{"id":29485,"date":"2017-04-12T03:00:00","date_gmt":"2017-04-12T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/04\/12\/da-cruz-a-ressurreicao\/"},"modified":"2017-06-09T13:12:33","modified_gmt":"2017-06-09T16:12:33","slug":"da-cruz-a-ressurreicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/da-cruz-a-ressurreicao\/","title":{"rendered":"Da cruz \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nesta Semana Santa dentro do Ano Mariano, uma oportunidade boa para n\u00f3s \u00e9 deixarmo-nos guiar por Maria a partir do Mist\u00e9rio Pascal. Ela foi a primeira e mais santa seguidora de seu Filho e, por isso, nos ensina a segui-Lo tamb\u00e9m. Mais do que ensinar, ela nos acompanha ao longo do caminho.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos um itiner\u00e1rio a partir de trechos selecionados do conhecido Serm\u00e3o de S\u00e3o Bernardo de Claraval para o Of\u00edcio das Leituras, na comemora\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de Nossa Senhora das Dores, cujo t\u00edtulo \u00e9 \u201cEstava sua M\u00e3e junto \u00e0 cruz\u201d. Trata-se de um texto profundamente m\u00edstico, como, ali\u00e1s, era pr\u00f3prio de S\u00e3o Bernardo, que soube unir a teologia \u00e0 m\u00edstica de forma exemplar.<\/p>\n<p>Ele se inspira na passagem do Evangelho de Lucas, na qual \u00e9 descrita a apresenta\u00e7\u00e3o de Jesus no templo, quando Sime\u00e3o profetiza que o menino seria um sinal de contradi\u00e7\u00e3o e afirma para Maria: \u201cUma espada traspassar\u00e1 tua alma&#8221;. (Cf. Lc 2,34-35)<\/p>\n<p>Deixo, ent\u00e3o, que nos fale a respeito o Doutor Mel\u00edfluo:<\/p>\n<p>\u201cVerdadeiramente, \u00f3 santa M\u00e3e, uma espada traspassou tua alma. Ali\u00e1s, somente traspassando-a, penetraria na carne do Filho. [&#8230;] A lan\u00e7a cruel, abrindo-lhe o lado sem poupar um morto, n\u00e3o atingiu a alma dele, mas ela traspassou a tua alma. A alma dele j\u00e1 ali n\u00e3o estava, a tua, por\u00e9m, n\u00e3o podia ser arrancada dali. Por isto a viol\u00eancia da dor penetrou em tua alma e n\u00f3s te proclamamos, com justi\u00e7a, mais do que m\u00e1rtir, porque a compaix\u00e3o ultrapassou a dor da paix\u00e3o corporal. [&#8230;] N\u00e3o vos admireis, irm\u00e3os, que se diga ter Maria sido m\u00e1rtir na alma\u201d. [&#8230;]<\/p>\n<p>Talvez haja quem pergunte: \u2018Mas n\u00e3o sabia ela de antem\u00e3o que iria ele morrer\u2019? Sem d\u00favida alguma. \u2018E n\u00e3o esperava que logo ressuscitaria\u2019? Com toda a confian\u00e7a. \u2018E mesmo assim sofreu com o Crucificado\u2019? Com toda a veem\u00eancia. [&#8230;] \u00c9 obra da caridade: ningu\u00e9m a teve maior! [&#8230;] Depois dela nunca houve igual. [&#8230;]<\/p>\n<p>A morte de Jesus, e morte de cruz, como enfatiza S\u00e3o Paulo na carta aos Filipenses, referindo-se \u00e0 execu\u00e7\u00e3o mais humilhante daquela \u00e9poca, foi o maior sinal da miseric\u00f3rdia de Deus por n\u00f3s. De fato, Jesus, que n\u00e3o se prevaleceu de sua condi\u00e7\u00e3o divina, mas se humilhou at\u00e9 assemelhar-se aos homens na condi\u00e7\u00e3o de escravo, \u00e9 o rosto da miseric\u00f3rdia do Pai. (Cf. FL 2,6-8)<\/p>\n<p>E sua M\u00e3e \u201ccom-padece\u201d com Ele, em doa\u00e7\u00e3o de puro amor, naquilo que S\u00e3o Bernardo chama de \u201cmart\u00edrio da alma\u201d. Seria uma palavra muito dura afirmar que n\u00f3s tamb\u00e9m devemos ser m\u00e1rtires? Lembremo-nos de que o significado do termo grego martyr \u00e9 \u201ctestemunha\u201d. Todos somos chamados a testemunhar para o mundo a cruz de Cristo. Ela \u00e9 uma etapa irrenunci\u00e1vel do seguimento do Senhor.<\/p>\n<p>Nos tempos atuais, cunhou-se a express\u00e3o \u201cmart\u00edrio das consci\u00eancias\u201d justamente para designar a discrimina\u00e7\u00e3o velada, a persegui\u00e7\u00e3o discreta, por\u00e9m efetiva, que n\u00f3s crist\u00e3os sofremos, muitas vezes sob a forma de ideologias contr\u00e1rias aos valores do Evangelho que tentam impor \u00e0s nossas consci\u00eancias. Este n\u00e3o seria o momento prop\u00edcio para discorrer sobre os in\u00fameros exemplos deste tipo que surgem na nossa sociedade. No entanto, basta estar atento \u00e0 m\u00eddia para conhec\u00ea-los.<\/p>\n<p>Depois das grandes celebra\u00e7\u00f5es da semana, espera-nos a plan\u00edcie da nossa grande cidade; espera-se, e at\u00e9 mesmo anseia, por algu\u00e9m que possa plantar em seu solo a semente da esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Esperan\u00e7a \u2013 \u00e9 o que este tempo presente tanto necessita! A mesma esperan\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o do Filho, que Maria guardou pela confian\u00e7a, mesmo no mais terr\u00edvel sofrimento, como afirma S\u00e3o Bernardo.<\/p>\n<p>O Beato Paulo VI na Evangelii Nuntiandi, citado pelo Papa Francisco na Evangelii Gaudium, nos diz: \u201cQue o mundo do nosso tempo, que procura ora na ang\u00fastia ora com esperan\u00e7a, possa receber a Boa Nova dos l\u00e1bios, n\u00e3o de evangelizadores tristes e desanimados, impacientes ou ansiosos, mas sim de ministros do Evangelho cuja vida ir\u00adradie fervor, pois foram quem recebeu primeiro em si a alegria de Cristo\u201d. (EG 10)<\/p>\n<p>N\u00f3s, crist\u00e3os, somos os arautos da esperan\u00e7a, justamente porque Jesus n\u00e3o permaneceu no t\u00famulo, mas ressuscitou. De seu lado aberto, segundo outra analogia m\u00edstica bem conhecida, jorraram sangue e \u00e1gua, simbolizando os sacramentos da Eucaristia e do Batismo. \u201cH\u00e1 um s\u00f3 Senhor, uma s\u00f3 f\u00e9, um s\u00f3 batismo\u201d (Ef 4,5). Assim, mergulhados sacramentalmente na morte de Jesus, com Ele emergimos para a vida nova de ressuscitados. Esta \u00e9 a fonte e a raz\u00e3o da nossa esperan\u00e7a!<\/p>\n<p>O Beato Paulo VI, Papa, afirma que o mundo do nosso tempo procura ora na ang\u00fastia ora com esperan\u00e7a. O que o mundo procura? Respostas para suas indaga\u00e7\u00f5es, solu\u00e7\u00f5es para urgentes problemas atuais; em resumo, sentido para a vida de cada pessoa que hoje se encontra imersa no vazio contempor\u00e2neo. J\u00e1 que a ci\u00eancia e a tecnologia n\u00e3o conseguiram, por si mesmas, dar essas respostas, as pessoas buscam algo que transcenda a limitada realidade material.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed o espa\u00e7o para que a Palavra de Deus penetre os cora\u00e7\u00f5es. Essa \u00e9 a nossa miss\u00e3o, pois somos todos evangelizadores, seja por palavras ou por atos, seja nos are\u00f3pagos da grande cidade ou no seio da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Maria ficou de p\u00e9 junto \u00e0 cruz sustentada pela esperan\u00e7a. Ela tinha em seu cora\u00e7\u00e3o a certeza de que o Filho ressuscitaria. A nossa esperan\u00e7a se fundamenta na promessa que j\u00e1 se cumpriu e que, em breve, iremos proclamar no louvor pascal. \u00c9 uma esperan\u00e7a assegurada pelo pr\u00f3prio Cristo, pois, se Ele ressuscitou, n\u00f3s tamb\u00e9m ressuscitaremos com Ele.<\/p>\n<p>Assim como o Ressuscitado irrompeu de seu t\u00famulo, que n\u00f3s tamb\u00e9m possamos deixar para tr\u00e1s tudo o que nos impede de segui-Lo com um cora\u00e7\u00e3o livre e generoso. Ser crist\u00e3o n\u00e3o significa apenas seguir a Cristo, mas reproduzir todas as Suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Enquanto n\u00e3o se consuma a Hist\u00f3ria, quando a gl\u00f3ria do Senhor ser\u00e1 manifestada, os sinais da ressurrei\u00e7\u00e3o est\u00e3o presentes entre n\u00f3s. Jesus Cristo nos deixou, como penhor de nossa ressurrei\u00e7\u00e3o, o dom do seu Esp\u00edrito, que santifica a Igreja e cada um de n\u00f3s. Por isso, somos chamados a levar a luz do Ressuscitado a todas as periferias geogr\u00e1ficas e existenciais, onde jazem os exclu\u00eddos, os solit\u00e1rios, os que sofrem toda forma de car\u00eancia. Cada pessoa que se ergue de uma condi\u00e7\u00e3o sub-humana, qualquer que ela seja, \u00e9 sinal de ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Que Deus nos conceda a gra\u00e7a de sermos as m\u00e3os estendidas que soerguem os irm\u00e3os e depois os acolhem no abra\u00e7o fraterno. N\u00e3o \u00e9 preciso ir muito longe do nosso contexto para encontrarmos essas oportunidades. Elas chegam at\u00e9 n\u00f3s. Como na par\u00e1bola do fariseu e do publicano, n\u00e3o precisamos perguntar quem \u00e9 o nosso pr\u00f3ximo. Ele est\u00e1 no caminho que trilhamos pela vida. Basta ter olhos para enxerg\u00e1-lo.<\/p>\n<p>O Papa Francisco ensina: \u201cA comunidade mission\u00e1\u00adria experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4, 10), e, por isso, ela sabe ir \u00e0 frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar \u00e0s encruzilhadas dos caminhos para convidar os ex\u00adclu\u00eddos. Vive um desejo inexaur\u00edvel de oferecer miseric\u00f3rdia, fruto de ter experimentado a mi\u00adseric\u00f3rdia infinita do Pai e a sua for\u00e7a difusiva\u201d. (EG 24)<\/p>\n<p>Desejo que as celebra\u00e7\u00f5es pascais nos conduzam a um verdadeiro encontro privilegiado com Jesus, e que, tendo experimentado a miseric\u00f3rdia do Pai, possam levar consigo essa for\u00e7a difusiva de oferecer miseric\u00f3rdia a este mundo t\u00e3o carente!\u00a0 Olhem o horizonte: \u00e9 P\u00e1scoa! \u00c9 nova vida que brota, a luz que dissipa as trevas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta Semana Santa dentro do Ano Mariano, uma oportunidade boa para n\u00f3s \u00e9 deixarmo-nos guiar por Maria a partir do Mist\u00e9rio Pascal. Ela foi a primeira e mais santa seguidora de seu Filho e, por isso, nos ensina a segui-Lo tamb\u00e9m. Mais do que ensinar, ela nos acompanha ao longo do caminho. 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