{"id":29500,"date":"2017-04-17T13:14:20","date_gmt":"2017-04-17T16:14:20","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/04\/17\/santos-martires-de-cunhau-e-uruacu\/"},"modified":"2017-06-09T10:43:51","modified_gmt":"2017-06-09T13:43:51","slug":"santos-martires-de-cunhau-e-uruacu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/santos-martires-de-cunhau-e-uruacu\/","title":{"rendered":"Santos m\u00e1rtires de Cunha\u00fa e Urua\u00e7\u00fa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No pr\u00f3ximo dia 20 de abril, \u00e0s 10 horas locais, o Papa Francisco presidir\u00e1, na Sala do Consist\u00f3rio do Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico, no Vaticano, a celebra\u00e7\u00e3o da Hora M\u00e9dia e o Consist\u00f3rio Ordin\u00e1rio P\u00fablico para a Canoniza\u00e7\u00e3o dos Bem-aventurados Andr\u00e9 de Soveral, Ambr\u00f3sio Francisco Ferro, sacerdotes diocesanos; Mateus Moreira, leigo, e 27 companheiros, m\u00e1rtires, entre outros. Ele j\u00e1 tinha anunciado no dia 23 de mar\u00e7o \u00faltimo, quinta-feira, essa possibilidade de canoniza\u00e7\u00e3o dos \u201cm\u00e1rtires de Cunha\u00fa e Urua\u00e7\u00fa\u201d. <br \/>Estes nossos antepassados preferiram morrer, em condi\u00e7\u00f5es brutais, a trair a sua f\u00e9 cat\u00f3lica. Deixaram-nos, assim, um grande legado espiritual e hist\u00f3rico que nos chama \u00e0 alegria por termos t\u00e3o grandes testemunhas, mas tamb\u00e9m \u00e0 responsabilidade, a fim de n\u00e3o trairmos essa nobre linhagem da qual devemos ser \u2013 com a gra\u00e7a de Deus que a ningu\u00e9m falta \u2013 fi\u00e9is continuadores em pleno s\u00e9culo XXI.<br \/>Beatificar \u00e9 celebrar \u2013 em Roma ou, de prefer\u00eancia na Diocese que promoveu o novo Beato \u2013, um ato solene no qual o Papa, pessoalmente ou atrav\u00e9s de um legado seu, via de regra o Cardeal Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para as Causas dos Santos, torna p\u00fablico que o Servo de Deus pode ser venerado como Bem-Aventurado ou Beato por meio de uma festa em lugares delimitados como, por exemplo, as cidades em que viveu, atuou, morreu ou nas casas de sua Congrega\u00e7\u00e3o Religiosa.<br \/>Canonizar \u00e9 a a\u00e7\u00e3o pela qual o Papa \u2013 e s\u00f3 ele \u2013 declara que o Bem-Aventurado \u00e9 Santo ao inscrev\u00ea-lo no c\u00e2non (cat\u00e1logo) dos santos; por isso se fala em canoniza\u00e7\u00e3o, termo utilizado pela primeira vez no s\u00e9culo XII, em uma carta de Udalrico, Bispo de Constan\u00e7a, ao Papa Calixto II (1119-1124).<br \/>A palavra m\u00e1rtir vem do grego m\u00e1rtys, m\u00e1rtyros e significa testemunha. Da\u00ed ter sido reservada, j\u00e1 na linguagem dos primeiros crist\u00e3os, para designar especificamente os homens e mulheres que deram testemunho (martyrion) de sua f\u00e9 no Senhor Jesus por meio do derramamento do pr\u00f3prio sangue.<br \/>No Apocalipse 6,9, vemos a descri\u00e7\u00e3o do conceito de m\u00e1rtir nestes termos: \u201cVi sob o altar as vidas dos que tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho que dela tinham prestado\u201d. Ver tamb\u00e9m Ap 1,13; 17,16 e At 22,20.<br \/>O professor Ant\u00f4nio Carlos Santini, em recens\u00e3o de importante artigo da revista La Civilt\u00e1 Catolica (15\/07\/00), afirma que para existir o verdadeiro mart\u00edrio na Igreja, \u201cal\u00e9m da passagem pela morte, o motivo deve ser o \u00f3dio \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 ou \u00e0s verdades e virtudes do cristianismo. Mais: a morte deve ser sofrida como testemunho de f\u00e9 com um ato exterior de aceita\u00e7\u00e3o livre e consciente, recusando toda oportunidade oferecida para evit\u00e1-la, abandonando a f\u00e9. E a mesma morte deveria ser aceita em esp\u00edrito de f\u00e9 e de amor a Jesus Cristo\u201d.<br \/>\u201cPara Santo Agostinho, \u2018martyres non facit poena, sed causa\u2019. O que conta \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o da morte, n\u00e3o o sofrimento em si mesmo&#8230; A ess\u00eancia do mart\u00edrio est\u00e1 no motivo pelo qual ocorreu a morte do fiel\u201d.<br \/>\u201cComo se tudo isso fosse ainda pouco, espera-se do m\u00e1rtir a disposi\u00e7\u00e3o de perdoar os agressores e a capacidade de amar ao extremo. \u2018Sine charitate non valet\u2019 (S. Tom\u00e1s. Suma Theol. II-II, q. 124, a2. ad 2). O mart\u00edrio n\u00e3o tem valor sem a caridade. Sem o amor extremado de Est\u00eav\u00e3o que perdoa seus lapidadores, a exemplo de Cristo no Calv\u00e1rio\u201d. (Atualiza\u00e7\u00e3o, n. 290, mar\u00e7o\/abril de 2000, p. 143)<br \/>Sobre os nossos m\u00e1rtires do Rio Grande do Norte, eis abaixo um breve resumo da hist\u00f3ria deles na revista Pergunte e Responderemos n. 451, dezembro de 1999, p. 530-534.<br \/>Os holandeses invadiram o Nordeste do Brasil e dominaram a regi\u00e3o desde o Cear\u00e1 at\u00e9 Sergipe, de 1630 a 1654. Eram protestantes calvinistas e vieram com seus l\u00edderes religiosos para doutrinar os \u00edndios. Isso gerou uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil para os cat\u00f3licos da regi\u00e3o, porque foi proibida a celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa. Em Cunha\u00fa (RN) um ministro protestante prometeu poupar a vida a todos, caso negassem a f\u00e9 cat\u00f3lica, o que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o aceitou. Ent\u00e3o, no domingo, 16 de julho de 1645, festa de Nossa Senhora do Carmo, na capela da Vila de Cunha\u00fa concentravam-se aproximadamente setenta pessoas para participar da Santa Missa. <br \/>Padre Andr\u00e9 de Soveral, com seus 90 anos de idade, iniciou a Eucaristia, mas os soldados holandeses, armados de baionetas, chefiando um grupo de \u00edndios canibais, invadiram a capela em grande algazarra, logo ap\u00f3s a consagra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e do vinho. Fecharam-se as portas da capela e come\u00e7aram a \u2013 covardemente \u2013 massacrar os fi\u00e9is, impossibilitados de fugir. O sacerdote foi morto a golpes de sabre. O chefe da carnificina foi Jacob Rabbi, um alem\u00e3o a servi\u00e7o dos holandeses. <br \/>Terminado o massacre, os executores se retiraram, deixando os cad\u00e1veres estendidos no ch\u00e3o da capela. Um relato da \u00e9poca diz que os \u00edndios canibais devoraram as carnes das v\u00edtimas. No entanto, depois do triste epis\u00f3dio, pouco se falava sobre o fato devido ao medo que imperava no povo do lugar, que desejava manter \u2013 como, de fato, manteve \u2013 a sua f\u00e9, mas temia pela pr\u00f3pria vida e a de seus familiares. Afinal, os invasores j\u00e1 haviam demonstrado do que eram capazes para com quem n\u00e3o renunciasse \u00e0 f\u00e9 Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Romana.<br \/>Uma vers\u00e3o difundida h\u00e1 muito tempo narra o seguinte: um grupo, mais numeroso, cerca de setenta pessoas, sem contar os escravos e as crian\u00e7as, foi para um local \u00e0s margens do Rio Grande (Rio Urua\u00e7\u00fa), onde constru\u00edram um abrigo fortificado e tomaram o nome de Comunidade Potengi. Essa comunidade foi atacada por \u00edndios armados, comandados por Jacob Rabbi, por um famoso chefe ind\u00edgena e por soldados holandeses. Mataram todos os habitantes da fortaleza, inclusive padre Ambr\u00f3sio Ferro e muitas pessoas de Natal (RN).<br \/>Relatam ainda os cronistas que a uns cortaram os bra\u00e7os e as pernas, a outros degolaram, a outros arrancaram as orelhas ou a l\u00edngua antes de os matarem. Alguns cad\u00e1veres foram esquartejados: a Mateus Moreira arrancaram o cora\u00e7\u00e3o pelas costas, mas, antes de morrer, ele ainda p\u00f4de gritar em alta voz: \u201cLouvado seja o Sant\u00edssimo Sacramento\u201d! Corpos ficaram expostos ao l\u00e9u por 15 dias, tempo em que os holandeses autorizaram o sepultamento.<br \/>Esta \u00e9 a vers\u00e3o dos fatos como se encontra no livro \u201cO Valoroso Lucideno\u201d de autoria de Frei Manuel Calado, publicado em Lisboa, j\u00e1 no ano de 1648. Frei Manuel escreveu na mesma \u00e9poca em que tudo ocorreu. Existe outra vers\u00e3o do epis\u00f3dio, id\u00eantica \u00e0 anterior e com mais detalhes, que encontra-se no livro \u201cOs Holandeses no Brasil\u201d, de monsenhor Paulo Her\u00f4ncio.<br \/>Que os \u201cm\u00e1rtires de Cunha\u00fa e Urua\u00e7\u00fa\u201d, como ficaram conhecidos, intercedam a Deus por n\u00f3s a fim de que, em toda e qualquer circunst\u00e2ncia da vida, nos lembremos de nossa nobre miss\u00e3o: ser sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5,13-14).<br \/>Com a canoniza\u00e7\u00e3o dos m\u00e1rtires do Rio Grande do Norte, a Igreja os coloca como testemunhas atuais e importantes da viv\u00eancia cat\u00f3lica, e nos impele ainda mais a termos coragem, nestes tempos dif\u00edceis, de viver com generosidade e alegria nossa vida crist\u00e3 e cat\u00f3lica. Se os tempos de hoje s\u00e3o dif\u00edceis, muito foram tamb\u00e9m os tempos dos nossos m\u00e1rtires. Que eles intercedam por n\u00f3s, brasileiros, chamados a viver a nossa identidade com generosidade e coer\u00eancia. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo dia 20 de abril, \u00e0s 10 horas locais, o Papa Francisco presidir\u00e1, na Sala do Consist\u00f3rio do Pal\u00e1cio Apost\u00f3lico, no Vaticano, a celebra\u00e7\u00e3o da Hora M\u00e9dia e o Consist\u00f3rio Ordin\u00e1rio P\u00fablico para a Canoniza\u00e7\u00e3o dos Bem-aventurados Andr\u00e9 de Soveral, Ambr\u00f3sio Francisco Ferro, sacerdotes diocesanos; Mateus Moreira, leigo, e 27 companheiros, m\u00e1rtires, entre outros. 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