{"id":3231,"date":"2013-10-27T03:00:00","date_gmt":"2013-10-27T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/enfim-a-vida\/"},"modified":"2017-03-23T14:22:21","modified_gmt":"2017-03-23T17:22:21","slug":"enfim-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/enfim-a-vida\/","title":{"rendered":"Enfim, a Vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/wagnerpedro.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Em Assis chamava-se Ranchinho. Em Palmital, onde me criei, era seu Manequinho. No Rio, ficou famoso como Jaiminho. Tinham em comum n\u00e3o apenas o diminutivo, mas o h\u00e1bito de comparecerem e acompanharem a maioria dos f\u00e9retros em suas respectivas cidades. Sei que estes existem em toda e qualquer cidade. Pessoas geralmente simples e respeitosas, circunspectas em suas atitudes, aproximam-se das fam\u00edlias enlutadas e do pr\u00f3prio falecido como se cumprissem um santo dever de rever\u00eancia e solidariedade. E cumprem, de fato. Mas um dia ser\u00e3o eles os velados. Para Jaime Sabino, o Jaiminho, a semana foi curta. \u201cDesta vez, Sabino morreu. Nas anteriores, ele aparecia como \u201cfigurante\u201d de vel\u00f3rios e sepultamentos. Mesmo sem conhecer o falecido, caminhava at\u00e9 os familiares com ar consternado, manifestava seu pesar e permanecia postado pr\u00f3ximo ao morto\u201d, comentou um articulista da FSP. Funcion\u00e1rio p\u00fablico e aposentado, um enfarto o levou aos 87 anos.<br \/>Dessa ningu\u00e9m se livra. Mas o assunto, por mais l\u00f3gico e natural que seja, ter\u00e1 sempre a avers\u00e3o de muitos. Aqui, por exemplo, a grande maioria j\u00e1 abandonou ou vai abandonar esta leitura. Porque falar ou refletir sobre a morte nunca ser\u00e1 um assunto agrad\u00e1vel. Nem que esta aconte\u00e7a numa banheira de espuma, numa cama de motel, num campo de rosas ou no mais perfumado dos ambientes&#8230; Dona Morte nunca ser\u00e1 bem-vinda, nem que o agente funer\u00e1rio se chame Benvindo&#8230; (Perdoe-me, amigo Galhardo, n\u00e3o resisti). Mas, enfim, quer queira, quer n\u00e3o, um dia estaremos cara a cara com ela.<br \/>O dia da nossa morte, para quem cr\u00ea na eternidade, n\u00e3o \u00e9 um ponto de chegada, uma barreira intranspon\u00edvel, pois que esta inexiste no campo do esp\u00edrito. Uma palavra aqui se encaixa: transposi\u00e7\u00e3o. Deixamos uma realidade material para vislumbrar a morada definitiva. Neimar de Barros, escritor e mission\u00e1rio que j\u00e1 habita as searas celestes, escreveu Reta Final, um precioso livro de reflex\u00f5es sobre a morte. Assim o introduziu: \u201cUm instante vir\u00e1 em que voc\u00ea ter\u00e1 consci\u00eancia que algo estar\u00e1 a meio passo. Poder\u00e1 ser o fim de tudo ou o in\u00edcio de um amor pleno. Depender\u00e1 de voc\u00ea!&#8230; N\u00e3o depender\u00e1 de sua m\u00e3e, esposa ou m\u00e9dico. Esse instante, o homem materialista e c\u00e9tico o chama de Morte Final, enquanto que Deus o chama de Encontro\u201d. Essa \u00e9 a mais consoladora das certezas humanas: nossa morte \u00e9 o Encontro Definitivo com a Verdade divina!<br \/>N\u00e3o quero tristeza neste dia; nem o choro dos desvairados. Talvez uma l\u00e1grima de saudade, como tantas que j\u00e1 derramei. Por que n\u00e3o? Se merecer uma transposi\u00e7\u00e3o serena, com a certeza do dever cumprido, ser\u00e1 sim um momento de festa, de alegria. Quem sabe a lembran\u00e7a dos bons momentos, a marca da coer\u00eancia com a f\u00e9 que me foi dada, o zelo pelas riquezas do alto, a fidelidade conjugal e familiar, o trabalho sem explora\u00e7\u00e3o, sem gan\u00e2ncia, a simplicidade sem ostenta\u00e7\u00e3o&#8230; Isso tudo conte pontos para merecer a plenitude de uma consci\u00eancia tranquila, um esp\u00edrito que mere\u00e7a descansar realmente em paz! Dispenso \u201cfigurantes\u201d em meu vel\u00f3rio. Tamb\u00e9m as carpideiras que nada mais fazem que forjar l\u00e1grimas de desespero, nunca de felicidade. Quem vai ao encontro de Deus merece aplausos. Espero ser um desses.<br \/>Enquanto isso, nada mais justo que continuar buscando a santidade, voca\u00e7\u00e3o mais que natural na vida dos que acreditam. A vida dos santos nos oferece pistas. Santa Terezinha do Menino Jesus adorava refletir sobre a pr\u00f3pria morte. Diria at\u00e9 que ansiava por ela, tal sua abertura d\u2019alma. Sua palavra de vida era uma promessa divina: \u201cQuem cr\u00ea em mim, ainda que morra, viver\u00e1! E quem vive e cr\u00ea em mim jamais morrer\u00e1\u201d (Jo 11,25-26). Ancorada nessa certeza, no leito de morte escreveu um testamento que sintetizou a arraigada f\u00e9 que movia sua exist\u00eancia: \u201cGostaria de dizer-vos mil coisas que compreendo estando \u00e0 porta da eternidade, mas eu n\u00e3o morro, entro na vida\u201d&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em Assis chamava-se Ranchinho. Em Palmital, onde me criei, era seu Manequinho. No Rio, ficou famoso como Jaiminho. Tinham em comum n\u00e3o apenas o diminutivo, mas o h\u00e1bito de comparecerem e acompanharem a maioria dos f\u00e9retros em suas respectivas cidades. Sei que estes existem em toda e qualquer cidade. Pessoas geralmente simples e respeitosas, circunspectas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-3231","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3231"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7635,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3231\/revisions\/7635"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}