{"id":30459,"date":"2017-06-05T18:21:52","date_gmt":"2017-06-05T21:21:52","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/06\/05\/conviccoes-encontros-e-tortinhas-de-morango\/"},"modified":"2017-06-07T13:45:21","modified_gmt":"2017-06-07T16:45:21","slug":"conviccoes-encontros-e-tortinhas-de-morango","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/conviccoes-encontros-e-tortinhas-de-morango\/","title":{"rendered":"Convic\u00e7\u00f5es, encontros e tortinhas de morango"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias2017\/129 lustracao opiniao.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Dalton Luiz de Paula Ramos \u00e9 professor titular de Bio\u00e9tica da Faculdade de Odontologia da USP. <\/p>\n<p>Uma das minhas paix\u00f5es \u00e9 saborear a tortinha de morango de certa doceira da cidade. Meus alunos sabem dessa paix\u00e3o porque em minhas aulas, onde trato de grandes temas \u00e9ticos, nunca deixo de proclamar minhas convic\u00e7\u00f5es pessoais; as gastron\u00f4micas, mas, tamb\u00e9m, as religiosas. Muitas vezes sou questionado sobre essas tomadas de posi\u00e7\u00f5es em sala de aula, se eu n\u00e3o deveria ser \u201cimparcial\u201d. A\u00ed, contra argumentando, relembro da tal tortinha de morango porque \u00e9 algo que encontrei na vida e, tendo-a experimentado e provado seu sabor, n\u00e3o posso deixar de anunciar a todos os meus amigos o acontecimento de ter conhecido esse doce.<br \/> E quanto maior a amizade \u2013 portanto, quanto mais eu gosto da pessoa e estou interessado em seu bem \u2013 tanto mais me sinto propelido a lhe anunciar a exist\u00eancia dessa tortinha maravilhosa: &#8220;Voc\u00ea tem que ir l\u00e1 experimentar! &#8220;&#8230;&#8221;\u00c9 muito bom!\u201c&#8230; N\u00e3o \u00e9 assim que a gente faz frente ao amigo querido?<br \/>Mas pode ser que ele, mesmo desejoso, tenha um impedimento. Se for financeiro, eu pago&#8230; Se for, por exemplo, porque \u00e9 diab\u00e9tico e n\u00e3o pode comer doce, vou lamentar e sofrer por e com ele. Mas se ele rejeitar a minha proposta sem sequer manifestar a curiosidade de experimentar, ficarei muito triste e preocupado querendo saber o que acontece com esse amigo.<br \/>Entre os que provam a tortinha, alguns gostam e com estes terei algo mais em comum para compartilhar. Mas pode ser que alguns provem e n\u00e3o gostem da tortinha ou mesmo digam &#8220;existe algo melhor&#8221;, como aconteceu com uma aluna que, quando eu falava dessa hist\u00f3ria, disse: &#8220;O senhor fala bem dessa tortinha porque n\u00e3o provou o doce de ma\u00e7\u00e3&#8221;. Fiquei provocado, isto \u00e9 \u201cpr\u00f3 + vocado\u201d, instigado a reverificar minha voca\u00e7\u00e3o, e fui provar o tal doce. Bonzinho&#8230; mas continuo preferindo a tortinha de morango. Esta diverg\u00eancia n\u00e3o \u00e9 ruim. Agora, com essa aluna posso manter um delicioso di\u00e1logo sobre doces. Oxal\u00e1 este debate nos ajude a amadurecer as nossas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es ou descobrirmos juntos algo ainda melhor! Agindo assim compartilhamos o que se chama de &#8220;\u00edmpeto de felicidade&#8221; que corresponde a uma das exig\u00eancias fundamentais do cora\u00e7\u00e3o humano. <br \/>Compartilho essa experi\u00eancia para mostrar como vivo as minhas convic\u00e7\u00f5es religiosas, tamb\u00e9m quando trato da \u00c9tica e da Bio\u00e9tica. Sem isso, seria como um professor de gastronomia que, falando sobre doces e salgados, n\u00e3o contasse suas prefer\u00eancias. Seria trair os amigos, priv\u00e1-los do melhor.<br \/>Nada mais significativo na minha vida do que o encontro com Cristo que se apresenta como o ponto de refer\u00eancia para tudo, que me provoca a retomar a cada novo dia o que significa para minha vida o Seu Nascimento, Vida, Morte e Ressurrei\u00e7\u00e3o. Claro que esse An\u00fancio, o compartilhar desse \u201cconhecimento\u201d, deve respeitar minhas responsabilidades frente \u00e0 necess\u00e1ria objetividade do meu trabalho, que \u00e9 ensinar o conte\u00fado pr\u00f3prio da disciplina, e respeitar a pessoa do outro, aluno ou amigo, o que implica em n\u00e3o lhe impor goela abaixo, contra a sua vontade, mesmo uma por\u00e7\u00e3ozinha da \u201ctortinha de morango\u201d; isso seria &#8220;proselitismo\u201d do tipo fundamentalista. Mas, ao mesmo tempo em que n\u00e3o posso impor, sou impelido a comunicar \u00e0queles que o Senhor me confiou o significado para minha vida de um Acontecimento, uma evid\u00eancia fundamental. <br \/>Quanto mais gosto de uma pessoa e reconhe\u00e7o seu valor e sua dignidade, isto \u00e9, reconhe\u00e7o que \u00e9 filho ou filha de Deus e que sua dignidade independe das escolhas que faz \u2013certas ou erradas \u2013 mais desejo comunicar aquilo que de melhor encontrei. Se n\u00e3o \u00e9 assim \u00e9 como aceitar que um irm\u00e3o se contente com a &#8220;tortinha de morango&#8221; mequetrefe vendida num lugar qualquer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Nucleo F\u00e9 e Cultura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dalton Luiz de Paula Ramos \u00e9 professor titular de Bio\u00e9tica da Faculdade de Odontologia da USP. Uma das minhas paix\u00f5es \u00e9 saborear a tortinha de morango de certa doceira da cidade. 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