{"id":29486,"date":"2017-04-13T13:06:38","date_gmt":"2017-04-13T16:06:38","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/04\/13\/mensagem-aos-sacerdotes\/"},"modified":"2017-06-09T11:06:53","modified_gmt":"2017-06-09T14:06:53","slug":"mensagem-aos-sacerdotes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/mensagem-aos-sacerdotes\/","title":{"rendered":"Mensagem aos sacerdotes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quinta-feira Santa de 2017<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7amos o Papa!<\/p>\n<p> Nesta Quinta-feira Santa, dirijo esta Mensagem Especial aos Bispos auxiliares, Sacerdotes, Di\u00e1conos e a todos quantos se preparam para o minist\u00e9rio sacerdotal nesta nossa querida Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro. <br \/>Nesta oportunidade, desejo faz\u00ea-lo tendo por base as s\u00e1bias e oportunas palavras do Papa Francisco ao clero de Roma, em memor\u00e1vel e longo discurso proferido no dia 2 de mar\u00e7o \u00faltimo, na Bas\u00edlica de S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, na Cidade Eterna, de um modo especial no ponto que toca a f\u00e9 de Pedro, fraca por si mesma, mas forte em Deus, bem como a import\u00e2ncia profunda do perd\u00e3o.<br \/> O pronunciamento de Francisco tem in\u00edcio, meus irm\u00e3os, com a recorda\u00e7\u00e3o do pedido dos Ap\u00f3stolos: \u201cSenhor, aumenta a nossa f\u00e9\u201d (Lc 17,5). Afinal, tinham eles ouvido tantas coisas grandiosas dos l\u00e1bios do Mestre, que s\u00f3 com uma f\u00e9 maior e realmente sobrenatural poderiam entender e colocar em pr\u00e1tica aquilo que Cristo lhes ensinava: se algu\u00e9m pecar contra ti at\u00e9 sete vezes e em todas elas lhe pedir perd\u00e3o, este deve ser concedido ao errante arrependido. <br \/>O Papa vai al\u00e9m e recorda a passagem paralela de Mt 18,21-22, na qual Pedro pergunta se deve perdoar \u201cat\u00e9 sete vezes\u201d, e Jesus lhe responde que n\u00e3o \u00e9 at\u00e9 sete vezes, mas, sim, at\u00e9 setenta vezes sete, ou seja, infinitamente e de modo perfeito. O n\u00famero sete significa, naquele contexto, a perfei\u00e7\u00e3o. Quem perdoa de verdade esquece a ofensa feita.<br \/>No minist\u00e9rio ordenado ou que se prepara para a doa\u00e7\u00e3o de suas vidas a Deus como participante do \u00fanico e verdadeiro sacerd\u00f3cio da Nova Alian\u00e7a, que \u00e9 o de Cristo Jesus (cf. Hb 5,10; 6,20), \u00e9 preciso uma f\u00e9 grandiosa para bem vivenciarmos, no dia a dia, esse nobre apelo do Evangelho, dado que somos criaturas fr\u00e1geis, concebidas no pecado original, mas tamb\u00e9m homens novos tornados filhos no Filho pelo Batismo (cf. Gl 4,5) e chamados \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o (cf. Mt 5,48). Da\u00ed o paradoxo a que somos chamados a enfrentar: ser santos&#8230; apesar das nossas n\u00e3o poucas nem pequenas fraquezas.<br \/>Quero, portanto, dentro dessa longa explana\u00e7\u00e3o do Papa, a ser lida e meditada na \u00edntegra por todos n\u00f3s, ater-me ao ponto da f\u00e9 do Ap\u00f3stolo Pedro, que oscila, como j\u00e1 mencionei, entre a santidade e a pequenez humana sujeita a muitas limita\u00e7\u00f5es. Diz, com efeito, o Santo Padre: \u201cPara concretizar esta reflex\u00e3o relativa a uma f\u00e9 que cresce com o discernimento do momento, contemplemos o \u00edcone de Sim\u00e3o Pedro \u2018passado no crivo\u2019 (cf. Lc 22, 31), que o Senhor preparou de maneira paradigm\u00e1tica, a fim de que com a sua f\u00e9 provada confirmasse todos n\u00f3s que \u2018amamos Cristo sem o ter visto\u2019 (cf. 1 Pd 1, 8)\u201d. <br \/>Sim, parece muito estranho que o pescador escolhido pelo Senhor para estar \u00e0 frente da Sua Igreja quando Ele partisse possa ser censurado pela pouca f\u00e9 que tem (cf. Mt 14,310), ao passo que outras pessoas do povo ou mesmo de fora do povo eleito \u2013 Israel \u2013 mere\u00e7am elogios devido \u00e0 grande f\u00e9 que possuem, como \u00e9 o caso do centuri\u00e3o (cf. Lc 7,9) e da mulher s\u00edrio-fen\u00edcia (cf. Mt 15,28). E disso tudo decorre um ponto interessante: momentos antes da Paix\u00e3o, enquanto os disc\u00edpulos discutem entre si quem \u00e9 o maior e quem haver\u00e1 de trair o Mestre, Jesus, Nosso Senhor, centra-se na f\u00e9 de Pedro, ao dizer: \u201cSim\u00e3o, Sim\u00e3o, olha que Satan\u00e1s vos reclamou para vos joeirar como o trigo. Mas Eu rezei por ti, a fim de que a tua f\u00e9 n\u00e3o desfale\u00e7a. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irm\u00e3os\u201d (Lc 22, 31-31).<br \/> A partir daqui, o Papa faz uma bela exegese deste trecho e que, por isso, vale a pena acompanhar com aten\u00e7\u00e3o: \u201cEsclare\u00e7amos os termos, porque as preces do Senhor ao Pai s\u00e3o para conservar como tesouros no cora\u00e7\u00e3o. Consideremos que o Senhor \u2018reza\u2019 por Sim\u00e3o, mas pensando em n\u00f3s\u201d. <br \/>\u201c\u2018Desfalecer\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00e9 a tradu\u00e7\u00e3o de ekleipo \u2013 \u2018eclipsar-se\u2019 \u2013 e \u00e9 muito pl\u00e1stica a imagem de uma f\u00e9 eclipsada pelo esc\u00e2ndalo da paix\u00e3o. \u00c9 a experi\u00eancia \u00e0 qual chamamos desola\u00e7\u00e3o: algo encobre a luz. Voltar para tr\u00e1s (epistrepsas) exprime aqui o sentido de \u2018converter-se\u2019, de retornar \u00e0 consola\u00e7\u00e3o anterior depois de uma experi\u00eancia de desola\u00e7\u00e3o e de ser passado no crivo por parte do dem\u00f4nio\u201d.<br \/>\u201c\u2018Confirmar\u2019 (sterizon) diz-se no sentido de \u2018consolidar\u2019 (histemi) a f\u00e9 a fim de que a partir daquele momento seja \u2018determinada\u2019 (cf. Lc 9, 51). Uma f\u00e9 que nenhum vento de doutrina pode demover (cf. Ef 4, 14). [&#8230;] Podemos reler as palavras do Senhor da seguinte maneira: \u2018Sim\u00e3o, Sim\u00e3o, [&#8230;] pedi ao Pai por ti, para que a tua f\u00e9 n\u00e3o permane\u00e7a eclipsada (pelo meu rosto desfigurado, em ti que o viu transfigurado); e tu, quando sa\u00edres desta sensa\u00e7\u00e3o de desola\u00e7\u00e3o da qual o dem\u00f4nio se aproveitou para te passar no crivo, confirmas (com esta tua f\u00e9 provada) a f\u00e9 dos teus irm\u00e3os\u2019\u201d.<br \/>\u201cVemos assim que a f\u00e9 de Sim\u00e3o Pedro tem um car\u00e1ter especial: \u00e9 uma f\u00e9 provada, e, com ela, tem a miss\u00e3o de confirmar e consolidar a f\u00e9 dos seus irm\u00e3os, a nossa f\u00e9. A f\u00e9 de Sim\u00e3o Pedro \u00e9 menor do que a de tantos pequeninos do povo fiel de Deus. At\u00e9 pag\u00e3os, como o centuri\u00e3o, t\u00eam uma f\u00e9 maior no momento de implorar a cura de um doente da sua fam\u00edlia. A f\u00e9 de Sim\u00e3o \u00e9 mais lenta do que a de Maria Madalena e de Jo\u00e3o, que s\u00f3 cr\u00ea ao ver o sinal do sud\u00e1rio, e reconhece o Senhor \u00e0s margens do lago s\u00f3 ao escutar as Suas palavras. A f\u00e9 de Sim\u00e3o Pedro tem momentos de grandeza, como quando confessa que Jesus \u00e9 o Messias, mas depois seguem quase imediatamente outros momentos de grave erro, de extrema fragilidade e de total desconcerto, como quando quer afastar o Senhor da cruz, ou quando afunda sem rem\u00e9dio no lago ou deseja defender o Senhor com a espada. Para n\u00e3o falar do momento vergonhoso das tr\u00eas nega\u00e7\u00f5es diante dos servos\u201d.<br \/>Dois pontos me v\u00eam \u00e0 mem\u00f3ria e gostaria de compartilhar com os senhores: o primeiro \u00e9 ainda sobre Pedro, que n\u00e3o se deixa vencer pelo mal (o pecado), mas, com a gra\u00e7a de Deus para a qual ele se abre, vence o mal com o bem (cf. Rm 12,21). Ele se reconhece fr\u00e1gil e necessitado da grandiosa miseric\u00f3rdia de Deus que a todos \u00e9 oferecida, basta que a pe\u00e7amos com as palavras do cego (cf. Mc 10,47), e que muitos santos monges a usaram como jaculat\u00f3ria di\u00e1ria cont\u00ednua: \u201cJesus, Filho de Davi, tende piedade de mim\u201d!<br \/>Sim, logo ap\u00f3s trair o Mestre, este lhe dirige o olhar e o cura, levando-o a chorar amargamente (cf. Lc 22,62). \u00c9 o arrependimento pelo erro que o pr\u00f3prio Cristo j\u00e1 previra. No entanto, a verdadeira amizade com Jesus \u00e9 refor\u00e7ada ou totalmente restaurada diante da Igreja, logo adiante, no interrogat\u00f3rio da tr\u00edplice pergunta e da tr\u00edplice resposta, conforme aponta ainda o Papa: \u201cNeste interrogat\u00f3rio podemos ver um modo de proceder do Senhor, ou seja, come\u00e7ar a partir de algo bom, que todos reconheciam e com o qual Sim\u00e3o Pedro podia estar contente: \u2018Amas-me mais do que estes\u2019? (v. 15); confirm\u00e1-lo, simplificando-o, com um simples \u2018amas-me\u2019? (v. 16), que tira da alma de Sim\u00e3o qualquer desejo de grandeza e rivalidade; para acabar naquele \u2018amas-me como amigo\u2019? (v. 17), que \u00e9 o que Sim\u00e3o Pedro mais deseja e, evidentemente, \u00e9 o que mais est\u00e1 a peito de Jesus. Se \u00e9 verdadeiramente amor de amizade, este amor nada tem a ver com algum tipo de repreens\u00e3o ou corre\u00e7\u00e3o: a amizade \u00e9 amizade e \u00e9 o valor mais alto que corrige e melhora tudo o resto, sem necessidade de falar sobre o motivo\u201d.<br \/>\u201cTalvez a maior tenta\u00e7\u00e3o do diabo fosse esta: insinuar em Sim\u00e3o Pedro a ideia de n\u00e3o se julgar digno de ser amigo de Jesus, porque O tinha atrai\u00e7oado. Mas o Senhor \u00e9 fiel. Sempre. E de tempos em tempos renova a Sua fidelidade. \u2018Se somos infi\u00e9is Ele continua fiel, pois n\u00e3o pode renegar-se a si mesmo\u2019 (2 Tm 2, 13), como diz Paulo a Tim\u00f3teo, seu filho na f\u00e9. A amizade possui esta gra\u00e7a: um amigo que \u00e9 mais fiel pode, com a sua fidelidade, tornar fiel o outro que n\u00e3o o \u00e9 tanto. E se se trata de Jesus, Ele mais do que ningu\u00e9m tem o poder de tornar fi\u00e9is os seus amigos. \u00c9 nesta f\u00e9 \u2013 a f\u00e9 num Jesus amigo fiel \u2013 que Sim\u00e3o Pedro \u00e9 confirmado e enviado a confirmar-nos a todos. \u00c9 neste sentido espec\u00edfico que se pode ler a tr\u00edplice miss\u00e3o de apascentar as ovelhas e os cordeiros. Considerando tudo o que exige o cuidado pastoral, \u00e9 essencial o elemento de fortalecer os outros na f\u00e9 em Jesus, que nos ama como amigos. \u00c9 a este amor que se refere Pedro na sua Primeira Carta: trata-se da f\u00e9 em Jesus Cristo que \u2013 diz \u2013 \u2018amais, sem o terdes visto; e ainda, credes nele, sem o verdes\u2019, e esta f\u00e9 leva-nos a exultar \u2018de alegria inef\u00e1vel e gloriosa\u2019, convictos de alcan\u00e7ar \u2018a meta da (nossa) f\u00e9: a salva\u00e7\u00e3o das almas\u2019 (cf. 1 Pd 1, 7-9)\u201d.<br \/>Outro ponto que gostaria de tratar \u00e9 o da tenta\u00e7\u00e3o, obra diab\u00f3lica \u00e0 qual todos estamos sujeitos. Por isso pedimos diariamente, e bem mais de uma vez, no Pai-Nosso, que o Senhor n\u00e3o nos deixe cair em tenta\u00e7\u00e3o. E Ele n\u00e3o deixa, pois jamais permite que sejamos tentados acima de nossas for\u00e7as, (cf. 1Cor 10,13) e assim como rezou por Pedro, continua a orar por n\u00f3s de onde est\u00e1, ou seja, \u00e0 direita do Pai (cf. Rm 8,34). Sejamos confiantes, pois n\u00e3o obstante todas as prova\u00e7\u00f5es, Deus caminha conosco e n\u00e3o nos deixa sucumbir na prova\u00e7\u00e3o, se n\u2019Ele confiarmos inteiramente (cf. Mt 14,31).<br \/>Da\u00ed, ser preciso ter presente que a vida \u00e9 um grande embate, especialmente contra o Maligno, embora tamb\u00e9m o mundo \u2013 entendido como mundanismo \u2013 e a nossa pr\u00f3pria carne, sejam poderosas fontes de tenta\u00e7\u00f5es. O Senhor a todos se faz presente com Sua gra\u00e7a, conforme explana o Papa: \u201cSe nas prova\u00e7\u00f5es que t\u00eam origem na nossa carne o Senhor nos encoraja e fortalece, realizando muitos milagres de cura, nestas tenta\u00e7\u00f5es que v\u00eam diretamente do dem\u00f4nio, o Senhor usa uma estrat\u00e9gia mais complexa. Vemos que h\u00e1 alguns dem\u00f4nios que expulsa diretamente, sem rodeios; outros neutraliza-os, silenciando-os; outros faz com que falem, pergunta o seu nome, como o que era \u2018Legi\u00e3o\u2019; a outros responde amplamente com a Escritura, suportando um longo procedimento, como no caso das tenta\u00e7\u00f5es no deserto. Este dem\u00f4nio, que tenta o seu amigo no in\u00edcio da Sua paix\u00e3o, derrota-o rezando, n\u00e3o porque o deixe em paz, mas para que o seu joeirar se torne motivo de for\u00e7a em benef\u00edcio dos outros\u201d.<br \/>O Santo Padre n\u00e3o deixa de lembrar ainda que a prova\u00e7\u00e3o \u00e9 algo cont\u00ednuo e n\u00e3o apenas moment\u00e2neo, uma vez que terminada a d\u00favida crucial de Pedro, se Cristo \u00e9 ou n\u00e3o seu amigo, lhe adv\u00e9m outra tenta\u00e7\u00e3o \u2013 talvez a dos ci\u00fames ou da inseguran\u00e7a pessoal \u2013 que nada menos \u00e9 do que ter d\u00favidas se o Senhor ama mais a Jo\u00e3o, tido, ali\u00e1s, como o disc\u00edpulo amado, ou a ele (Pedro)? \u2013 A resposta do Mestre \u00e9 enf\u00e1tica e demonstra ser perda de tempo tentar sondar os des\u00edgnios divinos, importa segui-Lo, ao responder-lhe: \u201cQue te importa? Segue-Me\u201d! (Jo 21,22). <br \/>Como somos fr\u00e1geis e necessitados da divina miseric\u00f3rdia, meus amados irm\u00e3os! Aprendamos, portanto, a nos reconhecer pecadores e a pedir a gra\u00e7a divina, hoje e sempre.<br \/>Da grandeza e da fragilidade paradoxal de Pedro tiremos, com o Papa, uma li\u00e7\u00e3o para nosso minist\u00e9rio ordenado, pois o \u201cque ajuda no crescimento da f\u00e9 \u00e9 manter unidos o pr\u00f3prio pecado, o desejo de bem do pr\u00f3ximo, a ajuda que recebemos e o apoio que n\u00f3s devemos oferecer. \u00c9 in\u00fatil separ\u00e1-los: n\u00e3o podemos sentir-nos perfeitos quando desempenhamos o minist\u00e9rio e, quando pecamos, justificar-nos porque somos como todos os outros. \u00c9 necess\u00e1rio unir tudo: se fortalecemos a f\u00e9 dos outros, fa\u00e7amo-lo como pecadores. E quando pecamos, confessemo-nos por aquilo que somos, sacerdotes, frisando que temos uma responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas, n\u00e3o somos como todos. Estas duas realidades amalgamam-se bem quando levamos em frente o povo, as nossas ovelhas, especialmente os mais pobres. \u00c9 o que faz Jesus quando pergunta a Sim\u00e3o Pedro se O ama, sem nada lhe dizer a respeito da dor ou da alegria que este amor lhe causa, levando-o a considerar os seus irm\u00e3os deste modo: apascenta as minhas ovelhas, confirma a f\u00e9 dos teus irm\u00e3os.\u201d [&#8230;] \u201c\u2018D\u00e1 gra\u00e7as se sentes que tens pouca f\u00e9\u2019, porque quer dizer que amas os teus irm\u00e3os. \u2018D\u00e1 gra\u00e7as se te sentes pecador e indigno no minist\u00e9rio\u2019, pois significa que entendes que se fazes algo \u00e9 porque Jesus ora por ti, e sem Ele nada podemos\u201d. (Cf. Jo 15, 5)<br \/>\u201cDiziam os nossos antepassados que a f\u00e9 aumenta quando realizamos gestos de f\u00e9. Sim\u00e3o Pedro \u00e9 o \u00edcone do homem que em todos os momentos o Senhor Jesus leva a cumprir atos de f\u00e9. Quando Sim\u00e3o Pedro entende esta \u2018din\u00e2mica\u2019 do Senhor, esta sua pedagogia, n\u00e3o perde a ocasi\u00e3o para discernir, a cada momento, qual gesto de f\u00e9 pode fazer no seu Senhor. E nisto n\u00e3o se engana. Quando Jesus age como seu Senhor, atribuindo-lhe o nome de Pedro, Sim\u00e3o deixa-O agir. O seu \u2018assim seja\u2019 \u00e9 silencioso, como aquele de S\u00e3o Jos\u00e9, demonstrando-se real ao longo da sua vida. Quando o Senhor o exalta e humilha, Sim\u00e3o Pedro n\u00e3o olha para si mesmo, mas presta aten\u00e7\u00e3o para aprender a li\u00e7\u00e3o do que vem do Pai ou daquilo que prov\u00e9m do diabo. Quando o Senhor o repreende, porque se tinha engrandecido, deixa-se corrigir. Quando o Senhor lhe mostra, de modo divertido, que n\u00e3o se deve disfar\u00e7ar diante dos cobradores de impostos, vai pescar peixes com a moeda. Quando o Senhor o humilha, prenunciando que O havia de renegar, \u00e9 sincero e diz o que sente, como o ser\u00e1 quando chorar amargamente, deixando-se perdoar. Houve numerosos momentos muito diferentes na sua vida, e no entanto h\u00e1 uma \u00fanica li\u00e7\u00e3o: a do Senhor que confirma a sua f\u00e9, a fim de que ele possa corroborar a f\u00e9 do seu povo. Pe\u00e7amos, tamb\u00e9m n\u00f3s, a Pedro que nos confirme na f\u00e9, a fim de que n\u00f3s, por nossa vez, possamos confirmar a f\u00e9 dos nossos irm\u00e3os\u201d, conclui o Papa.<br \/>Alguns pontos pr\u00e1ticos, portanto, v\u00eam ao caso, a t\u00edtulo de conclus\u00e3o desta longa Mensagem: 1) um bom exame de consci\u00eancia di\u00e1rio, especialmente na Ora\u00e7\u00e3o de Completas h\u00e1 um momento apropriado para isso; 2) a Confiss\u00e3o sacramental frequente mesmo dos pecados leves, a fim de que cada vez mais nos aproximemos de Cristo por Sua gra\u00e7a, e tenhamos, desse modo, for\u00e7a para resistir \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es, mesmo a quem se sente tentado, a Confiss\u00e3o \u00e9 o melhor exorcismo; 3) a Ora\u00e7\u00e3o pessoal, especialmente diante do Sacr\u00e1rio, bem como a ora\u00e7\u00e3o por excel\u00eancia da Igreja, que temos o dever de rezar, que \u00e9 a Liturgia das Horas, ao menos em suas Horas maiores; 4) celebrar a Santa Missa com profunda piedade, como se ela fosse a \u00fanica da sua vida de sacerdote. Afinal, quem nos garante que poderemos presidir ou concelebrar outras?; 5) dedicar-se a boas leituras que nos enriquecem muito, espiritual e intelectualmente, a fim de que possamos melhor servir o Povo de Deus; 6) participar de retiros espirituais ao menos uma vez ao ano (e a participa\u00e7\u00e3o no retiro \u00e9 obrigat\u00f3ria, pois ningu\u00e9m estar\u00e1 dispensado); 7) viver a comunh\u00e3o presbiteral com o Bispo Diocesano e com os demais sacerdotes, especialmente os mais necessitados; 8) dar aten\u00e7\u00e3o aos seminaristas a precisarem do nosso bom exemplo e a nos entusiasmarem com o fulgor da sua juventude; 9) n\u00e3o perder a ocasi\u00e3o de praticar a caridade para com todos. Entre outros t\u00f3picos que cada um poder\u00e1 acrescentar por conta pr\u00f3prio.<br \/>Feliz Dia do Sacerd\u00f3cio a todos! Estejam certos de que, n\u00e3o obstante as limita\u00e7\u00f5es como as de Pedro, o Bispo Diocesano, como primeiro respons\u00e1vel pela unidade diocesana, reza e acompanha cada um dos senhores em sua voca\u00e7\u00e3o, e conta tamb\u00e9m com a preciosa ora\u00e7\u00e3o de todos por ele e por seu minist\u00e9rio de presidir, na caridade, esta parcela do Povo de Deus a ele confiada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quinta-feira Santa de 2017 Ou\u00e7amos o Papa! Nesta Quinta-feira Santa, dirijo esta Mensagem Especial aos Bispos auxiliares, Sacerdotes, Di\u00e1conos e a todos quantos se preparam para o minist\u00e9rio sacerdotal nesta nossa querida Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro. Nesta oportunidade, desejo faz\u00ea-lo tendo por base as s\u00e1bias e oportunas palavras do Papa Francisco [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-29486","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29486"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29486\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31023,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29486\/revisions\/31023"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}