{"id":29431,"date":"2017-04-11T11:40:37","date_gmt":"2017-04-11T14:40:37","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/04\/11\/a-relacao-entre-homem-e-mulher-entre-o-poder-e-o-dom\/"},"modified":"2017-06-09T13:14:25","modified_gmt":"2017-06-09T16:14:25","slug":"a-relacao-entre-homem-e-mulher-entre-o-poder-e-o-dom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-relacao-entre-homem-e-mulher-entre-o-poder-e-o-dom\/","title":{"rendered":"A rela\u00e7\u00e3o entre homem e mulher, entre o poder e o dom"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias2017\/121_ilustracao - mulherehomem.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Klaus Br\u00fcschke, \u00e9 membro do movimento dos Focolares, ex-publisher da Editora Cidade Nova, articulista da revista Cidade Nova.<\/p>\n<p>Em pleno s\u00e9culo XXI, persistem em nossa sociedade alguns fatos inaceit\u00e1veis com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o da mulher: das desigualdades de renda (elas t\u00eam remunera\u00e7\u00e3o menor que seus colegas homens) e na condu\u00e7\u00e3o do lar (elas dedicam-se \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas em m\u00e9dia 7,5 horas mais do que seus maridos, apesar de terem uma carga de trabalho compar\u00e1vel nos empregos) at\u00e9 a escandalosa viol\u00eancia sobre a mulher, passando pelo acesso desproporcionalmente reduzido aos espa\u00e7os de decis\u00e3o no \u00e2mbito corporativo e pol\u00edtico.<br \/>\u00c9 a partir desses fatos e de sua pertin\u00e1cia que nasceram as controversas \u201cteorias de g\u00eanero\u201d. Cabe esclarecer que h\u00e1 muitas correntes, que v\u00e3o dos estudos cient\u00edficos s\u00e9rios e fundamentados ao mero panfleto ideol\u00f3gico, discutindo a quest\u00e3o do sexo (diferen\u00e7a biol\u00f3gica entre homem e mulher), da sexualidade (viv\u00eancia do sexo) e do g\u00eanero (express\u00e3o e adequa\u00e7\u00e3o entre sexo e sexualidade pela sociedade), Umas sublinham que o g\u00eanero \u00e9 um elemento constitutivo das rela\u00e7\u00f5es sociais, a partir do qual busca pensar a hist\u00f3ria e entender as hierarquias sociais e rela\u00e7\u00f5es de poder. Outras sustentam que a diferen\u00e7a sexual \u00e9 efeito das rela\u00e7\u00f5es de poder e dos discursos sobre g\u00eanero e sexualidade. Apesar das diferen\u00e7as, a maioria compartilha uma mesma posi\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica.<br \/>As \u201cteorias de g\u00eanero\u201d partem de uma concep\u00e7\u00e3o do ser humano visto em sua individualidade. As rela\u00e7\u00f5es que ele estabelece seriam fundamentalmente rela\u00e7\u00f5es de poder (de opressor e oprimido). Para se emancipar dessa domina\u00e7\u00e3o, seria preciso libertar-se de tais la\u00e7os, \u201cser dono do pr\u00f3prio nariz\u201d (e do pr\u00f3prio corpo), e n\u00e3o se submeter ao que dita a sociedade. Esse mesmo indiv\u00edduo \u00e9 visto \u201cfatiado\u201d em suas dimens\u00f5es biol\u00f3gica, psicol\u00f3gica, social e espiritual, sem que elas se integrem harmonicamente. Outra caracter\u00edstica de tais posicionamentos \u2013 ali\u00e1s, de muitos saberes contempor\u00e2neos \u2013 \u00e9 cada ci\u00eancia (filosofia, sociologia, antropologia, psicologia, neuroci\u00eancias, biologia\u2026) seguir isoladamente em suas investiga\u00e7\u00f5es, sem uma considerar as contribui\u00e7\u00f5es das outras.<br \/>A discuss\u00e3o sobre esse tema complexo, que acontece na academia e tem reflexos na pol\u00edtica e na educa\u00e7\u00e3o, representa para os crist\u00e3os uma oportunidade de contribu\u00edrem proficuamente. Penso que possam dar importantes aportes justamente nos pressupostos das citadas correntes. A antropologia iluminada pelo cristianismo v\u00ea o ser humano de modo totalmente diverso dessa vis\u00e3o reduzida a rela\u00e7\u00f5es de poder. O cristianismo v\u00ea a pessoa como sujeito livre em sua integridade biopsicossocial e espiritual, e suas rela\u00e7\u00f5es (consigo mesmo, com Deus, com os outros, com a natureza e com as coisas) como rela\u00e7\u00f5es de d\u00e1diva. Sua identidade \u00e9 percebida e afirmada justamente enquanto ele se doa. Portanto, a identidade feminina (e masculina), com a consequente assun\u00e7\u00e3o de papeis sociais, se d\u00e1 nessa troca rec\u00edproca de d\u00e1diva. Al\u00e9m disso, os crist\u00e3os podem contribuir num di\u00e1logo transdisciplinar, capaz de lan\u00e7ar novas luzes em cada ci\u00eancia.<br \/>O pensamento cat\u00f3lico tem p\u00e1ginas sublimes sobre a rela\u00e7\u00e3o homem-mulher no interior do matrim\u00f4nio, ami\u00fade desconhecidas dos pr\u00f3prios crist\u00e3os. Mas ainda s\u00e3o poucas as reflex\u00f5es sobre a rela\u00e7\u00e3o homem-mulher em outras esferas da vida humana (na Igreja, no mundo do trabalho, na pol\u00edtica\u2026). \u00c9 pouco difundido o pensamento de Jo\u00e3o Paulo II, Chiara Lubich, Edith Stein e outros a respeito\u2026<br \/>Em tempos em que a Igreja \u00e9 chamada a sair ao encontro da sociedade contempor\u00e2nea, inclusive como um \u201chospital de campanha\u201d, est\u00e1 a\u00ed um desafiador horizonte a se descortinar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: N\u00facleo F\u00e9 e Cultura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Klaus Br\u00fcschke, \u00e9 membro do movimento dos Focolares, ex-publisher da Editora Cidade Nova, articulista da revista Cidade Nova. 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