{"id":3036,"date":"2013-10-08T13:55:27","date_gmt":"2013-10-08T16:55:27","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/quem-te-ocupa-mais\/"},"modified":"2017-03-22T14:36:41","modified_gmt":"2017-03-22T17:36:41","slug":"quem-te-ocupa-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/quem-te-ocupa-mais\/","title":{"rendered":"Quem te ocupa mais?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/santissimo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Deus, portanto, nada exige de n\u00f3s que n\u00e3o seja razo\u00e1vel, quando a Seu respeito e a respeito do pr\u00f3ximo quer que nos portemos como nada sendo, nada tendo, nada pretendendo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando nos falam de renunciarmos a n\u00f3s mesmos, de aniquilar-nos; quando nos dizem ser esse o fundo da moral crist\u00e3, consistir nisso a adora\u00e7\u00e3o em esp\u00edrito e verdade, tal palavra nos parece dura e at\u00e9 injusta: n\u00e3o queremos ouvi-la e repelimos quem no-lo prega da parte de Deus. Conven\u00e7amo-nos, uma vez por todas, de que esse preceito nada de injusto encerra e na pr\u00e1tica \u00e9 mais suave do que pensamos. Em seguida, humilhemo-nos se nos faltar coragem para p\u00f4-lo em pr\u00e1tica e, ao inv\u00e9s de conden\u00e1-lo condenemos a n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Que nos pede o Senhor, ordenando que nos aniquilemos? Pede fazermos justi\u00e7a a n\u00f3s mesmos, colocarmo-nos em nosso lugar e reconhecermo-nos tais quais somos. Quando mesmo tiv\u00e9ssemos nascido e vivido sempre na inoc\u00eancia, quando jamais houv\u00e9ssemos perdido a gra\u00e7a original, outra coisa n\u00e3o ser\u00edamos, por n\u00f3s mesmos, sen\u00e3o nada; n\u00e3o poder\u00edamos consider-nos de outro modo sem nos desconhecermos e injustos ser\u00edamos pretendendo que diversamente Deus ou os homens nos tratassem. Que se pode dever ao que nada \u00e9? Que pode exigir o que nada \u00e9? Se a sua pr\u00f3pria exist\u00eancia \u00e9 uma gra\u00e7a, tamb\u00e9m e com raz\u00e3o maior \u00e9 tudo quanto tem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">H\u00e1, portanto, injusti\u00e7a formal da nossa parte em recusarmos ser tratados e tratar-nos a n\u00f3s mesmos como verdadeiros nadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz-se nada custar e ser justa essa confiss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a Deus; mas que assim n\u00e3o \u00e9 a respeito dos homens, porquanto estes, nada sendo, como n\u00f3s, n\u00e3o t\u00eam t\u00edtulo algum para obrigar-nos a tal confiss\u00e3o e \u00e0s suas consequ\u00eancias. A confiss\u00e3o nada custa em rela\u00e7\u00e3o a Deus, se nos limitamos a faz\u00ea-la de boca; por\u00e9m, quando faz-se mister procedermos de acordo com ela, deixarmos que Ele se arrogue e exer\u00e7a sobre n\u00f3s todos os direitos que Lhe pertencem, consentirmos em que disponha ao Seu talante de nosso cora\u00e7\u00e3o, de todo o nosso cora\u00e7\u00e3o, de todo o nosso ser, custa-nos infinitamente e com grande dificuldade n\u00e3o chamamos ser injusti\u00e7a. Ele, todavia, poupa a nossa fraqueza, n\u00e3o usa dos Seus direitos com todo o rigor, jamais nos exp\u00f5e a certas provas aniquiladoras, sem ter obtido o nosso consentimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Quanto aos homens, concordo n\u00e3o terem por si mesmos dom\u00ednio algum sobre n\u00f3s e que injusto \u00e9 da sua parte qualquer desprezo, humilha\u00e7\u00e3o ou ultraje. Mas nem por isso temos direito de nos queixarmos dessa injusti\u00e7a, porque no fundo n\u00e3o \u00e9 injusti\u00e7a a n\u00f3s, que nada somos, a quem nada \u00e9 devido, mas para com Deus, cujo mandamento violam desprezando-nos, humilhando-nos, ultrajando-nos. \u00a0\u00c9, pois, o Senhor quem deve ressentir-Se da inj\u00faria que Lhe fazem maltratando-nos e n\u00e3o n\u00f3s, que em tudo quanto nos acontece n\u00e3o devemos ser sens\u00edveis sen\u00e3o \u00e0 inj\u00faria feita a Deus. Meu pr\u00f3ximo despreza-me; n\u00e3o tem raz\u00e3o, porque n\u00e3o \u00e9 mais do que eu e Deus lho pro\u00edbe. Mas n\u00e3o ter\u00e1 ele raz\u00e3o porque eu sou verdadeiramente digno de estima, porque em mim nada h\u00e1 merecedor de desprezo? N\u00e3o, porque se ele arrebata meus bens, mancha a minha reputa\u00e7\u00e3o, atenta contra a minha vida, \u00e9 certamente culpado e muito culpado para com Deus; mas ser\u00e1 tamb\u00e9m para comigo? Estarei autorizado a querer-lhe mal, a vingar-me?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">N\u00e3o: porque tudo quanto possuo, tudo quanto sou, n\u00e3o pertence propriamente a mim; que s\u00f3 tenho de meu o nada e a quem nada se pode tirar. Se assim encar\u00e1ssemos, sempre do lado de Deus e jamais do nosso, tudo que nos acontece, n\u00e3o ser\u00edamos t\u00e3o melindrosos, t\u00e3o sens\u00edveis, t\u00e3o sujeitos a nos queixarmos e irritarmos. Toda a desordem vem sempre de supormos que somos alguma coisa, de nos arrogarmos direitos que nos falecem, de em tudo come\u00e7armos sempre por nos considerarmos diretamente e n\u00e3o prestarmos aten\u00e7\u00e3o aos direitos e aos interesses de Deus, os \u00fanicos lesados no que nos concerne.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confesso que isso \u00e9 de pr\u00e1tica muito dif\u00edcil e para consegui-lo faz-se mister renunciarmos, absoluta e completamente, a n\u00f3s mesmos. Mas, em suma, \u00e9 justo e a raz\u00e3o coisa alguma pode opor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Deus, portanto, nada exige de n\u00f3s que n\u00e3o seja razo\u00e1vel, quando a Seu respeito e a respeito do pr\u00f3ximo quer que nos portemos como nada sendo, nada tendo, nada pretendendo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Isto como j\u00e1 se disse, seria justo, quando mesmo tiv\u00e9ssemos conservado a nossa primeira inoc\u00eancia. Mas, se nascemos culpados, se estamos inteiramente cobertos de pecados pessoais, se contra\u00edmos infinitas d\u00edvidas para com a justi\u00e7a divina, se merecemos n\u00e3o sei quantas vezes a condena\u00e7\u00e3o eterna, n\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s castigo demasiado brando s\u00f3 sermos tratados como nadas? \u00a0E n\u00e3o deve o pecador colocar-se infinitamente abaixo do que nada \u00e9? Se qual for a prova\u00e7\u00e3o imposta a ele por Deus, sejam quais forem os maus tratos suportados do pr\u00f3ximo, ter\u00e1 direito de se queixar? Poder\u00e1 acusar de rigor excessivo a Deus ou de injusti\u00e7a os homens? N\u00e3o deve, antes, considerar-se muito feliz em resgatar, com alguma pena temporal, tormentos eternos? Se a religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma ilus\u00e3o, se \u00e9 verdade o que a f\u00e9 nos ensina acerca do pecado e dos supl\u00edcios que lhe est\u00e3o reservados, como pode entrar no esp\u00edrito de um pecador &#8211; a quem Deus se disp\u00f5e a perdoar &#8211; que n\u00e3o merece tudo quanto se possa suportar de males neste mundo, embora dure sua vida milh\u00f5es de s\u00e9culos? Sim, \u00e9 injusti\u00e7a soberana, \u00e9 monstruosa ingratid\u00e3o de quem ofendeu a Deus (e quem de n\u00f3s n\u00e3o O ofendeu?) n\u00e3o aceitar de boamente, em reconhecimento, por amor, por dedica\u00e7\u00e3o aos interesses de Deus, tudo quanto de sofrimentos, se essas humilha\u00e7\u00f5es aprouver \u00e0 divina bondade enviar-lhe. E que ser\u00e1 se tais sofrimentos, se essas humilha\u00e7\u00f5es passageiras s\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 a compensa\u00e7\u00e3o do inferno, mas o pre\u00e7o de uma felicidade eterna, o pre\u00e7o da posse eterna de Deus; se no c\u00e9u seremos glorificados na propor\u00e7\u00e3o do nosso aniquilamento aqui na terra? Teremos ainda horror a nos aniquilarmos? \u00a0Pensaremos que \u00e9 nos fazer mal, quando, por sermos pecadores e para emergirmos do nada, exige-se a ren\u00fancia completa do nosso eu, com a promessa de uma recompensa que sempre durar\u00e1?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Acrescento que semelhante forma de aniquilamento, contra a qual a natureza tanto se insurge e clama, ao inv\u00e9s de t\u00e3o penosa como imaginamos, \u00e9 at\u00e9 suave, porque antes de tudo Jesus Cristo a declarou tal:Tomai sobre v\u00f3s o meu jugo, disse Ele; \u00e9 doce e leve. Por mais pesado que seja esse jugo, Deus o suaviza para os que o tomam de boa vontade e consentem em carreg\u00e1-lo por Seu amor. O amor n\u00e3o nos impede de sofrer, mas faz como que amemos o sofrimento e torna-o prefer\u00edvel e a todos os prazeres.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">A recompensa presente do aniquilamento \u00e9 a paz do cora\u00e7\u00e3o, a calma das paix\u00f5es, a cessa\u00e7\u00e3o de todas as agita\u00e7\u00f5es do esp\u00edrito, das murmura\u00e7\u00f5es, das revoltas interiores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Vejamos, em pormenores, a prova disto. Qual \u00e9 o maior mal do sofrimento? N\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria dor, \u00e9 a revolta, a subleva\u00e7\u00e3o interior que a acompanha. A alma aniquilada sofreria todos os males imagin\u00e1veis sem perder o repouso conexo ao seu estado: \u00e9 fato de experi\u00eancia. Custa-nos conseguir o nosso aniquilamento, temos que fazer grandes esfor\u00e7os sobre n\u00f3s mesmos: mas tamb\u00e9m gozamos da paz na propor\u00e7\u00e3o das vit\u00f3rias alcan\u00e7adas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">O h\u00e1bito de renunciarmos a n\u00f3s mesmos, de n\u00e3o atendermos ao nosso eu, torna-se cada dia mais f\u00e1cil; admiramo-nos de que n\u00e3o nos fa\u00e7a mais sofrer, no fim de certo tempo, aquilo que nos parecia intoler\u00e1vel, assustava a imagina\u00e7\u00e3o, sublevava as paix\u00f5es e punha a natureza em estado violento.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Nos desprezos, nas cal\u00fanias, humilha\u00e7\u00f5es, o que no-las torna t\u00e3o duras de suportar \u00e9 o nosso orgulho; \u00e9 o nosso desejo de ser estimados, considerados, tratados com certas aten\u00e7\u00f5es; \u00e9 o pavor que temos das zombarias e do desprezo do pr\u00f3ximo. Eis o que nos agita e enche de indigna\u00e7\u00e3o, o que nos torna a vida amarga e insuport\u00e1vel. \u00a0Trabalhemos com afinco para aniquilar-nos; n\u00e3o demos alimento nenhum ao orgulho, deixemos ca\u00edrem todos os artif\u00edcios de estima e amor pr\u00f3prio, aceitemos interiormente as pequenas mortifica\u00e7\u00f5es que se apresentarem.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.3em;\">Pouco a pouco chegaremos a n\u00e3o mais nos inquietarmos com o que se pensa e diz de n\u00f3s, nem com o modo pelo qual nos tratam. Um morto nada sente; para ele n\u00e3o h\u00e1 honra nem reputa\u00e7\u00e3o; os louvores e as inj\u00farias lhe s\u00e3o indiferentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte:\u00a0<span style=\"line-height: 1.3em;\">Aleteia\/Bruno<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Deus, portanto, nada exige de n\u00f3s que n\u00e3o seja razo\u00e1vel, quando a Seu respeito e a respeito do pr\u00f3ximo quer que nos portemos como nada sendo, nada tendo, nada pretendendo Quando nos falam de renunciarmos a n\u00f3s mesmos, de aniquilar-nos; quando nos dizem ser esse o fundo da moral crist\u00e3, consistir nisso a adora\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3036","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3036"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3036\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7327,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3036\/revisions\/7327"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}