{"id":20929,"date":"2017-03-09T11:59:51","date_gmt":"2017-03-09T14:59:51","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/03\/09\/papa-ao-die-zeit-sou-um-pecador-limitado-um-homem-comum\/"},"modified":"2017-06-02T11:38:15","modified_gmt":"2017-06-02T14:38:15","slug":"papa-ao-die-zeit-sou-um-pecador-limitado-um-homem-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/papa-ao-die-zeit-sou-um-pecador-limitado-um-homem-comum\/","title":{"rendered":"Papa ao Die Zeit: sou um pecador, limitado, um homem comum"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/papas\/afp5873695_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Cidade do Vaticano (RV) &#8211; O Papa Francisco concedeu uma entrevista ao jornal Die Zeit de Hamburgo, na Alemanha.<\/p>\n<p>A entrevista foi realizada em italiano pelo editor-chefe do jornal, Giovanni di Lorenzo.<\/p>\n<p>O jornalista iniciou a conversa com o Pont\u00edfice ressaltando que se diz que o Papa tenha ficado fascinado, em Augsburgo, por um quadro de Nossa Senhora Desatadora dos N\u00f3s pintado por um artista barroco no s\u00e9culo XVIII. Francisco respondeu que n\u00e3o \u00e9 verdade, pois nunca foi a Augsburgo.<\/p>\n<p>O rep\u00f3rter insistiu, afirmando que a fonte \u00e9 cr\u00edvel. O Papa respondeu: \u201cOs jornalistas s\u00e3o assim\u201d, e sorriu. \u201cA hist\u00f3ria \u00e9 que uma religiosa que eu conhecia, me enviou um cart\u00e3o de Natal com a imagem de Nossa Senhora Desatadora dos N\u00f3s. Eu vi e me interessei. O quadro retoma uma frase de Irineu de Lyon. O doador da obra enfrentava dificuldades com a esposa. Eles se queriam bem, mas alguma coisa n\u00e3o funcionava. Ele procurava o conselho de um sacerdote jesu\u00edta. Esse padre pegou uma fita longa e branca que foi usada para a cerim\u00f4nia do matrim\u00f4nio e pediu a Nossa Senhora, porque tinha lido a frase de Irineu, que o n\u00f3 de Eva foi desatado pela obedi\u00eancia de Maria. Ent\u00e3o, pediu a Nossa Senhora para desatar esses n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>O jornalista ent\u00e3o, prossegue: Os n\u00f3s representam os problemas n\u00e3o resolvidos? \u201cSim\u201d, responde o Papa. \u201cO quadro foi pintado como a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, porque no final, Nossa Senhora concedeu a gra\u00e7a ao casal\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: O n\u00famero de sacerdotes diminuiu. Cada vez menos fi\u00e9is, e cada vez menos padres e muita coisa para fazer.<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201c\u00c9 um grande problema. Na Su\u00ed\u00e7a \u00e9 pior, n\u00e3o? Muitas par\u00f3quias est\u00e3o nas m\u00e3os de mulheres dedicadas que nos domingos conduzem as ora\u00e7\u00f5es. \u00c9 um problema a falta de voca\u00e7\u00f5es. \u00c9 um problema que a Igreja deve resolver, procurar como resolver isso\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: Como?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cAcredito que em primeiro lugar esteja o pedido que Senhor nos faz para rezar. A ora\u00e7\u00e3o. Depois, o trabalho com os jovens que s\u00e3o os grandes descartados na sociedade moderna, pois\u00a0 n\u00e3o t\u00eam trabalho em v\u00e1rios pa\u00edses. Para as voca\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m tem um problema.\u201d<\/p>\n<p>Die Zeit: Qual?<\/p>\n<p>Papa Francisco: &#8220;O problema da natalidade&#8221;.<\/p>\n<p>Die Zeit: Na Alemanha \u00e9 baixa, mas n\u00e3o mais do que, por exemplo, na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Papa Francisco: &#8220;Se n\u00e3o h\u00e1 crian\u00e7as, n\u00e3o haver\u00e1 sacerdotes. Acredito que este \u00e9 um problema grave que devemos enfrentar no pr\u00f3ximo S\u00ednodo sobre os jovens, mas n\u00e3o \u00e9 um problema de proselitismo, n\u00e3o. N\u00e3o se obt\u00e9m voca\u00e7\u00f5es com o proselitismo&#8221;.<\/p>\n<p>O Papa destacou que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 voca\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante fazer uma sele\u00e7\u00e3o. \u201cHoje, temos muitos jovens que depois arru\u00ednam a Igreja, porque n\u00e3o s\u00e3o sacerdotes por voca\u00e7\u00e3o. O problema das voca\u00e7\u00f5es \u00e9 um problema grave\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Sobre a crise de f\u00e9, o Papa respondeu que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel crescer sem crises. \u201cNa vida humana acontece o mesmo. O crescimento biol\u00f3gico sempre \u00e9 uma crise, n\u00e3o? A crise de uma crian\u00e7a que se torna adulta. Com a f\u00e9 \u00e9 o mesmo. Quando Jesus sente aquela seguran\u00e7a de Pedro que me faz pensar a muitos fundamentalistas cat\u00f3licos, quando Jesus sente isso, o que lhe diz? Voc\u00ea ir\u00e1 me renegar tr\u00eas vezes! E Pedro renegou Jesus. A crise faz parte da vida de f\u00e9. Uma f\u00e9 que n\u00e3o entra em crise para crescer, permanece\u00a0 infantil.\u201d<\/p>\n<p>Die Zeit: Como se volta \u00e0 f\u00e9?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cA f\u00e9 \u00e9 um dom. \u00c9 doada\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: Volta sozinha?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cEu pe\u00e7o e Ele responde. \u00c0s vezes temos de esperar numa crise. A f\u00e9 n\u00e3o se compra\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: O senhor acredita que o ser humano por natureza seja bom, ou \u00e9 bom e mal?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cO homem \u00e9 imagem de Deus. O homem \u00e9 bom, mas tamb\u00e9m o homem \u00e9 fraco, foi tentado e se feriu. \u00c9 uma bondade ferida\u201d.\u00a0 <\/p>\n<p>Die Zeit: Mas pode tornar-se mau?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cA maldade \u00e9 outra coisa, mais feia, mais feia. Na B\u00edblia, a narra\u00e7\u00e3o m\u00edtica do G\u00eanesis. Ad\u00e3o n\u00e3o foi mau: foi fraco, foi tentado pelo diabo. Ao inv\u00e9s disto, a primeira maldade \u00e9 a do filho, de Caim: n\u00e3o \u00e9 por fraqueza ou por&#8230; \u00c9 por ci\u00fames, por inveja, por desejo de poder&#8230; \u00e9 a maldade das guerras. \u00c9 a maldade que hoje encontramos na pessoa que mata: mata o outro. Para mim esta \u00e9 a maldade, porque \u00e9 quem fabrica as armas\u201d.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Die Zeit: Mas quais s\u00e3o os limites da ora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Papa Francisco:\u00a0 \u201cRezar pelas coisas boas. Por exemplo: \u201cAjuda-me a ter o dinheiro necess\u00e1rio para acabar o m\u00eas com minha fam\u00edlia, que n\u00e3o me falte&#8230;\u201d: isto \u00e9 justo. Mas \u201cajuda-me a ter muito dinheiro para ter muito poder\u201d, isto n\u00e3o \u00e9 correto. Pode-se pedir, mas&#8230;. Porque se est\u00e1 pedindo algo que vai pelo caminho da mundanidade, o poder do mundo. Jesus falou tanto, no final da Ceia, com os disc\u00edpulos e disse que rezou por eles ao Pai. E o que pediu ao Pai? N\u00e3o para tir\u00e1-los do mundo, mas para proteg\u00ea-los do esp\u00edrito do mundo. O esp\u00edrito do mundo \u00e9 aquilo que n\u00e3o devemos pedir; as coisas que s\u00e3o do esp\u00edrito do mundo: o esp\u00edrito da soberba, do poder para dominar&#8230; isto n\u00e3o \u00e9&#8230; Se deve pedir coisas que constroem o mundo, que criam fraternidade e que tragam a paz, que deem coisas boas; mas \u201cajuda-me a matar a minha mulher\u201d, n\u00e3o pode\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: O mafioso faz o sinal da cruz antes de matar&#8230;<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cSim, sim. Isto \u00e9 uma doen\u00e7a. \u00c9 uma doen\u00e7a religiosa, sim, e usa a religi\u00e3o, tamb\u00e9m fazem isto os mafiosos da Am\u00e9rica Latina. Se dizem crist\u00e3os e para resolver os problemas pagam um matador de aluguel, e depois v\u00e3o \u00e0 Igreja\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: Ao ouvir estas coisas o senhor se embrabece?<\/p>\n<p>Papa Francisco:\u00a0 \u201cSim, um pouco. Mas fico brabo quando a Igreja, a Santa Madre Igreja, minha m\u00e3e, a minha Esposa, n\u00e3o d\u00e1 um testemunho de fidelidade ao Evangelho. Isto me faz mal\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: Ainda faz mal para o senhor? Neste momento, em todo o mundo, existe esta enorme preocupa\u00e7\u00e3o que a coes\u00e3o da sociedade n\u00e3o funcione mais. Temos uma onda de populismo, no geral de direita; temos fortes movimentos que amea\u00e7am a democracia&#8230; Neste contexto, qual deve ser o\u00a0 comportamento de um crist\u00e3o?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cSim&#8230; Para mim, a palavra populismo \u00e9 equivocada, porque na Am\u00e9rica Latina tem um outro significado. Fiquei confuso, porque n\u00e3o entendia bem. Mas pense o senhor que no ano 1933, ap\u00f3s a queda da Rep\u00fablica de Weimar: a Alemanha estava desesperada, a crise econ\u00f4mica de 30 era&#8230; e um jovem disse \u201ceu posso, eu posso, eu posso!\u201d, mas&#8230; e se chamava Adolf, e isto acabou assim, n\u00e3o?\u00a0 Conseguiu convencer o povo de que ele podia. Por tr\u00e1s dos populismos sempre existe um messianismo, sempre. \u00c9 tamb\u00e9m uma justificativa: preservamos a identidade do povo\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: Um messianismo na falta de outro verdadeiro testemunho&#8230;<\/p>\n<p>Papa Francisco:\u00a0 \u201c&#8230;de um verdadeiro testemunho. Talvez, n\u00e3o?\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: Por que faltam os grandes modelos pol\u00edticos?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cQuando os grandes do p\u00f3s-guerra imaginaram a unidade europeia \u2013 pense em Schuman, Adenauer \u2013 imaginaram uma coisa n\u00e3o populista: imaginaram uma fraternidade de toda a Europa, do Atl\u00e2ntico aos Urais. E estes s\u00e3o os grandes l\u00edderes \u2013 os grandes l\u00edderes \u2013 que s\u00e3o capazes de levar em frente o bem do pa\u00eds em estarem eles no centro. Sem serem messias. O populismo \u00e9 ruim, e no final acaba mal, como nos mostra o s\u00e9culo passado\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: O senhor v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o de hoje semelhante aos anos 30, do s\u00e9culo passado? Pois\u00a0 o senhor usa at\u00e9 mesmo a palavra da terceira guerra mundial que estamos vivendo&#8230;<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cSim, sim. Isto \u00e9 \u00f3bvio. Porque realmente est\u00e1 assim\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: Em que sentido?<\/p>\n<p>Papa Francisco:\u00a0 \u201cMas&#8230;todo o mundo est\u00e1 em guerra, mas, pense na \u00c1frica\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: Mas s\u00e3o conflitos menores&#8230;<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cPor isto digo: a terceira guerra mundial em peda\u00e7os. Pense na Ucr\u00e2nia, que est\u00e1 na Europa; pense na \u00c1sia, pense no drama de Sindshar no Iraque, na pobre gente que foi expulsa&#8230; Mas por que falo em guerra? Isto se faz com as armas modernas e existe toda uma estrutura de fabricantes de armas que ajuda isto. \u00c9 uma guerra. Mas \u2013 isto o sublinho \u2013 n\u00e3o quero dizer que esta situa\u00e7\u00e3o seja a mesma de 33, n\u00e3o! Este \u00e9 um exemplo que dei para explicar o populismo\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: Mas o senhor est\u00e1 preocupado, neste momento, com a onda de populismo em todo o mundo?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cAo menos na Europa sim. Um pouco. E o que penso sobre a Europa \u00e9 isto que n\u00e3o quero dizer a mais e nem a menos do que eu disse nos tr\u00eas discursos (sobre) a Europa: os dois discursos em Estrasburgo e o terceiro quando recebi o Karlspreis, em Aachen, sim, que o recebi aqui, e havia tantos Chefes de governo, alguns de Estado, que vieram. N\u00e3o gosto de receber honorific\u00eancias: esta \u00e9 a \u00fanica que recebi porque insistiram. Disseram: \u201cA Europa tem necessidade que o senhor nos diga alguma coisa\u201d, e eu aceitei; mas os tr\u00eas antes de mim &#8211; Juncker, Martin Schutz e tamb\u00e9m o Prefeito de Aachen &#8211; disseram coisas mais duras do que eu, mais fortes, mas en\u00e9rgicas\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: O ent\u00e3o Presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, falava da crise dos migrantes e refugiados, chamando-a de \u201cdesafio epocal\u201d. Os valores da Europa sendo questionados, \u00e9 urgente lutar pela Europa&#8230;<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cSim, foram tamb\u00e9m corajosos, hein!\u201d<\/p>\n<p>Die Zeit:\u00a0 O senhor n\u00e3o se sente pressionado pelas expectativas que as pessoas de hoje tem por \u201chomens-exemplo\u201d, como \u00e9 o seu caso?<\/p>\n<p>Papa Francisco:\u00a0 \u201cMas, eu n\u00e3o me sinto um homem excepcional.\u00a0 Eu sinto que exageram com as expectativas, n\u00e3o fazendo justi\u00e7a.\u00a0 Eu n\u00e3o digo que sou um pobre, n\u00e3o; mas sou um homem comum que faz aquilo que pode, mas comum. Assim me sinto. E quando algu\u00e9m diz: \u201cN\u00e3o, o senhor, o senhor \u00e9&#8230;\u201d, isto n\u00e3o me faz bem\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: O senhor diz isto, mesmo com o risco de desiludir muitos na C\u00faria que t\u00eam necessidade de um pai impec\u00e1vel?<\/p>\n<p>Papa Francisco:\u00a0 \u201cN\u00e3o existe um pai, existe somente um&#8230; Todos os pais s\u00e3o pecadores \u2013 gra\u00e7as a Deus \u2013 porque isto tamb\u00e9m nos encoraja a ir em frente e dar a vida, nesta \u00e9poca de orfandade, onde existe necessidade de paternidade. E eu sou um pecador, sou limitado. Mas n\u00e3o se esque\u00e7a que a idealiza\u00e7\u00e3o de uma pessoa \u00e9 uma forma sutil de agress\u00e3o, \u00e9 um caminho para agredir sutilmente uma pessoa. E quando me idealizam, me sinto agredido\u201d.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Die Zeit: Os ataque contra o senhor que prov\u00eam do Vaticano, lhe fazem mal pessoalmente?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cN\u00e3o. Sobre isto eu farei uma confiss\u00e3o sincera. Desde o momento que fui eleito Papa n\u00e3o perdi a paz. Entendo que meu modo de agir n\u00e3o agrada a alguns, tamb\u00e9m justifico isto: existem tantos modos de pensar; \u00e9 tamb\u00e9m l\u00edcito, \u00e9 tamb\u00e9m humano e tamb\u00e9m uma riqueza\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: \u00c9 uma riqueza os cartazes que apareceram em Roma, acusando o senhor de n\u00e3o ser misericordioso? O L\u2019Osservatore Romano falso onde o senhor responde \u201csim e n\u00e3o\u201d, \u00e9 uma riqueza, na sua opini\u00e3o?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cO L\u2019Osservatore Romano falso, n\u00e3o; mas o \u2018romanaccio\u2019 que havia naqueles cartazes, era bel\u00edssimo! Era um \u2018romanaccio\u2019, culto. Aquilo n\u00e3o foi escrito por algu\u00e9m da rua!\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: Mas foi escrito por algu\u00e9m daqui?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cN\u00e3o: algu\u00e9m culto (risos). Mas aquele \u2018romanaccio\u2019 era bel\u00edssimo!\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: \u00c9 interessante que o senhor consiga rir a respeito disto&#8230;<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cMas sim! Eu, uma das coisas que rezo todos os dias com a ora\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Thomas Morus (Tom\u00e1s More): pe\u00e7o o senso de humor. E o Senhor n\u00e3o me tirou a paz e me d\u00e1 muito senso de humor. N\u00e3o cheguei ainda a rir como o maravilhoso Padre Peter Hans Kolvenbach, por 25 anos Geral dos Jesu\u00edtas. Ele tinha um senso de humor, mas sempre construtivo e positivo, n\u00e3o?!\u201d.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Die Zeit: Existe uma hist\u00f3ria muito complicada, mas que poderia ser reduzida. Na Ordem de Malta existe um Gr\u00e3o Chanceler, Albrecht von Boeselager. Foi acusado de n\u00e3o ter impedido a distribui\u00e7\u00e3o de preservativos em um projeto de ajuda em Myanmar. Acabou sendo demitido por um amigo do Cardeal Burke. O senhor rescindiu esta demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Papa Francisco:\u00a0 \u201cN\u00e3o, com a Ordem de Malta havia problemas, que ele talvez n\u00e3o tenha conseguido administrar, pois ele n\u00e3o era o \u00fanico protagonista ali; e eu n\u00e3o tirei dele o t\u00edtulo de Patrono da Ordem de malta: ele continua a ser Patrono de Malta. Mas ali havia necessidade de organizar a Ordem e por isto nomeei um delegado capaz de organizar, com um carisma que n\u00e3o tem o Cardeal Burle\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: O senhor foi convidado pela Igreja Cat\u00f3lica alem\u00e3, pela Igreja Protestante alem\u00e3, pelo Presidente da Rep\u00fablica alem\u00e3, para ir \u00e0 Alemanha no Ano de Lutero, possivelmente este ano. O senhor ir\u00e1?<\/p>\n<p>Papa Francisco:\u00a0 \u201cTamb\u00e9m a Chanceler convidou-me. Este ano ser\u00e1 dif\u00edcil, porque existem tantas viagens. Estudando, sim; mas com os luteranos quis antecipar esta quest\u00e3o e ir a Lund, na Su\u00e9cia, no ano passado, para comemorar o in\u00edcio da comemora\u00e7\u00e3o dos 500 anos, e depois os 50 anos da funda\u00e7\u00e3o uni\u00e3o cat\u00f3lico-protestante, luterana. Existe uma agenda muito dif\u00edcil este ano, para mim\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit:\u00a0 Quem sabe existam pa\u00edses mais importantes, neste momento, como a R\u00fassia a China&#8230;<\/p>\n<p>Papa Francisco:\u00a0 \u201cNa R\u00fassia n\u00e3o posso ir porque deveria ir tamb\u00e9m \u00e0 Ucr\u00e2nia. O importante seria ir no Sud\u00e3o do Sul \u2013 coisa que n\u00e3o acredito possa fazer \u2013 estava em programa ir nos dois Congos: com Kabila as coisas n\u00e3o est\u00e3o bem, acredito que n\u00e3o possa ir: mas irei sim, \u00e0 \u00cdndia, Bangladesh, seguramente, Col\u00f4mbia, depois um dia em Portugal, em F\u00e1tima, e depois acredito que h\u00e1 uma outra viagem em estudo, ao Egito. Parece que o calend\u00e1rio est\u00e1 cheio, n\u00e3o?\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: J\u00e1 que para a Alemanha n\u00e3o este ano. Em 2018, quem sabe?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cN\u00e3o sei; n\u00e3o pensei ainda. N\u00e3o foi programado\u201d.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Die Zeit: Mas o senhor entende bem ao alem\u00e3o, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cSe falado lentamente, consigo, porque \u201cohne \u00dcbung habe ich es verlernt\u201d (sem exerc\u00edcio, perdi um pouco). Desculpe-me se n\u00e3o correspondi \u00e0s suas expectativas\u201d.<\/p>\n<p>Die Zeit: Est\u00e3o mais do que superadas as expectativas.<\/p>\n<p>Papa Francisco: \u201cReze por mim\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Vaticano (RV) &#8211; O Papa Francisco concedeu uma entrevista ao jornal Die Zeit de Hamburgo, na Alemanha. 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