{"id":29622,"date":"2017-04-25T11:50:47","date_gmt":"2017-04-25T14:50:47","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/04\/25\/da-ciencia-economica-e-da-justica-na-reforma-da-previdencia\/"},"modified":"2017-06-08T16:43:33","modified_gmt":"2017-06-08T19:43:33","slug":"da-ciencia-economica-e-da-justica-na-reforma-da-previdencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/da-ciencia-economica-e-da-justica-na-reforma-da-previdencia\/","title":{"rendered":"Da ci\u00eancia econ\u00f4mica e da justi\u00e7a na reforma da previd\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias2017\/123 ilustracao previdencia.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Maria Cristina Sanches Amorim \u00e9 economista, professora titular de Economia e coordenadora do grupo de pesquisa Gest\u00e3o, Economia e Pol\u00edtica da PUC-SP.<\/p>\n<p>A proposta do Poder Executivo para a reforma da previd\u00eancia \u00e9 de grande relev\u00e2ncia: alterar o regime de seguridade social constru\u00eddo a duras penas ao longo da hist\u00f3ria do Brasil, reduzindo o direito ao m\u00ednimo bem-estar que o Estado at\u00e9 ent\u00e3o garantiu. A pol\u00eamica sobre o tema est\u00e1 compreensivelmente acirrada. A ci\u00eancia econ\u00f4mica pode ajudar a compreender o debate.<br \/>A ci\u00eancia econ\u00f4mica n\u00e3o \u00e9 um amontoado de n\u00fameros que produz leis inexor\u00e1veis. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 um conhecimento cuja serventia \u00e9 ensinar como aumentar o bem-estar e respeito \u00e0 liberdade das pessoas. Ci\u00eancia alguma \u00e9 sin\u00f4nimo de verdade inquestion\u00e1vel, os cientistas, em quaisquer \u00e1reas do conhecimento, t\u00eam poucas certezas e muitas, muitas d\u00favidas. N\u00e3o \u00e9 diferente no campo da ci\u00eancia econ\u00f4mica. Express\u00f5es como racionalidade, equil\u00edbrio, efic\u00e1cia e leis econ\u00f4micas s\u00f3 t\u00eam sentido na perspectiva da justi\u00e7a social.<br \/>A proposta do Poder Executivo para a reforma da previd\u00eancia pode ser resumida em dificultar o acesso e reduzir o valor do benef\u00edcio do contribuinte. O governo do Presidente Temer alega que o \u201crem\u00e9dio amargo\u201d \u00e9 inevit\u00e1vel, \u00fanica forma de reduzir o d\u00e9ficit atual e garantir \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es o recebimento da aposentadoria. Muitas outras vozes j\u00e1 contestaram e continuam contestando a afirma\u00e7\u00e3o governamental. Vozes favor\u00e1veis e contr\u00e1rias usam argumentos quantitativos. Compreens\u00edvel, os n\u00fameros t\u00eam curiosa ader\u00eancia no imagin\u00e1rio popular, quaisquer que sejam, saiam de onde sair as pessoas tendem a acreditar na tolice que \u201cos n\u00fameros n\u00e3o mentem jamais\u201d.<br \/>Para al\u00e9m dos n\u00fameros (d\u00e9ficit ou n\u00e3o d\u00e9ficit, menos trabalhadores para mais inativos, etc.) h\u00e1 que se pensar nas consequ\u00eancias da proposta do Executivo para uma parcela vulner\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o, a maioria dos aposentados, e entre esses, ainda mais vulner\u00e1veis, os trabalhadores rurais, as mulheres com dupla ou tripla jornada de trabalho, os brasileiros das regi\u00f5es mais pobres nas quais a expectativa m\u00e9dia de vida \u00e9 menor.<br \/>Que tipo de solu\u00e7\u00e3o a proposta do Governo Temer encaminha? Qual seu crit\u00e9rio de justi\u00e7a? Se a proposta for aprovada pelo Legislativo, a dificuldade no acesso e a redu\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio deve provocar maior procura pelos planos de previd\u00eancia privadas \u2013 apenas pelos trabalhadores de maior renda, \u00e9 claro. Os bancos e suas seguradoras seriam beneficiados pelo aumento de demanda. E os trabalhadores, particularmente os mais pobres e as mulheres, que ter\u00e3o pago o custo do ajuste, o que receberiam em troca do sacrif\u00edcio? Se n\u00e3o \u00e9 aos mais vulner\u00e1veis, a quem serve, afinal, a \u201cnova\u201d previd\u00eancia?<br \/>Que n\u00e3o se atribua \u00e0 ci\u00eancia econ\u00f4mica (a supostos crit\u00e9rios \u201ct\u00e9cnicos\u201d inquestion\u00e1veis) a justificativa para a proposta do Executivo de reforma previdenci\u00e1ria \u2013 o conhecimento em economia, ao contr\u00e1rio, recomenda a promo\u00e7\u00e3o do bem-estar e da justi\u00e7a sociais. Recursos para reduzir d\u00e9ficit (de magnitude controversa) podem vir de muitas fontes e da redu\u00e7\u00e3o de outras despesas, como os gastos com os juros que remuneram a d\u00edvida p\u00fablica. Que o Executivo e o Legislativo n\u00e3o se eximam da responsabilidade de escolhas que desconsiderem o princ\u00edpio de justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: N\u00facleo F\u00e9 e Cultura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Cristina Sanches Amorim \u00e9 economista, professora titular de Economia e coordenadora do grupo de pesquisa Gest\u00e3o, Economia e Pol\u00edtica da PUC-SP. 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