{"id":29603,"date":"2017-04-24T16:17:45","date_gmt":"2017-04-24T19:17:45","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/04\/24\/ataque-ao-seminario\/"},"modified":"2017-06-09T09:03:17","modified_gmt":"2017-06-09T12:03:17","slug":"ataque-ao-seminario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ataque-ao-seminario\/","title":{"rendered":"Ataque ao semin\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias2017\/e6c5ec4137a2831befad7e6d46559451_xl.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Semin\u00e1rio de Cristo Rei em Malole ap\u00f3s o ataque do dia 18 de fevereiro Semin\u00e1rio de Cristo Rei em Malole ap\u00f3s o ataque do dia 18 de fevereiro<\/p>\n<p>A onda de viol\u00eancia que tem agredido a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo continua a tamb\u00e9m afetar \u00e0 Igreja. Todavia, h\u00e1 ainda esperan\u00e7a por paz. Representantes do semin\u00e1rio de Malole, que sofreu um ataque recentemente, pedem ora\u00e7\u00f5es pela paz no pa\u00eds para que assim possam retornar as atividades do semin\u00e1rio. A ACN \u2013 Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre &#8211; planeja auxiliar na reforma, assim que a paz seja uma realidade.<\/p>\n<p>Padre Richard Kitengie Muembo, reitor de do semin\u00e1rio de teologia Cristo Rei em Malole na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, que especificamente foi incendiado e destru\u00eddo no dia 18 de fevereiro por rebeldes que lutam contra o governo, visitou a sede internacional da ACN na Alemanha junto com o Padre Apollinaire Cibaka Cikongo, secret\u00e1rio executivo da Confer\u00eancia dos Bispos de Kananga (ASSEPKA), para reportar a atual situa\u00e7\u00e3o e pedir ajuda para restaurar o Semin\u00e1rio em Kasai-Central, para que as aulas de teologia possam retornar assim que poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s nunca pensamos que poder\u00edamos ser alvos de ataques. Isso se deu porque a mil\u00edcia local, seguidora do falecido l\u00edder tribal Kamwina-Nsapu, quis fazer do semin\u00e1rio uma base para eles. N\u00f3s negamos e tentamos encontrar uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica atrav\u00e9s do di\u00e1logo. Infelizmente, as autoridades locais decidiram por uma solu\u00e7\u00e3o militar para acabar com o conflito. Tal ato levou os milicianos a atacar nosso semin\u00e1rio no s\u00e1bado 18 de fevereiro. Felizmente, desde que n\u00f3s percebemos que a situa\u00e7\u00e3o estava se tornando bastante perigosa, n\u00f3s j\u00e1 tratamos de fazer a retirada dos seminaristas do local\u201d, disse o Padre Richard.<br \/>Seminaristas e religiosas precisam se deslocar em raz\u00e3o do ataque da mil\u00edcia. Seminaristas e religiosas precisam se deslocar em raz\u00e3o do ataque da mil\u00edcia.<\/p>\n<p>\u201cOs 77 seminaristas, com idade entre 21 e 27 anos, vindos de sete dioceses diferentes do pa\u00eds, sofreram bastante. Eles tiveram que fugir em dois dias, levando praticamente o que vestiam. Eles foram recebidos por fam\u00edlias e ali tiveram que permanecer por tr\u00eas semanas at\u00e9 que pudessem ser deslocados, o que em alguns casos s\u00f3 foi poss\u00edvel com a ajuda da miss\u00e3o da ONU na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (MONUSCO). A m\u00eddia foi informada disso\u201d, afirma o Padre Apollinaire membro do corpo docente do Semin\u00e1rio Cristo Rei. O semin\u00e1rio em si foi saqueado, destru\u00eddo e parcialmente incendiado. A comunidade de religiosas carmelitas tamb\u00e9m teve que abandonar por hora o monast\u00e9rio de clausura que se encontra a 400 metros do semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em julho de 2016, Jean-Pierre Kamwina Nsapu Pandi, chefe de uma tribo tradicional requereu a legitimidade do governo central incitando uma insurrei\u00e7\u00e3o e atacando a pol\u00edcia local acusada de abusos de poder e tamb\u00e9m a comunidades rivais. No dia 12 de agosto, Kanwina Nsapu foi assassinado pelas for\u00e7as de seguran\u00e7a, que provocou seus seguidores a atacarem o governo central. O que come\u00e7ou como um pequeno movimento de oposi\u00e7\u00e3o contra o governo se tornou um campo de guerra. De acordo com as \u00faltimas informa\u00e7\u00f5es da MONUSCO, esse conflito j\u00e1 causou a morte de 400 civis, al\u00e9m de uma perda significativa de agentes de for\u00e7as do governo.<\/p>\n<p>No dia 31 de mar\u00e7o, um destes grupos milicianos atacou a cidade de Lwebo, localizada a 200 metros ao oeste de Malole. Eles saquearam e incendiaram a sede episcopal, al\u00e9m de colocar fogo nos escrit\u00f3rios de coordena\u00e7\u00e3o das escolas cat\u00f3licas e ao noviciado onde h\u00e1 a forma\u00e7\u00e3o das religiosas, profanando por \u00faltimo a catedral de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista. Esta dimens\u00e3o dos ataques \u00e9 nova. \u201cA Igreja Cat\u00f3lica goza de muito prest\u00edgio por nunca ter se aliado a grupos pol\u00edticos, mas agora essas tentativas buscam envolv\u00ea-la no conflito. A Igreja media desde dezembro do ano passado um acordo de transi\u00e7\u00e3o\u201d, explica o Padre Richard.<\/p>\n<p>Num comunicado publicado no dia 25 de fevereiro, a Confer\u00eancia Episcopal apontou, entre outras causas da viol\u00eancia na regi\u00e3o, a m\u00e1 gest\u00e3o do governo nas quest\u00f5es administrativas de poder tradicional que tem sido manipulado e politizado, as frusta\u00e7\u00f5es do povo que por muito tempo se viu \u00e0 margem e o desemprego de muitos jovens. \u201cTemos ouvido tamb\u00e9m sobre pr\u00e1ticas de supersti\u00e7\u00e3o: recrutam jovens e crian\u00e7as, lhes d\u00e3o uma po\u00e7\u00e3o e um banho num ritual e os fazem acreditar que s\u00e3o imunes a balas e imortais. Assim, como se estivessem drogados, cometem feitos de barb\u00e1rie\u201d, afirma o Padre Apollinaire.<\/p>\n<p>A crise do Kasayi provocada pelas mil\u00edcias de Kamwuina Nsapu no sul do pa\u00eds \u00e9 um dos cinco violentos conflitos que assola a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. O apelo da Confer\u00eancia Episcopal ao Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, no dia 20 de mar\u00e7o de 2017, descreveu as viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos em mais outras quatro partes do pa\u00eds: o norte, onde o LRA (Lord Resistence Armee) continua atuando; Kivu do Norte, no leste do pa\u00eds; a prov\u00edncia de Tanganika, com enfrentamentos entre as comunidades batwa e luba e, por \u00faltimo, o centro do pa\u00eds incluindo a capital Kinasha, devido a tens\u00f5es pol\u00edticas em vista das elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n<p>Ainda que a situa\u00e7\u00e3o no momento n\u00e3o permita, os dois representantes apresentaram \u00e0 ACN um projeto de reconstru\u00e7\u00e3o das estruturas danificadas pela invas\u00e3o e inc\u00eandio para que, assim que o cen\u00e1rio possibilite, a reabertura do semin\u00e1rio logo aconte\u00e7a: \u201cA esperan\u00e7a nos faz trabalhar, n\u00e3o vamos ficar sentados, queremos que nossos seminaristas possam acabar o curso que est\u00e1 em andamento. O semin\u00e1rio mais pr\u00f3ximo est\u00e1 h\u00e1 400 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia e n\u00e3o possui infraestrutura para receb\u00ea-los. Al\u00e9m disso, n\u00e3o conseguir\u00edamos realizar o translado dos seminaristas para l\u00e1. Pedimos tamb\u00e9m a todos os benfeitores e amigos da ACN ora\u00e7\u00f5es rogando pela paz no nosso pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Junto \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o de ajuda o Padre Richard faz um chamado \u00e0 comunidade internacional: \u201cA situa\u00e7\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo \u00e9 a mesma que a de todo povo congol\u00eas. Parte da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 escondida na selva, os col\u00e9gios n\u00e3o est\u00e3o funcionando, muitos passam fome&#8230; N\u00f3s sonhamos com o final dessa guerra absurda. Todos os depredadores do mundo v\u00eam explorar esse pa\u00eds. Quem usa hoje em dia dos aparelhos de tecnologia est\u00e1 usando um pouco do sangue do povo congol\u00eas\u201d afirma o sacerdote fazendo refer\u00eancia ao coltan, mineral de cor preta composto de columbita e tantalita utilizado em baterias de dispositivos m\u00f3veis, GPS e computadores. O coltan \u00e9 um dos chamados \u201cminerais de sangue\u201d por ser explorado mediante graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e \u00e9 usado para financiar grupos armados e perpetuar os conflitos.<\/p>\n<p>\u201cA humanidade \u00e9 uma s\u00f3, usamos dos benef\u00edcios e isso \u00e9 bom, mas dever\u00edamos tamb\u00e9m atuar perante o sofrimento. O sofrimento dos congoleses \u00e9 o sofrimento do mundo. Juntos podemos acabar com a guerra. Precisamos parar com a indiferen\u00e7a, romper com o sil\u00eancio. Dizer n\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia, \u00e0 ind\u00fastria da morte, \u00e0s vendas de armas e suas f\u00e1bricas. A tecnologia est\u00e1 a\u00ed para melhorar a vida, n\u00e3o para tir\u00e1-la. Usemos esta mesma tecnologia para falar da cruel realidade do Congo, para pedir ora\u00e7\u00f5es e apoio internacional para que os direitos humanos e a vida sejam respeitados\u201d, aponta o Padre Apollinaire.<\/p>\n<p>A ACN dedicou mais do equivalente a 11 milh\u00f5es de reais no apoio de projetos na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. No ano passado, a Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia deu suporte \u00e0 41 semin\u00e1rios no pa\u00eds, beneficiando um total de 1.229 seminaristas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semin\u00e1rio de Cristo Rei em Malole ap\u00f3s o ataque do dia 18 de fevereiro Semin\u00e1rio de Cristo Rei em Malole ap\u00f3s o ataque do dia 18 de fevereiro A onda de viol\u00eancia que tem agredido a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo continua a tamb\u00e9m afetar \u00e0 Igreja. Todavia, h\u00e1 ainda esperan\u00e7a por paz. 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