{"id":3058,"date":"2013-10-09T16:15:40","date_gmt":"2013-10-09T19:15:40","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-desigualdade-social\/"},"modified":"2017-03-22T14:14:42","modified_gmt":"2017-03-22T17:14:42","slug":"a-desigualdade-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-desigualdade-social\/","title":{"rendered":"A desigualdade Social"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/convidigal3.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>A par\u00e1bola do mau rico e do indigente L\u00e1zaro sempre impressionou pelas v\u00e1rias li\u00e7\u00f5es que encerra (Lc 16, 19-31). De plano traz \u00e0 baila uma realidade que atrav\u00e9s da hist\u00f3ria marca a sociedade, ou seja, a disparidade reinante por for\u00e7a da centraliza\u00e7\u00e3o da riqueza nas m\u00e3os de uns poucos, jazendo a maioria na pobreza. Cristo chama a aten\u00e7\u00e3o, sobretudo, para o efeito calamitoso dos bens mal empregados e isto vale e muito para os governantes. Um contraste chocante: um homem abastado envolto no luxo e um miser\u00e1vel a catar as migalhas da mesa do glut\u00e3o. Este \u00faltimo repleto de chagas, estas atraiam as aten\u00e7\u00f5es dos c\u00e3es, seus companheiros de infort\u00fanio.\u00a0 Sugestivo tamb\u00e9m o nome daquele mendigo, pois, L\u00e1zaro significa \u201caquele que Deus ajuda\u201d. Esta narrativa tem uma not\u00e1vel atualidade tamb\u00e9m neste in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. No entanto tal o preceito que se l\u00ea no livro do Deuteron\u00f4mio: \u201cAbrir\u00e1s a tua m\u00e3o ao teu irm\u00e3o, ao teu necessitado, ao teu indigente na tua terra\u201d (Dt 15,11). Esta determina\u00e7\u00e3o \u00e9 precedida com estas palavras do vers\u00edculo anterior: \u201cDeves dar-lhe absolutamente sem que o teu cora\u00e7\u00e3o se entriste\u00e7a, enquanto lhe d\u00e1s; pois por este motivo o Senhor, teu Deus, te aben\u00e7oar\u00e1 em toda tua obra e em toda tua empresa\u201d. Mais tarde os Profetas estigmatizariam os ambiciosos indiferentes \u00e0 mis\u00e9ria alheia. Cristo na referida par\u00e1bola foi contundente: o mau rico foi parar num castigo eterno e n\u00e3o teria a miseric\u00f3rdia que ele havia recusado a L\u00e1zaro nesta terra. Eis porque a Igreja em todos os tempos ostentou a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos mais necessitados e foi cunhada at\u00e9 a famosa senten\u00e7a: \u201cO sup\u00e9rfluo dos ricos pertence aos pobres\u201d, a qual o papa Pio XII deu \u00eanfase especial diante dos problemas em pleno s\u00e9culo XX. A verdade \u00e9 que cumpre ao Estado eminentemente crist\u00e3o, antes de tudo e sobretudo, garantir ao cidad\u00e3o o pleno desenvolvimento de sua personalidade e todos os meios necess\u00e1rios \u00e0 express\u00e3o de sua dignidade. O que ocorre, por\u00e9m, \u00e9 que os pobres se acham em situa\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria e opress\u00e3o submetidos \u00e0 explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos ricos e \u00e0 tirania estatal, esta sempre a servi\u00e7o da elite dominante. Os gastos astron\u00f4micos do pode p\u00fablico mostram que n\u00e3o h\u00e1 uma op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica clara por um desenvolvimento que favore\u00e7a a maioria do povo que anseia por melhoria de condi\u00e7\u00f5es de vida. O que j\u00e1 se gastou na constru\u00e7\u00e3o de est\u00e1dios de futebol para a Copa do Mundo, muitos dos quais ficar\u00e3o perenemente vazios, in\u00fateis, em contraste com as necessidades b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o, sobretudo no que tange \u00e0 instru\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, ao saneamento b\u00e1sico, mormente na periferia das cidades, clama aos c\u00e9us. Isso sem se falar no luxo com que os governantes envolvem suas viagens pelo mundo afora acompanhados por numerosa comitiva a gozar as maiores mordomias \u00e0 custa do povo, n\u00e3o obstante os bols\u00f5es de pobreza que imperam por toda parte. Entretanto, se o Estado n\u00e3o cumpre seu papel ou o faz de maneira deficiente, cada um dos disc\u00edpulos de Cristo deve agir em favor dos mais necessitados com esp\u00edrito fraterno. Esta conduta resulta da aplica\u00e7\u00e3o eficaz da lei do amor que ele inculcou de uma maneira t\u00e3o enf\u00e1tica. Na pr\u00e1tica a\u00ed est\u00e3o as associa\u00e7\u00f5es caritativas, felizmente t\u00e3o numerosas em todas as Par\u00f3quias. Os empregadores podem e devem pagar o sal\u00e1rio justo e nisto est\u00e1 uma verdadeira promo\u00e7\u00e3o humana em cada setor espec\u00edfico. Al\u00e9m disto, cada um pode com m\u00f3dicas contribui\u00e7\u00f5es, dentro de suas possibilidades\u00a0 ajudar, amparar as Entidades que favorecem os mais necessitados. Elas est\u00e3o sempre a clamar: \u201cAjude-nos a ajudar!\u201d Quem apreende e compreende, assimila e mentaliza o que o que Jesus quis ensinar na par\u00e1bola do mau rico e do pobre, n\u00e3o pode se omitir, mas \u00e9 levado a engajar-se na promo\u00e7\u00e3o dos indigentes de maneira atuante. Tudo isto traz um enorme merecimento para o c\u00e9u. Para se salvar \u00e9 preciso guardar uma f\u00e9 ativa, manifestada na caridade que \u00e9 a base da vida espiritual. Ela leva a ver a figura de Jesus na pessoa dos que passam por dificuldades de toda ordem. \u00c9 por a\u00ed que come\u00e7a uma corrente de solidariedade que pode diminuir o grande abismo que separa as na\u00e7\u00f5es e nelas as camadas sociais. N\u00e3o obstante as trag\u00e9dias deste mundo no qual impera a injusti\u00e7a e a gan\u00e2ncia, cumpre lutar para que haja um mundo muito melhor no qual reine de fato uma justa distribui\u00e7\u00e3o dos bens que a todos pertencem. Ent\u00e3o n\u00e3o haver\u00e1 mais L\u00e1zaros famintos, nem poderosos desalmados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>* Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Local: Mariana (MG)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A par\u00e1bola do mau rico e do indigente L\u00e1zaro sempre impressionou pelas v\u00e1rias li\u00e7\u00f5es que encerra (Lc 16, 19-31). De plano traz \u00e0 baila uma realidade que atrav\u00e9s da hist\u00f3ria marca a sociedade, ou seja, a disparidade reinante por for\u00e7a da centraliza\u00e7\u00e3o da riqueza nas m\u00e3os de uns poucos, jazendo a maioria na pobreza. 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