{"id":29584,"date":"2017-04-24T13:39:21","date_gmt":"2017-04-24T16:39:21","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/04\/24\/a-importancia-dos-sacramentos-da-iniciacao-crista-na-igreja\/"},"modified":"2017-06-09T09:20:55","modified_gmt":"2017-06-09T12:20:55","slug":"a-importancia-dos-sacramentos-da-iniciacao-crista-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-importancia-dos-sacramentos-da-iniciacao-crista-na-igreja\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia dos sacramentos da \u201cInicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3\u201d na Igreja"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A Assembleia Geral da CNBB, ocorrendo entre os dias 26 de abril e 04 de maio, est\u00e1 debatendo a import\u00e2ncia da Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida Crist\u00e3 na Igreja e, consequentemente, tamb\u00e9m os sacramentos do Batismo, da Confirma\u00e7\u00e3o (ou Crisma) e da Eucaristia. N\u00e3o se pretende, evidentemente, esgotar o amplo assunto, que tem um texto base para ser debatido e posteriormente votado para um futuro documento de nossa confer\u00eancia episcopal sobre t\u00e3o importante quest\u00e3o.<br \/> A inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3 tem um dinamismo pr\u00f3prio, que nos vem da antiga tradi\u00e7\u00e3o da Igreja e que tanto necessitamos hoje. A nossa Arquidiocese tem um trabalho j\u00e1 h\u00e1 um bom tempo sendo constru\u00eddo e aprofundado.<br \/> No passado t\u00ednhamos a prepara\u00e7\u00e3o para os Sacramentos, agora a \u00eanfase \u00e9 a vida crist\u00e3, por\u00e9m sempre \u00e9 importante, nestes momentos de defini\u00e7\u00e3o, aprofundarmos um pouco sobre os Sacramentos ligados \u00e0 Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3.<br \/> \u00c9 bom recordar a importante defini\u00e7\u00e3o teol\u00f3gico-lingu\u00edstica do termo Sacramento de acordo com a explana\u00e7\u00e3o feita pela Igreja: \u201cA palavra grega mysterion foi traduzida, no latim, por dois termos: mysterium e sacramentum. Na segunda interpreta\u00e7\u00e3o, o termo sacramentum exprime prevalentemente o sinal vis\u00edvel da realidade oculta da salva\u00e7\u00e3o, indicada pelo termo mysterium. Neste sentido, o pr\u00f3prio Cristo \u00e9 o mist\u00e9rio da salva\u00e7\u00e3o: \u2018Nem h\u00e1 outro mist\u00e9rio sen\u00e3o Cristo\u2019 (Santo Agostinho. Epistulale 187, 11,34: Patrologia Latina 33,845). A obra salv\u00edfica da sua humanidade santa e santificadora \u00e9 o sacramento da salva\u00e7\u00e3o, que se manifesta e atua nos sacramentos da Igreja (que as Igrejas do Oriente chamam tamb\u00e9m \u2018os santos mist\u00e9rios\u2019). Os sete sacramentos s\u00e3o os sinais e os instrumentos pelos quais o Esp\u00edrito Santo derrama a gra\u00e7a de Cristo, que \u00e9 a Cabe\u00e7a, na Igreja, que \u00e9 o seu Corpo. A Igreja possui, pois, e comunica a gra\u00e7a invis\u00edvel que significa: e \u00e9 neste sentido anal\u00f3gico que \u00e9 chamada \u2018sacramento\u2019\u201d. (Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, n. 774)<br \/>Como se v\u00ea, podemos formular a seguinte interpreta\u00e7\u00e3o do conte\u00fado sacramental na vida eclesial: ele \u00e9 um sinal (semeion, em grego) eficiente que realiza aquilo que significa ou assinala. Desse modo, ter\u00edamos uma importante defini\u00e7\u00e3o: a sant\u00edssima Humanidade de Cristo \u00e9 o sinal eficiente ou transmissor da gra\u00e7a divina; a Igreja, Seu Corpo M\u00edstico prolongado na Hist\u00f3ria (cf. Cl 1,24) tamb\u00e9m o \u00e9. Ora, a Liturgia dessa mesma Igreja continua essa fun\u00e7\u00e3o com seus ritos sagrados, oferecendo aos fi\u00e9is sete canais da gra\u00e7a divina a nos levar \u00e0 vida eterna, \u00e0 qual todos somos chamados, dado sermos filhos no Filho (cf. Gl 4,5). Eis, porque podemos fazer um esquema de quanto foi dito: Vida Eterna \u2192 Jesus Cristo \u2192 Igreja \u2192 Sete Sacramentos \u2192 Gra\u00e7a Santificante \u2192 Crist\u00e3o.<br \/>Importa, ali\u00e1s, a prop\u00f3sito da efic\u00e1cia \u2013 e n\u00e3o do mero simbolismo \u2013 sacramental, recordar Tertuliano (falecido em 220 aproximadamente), ao escrever sobre o Batismo e a Eucaristia, em vista da ressurrei\u00e7\u00e3o do corpo e da alma no \u00faltimo dia (cf. Jo 6,40), que \u201cA carne \u00e9 o eixo da salva\u00e7\u00e3o&#8230; Lava-se o corpo a fim de que a alma seja purificada; unge-se o corpo a fim de que a alma seja consagrada&#8230; O corpo \u00e9 nutrido pelo Corpo e Sangue de Cristo, a fim de que a alma se alimente de Deus&#8230; N\u00e3o podem, pois, ser separados na recompensa, j\u00e1 que est\u00e3o unidos nas obras de salva\u00e7\u00e3o\u201d. (Sobre a Ressurrei\u00e7\u00e3o da Carne 8, Patrologia Latina 2,852)<br \/>Santo Agostinho de Hipona (\u2020 430) tamb\u00e9m ensinava: \u201cO que vedes, car\u00edssimos, na mesa do Senhor, \u00e9 p\u00e3o e vinho; mas esse p\u00e3o e esse vinho, acrescentando-se-lhes a palavra, tornam-se corpo e sangue de Cristo\u2026 Tira a palavra, e tens p\u00e3o e vinho; acrescenta a palavra, e j\u00e1 tens outra coisa. E essa outra coisa o que \u00e9? Corpo e Sangue de Cristo. Tira a palavra, e tens p\u00e3o e vinho; acrescenta a palavra, e tens um sacramento. A isso tudo v\u00f3s dizeis: \u2018Amem\u2019. Dizer \u2018Amem\u2019 \u00e9 subscrever. \u2018Amem\u2019 em latim significa: \u2018\u00c9 verdade\u2019\u201d. (Serm\u00e3o 6,3)<br \/>Os sacramentos n\u00e3o representam apenas, mas efetuam ou realizam aquilo que significam, uma vez que a Palavra de Deus \u00e9 viva e eficaz, de modo que, no plano salv\u00edfico, a palavra proclama o feito divino e o feito confirma essa palavra. Da\u00ed se poder afirmar que temos a Palavra \u2192 Feito e, em contrapartida complementadora, o Feito \u2192 Palavra. Da\u00ed se entender que o contato do crist\u00e3o com Cristo, o Mestre, n\u00e3o se d\u00e1 como em uma escola de Filosofia da Antiguidade ou de qualquer outra \u00e9poca, de modo apenas psicol\u00f3gico ou afetivo. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 uma uni\u00e3o ontol\u00f3gica (do ser): o crist\u00e3o \u00e9 tocado, diretamente, por Cristo por meio dos sete sacramentos da Igreja, transmissores da gra\u00e7a divina a cada homem e mulher de todos os tempos e lugares.<br \/>Isso \u00e9 o que nos ensina a prop\u00f3sito da rela\u00e7\u00e3o Palavra e Feito, o Conc\u00edlio Vaticano II: \u201cEsta \u2018economia\u2019 da revela\u00e7\u00e3o realiza-se por meio de a\u00e7\u00f5es e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal maneira que as obras, realizadas por Deus na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mist\u00e9rio nelas contido. Por\u00e9m, a verdade profunda tanto a respeito de Deus como a respeito da salva\u00e7\u00e3o dos homens, manifesta-se-nos, por esta revela\u00e7\u00e3o, em Cristo, que \u00e9, simultaneamente, o mediador e a plenitude de toda a revela\u00e7\u00e3o\u201d. (Constitui\u00e7\u00e3o Dei Verbum, n. 2)<br \/>Isso posto, conv\u00e9m que digamos uma palavra a prop\u00f3sito da a\u00e7\u00e3o dos Sacramentos na Igreja. Ela ensina que todo sacramento age ex opere operato, ou seja, por efeito pr\u00f3prio ou do rito em si, de modo que independe da santidade do ministro humano aplicador do rito. Em outras palavras, cada um dos sete sacramentos age por for\u00e7a pr\u00f3pria, porque \u00e9 Cristo, o ministro principal, a agir garantindo a autenticidade do rito, desde que nesse rito sejam utilizadas a mat\u00e9ria e a forma pr\u00f3pria (na Eucaristia, a mat\u00e9ria \u00e9 o p\u00e3o e o vinho e a forma a repeti\u00e7\u00e3o das palavras do Senhor na \u00faltima Ceia).<br \/>Por a\u00ed vemos que Cristo age nos sacramentos n\u00e3o obstante a indignidade, maior ou menor, do ministro que O representa. O pecado ou a infidelidade do ministro n\u00e3o afetam a validade do sacramento. Por exemplo, um sacerdote pouco digno que celebre a Eucaristia, sendo validamente ordenado, aplicando a mat\u00e9ria e a forma apropriadas e tendo a inten\u00e7\u00e3o de fazer o que fez o Senhor Jesus, celebra de modo v\u00e1lido para o bem do Povo de Deus. Certo \u00e9 que se espera do ministro ordenado que aja como tal e n\u00e3o \u00e0 moda de um mero funcion\u00e1rio do sagrado e sem f\u00e9. Deve ele ter os mesmos sentimentos de Cristo (cf. Fl 2,5). Todavia, esse aspecto pessoal do ministro n\u00e3o invalida o sacramento, conforme j\u00e1 apontava S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino na Suma Teol\u00f3gica III, q. 6, at. 4.<br \/>Com os sacramentos \u2013 que n\u00e3o dependem de for\u00e7as t\u00e3o somente humanas, mas da a\u00e7\u00e3o divina \u2013 n\u00e3o h\u00e1 dispensa do receptor de ter boas disposi\u00e7\u00f5es a fim de que a gra\u00e7a recebida d\u00ea frutos. Quem recebe um sacramento em estado objetivo de pecado, al\u00e9m de n\u00e3o alcan\u00e7ar a gra\u00e7a daquele sacramento, ainda comete mais um pecado, o do sacril\u00e9gio, como lembra o Ap\u00f3stolo Paulo no que concerne \u00e0 Eucaristia (cf. 1Cor 11,29).<br \/>Isso porque, apesar da a\u00e7\u00e3o divina objetiva no sacramento, Deus respeita a liberdade de cada fiel, de modo que Santo Agostinho de Hipona podia afirmar: \u201cAquele que te criou sem ti, n\u00e3o te salva sem ti\u201d. Quem se fecha \u00e0 gra\u00e7a comete o pecado contra o Esp\u00edrito Santo, pecado impossibilitador da salva\u00e7\u00e3o eterna (cf. Mt 12,31-32). \u00c9 o caso em que Deus tudo faz pelo ser humano, mas este O responde com desd\u00e9m, desperdi\u00e7ando a gra\u00e7a oferecida e, por conseguinte, afastando-se d\u2019Ele.<br \/>Diante desse quadro \u00e9 que importa, e muito, a reflex\u00e3o sobre a inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida crist\u00e3, que sejamos ajudados pela compreens\u00e3o dos tr\u00eas sacramentos \u2013 canais da gra\u00e7a divina: o Batismo, a Crisma e a Eucaristia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Assembleia Geral da CNBB, ocorrendo entre os dias 26 de abril e 04 de maio, est\u00e1 debatendo a import\u00e2ncia da Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida Crist\u00e3 na Igreja e, consequentemente, tamb\u00e9m os sacramentos do Batismo, da Confirma\u00e7\u00e3o (ou Crisma) e da Eucaristia. 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