{"id":29366,"date":"2017-04-07T13:47:04","date_gmt":"2017-04-07T16:47:04","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/04\/07\/padre-cantalamessa-v-pregacao-da-quaresma\/"},"modified":"2017-06-09T14:03:54","modified_gmt":"2017-06-09T17:03:54","slug":"padre-cantalamessa-v-pregacao-da-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/padre-cantalamessa-v-pregacao-da-quaresma\/","title":{"rendered":"Padre Cantalamessa: V prega\u00e7\u00e3o da Quaresma"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias2017\/1927659_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Cidade do Vaticano (RV) \u2013 Frei Raniero Cantalamessa, Pregador oficial da Casa Pontif\u00edcia, fez, na manh\u00e3 desta sexta-feira, (07) na Capela Redemptoris Mater, no Vaticano, a sua quinta e \u00faltima prega\u00e7\u00e3o de Quaresma 2017. \u201cManifestou-se a Justi\u00e7a de Deus\u201d &#8211; Como fazer do V centen\u00e1rio da Reforma protestante uma ocasi\u00e3o de gra\u00e7a e de reconcilia\u00e7\u00e3o para toda a Igreja, foi o tema da medita\u00e7\u00e3o da qual participou o Papa Francisco e membro da C\u00faria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/media02.radiovaticana.va\/audio\/audio2\/mp3\/00576805.mp3\">Clique aqui para ouvir:<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Esp\u00edrito Santo que \u2013 vimos nas medita\u00e7\u00f5es anteriores \u2013 nos insere na plena verdade da pessoa de Cristo e no seu mist\u00e9rio pascal, nos ilumina tamb\u00e9m sobre um aspecto crucial da nossa f\u00e9 em Cristo, ou seja, sobre a maneira pela qual a salva\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada por ele chega a n\u00f3s hoje na Igreja. Em outras palavras, sobre o grande problema da justifica\u00e7\u00e3o do homem pecador por meio da f\u00e9. Acredito \u2013 disse o pregador &#8211; que tentar lan\u00e7ar luz sobre a hist\u00f3ria e sobre o estado atual deste debate seja a melhor forma para fazer do acontecimento do V centen\u00e1rio da Reforma protestante uma ocasi\u00e3o de gra\u00e7a e de reconcilia\u00e7\u00e3o para toda a Igreja.<\/p>\n<p>Ainda hoje, na pessoa religiosa mediana, em certos pa\u00edses do Norte da Europa, tal doutrina \u00e9 o divisor de \u00e1guas entre catolicismo e protestantismo. Eu mesmo ouvi de v\u00e1rios fieis leigos luteranos a pergunta: &#8220;Voc\u00ea cr\u00ea na justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9?&#8221;, como a condi\u00e7\u00e3o para poder ouvir aquilo que eu dizia. Esta doutrina \u00e9 definida pelos pr\u00f3prios iniciadores da Reforma \u201co artigo com o qual a Igreja est\u00e1 em p\u00e9 ou cai&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 importante recordar que a tese da justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 e n\u00e3o pelas obras, n\u00e3o foi o resultado da pol\u00eamica com a Igreja da \u00e9poca, mas a sua causa. Foi uma verdadeira ilumina\u00e7\u00e3o do alto, uma \u201cexperi\u00eancia Erlebnis, tal como foi definida por ele pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a Reforma Protestante foi um caso de &#8220;muito barulho por nada&#8221;? Fruto de um equ\u00edvoco? Devemos responder com firmeza: n\u00e3o! As revolu\u00e7\u00f5es, no entanto, n\u00e3o surgem pelas ideias ou pelas teorias abstratas, mas por situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas concretas, e a situa\u00e7\u00e3o da Igreja, h\u00e1 tempo, n\u00e3o refletia realmente aquelas convic\u00e7\u00f5es. A vida, a catequese, a piedade crist\u00e3, a dire\u00e7\u00e3o espiritual, por n\u00e3o falar depois da prega\u00e7\u00e3o popular: tudo parecia afirmar o contr\u00e1rio, ou seja, que o que conta s\u00e3o as obras, o esfor\u00e7o humano.<\/p>\n<p>Depois que o cristianismo se tornou religi\u00e3o do Estado, a f\u00e9 era absorvida naturalmente atrav\u00e9s da fam\u00edlia, da escola, da sociedade. N\u00e3o era t\u00e3o importante insistir no momento em que se chega \u00e0 f\u00e9 e na decis\u00e3o pessoal com a qual se torna crentes, mas insistir nas exig\u00eancias pr\u00e1ticas da f\u00e9, em outras palavras, na moral, nos costumes.<\/p>\n<p>A doutrina da justifica\u00e7\u00e3o gratuita pela f\u00e9\u00a0 &#8211; disse Frei Cantalamessa &#8211; n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o do Ap\u00f3stolo Paulo, mas a mensagem central do Evangelho de Cristo, independente da forma que tenha sido conhecida pelo Ap\u00f3stolo: se por revela\u00e7\u00e3o direta do ressuscitado, ou pela &#8220;tradi\u00e7\u00e3o&#8221;, que ele diz ter recebido e que n\u00e3o era certamente limitada \u00e0s poucas palavras do kerygma. Se n\u00e3o fosse assim, teriam raz\u00e3o aqueles que dizem que Paulo, n\u00e3o Jesus, \u00e9 o verdadeiro fundador do cristianismo.<\/p>\n<p>O n\u00facleo da doutrina est\u00e1 contido j\u00e1 na palavra \u201cEvangelho\u201d, boa not\u00edcia, que Paulo com certeza n\u00e3o inventou do nada.<\/p>\n<p>Falando ainda Reforma, o pregador disse que \u00e9 vital que o centen\u00e1rio da Reforma n\u00e3o seja desperdi\u00e7ado permanecendo prisioneiros do passado, procurando ver quem errou ou quem tem raz\u00e3o, talvez em um tom mais conciliador do que no passado. Devemos, pelo contr\u00e1rio, dar um passo \u00e0 frente, como quando um rio chega a um estreitamente de leito e retoma o seu curso em um n\u00edvel mais alto.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o mudou desde ent\u00e3o. Os problemas que causaram a separa\u00e7\u00e3o entre a Igreja de Roma e a Reforma foram particularmente as indulg\u00eancias e o modo como ocorre a justifica\u00e7\u00e3o do \u00edmpio. Mas podemos dizer que estes s\u00e3o os problemas que levantam ou derrubam a f\u00e9 do homem de hoje? Em uma ocasi\u00e3o recordo que o cardeal Kasper fez esta observa\u00e7\u00e3o: para Lutero o problema existencial n\u00famero um era como superar o sentido de culpa e obter um Deus benevolente; hoje o problema \u00e9 exatamente o oposto: como dar novamente ao homem o sentido do pecado que desapareceu totalmente.<\/p>\n<p>A justifica\u00e7\u00e3o gratuita por meio da f\u00e9 em Cristo deveria ser pregada hoje por toda a Igreja e com mais vigor do que nunca. N\u00e3o, no entanto, em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s \u201cobras\u201d mencionadas no Novo Testamento, mas em contraste com a pretens\u00e3o do homem p\u00f3s-moderno de salvar-se sozinho com a sua ci\u00eancia e tecnologia ou com espiritualidades improvisadas e tranquilizantes. Estas s\u00e3o as &#8220;obras&#8221; em que o homem moderno confia. Estou convencido de que, se Lutero voltasse \u00e0 vida, esta seria a maneira pela qual ele tamb\u00e9m pregaria hoje a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9.<\/p>\n<p>Outra coisa importante devemos aprender todos, luteranos e cat\u00f3licos, do iniciador da Reforma. Para ele a justifica\u00e7\u00e3o gratuita pela f\u00e9 era acima de tudo uma experi\u00eancia vivida e s\u00f3 mais tarde teorizada.<\/p>\n<p>Nunca devemos perder de vista o ponto principal da mensagem paulina. Aquilo que o Ap\u00f3stolo quer por acima de tudo afirmar em Romanos 3 n\u00e3o \u00e9 que somos justificados pela f\u00e9 , mas que somos justificados pela f\u00e9 em Cristo; n\u00e3o \u00e9 tanto que somos justificados pela gra\u00e7a, mas que somos justificados pela gra\u00e7a de Cristo. \u00c9 Cristo o cora\u00e7\u00e3o da mensagem, antes mesmo que a gra\u00e7a e a f\u00e9. \u00c9 ele, hoje, o artigo com o qual a Igreja est\u00e1 em p\u00e9 ou cai: uma pessoa, n\u00e3o uma doutrina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Vaticano (RV) \u2013 Frei Raniero Cantalamessa, Pregador oficial da Casa Pontif\u00edcia, fez, na manh\u00e3 desta sexta-feira, (07) na Capela Redemptoris Mater, no Vaticano, a sua quinta e \u00faltima prega\u00e7\u00e3o de Quaresma 2017. \u201cManifestou-se a Justi\u00e7a de Deus\u201d &#8211; Como fazer do V centen\u00e1rio da Reforma protestante uma ocasi\u00e3o de gra\u00e7a e de reconcilia\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":29365,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-29366","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29366","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29366"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29366\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31093,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29366\/revisions\/31093"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29365"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}