{"id":31908,"date":"2017-06-19T16:53:28","date_gmt":"2017-06-19T19:53:28","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=31908"},"modified":"2017-06-21T16:19:21","modified_gmt":"2017-06-21T19:19:21","slug":"o-protagonismo-da-pessoa-ensinamento-da-doutrina-social-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-protagonismo-da-pessoa-ensinamento-da-doutrina-social-da-igreja\/","title":{"rendered":"O protagonismo da pessoa: ensinamento da Doutrina Social da Igreja"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Ana Lydia Sawaya \u00e9 professora titular de Fisiologia da UNIFESP &#8211; campus S\u00e3o Paulo e \u00e9 conselheira do N\u00facleo F\u00e9 e Cultura da PUC-SP.<\/p>\n<p>H\u00e1 s\u00e9culos a filosofia pol\u00edtica estabeleceu uma confian\u00e7a maior no Estado do que na pessoa. Nas vertentes autorit\u00e1rias, isso justificou muitas das modernas ditaduras. Nas vertentes liberais, levou a uma confian\u00e7a desmedida nas leis, como se a letra escrita fosse suficiente para criar a justi\u00e7a na pr\u00e1tica. \u00c9 mais f\u00e1cil pensar no ser humano como mau, ego\u00edsta ou incapaz de bem; e acreditar que toda vez que ele tiver oportunidade desfrutar\u00e1, usurpar\u00e1 e tornar-se-\u00e1 lobo do seu irm\u00e3o. \u00c9 muito dif\u00edcil, hoje em dia, pensar que possa n\u00e3o ser assim. Essa vis\u00e3o negativa do ser humano est\u00e1 na origem da confian\u00e7a no Estado (por vezes, absoluta!) como \u00fanica garantia do bem e da justi\u00e7a.<br \/>\nMas esta n\u00e3o \u00e9 uma vis\u00e3o crist\u00e3. A Doutrina Social da Igreja parte de outra vis\u00e3o antropol\u00f3gica e n\u00e3o abandona a confian\u00e7a no ser humano como \u00fanica origem real de mudan\u00e7a. Os crist\u00e3os sabem que a solu\u00e7\u00e3o verdadeira para o bem comum \u00e9 a religiosidade autentica e o amor ao pr\u00f3ximo que brotam do cora\u00e7\u00e3o do ser humano e n\u00e3o, antes de tudo, do controle do Estado. \u00c9 verdade que o mal nasce no cora\u00e7\u00e3o do ser humano, mas o bem tamb\u00e9m nasce nesse mesmo cora\u00e7\u00e3o. Por isso, a Doutrina Social da Igreja tem como ponto de partida a centralidade, unidade e liberdade da pessoa. Diz que devemos partir da pessoa e de suas livres agrega\u00e7\u00f5es antes que do Estado. \u00c9 por isso que valoriza, antes de tudo, a fam\u00edlia e os corpos sociais intermedi\u00e1rios (as associa\u00e7\u00f5es civis).<br \/>\n\u00c9 absolutamente urgente e fundamental que n\u00f3s cat\u00f3licos conhe\u00e7amos e estudemos a Doutrina Social da Igreja. Esta \u00e9 a nossa melhor contribui\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds: que os cat\u00f3licos brasileiros ofere\u00e7am a todos a sabedoria de sua tradi\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o o fizermos, quem o far\u00e1? Os brasileiros podem estar assim fadados a conhecer (e acreditar) somente em outras vis\u00f5es antropol\u00f3gicas, t\u00e3o amplamente difundidas nas escolas brasileiras.<br \/>\nO Papa Francisco disse recentemente que o cat\u00f3lico precisa se envolver com pol\u00edtica e reafirmou que a pol\u00edtica \u00e9 a forma mais alta de caridade. O exerc\u00edcio da pol\u00edtica vivida de forma crist\u00e3 tem como a\u00e7\u00e3o o cuidar de todos e n\u00e3o s\u00f3 de si mesmo. Todos sabemos que nossos pol\u00edticos atuais est\u00e3o no espectro oposto ao que a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 entende como real a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Mas, e isso tamb\u00e9m \u00e9 o fundamento da f\u00e9 crist\u00e3, n\u00e3o podemos nem devemos nos resignar. N\u00e3o h\u00e1 nada mais distante de Cristo do que a posi\u00e7\u00e3o fatalista, negligente ou niilista.<br \/>\nPor fim, a Doutrina Social da Igreja diz que o caminho para o bem comum \u00e9 refor\u00e7ar a sociedade e n\u00e3o agigantar o Estado (como infelizmente ocorreu no Brasil).<br \/>\n\u201cA comunidade pol\u00edtica e a sociedade civil, embora reciprocamente coligadas e interdependentes, n\u00e3o s\u00e3o iguais na hierarquia dos fins. A comunidade pol\u00edtica est\u00e1 essencialmente a servi\u00e7o da sociedade civil e, em \u00faltima an\u00e1lise, das pessoas e dos grupos que a comp\u00f5em. Portanto, a sociedade civil n\u00e3o pode ser considerada um ap\u00eandice ou uma vari\u00e1vel da comunidade pol\u00edtica: pelo contr\u00e1rio, ela tem preemin\u00eancia\u201d ( Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja, CDSI\u00a0 418).<br \/>\nE ainda, \u201co Estado tem o dever de secundar a atividade das empresas, criando condi\u00e7\u00f5es que garantam ocasi\u00f5es de trabalho, estimulando-a onde for insuficiente e apoiando-a nos momentos de crise\u201d (CDSI 351). (&#8230;) \u201cuma interven\u00e7\u00e3o direta (do Estado) excessivamente a\u00e7ambarcadora acaba por desresponsabilizar os cidad\u00e3os e produz um crescimento excessivo de aparatos p\u00fablicos guiados mais por l\u00f3gicas burocr\u00e1ticas do que pela preocupa\u00e7\u00e3o de satisfazer as necessidades das pessoas\u201d (CDSI 354).<br \/>\nEst\u00e1 \u00e9 a mudan\u00e7a que o Brasil precisa urgentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: N\u00facleo F\u00e9 e Cultura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Lydia Sawaya \u00e9 professora titular de Fisiologia da UNIFESP &#8211; campus S\u00e3o Paulo e \u00e9 conselheira do N\u00facleo F\u00e9 e Cultura da PUC-SP. H\u00e1 s\u00e9culos a filosofia pol\u00edtica estabeleceu uma confian\u00e7a maior no Estado do que na pessoa. Nas vertentes autorit\u00e1rias, isso justificou muitas das modernas ditaduras. 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