{"id":3166,"date":"2013-10-20T04:00:00","date_gmt":"2013-10-20T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-caminho-para-a-distancia\/"},"modified":"2017-03-23T15:09:31","modified_gmt":"2017-03-23T18:09:31","slug":"o-caminho-para-a-distancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-caminho-para-a-distancia\/","title":{"rendered":"O Caminho para a Dist\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/wagnerpedro.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Nada mais oportuno que titular essa coluna com o nome do primeiro livro do poeta Vin\u00edcius de Moraes. Nascido h\u00e1 exatos cem anos (19 de outubro de l913) iniciou sua carreira liter\u00e1ria aos vinte, com a publica\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo acima. Mal sabia ele que assim se iniciava um caminho que levaria seu nome a uma dist\u00e2ncia al\u00e9m dos seus 66 anos de muita bo\u00eamia, saraus intermin\u00e1veis, brindes \u00e0 efemeridade das coisas belas (mulheres em especial) e recorde em suas uni\u00f5es conjugais, nove ao todo, das quais saia sempre com um sentimento de culpa imposto pela sua religiosidade e sensibilidade. Escritor, jornalista, compositor, dramaturgo e diplomata, foi, sobretudo, poeta. <br \/>H\u00e1 em suas poesias a m\u00edstica de uma alma eternamente apaixonada. N\u00e3o propriamente pela vida \u2013 que levava com ironia e desd\u00e9m, posto suas extravag\u00e2ncias e abusos com a bebida, o cigarro, a vida noturna. Escreveu, um dia: \u201cDe manh\u00e3 escure\u00e7o\/ de dia tardo\/ de tarde anoite\u00e7o\/ de noite ardo. A oeste a morte\/ contra quem vivo\/ Do sul cativo\/ o este \u00e9 meu norte\u201d. Versos simples, mas com a sinceridade de quem conhecia a fundo o fim nada promissor de um lirismo \u00e1vido e s\u00f4fregas paix\u00f5es. Sofria o mal dos poetas inveterados, a intensidade de uma vida que sua alma sempre sedenta n\u00e3o sabia mensurar e refrear\u2026 Por isso, h\u00e1 em seus poemas um qu\u00ea de tristeza aliada a paix\u00f5es mais que passageiras. Vejam \u201cGarota de Ipanema\u201d, uma nuvem que passou, uma pluma no ar, na areia&#8230; Ah, que coisa mais linda,exclamou.<br \/>Nada h\u00e1 de mais po\u00e9tico do que contemplar o belo. O poeta, ali\u00e1s, \u00e9 esse instrumento que aproxima o leitor de um mundo quase desconhecido para a grande maioria. \u201cQuem de dentro de si n\u00e3o sai, vai morrer sem amar algu\u00e9m\u201d, escreveu um dia. Amante inveterado, buscava a fidelidade apenas momentaneamente, j\u00e1 que n\u00e3o se prendia e nem compreendia um \u201cpara sempre\u201d conjugal. Externou essa dualidade em seu mais truncado e contradit\u00f3rio \u201cSoneto de Fidelidade\u201d. Percebam a contradi\u00e7\u00e3o: \u201cEu possa me dizer do amor (que tive)\/ Que n\u00e3o seja imortal, posto que \u00e9 chama\/ Mas que seja infinito enquanto dure\u201d. Nada de fidelidade, tudo de instabilidade! Quase um grito de socorro de algu\u00e9m perdido em um sentimentalismo sem \u00e2ncoras. <br \/>Mas, no aspecto da amizade, Vin\u00edcius brandiu sinceridade de alma. Escreveu os mais complexos textos e belos poemas sobre um tema que conhecia bem. \u201cEu poderia suportar, embora n\u00e3o sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos\u201d. Verdadeiramente, os amigos (de copo ou bo\u00eamia, n\u00e3o importa) eram seu esteio, seu amparo nos momentos de solid\u00e3o. Escreveu, ainda: \u201cMesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que n\u00e3o tenham nada em comum, somente compartilhem as mesmas recorda\u00e7\u00f5es&#8230;\u201d <br \/>O poeta mais popular do Brasil nunca teve medo da morte. S\u00f3 dos seus fantasmas, em especial a consci\u00eancia de seus abusos. Deixou-nos um testamento eivado de f\u00e9. Escreveu: \u201cSe eu morrer antes de voc\u00ea, fa\u00e7a-me um favor. Chore o quanto quiser, mas n\u00e3o brigue com Deus por Ele haver me levado&#8230; Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo \u00fatil a voc\u00ea, l\u00e1 onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: \u201cFoi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus\u201d! Ai ent\u00e3o derrame uma l\u00e1grima. Eu n\u00e3o estarei presente para enxug\u00e1-la, mas n\u00e3o faz mal. Outros amigos far\u00e3o isso no meu lugar. E, vendo-me bem substitu\u00eddo, irei cuidar de minha nova tarefa no c\u00e9u. Mas, de vez em quando, d\u00ea uma espiadinha na dire\u00e7\u00e3o de Deus. Voc\u00ea n\u00e3o me ver\u00e1, mas eu ficaria muito feliz vendo voc\u00ea olhar para Ele\u201d. Esse era Vin\u00edcius. O poeta que, mesmo limitado, ensinou-nos com sabedoria que o caminho para Deus passa pela dist\u00e2ncia que eliminamos dentre n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada mais oportuno que titular essa coluna com o nome do primeiro livro do poeta Vin\u00edcius de Moraes. Nascido h\u00e1 exatos cem anos (19 de outubro de l913) iniciou sua carreira liter\u00e1ria aos vinte, com a publica\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo acima. 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