{"id":28865,"date":"2017-03-15T13:05:05","date_gmt":"2017-03-15T16:05:05","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/03\/15\/doutrina-social-da-igreja-e-teoria-economica-ja-na-idade-media\/"},"modified":"2017-06-12T11:43:07","modified_gmt":"2017-06-12T14:43:07","slug":"doutrina-social-da-igreja-e-teoria-economica-ja-na-idade-media","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/doutrina-social-da-igreja-e-teoria-economica-ja-na-idade-media\/","title":{"rendered":"Doutrina Social da Igreja e teoria econ\u00f4mica: j\u00e1 na Idade M\u00e9dia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/117 ilustracao opiniao economia.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Antonio Carlos Alves dos Santos \u00e9 professor titular de Economia na Faculdade da PUC-SP e conselheiro do N\u00facleo F\u00e9 e Cultura da PUC-SP.<\/p>\n<p>Os estudos sobre o per\u00edodo medieval avan\u00e7aram bastante no s\u00e9culo passado e aos poucos emerge um cen\u00e1rio intelectual bem diferente daquele cantado em verso e prosa desde o Renascimento, de Idade das Trevas e de obscurantismo. Esta vis\u00e3o equivocada, infelizmente ainda \u00e9 forte no imagin\u00e1rio popular (at\u00e9 mesmo entre as chamadas pessoas informadas) e por isso sempre se causa surpresa quando se fala das contribui\u00e7\u00f5es, no s\u00e9culo XIII, dos frades franciscanos aos rudimentos da teoria econ\u00f4mica.<br \/>O ponto de partida era, naturalmente, a quest\u00e3o da usura, que ganhou grande import\u00e2ncia com a retomada da atividade comercial e com o crescimento da vida urbana, principalmente na regi\u00e3o da Toscana, na It\u00e1lia. N\u00e3o se tratava de mera quest\u00e3o te\u00f3rica, mas de demanda colocada pelo homem de neg\u00f3cios que procurava compatibilizar as suas atividades econ\u00f4micas com a teologia moral cat\u00f3lica: juros, c\u00e2mbio, pre\u00e7o justo, cr\u00e9dito, lucro eram os t\u00f3picos mais importantes.<br \/>A grande figura do per\u00edodo foi o frade franciscano Pedro Jo\u00e3o Olivi (1248-1298), que respondeu \u00e0s demandas dos homens de neg\u00f3cios da \u00e9poca a partir da centralidade do conceito de bem-comum, o bem que expressa as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas; e da \u00eanfase no objetivo do agir do agente econ\u00f4mico como crit\u00e9rio a ser usado para avaliar a moralidade do ato por ele praticado.<br \/>Ancorado nestes conceitos, ele apresenta uma leitura genial do conceito de capital, separando o ente dinheiro (cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 simplesmente o seu ac\u00famulo a partir da obten\u00e7\u00e3o de renda e que, portanto, era capital usur\u00e1rio) do capital semente (que tem em si a semente do lucro, e que seria o capital produtivo moderno). O capital semente \u00e9 moralmente justificado por propiciar uma oferta maior de bens \u00e0 comunidade, o que aumenta o seu bem-estar. O elemento central \u00e9, como j\u00e1 mencionado, o objetivo do agir do agente: o lucro, assim como o cr\u00e9dito, n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo, mas um meio, para se alcan\u00e7ar o bem comum.<br \/>Outra contribui\u00e7\u00e3o importante do Olivi foi a sua explica\u00e7\u00e3o de como se determina valor de um bem: a complacitas, \u00e9 o componente subjetivo, do lado da demanda, enquanto os componentes objetivos, lado da oferta, s\u00e3o a raritas, escassez, e a difficultas, o custo de produ\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, a velha e conhecida oferta e demanda que ganhar\u00e1 seu formato atual com a revolu\u00e7\u00e3o marginalista\/neocl\u00e1ssica de 1870. N\u00e3o deixa de ser ir\u00f4nico, j\u00e1 que esta linha de pensamento econ\u00f4mico \u00e9 fortemente criticada por ser, segundo seus cr\u00edticos, a chamada economia burguesa.<br \/>Esta linha de pensamento ter\u00e1 prosseguimento com os trabalhos do franciscano S\u00e3o Bernardino de Siena (1380-1444) e do dominicano Santo Antonino de Floren\u00e7a (1389-1459) e atingir\u00e1 seu apogeu com a chamada Escola de Salamanca, que apresenta importantes contribui\u00e7\u00f5es no campo da teoria monet\u00e1ria e ser\u00e1 objeto de um outro artigo.<br \/>Os trabalhos desses autores sugerem que a tese, de raiz weberiana, que o catolicismo seria inimigo da economia de mercado \u00e9 exagerada, sendo mais adequado argumentar que a vis\u00e3o cat\u00f3lica \u00e9 mais rica e variada do que se imagina e comporta uma vis\u00e3o de mercado que se aproxima do modelo moderno de economia social de mercado com alguns elementos da socialdemocracia, como podemos inferir do pensamento do Papa Em\u00e9rito Bento XVI e do Papa Francisco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Nucleo F\u00e9 e Cultura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Carlos Alves dos Santos \u00e9 professor titular de Economia na Faculdade da PUC-SP e conselheiro do N\u00facleo F\u00e9 e Cultura da PUC-SP. 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