{"id":29830,"date":"2017-05-09T13:03:09","date_gmt":"2017-05-09T16:03:09","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/05\/09\/cimi-revela-que-numero-de-indios-agredidos-em-viana-ma-e-maior-que-o-divulgado\/"},"modified":"2017-06-08T14:19:35","modified_gmt":"2017-06-08T17:19:35","slug":"cimi-revela-que-numero-de-indios-agredidos-em-viana-ma-e-maior-que-o-divulgado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cimi-revela-que-numero-de-indios-agredidos-em-viana-ma-e-maior-que-o-divulgado\/","title":{"rendered":"Cimi revela que n\u00famero de \u00edndios agredidos em Viana (MA) \u00e9 maior que o divulgado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias2017\/cimi-1-1200x762_c.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Apura\u00e7\u00e3o realizada durante esta semana revelou que o n\u00famero de feridos entre o povo Gamela, atacado no \u00faltimo dia 30 em uma \u00e1rea retomada no Povoado das Ba\u00edas, munic\u00edpio de Viana (MA), \u00e9 ainda maior: 17 Gamela sofreram algum tipo de ferimento \u2013 entre estes ind\u00edgenas, duas crian\u00e7as e um pr\u00e9-adolescente. Somados aos cinco baleados, chega a 22. O dado anterior a esta verifica\u00e7\u00e3o dava conta de 13, sem os cinco Gamela feridos a tiros \u2013 tr\u00eas seguem internados no Hospital Central, em S\u00e3o Lu\u00eds.<\/p>\n<p>Dentre os n\u00e3o feridos a tiros, Dilma Cotrim Meireles Gamela \u00e9 o caso que apresentou maior gravidade m\u00e9dica. Durante o ataque sofrido pelos Gamela numa \u00e1rea de retomada, Dilma levou pauladas e pedradas na cabe\u00e7a. Passou a ter v\u00f4mitos, tontura, desorienta\u00e7\u00e3o. Na quarta-feira, 2, a ind\u00edgena precisou realizar exames no Hospital Central e terminou internada, recebendo alta no in\u00edcio da noite desta sexta-feira, 5. Dois filhos de Dilma \u2013 J.M.S, de 14 anos, e N.M.S, de 12 anos \u2013 tamb\u00e9m acabaram feridos durante o ataque.<\/p>\n<p>Os ferimentos apresentados pelos 17 Gamela n\u00e3o atingidos por armas de fogo foram causados por fac\u00f5es, pauladas, pedradas e escoria\u00e7\u00f5es ocorridas durante a fuga. I. D, de 10 anos, teve uma arma apontada contra a cabe\u00e7a. \u201cEla ficou parada, parecendo em estado de choque. N\u00e3o se mexia. Teve de ser arrastada no meio dos tiros e sofreu uns arranh\u00f5es\u201d, explica Maria das Dores Gamela, uma das feridas \u2013 levou uma paulada nas costas e cortes na perna esquerda no momento em que passava por uma cerca de arame farpado.<\/p>\n<p>Leia na \u00edntegra a lista de feridos e baleados:<\/p>\n<p>1 \u2013 Benedito Louren\u00e7o Ba\u00eda Filho;<br \/>2- Leonete Mendon\u00e7a dos Santos;<br \/>3- Jo\u00e3o Pereira Silva;<br \/>4- Raimundo Pereira Meireles;<br \/>5- Ademir Meirelles;<br \/>6- Carla Pereira;<br \/>7- Maria Raimundo;<br \/>8- Dilma Cotrim Meireles;<br \/>9- J.M.S, de 14 anos;<br \/>10- N.M.S, de 12 anos;<br \/>11 \u2013 Ronilson (sobrenome n\u00e3o localizado);<br \/>12 \u2013 Jo\u00e3o dos Santos;<br \/>13- I.D, de 10 anos;<br \/>14- La\u00e9rcio Mendon\u00e7a Reis;<br \/>15- Jacineva (sobrenome n\u00e3o localizado);<br \/>16- Jaudo Gamela;<br \/>17- Jos\u00e9 Oscar Mendon\u00e7a.<\/p>\n<p>Baleados e m\u00e3os amputadas:<\/p>\n<p>1.Aldenir de Jesus Robeiro \u2013 baleado e duas m\u00e3os amputadas;<br \/>2. Jos\u00e9 Ribamar Mendes \u2013 baleado e m\u00e3o direita amputada;<br \/>3. Jos\u00e9 Andr\u00e9 Ribeiro \u2013 baleado;<\/p>\n<p>Com alta m\u00e9dica:<\/p>\n<p>4. Francisco Jansen \u2013 baleado;<br \/>5. Inaldo Cerejo \u2013 baleado.<\/p>\n<p>\u00cdntegra da mat\u00e9ria no link: http:\/\/www.cimi.org.br\/site\/pt-br\/?system=news&#038;conteudo_id=9261&#038;action=read<\/p>\n<p>Por Renato Santana, da Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o \u2013 Cimi | De Viana, Maranh\u00e3o<br \/>Foto: Ana Mendes\/Cimi<\/p>\n<p>CARTA DE DOM ROQUE NA 55\u00aa ASSEMBLEIA GERAL DA CNBB<\/p>\n<p>\u201cFelizes os mansos, porque receber\u00e3o a terra em heran\u00e7a.\u201d (Mt 5,5)<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio pol\u00edtico indigenista vivido no Brasil \u00e9 ca\u00f3tico. O risco iminente de retrocessos contra os direitos ind\u00edgenas, de modo especial ligados ao territ\u00f3rio, \u00e9 alto. O agravamento das viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos dos povos ind\u00edgenas no Brasil \u00e9 evidente.<\/p>\n<p>As amea\u00e7as e ataques anti-ind\u00edgenas ocorrem nos tr\u00eas poderes do Estado Brasileiro. Favorecidos com doa\u00e7\u00f5es milion\u00e1rias de grandes corpora\u00e7\u00f5es, inclusive multinacionais, o ruralismo saiu ainda mais fortalecido das urnas, em 2014. O impeachment, de 2016, permitiu aumentar o ataque contra os povos ind\u00edgenas em todo o territ\u00f3rio nacional.<br \/>A bancada ruralista, que j\u00e1 exercia forte press\u00e3o sobre o governo Dilma, agora assumiu, por completo, a condu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo Temer. Diferentes \u00f3rg\u00e3os foram ocupados por pessoas com posicionamentos antag\u00f4nicos aos povos ind\u00edgenas, quilombolas, demais comunidades tradicionais e camponeses sem terra.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo o Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, que tem papel fundamental na condu\u00e7\u00e3o dos procedimentos administrativos de demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas, foi assumido por um membro da bancada ruralista, o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), relator da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215\/00, principal instrumento legislativo contra os direitos territoriais dos povos ind\u00edgenas no Brasil.<\/p>\n<p>O Ministro da Justi\u00e7a destaca-se por ser um operador org\u00e2nico, empenhado nas a\u00e7\u00f5es que visam a desconstru\u00e7\u00e3o dos direitos dos povos ind\u00edgenas no Brasil. Corpora\u00e7\u00f5es empresariais ligadas ao agroneg\u00f3cio foram as principais financiadoras de sua campanha \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados. Como ministro do governo Temer, \u00e9 o representante do n\u00facleo duro da bancada ruralista, setor que atua de modo articulado, sistem\u00e1tico e violento no ataque aos povos e direitos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Pelo enxugamento de recursos e descompromisso pol\u00edtico, o governo Temer paralisou os procedimentos administrativos de demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas. Desde que assumiu o governo, em maio de 2016, nenhuma terra ind\u00edgena foi homologada pelo Presidente e sequer declarada pelo Ministro da Justi\u00e7a.<\/p>\n<p>O Executivo federal tamb\u00e9m demitiu funcion\u00e1rios e cortou o or\u00e7amento da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai). Com isso, mais de cinquenta coordena\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas locais e ao menos cinco bases de prote\u00e7\u00e3o a povos isolados e de recente contato est\u00e3o sendo fechadas pelo \u00f3rg\u00e3o indigenista.<\/p>\n<p>O enxugamento da m\u00e1quina governamental configura a desprote\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas, perpetua situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade s\u00f3cio cultural, conflitos e viol\u00eancias enfrentadas pelos povos, de modo especial nas regi\u00f5es Sul, Sudeste, Nordeste e Noroeste do pa\u00eds. Tamb\u00e9m favorece a invas\u00e3o, loteamento e apossamento ilegal de terras ind\u00edgenas j\u00e1 demarcadas; ao mesmo tempo em que fortalece o risco de genoc\u00eddio contra diversos povos isolados, de modo especial na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>No Judici\u00e1rio, de modo especial no Supremo Tribunal Federal (STF), h\u00e1 intensa disputa em torno da interpreta\u00e7\u00e3o do atual texto constitucional. Os ruralistas e alguns Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) defendem a tese pol\u00edtico-jur\u00eddica do Marco Temporal, segundo a qual os povos somente teriam direito \u00e0s terras nas quais estavam na posse em 05 de outubro de 1988, data da promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira. Naquele momento, muitos povos ind\u00edgenas estavam encurralados em terras n\u00e3o demarcadas e impedidos de reivindicar seus territ\u00f3rios. Trata-se de mat\u00e9ria de profunda import\u00e2ncia e gravidade. Eventual decis\u00e3o majorit\u00e1ria do STF em favor dessa tese, significar\u00e1, na pr\u00e1tica, a legaliza\u00e7\u00e3o e legitima\u00e7\u00e3o de todas as a\u00e7\u00f5es violentas, cometidas por for\u00e7as privadas e pelo pr\u00f3prio Estado brasileiro, at\u00e9 aquela data, que resultaram em expuls\u00f5es dos povos de suas terras.<\/p>\n<p>A mera possibilidade de legitima\u00e7\u00e3o dos esbulhos de terras ind\u00edgenas cometidos at\u00e9 outubro de 1988, tem servido para insuflar a pr\u00e1tica de novas invas\u00f5es, loteamentos e apossamentos ilegais de terras ind\u00edgenas j\u00e1 demarcadas, pr\u00e1ticas que est\u00e3o em curso especialmente nos estados de Rond\u00f4nia e Par\u00e1.<\/p>\n<p>Persegui\u00e7\u00f5es ao Cimi, seus membros e colaboradores: A CPI do Cimi no Mato Grosso do Sul e a CPI da Funai\/Incra na C\u00e2mara dos Deputados.<\/p>\n<p>No advento dos 45 anos completados no \u00faltimo dia 23 de abril, o Cimi tem a alegria de informar sobre o arquivamento, por parte do Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual (MPE) e Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), do Relat\u00f3rio produzido pela CPI do Cimi no Mato Grosso do Sul. A Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito criada e conduzida por parlamentares ruralistas invadiu a vida institucional do Cimi, de membros e colaboradores da organiza\u00e7\u00e3o durante oito meses, no per\u00edodo de setembro de 2015 a maio de 2016.<\/p>\n<p>Ao longo de todo esse tempo, acusa\u00e7\u00f5es marcadamente falaciosas foram amplamente divulgadas como se verdade fossem por diferentes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, inclusive pela TV p\u00fablica da pr\u00f3pria Assembleia Legislativa daquele estado. Imagens de mission\u00e1rios e seus familiares e crian\u00e7as foram divulgadas sem o menor respeito.<\/p>\n<p>O arquivamento do Relat\u00f3rio da CPI do Cimi pelos \u00f3rg\u00e3os de controle do Estado brasileiro demonstra que a luta por direitos e em defesa da Vida no Brasil n\u00e3o \u00e9 e n\u00e3o pode ser tratada como crime em nosso pa\u00eds. Com o arquivamento do citado Relat\u00f3rio, fica novamente demonstrado, mais uma vez, que o Cimi, seus membros e colaboradores atuam, \u00fanica e exclusivamente, dentro dos marcos pol\u00edtico-legais vigentes no Estado brasileiro.<\/p>\n<p>A motiva\u00e7\u00e3o central do arquivamento do Relat\u00f3rio da CPI, a saber, por falta de provas, materializa o fato de que as acusa\u00e7\u00f5es desferidas por parte de representantes do agroneg\u00f3cio sul mato-grossense contra o Cimi, seus membros e colaboradores tinham exclusivo vi\u00e9s pol\u00edtico-ideol\u00f3gico e se deram num contexto de persegui\u00e7\u00e3o, tentativa de criminaliza\u00e7\u00e3o e na inten\u00e7\u00e3o de provocar danos morais contra uma organiza\u00e7\u00e3o reconhecida, nacional e internacionalmente, pelo compromisso com a vida dos povos ind\u00edgenas e de uma sociedade plural e democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o Cimi chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o referido Relat\u00f3rio, devidamente arquivado pelos Minist\u00e9rios P\u00fablicos Estadual e Federal no Mato Grosso do Sul, foi requerido e pode estar sendo \u2018requentado\u2019 pelos ruralistas no \u00e2mbito da CPI da Funai\/Incra na C\u00e2mara dos Deputados. O relat\u00f3rio desta nova CPI provavelmente ser\u00e1 aprovado ainda neste m\u00eas de maio de 2017.<\/p>\n<p>Por evidente, eventual men\u00e7\u00e3o e retomada, pela CPI da Funai\/Incra, de acusa\u00e7\u00f5es dirigidas ao Cimi, a seus membros e colaboradores que foram arquivadas junto com o Relat\u00f3rio da CPI do Cimi no Mato Grosso do Sul, significar\u00e1 pr\u00e1tica recorrente, de modo consciente e deliberado, por parte de seus autores, de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, tentativa de criminaliza\u00e7\u00e3o e provoca\u00e7\u00e3o de danos morais contra a organiza\u00e7\u00e3o, seus membros e colaboradores.<\/p>\n<p>Cumpre lembrar que estas estrat\u00e9gias de acusa\u00e7\u00f5es infundadas e tentativas de linchamento moral contra o Cimi n\u00e3o s\u00e3o in\u00e9ditas. No advento do processo Constituinte, em 1987, na tentativa de desqualificar a luta dos povos ind\u00edgenas pela garantia de seus direitos no texto Constitucional, o Cimi tamb\u00e9m sofreu um duro processo de acusa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas feitas por meio do Jornal Estado de S\u00e3o Paulo. As acusa\u00e7\u00f5es desembocaram numa Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito no Congresso Nacional. Na ocasi\u00e3o, ao longo do funcionamento da CPI foi comprovado o car\u00e1ter totalmente fraudulento dos documentos que embasavam as acusa\u00e7\u00f5es contra o Cimi. Composta por maioria contr\u00e1ria ao Cimi e \u00e0 causa ind\u00edgena, a CPI finalizou sem a vota\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio que necessariamente inocentaria o Cimi.<\/p>\n<p>Incid\u00eancia junto a Organismos Multilaterias em defesa da causa ind\u00edgena no Brasil<\/p>\n<p>Diante do caos vivido no Brasil quanto \u00e0s viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos provadas por representantes dos interesses do agroneg\u00f3cio, bem como, do absoluto controle pol\u00edtico das estruturas legislativas e de governo no Estado brasileiro pelo mesmo setor, a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica junto a organismos multilaterais em defesa dos direitos e da vida dos povos ind\u00edgenas ganha ainda mais import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Neste sentido, o Cimi tem mantido presen\u00e7a, por meio de seus mission\u00e1rios, e contribu\u00eddo para garantir a participa\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7as ind\u00edgenas em diferentes espa\u00e7os de incid\u00eancia internacional, tais como: o F\u00f3rum Permanente da ONU sobre Povos Ind\u00edgenas, o Conselho de Direitos Humanos da ONU, as representa\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas do Brasil junto \u00e0 ONU e \u00e0 OEA; a Relatoria Especial da ONU para Povos Ind\u00edgenas, a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e a Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligadas \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (OAE).<\/p>\n<p>Destacamos, neste contexto, a atua\u00e7\u00e3o do Cimi, por meio de suas assessorias e mission\u00e1rios, no Caso Xucuru, que est\u00e1 em julgamento na Corte Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, e a apresenta\u00e7\u00e3o de den\u00fancia formal sobre viola\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias sofridas pelos Guarani Kaiow\u00e1, no Mato Grosso do Sul, junto \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, em conjunto com organiza\u00e7\u00f5es parceiras, em 2016.<\/p>\n<p>Importante salientar ainda, que, em 2016, o Cimi obteve o Status Consultivo Especial no Conselho Econ\u00f4mico e Social da ONU. O fato atesta o reconhecimento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas relativamente \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do Cimi em defesa da Vida e dos direitos dos povos ind\u00edgenas no Brasil e fortalece a miss\u00e3o e a responsabilidade do Organismo de Pastoral junto a inst\u00e2ncias multilaterais.<\/p>\n<p>A visita ao Brasil e o Relat\u00f3rio produzido pela Relatora Especial da ONU sobre povos ind\u00edgenas, Victoria Tauli Corpus, em 2016, em que constam informa\u00e7\u00f5es sobre viola\u00e7\u00f5es e viol\u00eancias cometidas, especialmente, contra povos ind\u00edgenas no Mato Grosso do Sul, Bahia e Par\u00e1, bem como as recomenda\u00e7\u00f5es feitas pela mesma , atestam a gravidade da situa\u00e7\u00e3o vivida pelos povos ind\u00edgenas em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os ataques violentos feitos por milicianos de modo organizado e com requintes de crueldade, desferidos ap\u00f3s a visita da Relatora Especial da ONU e j\u00e1 no contexto do Governo Temer, especialmente nos casos do conhecido \u201cMassacre de Caarap\u00f3\u201d, contra os Guarani Kaiow\u00e1, no Mato Grosso do Sul em junho de 2016, e o ataque contra os Gamela, neste domingo 30 de abril de 2017, no Maranh\u00e3o, demonstram o agravamento da situa\u00e7\u00e3o e a total desconsidera\u00e7\u00e3o \u00e0s normas legais vigentes no Brasil e \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es de organismos internacionais por parte de representantes do agroneg\u00f3cio no Brasil.<\/p>\n<p>Parece-nos fortemente paradoxal e n\u00e3o razo\u00e1vel o fato de que uma not\u00edcia, por exemplo, sobre a ocorr\u00eancia de eventual caso de febre aftosa em um boi numa determinada regi\u00e3o do Brasil provoque restri\u00e7\u00e3o, suspens\u00e3o e at\u00e9 mesmo o fechamento dos mercados \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de carne bovina brasileira, ao mesmo tempo em que not\u00edcias como o massacre de Eldorado do Caraj\u00e1s, ocorrido no Par\u00e1, em 1997, o Massacre de Caarap\u00f3, no Mato Grosso do Sul, em 2016, e o Massacre de Colniza, no Mato Grosso, em 2017, n\u00e3o tenham consequ\u00eancias, tais como, de restri\u00e7\u00e3o, suspens\u00e3o ou fechamento nestes mesmos mercados \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de commodities produzidas pelo agroneg\u00f3cio nessas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>A Avides como motiva\u00e7\u00e3o dos ataques anti-ind\u00edgenas<\/p>\n<p>Em momentos de crise no sistema capitalista, as grandes corpora\u00e7\u00f5es intensificam suas iniciativas na perspectiva de manter e ampliar as taxas de lucro, potencializando a concentra\u00e7\u00e3o de capital no mundo . Para tanto, atuam fortemente em todos os n\u00edveis, para flexibilizar os direitos conquistados pelos trabalhadores, para se apropriar de bens estatais por meio de privatiza\u00e7\u00f5es e para expandir a posse e a explora\u00e7\u00e3o de bens naturais.<br \/>O acesso, a explora\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o de bens naturais em mercadoria comercializ\u00e1vel \u00e9 um mecanismo de gera\u00e7\u00e3o de lucro f\u00e1cil e r\u00e1pido. O movimento expansionista vigente em toda a Am\u00e9rica Latina, e no Brasil em especial, d\u00e1-se nessa perspectiva. As terras que est\u00e3o na posse dos povos ind\u00edgenas e de outras popula\u00e7\u00f5es tradicionais s\u00e3o ricas em bens naturais. Por isso, essas \u00e1reas est\u00e3o sob permanente ass\u00e9dio e o direito sobre elas est\u00e3o sob intenso ataque.<\/p>\n<p>Os Povos Conscientes e em luta na defesa de seus direitos e projetos de vida.<\/p>\n<p>Diante disso tudo, por \u00f3bvio, os povos ind\u00edgenas n\u00e3o ficariam de \u201cbra\u00e7os cruzados\u201d. O ataque sistem\u00e1tico e violento aos seus direitos e \u00e0s suas vidas faz com que se mobilizem em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Nas aldeias, nas estradas, nas retomadas, nas autodemarca\u00e7\u00f5es, nas incid\u00eancias e mobiliza\u00e7\u00f5es, no Brasil e em inst\u00e2ncias multilaterais, continuam fazendo as den\u00fancias contra os projetos de morte do agroneg\u00f3cio e anunciando, em alto e bom som, que est\u00e3o vivos e que dar\u00e3o suas vidas pelo direito \u00e0 Vida e ao futuro de sus gera\u00e7\u00f5es em seus territ\u00f3rios demarcados e protegidos.<br \/>Continuidade e aud\u00e1cia do nosso compromisso com os povos ind\u00edgenas<\/p>\n<p>Eu trago do 14\u00ba Acampamento \u201cTerra Livre\u201d, de Bras\u00edlia, os gritos dos povos ind\u00edgenas para essa nossa assembleia da CNBB: \u201cdemarca\u00e7\u00e3o j\u00e1!\u201d, \u201crespeito aos territ\u00f3rios demarcados!\u201d, \u201crespeito \u00e0 vida dos povos ind\u00edgenas\u201d. O Relat\u00f3rio de Viol\u00eancia contra os povos ind\u00edgenas no Brasil nos obrigou, novamente, de divulgar uma realidade triste. Dentre outras viol\u00eancias graves, mais de 650 casos de omiss\u00e3o e morosidade na regulariza\u00e7\u00e3o de terras, cerca de 600 \u00f3bitos de crian\u00e7as de 0 a 5 anos, e dezenas de assassinados no ano de 2015 foram registrados.<br \/>At\u00e9 hoje, a defesa dos povos ind\u00edgenas \u00e9 uma luta pela vida e contra a morte. Pecado n\u00e3o \u00e9 apenas \u201cmatar \u00edndios\u201d. \u201cPecado\u201d significa tamb\u00e9m, indiferen\u00e7a diante das amea\u00e7as de sua causa pelos tr\u00eas poderes, ingenuidade de parcerias e indigenismo de gabinete.<\/p>\n<p>Faz 10 anos que se realizou, aqui em Aparecida, a Va Confer\u00eancia Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Lhes asseguro, caros colegas no minist\u00e9rio episcopal, que as mission\u00e1rias e os mission\u00e1rios do Cimi t\u00eam \u201cum compromisso com a realidade\u201d (DAp 491), como o Documento de Aparecida (DAp) nos recomendou e que esse compromisso \u201cnasce do amor apaixonado por Cristo que acompanha o Povo de Deus na miss\u00e3o de inculturar o Evangelho na hist\u00f3ria\u201d (DAp 491). Mas esse compromisso do testemunho pascal levou o Cimi, muitas vezes, aos limites entre vida e morte. Celebramos este ano o jubileu de dois m\u00e1rtires do Cimi: o salesiano Rodolfo Lunkenbein (1939-1976) e o jesu\u00edta Vicente Ca\u00f1as (1939-1987), Rodolfo assassinado, faz 40 anos, porque defendeu o territ\u00f3rio dos Bororo, Vicente, faz 30 anos, porque defendeu o territ\u00f3rio dos Enawen\u00ea Naw\u00ea. Rodolfo era conselheiro do Cimi, Vicente sua consci\u00eancia inquieta. Mas os primeiros m\u00e1rtires da causa ind\u00edgena foram os pr\u00f3prios \u00edndios.<\/p>\n<p>Por fim, agrade\u00e7o profundamente o apoio, o envolvimento e o empenho da Presid\u00eancia da CNBB em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 causa ind\u00edgena no Brasil e, de modo particular, ao Cimi. Estou convicto de que se n\u00e3o fosse isso, a situa\u00e7\u00e3o descrita neste pronunciamento seria muito mais grave.<\/p>\n<p>Quero terminar essa comunica\u00e7\u00e3o com um breve testemunho de Dom Aldo Mongiano, meu antecessor de Roraima. Ao despedir-se da diocese, em 1996, D. Aldo escreveu uma Carta Pastoral que poderia ser do ap\u00f3stolo Paulo: \u201cFui espionado, sofri amea\u00e7as, insultos, falsos testemunhos. [\u2026] Durante vinte anos, pol\u00edticos, jornais e r\u00e1dios locais alvejaram atirando contra a Igreja de Roraima, lan\u00e7ando contra mim e contra os mission\u00e1rios da Consolata as cr\u00edticas mais venenosas e as cal\u00fanias mais infames. [\u2026] Quando parti para Roraima, tinha comigo s\u00f3 o passaporte, a passagem e o documento de Roma, no qual tinha sido nomeado bispo. Quando fui embora, nem isso tinha\u201d (Mongiano, Aldo. Roraima entre profecia e mart\u00edrio, Diocese de Roraima, 2011). Mas lutar n\u00e3o foi em v\u00e3o. Eis a nossa esperan\u00e7a tamb\u00e9m hoje. Faz tempo que o territ\u00f3rio dos povos ind\u00edgenas de Roraima e dos Bororo e dos Enawen\u00ea Naw\u00ea do Mato Grosso foram demarcados. O mart\u00edrio aponta para o n\u00facleo da esperan\u00e7a de uma causa aparentemente perdida, de uma causa que na \u00faltima inst\u00e2ncia e antecipadamente recebeu o veredito de Deus fiel e justo: \u201cser\u00e1s livre e tua causa viver\u00e1\u201d. Vivemos de esperan\u00e7a em esperan\u00e7a, porque acreditamos: \u201cFelizes os mansos, porque receber\u00e3o a terra em heran\u00e7a.\u201d (Mt 5,5).<\/p>\n<p>Dom Roque Paloschi<br \/>Arcebispo de Porto Velho, Rond\u00f4nia, e Presidente do Cimi<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte:CNBB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apura\u00e7\u00e3o realizada durante esta semana revelou que o n\u00famero de feridos entre o povo Gamela, atacado no \u00faltimo dia 30 em uma \u00e1rea retomada no Povoado das Ba\u00edas, munic\u00edpio de Viana (MA), \u00e9 ainda maior: 17 Gamela sofreram algum tipo de ferimento \u2013 entre estes ind\u00edgenas, duas crian\u00e7as e um pr\u00e9-adolescente. 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