{"id":31482,"date":"2017-06-12T08:59:59","date_gmt":"2017-06-12T11:59:59","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=31482"},"modified":"2017-06-29T15:04:25","modified_gmt":"2017-06-29T18:04:25","slug":"a-procissao-dos-famintos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-procissao-dos-famintos\/","title":{"rendered":"A prociss\u00e3o dos famintos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No \u00caxodo \u2013 caminhada do povo de Deus em busca da liberdade \u2013 o processo de liberta\u00e7\u00e3o foi uma longa jornada de purifica\u00e7\u00e3o. Durou quarenta anos. A travessia do deserto tornou-se assim uma prova dos nove para a f\u00e9 e a esperan\u00e7a daquele povo. Muitos sucumbiram nessa prova. Outros nasceram em plena caminhada. S\u00f3 os mais jovens e destemidos alcan\u00e7aram a meta final. A grande maioria n\u00e3o chegou ao destino, nem sequer contemplou a nova p\u00e1tria. Mois\u00e9s chegou perto e a viu do alto do monte onde foi sepultado. O sonho de liberdade foi conquista dos mais fortes. Mesmo assim, como sobreviveram a tantas intemp\u00e9ries para chegar aonde chegaram? Qual realmente foi a motiva\u00e7\u00e3o dessa longa jornada, dessa prociss\u00e3o t\u00e3o misteriosa e hist\u00f3rica?<br \/>\nDeus os alimentou. Tanto f\u00edsica quanto espiritualmente. Assim como sempre alimenta os sonhos e as esperan\u00e7as do seu povo. O estranho man\u00e1 \u2013 p\u00e3o misterioso que caia dos c\u00e9us durante a noite e alimentava o povo faminto \u2013 lhes deu as energias necess\u00e1rias para prosseguirem deserto adiante. Esse alimento, que nutria n\u00e3o s\u00f3 a debilidade f\u00edsica, possibilitou \u00e0quele povo a conquista de Cana\u00e3. Venceram o deserto de suas tribula\u00e7\u00f5es e ganharam a preciosa liberdade em terras onde \u201ccorria leite e mel\u201d. Esse man\u00e1 era a mais perfeita prefigura\u00e7\u00e3o do alimento eucar\u00edstico que hoje temos.<br \/>\nTamb\u00e9m atravessamos um deserto. Tamb\u00e9m caminhamos em busca da p\u00e1tria definitiva, a Jerusal\u00e9m dos c\u00e9us. \u00c9 essa a imagem po\u00e9tica, mas real, daquilo que Jesus nos deixou como o alimento da vida eterna, seu corpo e sangue. Quando buscamos na Eucaristia as for\u00e7as necess\u00e1rias para vencer os desafios da nossa caminhada terrena, fazemos uso dos nutrientes para perseverar diante dos desafios contr\u00e1rios \u00e0 nossa f\u00e9. \u201cEu garanto a voc\u00eas: se voc\u00eas n\u00e3o comem a carne do Filho do Homem e n\u00e3o bebem o seu sangue, n\u00e3o ter\u00e3o a vida em voc\u00eas. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna\u201d (Jo 6,53-54).<br \/>\nPara a linguagem estritamente materialista e at\u00e9 obscena daqueles que desconhecem esse mist\u00e9rio, tais palavras soam a uma aberra\u00e7\u00e3o, uma blasf\u00eamia que possui nuances de dem\u00eancia. Quem come carne humana pratica a antropofagia. Quem bebe sangue \u00e9 vampiro. Seriam os seguidores de Cristo uma tribo de selvagens sanguin\u00e1rios? Onde reside o bom senso dos que fazem dum ritual religioso um banquete t\u00e3o t\u00e9trico e desumano? Para o mundo sem uma imers\u00e3o nos mist\u00e9rios divinos, essa linguagem \u00e9 realmente impenetr\u00e1vel. Mas para seus seguidores, um verso adiante, o mist\u00e9rio se desfaz: \u201cQuem come a minha carne e bebe o meu sangue, vive em mim eu vivo nele\u201d. Unidade, imers\u00e3o, seriam as palavras mais adequadas. A eucaristia nos possibilita um renascer em Cristo, uma imers\u00e3o de corpo e alma nos mist\u00e9rios de sua vida, de seus ensinamentos. Uma reciprocidade de corpo e alma, capaz de somar nossa exist\u00eancia e unir nosso esp\u00edrito \u00e0 vida de Cristo, ainda vivo e atuante em nossa hist\u00f3ria. \u201cEsse modo de falar \u00e9 duro de mais. Quem pode continuar ouvindo isso\u201d (Jo 6, 60) \u2013 foi o coment\u00e1rio de seus ouvintes. Poderia ser o coment\u00e1rio de algum leitor, neste momento. Porque a vida eucar\u00edstica, mais que mist\u00e9rio, \u00e9 experi\u00eancia pessoal.<br \/>\nN\u00e3o arrisque coment\u00e1rios em mat\u00e9rias que desconhece. Antes, fa\u00e7a sua pr\u00f3pria experi\u00eancia. Pois o maior rem\u00e9dio para d\u00favidas e incertezas \u00e9 tentar solucion\u00e1-las, buscar respostas que nos aliviem destas. No caso, n\u00e3o entre na fila dos fam\u00e9licos \u2013 aqueles que morrem no deserto sem a vis\u00e3o do o\u00e1sis que s\u00f3 a f\u00e9 aponta. Nessa prociss\u00e3o de famintos est\u00e3o os desalentados, os desesperan\u00e7ados que n\u00e3o acreditam numa nova Terra de Promiss\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00caxodo \u2013 caminhada do povo de Deus em busca da liberdade \u2013 o processo de liberta\u00e7\u00e3o foi uma longa jornada de purifica\u00e7\u00e3o. Durou quarenta anos. A travessia do deserto tornou-se assim uma prova dos nove para a f\u00e9 e a esperan\u00e7a daquele povo. Muitos sucumbiram nessa prova. Outros nasceram em plena caminhada. S\u00f3 os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-31482","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31482","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31482"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31482\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31483,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31482\/revisions\/31483"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31482"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31482"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31482"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}