{"id":3097,"date":"2013-10-13T03:00:00","date_gmt":"2013-10-13T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-orcao-persistente\/"},"modified":"2017-03-22T16:56:26","modified_gmt":"2017-03-22T19:56:26","slug":"a-orcao-persistente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-orcao-persistente\/","title":{"rendered":"A Or\u00e7\u00e3o Persistente"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/convidigal3.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>S\u00e3o Lucas deixou claro o intento de Cristo ao narrar a par\u00e1bola do juiz in\u00edquo e a vi\u00fava impertinente, dizendo que isto foi para mostrar aos disc\u00edpulos \u201ca necessidade de rezar sempre e nunca desistir\u201d (Lc 18,1). O Mestre divino quis incitar a se entregar a uma ora\u00e7\u00e3o constante. Para isto cumpre fixar que o cora\u00e7\u00e3o da prece \u00e9 a f\u00e9. Quem ora deve estar consciente de que se pode tocar a miseric\u00f3rdia divina. O orante, imbu\u00eddo de uma f\u00e9 profunda, tem acesso ao lugar mais \u00edntimo do mist\u00e9rio de Deus que \u00e9 aquele de sua infinita bondade, pois est\u00e1 certo que o Senhor \u00e9 seu pastor e nada lhe falta (Sl 22,1). N\u00e3o \u00e9, por\u00e9m, t\u00e3o simples ter uma obstina\u00e7\u00e3o t\u00e3o firme como a que teve a vi\u00fava que pedia justi\u00e7a um juiz \u201cque n\u00e3o temia a Deus e n\u00e3o respeitava homem algum\u201d. No entanto, quem se dirige a Deus entra em contato com quem \u00e9 o oceano infinito de clem\u00eancia e retid\u00e3o. O que se esquece muitas vezes \u00e9 que a ora\u00e7\u00e3o se dirige a um Ser que \u00e9 pai e que acata a s\u00faplica de seu filho. A falta a confian\u00e7a de muitos crist\u00e3os prov\u00e9m do fato de que eles n\u00e3o se imergem no cora\u00e7\u00e3o deste Pai. Eis porque os grandes santos que foram not\u00e1veis orantes, mesmo os que n\u00e3o foram contemplativos, tinham certeza desta realidade sublime que \u00e9 poder atingir a complac\u00eancia de Deus. Ali\u00e1s, o salmista assim se expressa: \u201cO Senhor ouviu a minha voz suplicante, porque inclinou para mim o ouvido, nos dias em que o invocava\u201d (Sl 114). Jesus, em outra ocasi\u00e3o, recomendou: \u201cPedi e recebereis; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-\u00e1. Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate, a porta ser\u00e1 aberta&#8221; (Mt 7,7), De fato, \u00e9 necess\u00e1rio pedir sem esmorecer com uma prece fundamentada na f\u00e9 e na const\u00e2ncia. Quando Deus parece n\u00e3o escutar, \u00e9 que Ele quer provar o grau de confian\u00e7a que possui o suplicante.\u00a0 Seu sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 ent\u00e3o uma negativa, mas uma atitude pedag\u00f3gica para que haja insist\u00eancia no pedido e plena consci\u00eancia da real necessidade daquilo que se est\u00e1 suplicando. \u00c9 preciso saber sempre que o tempo de Deus n\u00e3o \u00e9 o tempo dos homens e Ele \u00e9 muito mais s\u00e1bio e o Senhor do cronos. S\u00e3o Pedro foi claro: \u201cN\u00e3o \u00e9 que o Senhor retarde em cumprir a sua promessa, como alguns julgam seja efeito de lentid\u00e3o, mas usa paci\u00eancia em aten\u00e7\u00e3o a v\u00f3s, pois n\u00e3o que quer alguns pere\u00e7am, mas que todos cheguem \u00e0 convers\u00e3o\u201d (2 Pd 38). Por mais que Deus possa parecer tardar n\u00e3o se deve vacilar um instante sequer na f\u00e9. Deus espera e o faz para o bem de quem O suplica. A f\u00e9 leva ent\u00e3o a ultrapassar as evid\u00eancias, \u201cela \u00e9 a garantia do que se espera, a prova do que n\u00e3o v\u00ea\u201d (Hb 11,1) e induz a n\u00e3o desistir nunca na obten\u00e7\u00e3o do que se almeja alcan\u00e7a da parte do Todo-Poderoso Senhor. Deste modo, o espa\u00e7o da f\u00e9, abre espa\u00e7os para a generosidade divina. Deus, realmente, nunca deixa de atender os que O procuram com um cora\u00e7\u00e3o simples e sincero. Assim, o verdadeiro fervor na ora\u00e7\u00e3o, como recomendou o pr\u00f3prio Cristo no Evangelho de hoje, consiste em perseverar na calma e na humildade, aguardando a resposta divina. Ent\u00e3o se compreender\u00e1 o que disse Santo Agostinho: \u201cA ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a fortaleza do homem e a fraqueza de Deus\u201d, porque Ele n\u00e3o deixa nunca sem retorno quem insistentemente O invoca. \u00c9 preciso, al\u00e9m disto, que o crist\u00e3o tenha da ora\u00e7\u00e3o um conceito amplo que passe al\u00e9m do simples pedido, para se entregar inteiramente a Deus sem reserva alguma. Para poder, contudo, viver em estado de ora\u00e7\u00e3o \u00e9 mister um cora\u00e7\u00e3o livre, afastado de todo e qualquer mal. N\u00e3o se trata apenas de colher as flores das gra\u00e7as imediatas, mas tamb\u00e9m de se tonificar para os grandes embates da vida. Com efeito, a prece leva a ter sede de Deus para fazer em tudo sua sant\u00edssima vontade. Ela torna o orante consciente de sua depend\u00eancia ontol\u00f3gica de seu Soberano Senhor, depend\u00eancia muito maior do que aquela da vi\u00fava diante do juiz in\u00edquo. Al\u00e9m disto, a prece perseverante leva o fiel a seu unir ainda mais ao doador de todas as gra\u00e7as. Pode ent\u00e3o repetir com Davi: \u201cAinda que andasse por tenebroso e fun\u00e9reo vale, n\u00e3o temerei mal algum, porque estais comigo\u201d (Sl 22, 4).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Lucas deixou claro o intento de Cristo ao narrar a par\u00e1bola do juiz in\u00edquo e a vi\u00fava impertinente, dizendo que isto foi para mostrar aos disc\u00edpulos \u201ca necessidade de rezar sempre e nunca desistir\u201d (Lc 18,1). O Mestre divino quis incitar a se entregar a uma ora\u00e7\u00e3o constante. 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