{"id":32049,"date":"2017-06-21T16:11:44","date_gmt":"2017-06-21T19:11:44","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=32049"},"modified":"2017-06-27T16:10:22","modified_gmt":"2017-06-27T19:10:22","slug":"como-entender-e-praticar-a-oracao-continua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/como-entender-e-praticar-a-oracao-continua\/","title":{"rendered":"Como entender e praticar a ora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua?"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Devemos nos esfor\u00e7ar para ter, em n\u00f3s, a alma da ora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o amor de Deus&#8221;<\/p>\n<p>Tr\u00eas passagens do Novo Testamento falam da chamada \u201cora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua\u201d ou sem interrup\u00e7\u00e3o, Lucas 18,1; 21,36 e 1 Tessalonicenses 5,17.<\/p>\n<p>Da\u00ed a quest\u00e3o: como entender e praticar a ora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, uma vez que todos temos atividades e descansos, incluindo, \u00e9 \u00f3bvio, o sono, a nos impedirem de rezar dia e noite sem cessar? \u2013 S\u00e3o quatro as respostas oferecidas, sendo a \u00faltima a mais pr\u00f3xima da realidade (cf. Dom Est\u00eav\u00e3o Bettencourt, OSB, no Curso de Espiritualidade. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2006, p. 81-86).<\/p>\n<p>A primeira afirma o que segue: \u201cToda alma em estado de gra\u00e7a tem, por consequ\u00eancia, em si, o dom da caridade e est\u00e1, portanto, em ora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua\u201d. Da\u00ed veio a ideia de que basta trabalhar pelo bem do pr\u00f3ximo, sem cometer imperfei\u00e7\u00f5es por vontade pr\u00f3pria, para estar unido a Deus em ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em resposta a esta coloca\u00e7\u00e3o, tem-se afirmado que ela cont\u00e9m uma lacuna, pois se podemos dizer \u2013 e podemos \u2013 que a f\u00e9 sem as obras \u00e9 morta (cf. Tg 2,18-20) e a caridade em tudo se faz importante (cf. 1Cor 13,1-13), n\u00e3o se pode abolir da vida crist\u00e3 a ora\u00e7\u00e3o propriamente dita, entendida como \u201celeva\u00e7\u00e3o da alma a Deus\u201d. O pr\u00f3prio Senhor Jesus d\u00e1 exemplo da import\u00e2ncia desse col\u00f3quio \u00edntimo com o Pai: cf. Mc 6,5-6; Lc 6,12; Mc 1,35-37 e Mt 6,6. Ningu\u00e9m est\u00e1, portanto, isento de rezar.<\/p>\n<p>A segunda ensina que o ser humano deve ter a aten\u00e7\u00e3o voltada para Deus em um estado cont\u00ednuo de contempla\u00e7\u00e3o a incluir o louvor, a adora\u00e7\u00e3o, a expia\u00e7\u00e3o e os muitos pedidos, seus e de outros.<\/p>\n<p>Para contradizer a essa tend\u00eancia, nota-se que tal estado de contempla\u00e7\u00e3o \u00e9 algo para poucos e vai muito al\u00e9m de algum m\u00e9todo (jaculat\u00f3rias multiplicadas, postura corporal, mente dirigida a determinada coisa etc.), pois requer uma gra\u00e7a divina especial. Afinal, nesta vida nenhuma uni\u00e3o com Deus \u00e9 permanente, mas, sim, transit\u00f3ria ou sujeita a falhas. N\u00e3o \u00e9, portanto, a via mais correta de ora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua.<\/p>\n<p>A terceira prop\u00f5e jaculat\u00f3rias multiplicadas, ou seja, repetir muitas vezes ora\u00e7\u00f5es curtas como \u201cSenhor, Filho de Davi, tem piedade de mim pecador\u201d, \u201cJesus, eu vos amo\u201d, \u201cJesus e Maria eu vos amo, salvai almas\u201d etc. Tal pr\u00e1tica era muito usual entre os antigos monges, mas tamb\u00e9m este modo de ora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua parece insuficiente aos te\u00f3logos, pois \u00e9 interrompido pelo sono e pelos demais afazeres di\u00e1rios.<\/p>\n<p>Dada a inefic\u00e1cia dos m\u00e9todos anteriores para estar continuamente em ora\u00e7\u00e3o, Santo Agostinho de Hipona (\u2020 430) e S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino (\u2020 1274), grandes te\u00f3logos e doutores da Igreja, propuseram a quarta formula\u00e7\u00e3o aceita e, por conseguinte, colocada em pr\u00e1tica. Consiste, em resumo, no seguinte: antes de toda ora\u00e7\u00e3o, existe o anseio de orar. Tal anseio \u00e9 motivado ou tem a sua causa no amor a Deus a Quem devemos desejar antes de tudo o mais.<\/p>\n<p>Portanto, como \u00e9 humanamente imposs\u00edvel manter, na mente e nos l\u00e1bios, alguma ora\u00e7\u00e3o, devemos nos esfor\u00e7ar para ter, em n\u00f3s, a alma da ora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o amor de Deus. De modo que \u201caquele que age sempre \u2013 no aqui e agora (inten\u00e7\u00e3o atual), em vista de (inten\u00e7\u00e3o virtual) e n\u00e3o apenas por h\u00e1bito de (inten\u00e7\u00e3o habitual) \u2013 com amor ao Senhor est\u00e1 em cont\u00ednua ora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Pergunta-se, por\u00e9m: que significa, na pr\u00e1tica, a defini\u00e7\u00e3o dada? \u2013 Significa que em todos os atos da vida tem de haver a inten\u00e7\u00e3o atual (a produ\u00e7\u00e3o de um ato de amor a Deus) ou virtual (fazer qualquer coisa l\u00edcita n\u00e3o por amor a essa coisa em si, mas a Deus), e n\u00e3o somente habitual (feito apenas por bom h\u00e1bito, sem influ\u00eancia nos atos concretos) para que a ora\u00e7\u00e3o seja cont\u00ednua.<\/p>\n<p>Importa, pois, que a cada hora do dia, ofere\u00e7amos, de modo consciente e com amor, todas as nossas atividades a Deus. Tal amor oferecido tornar\u00e1 o dia inteiro (preces vocais, trabalhos, recrea\u00e7\u00f5es, sono, refei\u00e7\u00f5es etc.) do fiel um ininterrupto ato de amor, portanto, uma cont\u00ednua ora\u00e7\u00e3o como recomendou o Senhor Jesus em Lc 18,1.<\/p>\n<p>Vanderlei de Lima \u00e9 eremita na Diocese de Amparo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Devemos nos esfor\u00e7ar para ter, em n\u00f3s, a alma da ora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o amor de Deus&#8221; Tr\u00eas passagens do Novo Testamento falam da chamada \u201cora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua\u201d ou sem interrup\u00e7\u00e3o, Lucas 18,1; 21,36 e 1 Tessalonicenses 5,17. 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