{"id":3169,"date":"2013-10-18T03:00:00","date_gmt":"2013-10-18T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/rede-de-comunidades\/"},"modified":"2017-03-23T15:26:14","modified_gmt":"2017-03-23T18:26:14","slug":"rede-de-comunidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/rede-de-comunidades\/","title":{"rendered":"Rede de Comunidades"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/dom20orani.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Continuamos a refletir sobre o tema da Par\u00f3quia enquanto rede de comunidade ou comunidade de comunidades, assunto que tem sido aprofundado nesse ano na Igreja do Brasil, entre uma Assembleia e outra da CNBB e que, tendo um documento de estudos, se encaminha para que, atrav\u00e9s do aprofundamento cheguemos a um documento de nossa Confer\u00eancia Episcopal na pr\u00f3xima Assembleia Geral. O assunto est\u00e1 dentro de uma caminhada de Igreja e, ao mesmo tempo, dentro das preocupa\u00e7\u00f5es com a miss\u00e3o evangelizadora sempre propalada pelo Papa Francisco.<br \/>A forma de ser comunidade dentro da comunidade paroquial sempre foi o questionamento e as muitas vezes, muitos sendo pressionados para uma forma estereotipada como se fosse a \u00fanica e exclusiva. \u00c9 sempre importante recordar os la\u00e7os que devem unir esses grupos, comunidades ou c\u00edrculos b\u00edblicos dentro de uma Par\u00f3quia. A unidade da caminhada \u00e9 essencial. Essas comunidades n\u00e3o s\u00e3o um \u201cmovimento\u201d que se re\u00fane fora da par\u00f3quia ou da diocese para forma\u00e7\u00e3o ou partilha, pois ent\u00e3o n\u00e3o seria \u201crede de comunidades\u201d \u2013 elas s\u00e3o a Igreja local presente em todo o territ\u00f3rio, com seu plano de pastoral, suas necessidades e prioridades.<br \/>Creio que ao discutirmos este assunto em nossa Igreja do Brasil urge um passo muito importante com os olhos voltados para o futuro. Muitas vezes o saudosismo de antigas f\u00f3rmulas impede de sermos ainda mais evangelizadores, formando verdadeiras comunidades de f\u00e9. No documento de estudos n\u00ba 104 muitas reflex\u00f5es nos apontam para muitos passos a serem dados. Sem d\u00favida que s\u00e3o inspira\u00e7\u00f5es que depender\u00e3o bastante da realidade de cada situa\u00e7\u00e3o pastoral, geogr\u00e1fica, hist\u00f3rica, social, humana de cada regi\u00e3o. Cada Diocese ter\u00e1 seu caminho de unidade com toda a Igreja, mas um caminho que levar\u00e1 em considera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m suas necessidades e seus desafios.<br \/>Viver em comunidade \u00e9 da ess\u00eancia do Evangelho de Jesus. Nossa f\u00e9 deve ser sempre iluminada pelo exemplo das primeiras comunidades fundadas pelos ap\u00f3stolos, fundamentadas na comunh\u00e3o fraterna. &#8220;Jesus inicia seu minist\u00e9rio chamando os disc\u00edpulos para viverem com Ele (cf. Mc. 3,14). Todo o itiner\u00e1rio do disc\u00edpulo, desde o chamado, \u00e9 sempre vivido na comunh\u00e3o com o Mestre, que se desdobra na comunh\u00e3o com os outros. A dimens\u00e3o comunit\u00e1ria \u00e9 fundamental na Igreja, pois se inspira na pr\u00f3pria Sant\u00edssima Trindade, a perfeita comunidade de amor. Sem comunidade, n\u00e3o h\u00e1 como viver autenticamente a experi\u00eancia crist\u00e3&#8221; (cf. Estudos da CNBB -104, n. 42).<br \/>&#8220;Paulo ap\u00f3stolo funda, ent\u00e3o, comunidades nas cidades mais importantes do Imp\u00e9rio. Isso implica em entrar na nova organiza\u00e7\u00e3o social que emergia e, assim, modificava o estilo predominantemente rural de ser comunidade a partir da experi\u00eancia da Palestina. Dessa forma, cresce uma rede de comunidades crist\u00e3s urbanas&#8221; (cf. Estudos da CNBB &#8211; 104, n. 47). &#8220;A casa era a estrutura fundamental das igrejas por ele fundadas. A casa era a estrutura b\u00e1sica da sociedade e estava ligada \u00e0 totalidade da mesma. Trata-se de garantir comunidades onde se encontram rela\u00e7\u00f5es interpessoais, a comunh\u00e3o de f\u00e9 e a participa\u00e7\u00e3o de todos\u201d (cf. Estudos da CNBB &#8211; 104, n. 47).<br \/>\u00c9 interessante que o trabalho de Paulo \u00e0 \u00e9poca foi instalar comunidades nas grandes cidades \u2013 uma presen\u00e7a crist\u00e3 nas \u201cmetr\u00f3poles\u201d \u2013 sendo fermento no meio da massa. A vida crist\u00e3 tem muito a dizer para o mundo urbano atual. Eis o desafio destes tempos nos quais a maioria das pessoas migrou para a cidade.<br \/>No s\u00e9culo IV aparece a estrutura diocesana, com a expans\u00e3o das comunidades eclesiais urbanas. &#8220;As par\u00f3quias surgiram, portanto, da expans\u00e3o mission\u00e1ria da Igreja nos pequenos povoados que rodeavam as cidades. Eram originalmente par\u00f3quias rurais, que logo se estenderam pelas cidades devido ao crescimento populacional&#8221; (cf. Estudos da CNBB &#8211; 104, n. 51). &#8220;Nascem de uma preocupa\u00e7\u00e3o pastoral e mission\u00e1ria. A par\u00f3quia, com o tempo, passar\u00e1 a ser essencialmente a Igreja instalada na cidade&#8221; (cf. Estudos da CNBB &#8211; 104, n. 51). A estrutura paroquial permanece com o Conc\u00edlio de Trento, que insistiu que o p\u00e1roco deveria residir na Par\u00f3quia, bem como instituiu o crit\u00e9rio de territorialidade paroquial e os modelos de ere\u00e7\u00e3o de novas par\u00f3quias, para dar respostas ao crescimento populacional. Com o advento do C\u00f3digo Can\u00f4nico atual, a &#8220;par\u00f3quia \u00e9 uma comunidade de fi\u00e9is, constitu\u00edda de maneira est\u00e1vel e confiada aos cuidados pastorais do P\u00e1roco, como seu pastor pr\u00f3prio&#8221; (cf. C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico, c\u00e2n. 515).\u00a0 As Par\u00f3quias podem, ainda, serem pessoais, em raz\u00e3o de rito, l\u00edngua ou ambientes. <br \/>O Conc\u00edlio Vaticano II, do qual estamos celebrando o Jubileu de Ouro, que tantos benef\u00edcios trouxe para a vida da Igreja, acentuou a figura da Diocese como Igreja Particular. Por isso, a Par\u00f3quia, como c\u00e9lula da Diocese, \u00e9 onde todos os que nela participam fazem a experi\u00eancia de ser Igreja, com uma multiplicidade de dons, de carismas e de minist\u00e9rios. &#8220;O Conc\u00edlio reflete sobre a Igreja Particular partindo da Eucaristia e insiste no valor da Igreja reunida em assembleia eucar\u00edstica. Ela \u00e9 a fonte e cume de toda a vida crist\u00e3, onde se realiza a unidade de todo o Povo de Deus&#8221; (Cf. Estudos da CNBB 104 &#8211; n. 56). Para o Conc\u00edlio, a Par\u00f3quia s\u00f3 pode ser compreendida \u00e0 luz da Diocese, ou seja, ela \u00e9 uma &#8220;c\u00e9lula da Diocese&#8221;. A Par\u00f3quia \u00e9 uma comunidade de fi\u00e9is que, de alguma maneira, torna presente a Igreja num determinado lugar ou territ\u00f3rio, aonde se prolonga a miss\u00e3o de Jesus como comunh\u00e3o e quer que todos os homens e todas as mulheres participem de sua vida de infinita e eterna comunh\u00e3o, na liberdade e no amor, vivendo como filhos e filhas. Assim, par\u00f3quia \u00e9 comunh\u00e3o, primeiro com Deus, no encontro com o Senhor Uno e Trino. Por isso, desde o in\u00edcio, a experi\u00eancia de f\u00e9 \u00e9, essencialmente, um chamado \u00e0 comunh\u00e3o com a Trindade (Cf. GS, n. 24).<br \/>Comunh\u00e3o paroquial que se plenifica na celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa, &#8220;sinal de unidade e v\u00ednculo de amor&#8221; (cf. Agostinho In: Joann, tr. 26, c. 6. n. 14: PL 35, 1613). &#8220;Essa Igreja \u00e9 sacramento (mysterion), sinal e instrumento de comunh\u00e3o&#8221; (Cf. Estudos da CNBB 104 &#8211; n. 62). Assim, a comunidade deve ser prof\u00e9tica em um mundo individualista como o nosso. Par\u00f3quia como comunidade de comunidades recuperando as rela\u00e7\u00f5es interpessoais e de comunh\u00e3o como fundamento para a perten\u00e7a eclesial.<br \/>A Par\u00f3quia e suas capelas j\u00e1 s\u00e3o uma realidade em toda a nossa pastoral. Hoje est\u00e1 a urgir que al\u00e9m dessa organiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, \u00e0s vezes muito bem estruturada, necessitamos de uma presen\u00e7a maior em todo o territ\u00f3rio paroquial. \u00c9 quando surgem as redes de comunidades. Sabemos que, al\u00e9m da quest\u00e3o geogr\u00e1fica, temos tamb\u00e9m outros tipos de organiza\u00e7\u00e3o e de presen\u00e7a atrav\u00e9s do testemunho pessoal.<br \/>A V Confer\u00eancia Geral de Aparecida considera dois pontos fundamentais: primeiro a multiplica\u00e7\u00e3o das comunidades eclesiais menores, e segundo a nova Pastoral Urbana. Diz o documento de Aparecida que as par\u00f3quias &#8220;S\u00e3o c\u00e9lulas vivas da Igreja e o lugar privilegiado no qual a hist\u00f3ria dos fi\u00e9is tem uma experi\u00eancia concreta de Cristo e a comunh\u00e3o eclesial. S\u00e3o chamados a ser casa e escolas de comunh\u00e3o\u201d (cf. DAp, n. 170).\u00a0 Tudo isso passa por uma urgente renova\u00e7\u00e3o e reformula\u00e7\u00e3o das estruturas paroquiais para que sejam rede de comunidades e grupos capazes de propiciar aos seus membros uma real experi\u00eancia de comunh\u00e3o com Cristo.<br \/> A renova\u00e7\u00e3o paroquial passa por uma Par\u00f3quia que seja comunidade como centro da viv\u00eancia crist\u00e3. Devemos superar a superestrutura formal e irmos ao encontro dos fi\u00e9is. N\u00e3o podemos ficar aguardando mais. Com a Jornada Mundial da Juventude muitos batizados \u201csentiram seu cora\u00e7\u00e3o aquecer\u201d e come\u00e7aram o caminho de retorno \u00e0 casa. Foi uma resposta \u00e0 pergunta que o Papa Francisco fez aos bispos do Brasil em seu discurso no audit\u00f3rio do Edif\u00edcio Jo\u00e3o Paulo II: \u201cteria a nossa Igreja ainda a capacidade de aquecer os cora\u00e7\u00f5es?\u201d N\u00f3s constatamos, com a presen\u00e7a do Papa pelas ruas de nossa cidade, que isso ocorreu. E aconteceu tamb\u00e9m longe, atrav\u00e9s dos Meios de Comunica\u00e7\u00e3o! Cabe a n\u00f3s sabermos acolher. <br \/>\u00c9 hora de chamar os fi\u00e9is para o retorno para casa, para a Igreja e aqui entra a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3, e tamb\u00e9m indo ao encontro das pessoas e formando pequenas comunidades. &#8220;\u00c9 a Igreja que est\u00e1 onde as pessoas se encontram, independentemente dos v\u00ednculos do territ\u00f3rio, de moradia ou de perten\u00e7a geogr\u00e1fica. \u00c9 a casa-comunidade onde as pessoas se encontram. A Par\u00f3quia como referencial para o crist\u00e3o peregrino encontrar-se no lar. \u00c9 uma esta\u00e7\u00e3o, uma parada no caminho para a p\u00e1tria definitiva. A Par\u00f3quia deve ser a casa da Palavra, que atrai os fi\u00e9is pela voz do seu Senhor: a Igreja escuta, acolhe e vive a Palavra. A Par\u00f3quia deve ser a casa do P\u00e3o do corpo de Cristo, em que a Eucaristia \u00e9 o centro da nossa f\u00e9. A Par\u00f3quia deve ser a casa da caridade, aonde os fi\u00e9is ouviram o apelo de Jesus: \u201cJ\u00e1 n\u00e3o vos chamo servos\u201d&#8230; Eu vos chamo de \u201camigos\u201d (cf. Jo 15,15). Par\u00f3quia como casa de amor, de amizade, de caridade, de preocupar-se com o outro.<br \/>Por isso, vamos pensar na renova\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia como mist\u00e9rio da Igreja presente e operante nela. A Par\u00f3quia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a estrutura, o territ\u00f3rio, o edif\u00edcio, mas, sobretudo, a fam\u00edlia de Deus que deve ser fraterna, acolhedora, comunidade de fi\u00e9is pela presen\u00e7a de Cristo Palavra e Eucaristia, estabelecendo os v\u00ednculos de comunh\u00e3o entre todos e cada um para podermos, acima de tudo, como Cristo Redentor, testemunhar a Caridade na Verdade dos enunciados da f\u00e9 cat\u00f3lica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuamos a refletir sobre o tema da Par\u00f3quia enquanto rede de comunidade ou comunidade de comunidades, assunto que tem sido aprofundado nesse ano na Igreja do Brasil, entre uma Assembleia e outra da CNBB e que, tendo um documento de estudos, se encaminha para que, atrav\u00e9s do aprofundamento cheguemos a um documento de nossa Confer\u00eancia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-3169","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3169","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3169"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3169\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7710,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3169\/revisions\/7710"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3169"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3169"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3169"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}