para que a paz comece de baixo para cima, porque ela nunca vir\u00e1 de onde est\u00e3o os pol\u00edticos para baixo\u201d. \u201cA reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 nossa tarefa; acompanhar, interpretar o que Deus pede\u201d.<\/p>\n<p>Focando no dia a dia da Venezuela, Dom Moronta fala sobre a iniciativa de v\u00e1rias pessoas na sua diocese para ajudar aos mais necessitados: um sacerdote fez uma horta para ensinar \u00e0 comunidade uma maneira de serem mais aut\u00f4nomos diante da car\u00eancia de alimentos; uma comunidade alugou um local para abrir um restaurante e, mesmo na crise, conseguem ganhar alguma coisa que destinam para dar de comer aos mais necessitados da regi\u00e3o. Ele conta tamb\u00e9m sobre como tem se vivido na diocese de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o que se encontra na fronteira com a Col\u00f4mbia. \u201cTodos os dias milhares de pessoas cruzam a fronteira para comprar alimentos e outras necessidades. Voltam cansados e famintos. A Igreja na Col\u00f4mbia tem ajudado muito, nesse sentido, dando a esses venezuelanos o que comer e beber\u201d. Os bispos de ambas as dioceses t\u00eam tido reuni\u00f5es frequentes para delinear o que precisa ser feito a respeito dos problemas mais graves, principalmente do atendimento m\u00e9dico. Dom Moronta transparece o quanto est\u00e1 agradecido ao falar da diocese irm\u00e3.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um lugar estrat\u00e9gico e problem\u00e1tico pois a fronteira esteve fechada em diferentes momentos desde agosto de 2015 e ainda hoje h\u00e1 muitas restri\u00e7\u00f5es. A ACN p\u00f4de ver de perto essa dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o quando esteve em visita no pa\u00eds em abril de 2016. Os sacerdotes venezuelanos que formavam a delega\u00e7\u00e3o que estivera com o Papa, tiveram que cruzar a fronteira a p\u00e9, porque estava fechada.<\/p>\n<p>Dom Moronta aproveitou sua viagem \u00e0 Roma para ir at\u00e9 a sede internacional da ACN \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre \u2013 e se reunir com o departamento de projetos para a Venezuela. Nessa reuni\u00e3o, ele detalhou as tantas necessidades da sua diocese e agradeceu o apoio j\u00e1 recebido para tantas outras iniciativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Moronta na fronteira de sua diocese com a Col\u00f4mbia. Dom Moronta na fronteira de sua diocese com a Col\u00f4mbia. 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